{"id":999,"date":"2005-05-05T15:57:39","date_gmt":"2005-05-05T18:57:39","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=999"},"modified":"2005-05-05T15:57:39","modified_gmt":"2005-05-05T18:57:39","slug":"cardume-de-invencionices","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/cardume-de-invencionices\/","title":{"rendered":"Cardume de invencionices"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 seis ou oito anos, no bar da Feira do Livro, ali ao lado do Museu de Artes do Rio Grande do Sul, na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, tive a honra de compartilhar de uma mesa, onde se reuniam, em alarido juvenil, o Walter Galvani, o C\u00eddio Salatino e o Rivad\u00e1via de Souza, o nego Riva, para os mais \u00edntimos.<br \/>\nUm pouco antes, a Editora Sulina havia publicado as mem\u00f3rias do Rivad\u00e1via de Souza, que li avidamente, surpreso com a vida multifacetada do seu autor, reconstru\u00edda, pela mem\u00f3ria, desde os seus tempos de guri, em Uruguaiana. Ali, ao redor da mesa, envolvida pela agita\u00e7\u00e3o fe\u00e9rica da noite, eu olhava para o Rivad\u00e1via e lembrava as passagens mais encantadoras de suas mem\u00f3rias, que deveriam ser leitura obrigat\u00f3ria para os jornalistas ga\u00fachos, entre os quais ele disputava o primeir\u00edssimo lugar.<br \/>\nAcompanhado pelo amigo e fiel escudeiro C\u00eddio Salatino e pela esposa, uma espanhola de alma libert\u00e1ria, que conheceu em Paris, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, Rivad\u00e1via, j\u00e1 entrado em anos, mas com a mem\u00f3ria faiscante, me contou ter sido o autor da primeira entrevista publicada na imprensa ga\u00facha com o Lupic\u00ednio Rodrigues.<br \/>\nMais tarde, quando ele e a esposa j\u00e1 haviam voltado para Bras\u00edlia, onde moravam, me mandou um cart\u00e3o agradecendo os coment\u00e1rios elogiosos que fiz a respeito do seu livro de mem\u00f3rias. Foi, na verdade, o \u00faltimo contato que tive com o Rivad\u00e1via de Souza, que faleceu em Bras\u00edlia, deixando na saudade uma legi\u00e3o de amigos.<br \/>\nPois, h\u00e1 duas semanas, reencontrei o Rivad\u00e1via de Souza num sebo da rua Riachuelo, espargindo simpatia, ao lado do presidente Get\u00falio Vargas, na capa do seu livro, intitulado \u201cBotando os Pingos nos Is \u2013 As Inverdades nas Mem\u00f3rias de Samuel Wainer\u201d. Os pingos nos is, colocados por Rivad\u00e1via de Souza, nasceram da sua indigna\u00e7\u00e3o ao ler \u201cMinha Raz\u00e3o de Viver\u201d, contendo as mem\u00f3rias de Wainer, organizadas e editadas pelo jornalista Augusto Nunes.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Rivad\u00e1via de Souza <\/span><br \/>\nDefensor incans\u00e1vel do jornalismo \u00edntegro, a servi\u00e7o da verdade, Rivad\u00e1via de Souza fez quest\u00e3o de escrever o livro para esclarecer erros imperdo\u00e1veis de informa\u00e7\u00e3o contidos nas mem\u00f3rias. Editado pela Record e publicado em 1989, o livro de Rivad\u00e1via de Souza \u00e9 um manancial de informa\u00e7\u00f5es preciosas a respeito dos bastidores da pol\u00edtica brasileira contempor\u00e2nea, que ele conheceu como poucos, na condi\u00e7\u00e3o de rep\u00f3rter e, mais tarde, de amigo e assessor de imprensa do presidente Vargas, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de 1950.<br \/>\nA seriedade com que Rivad\u00e1via de Souza encarou a profiss\u00e3o de jornalista n\u00e3o permitiu que ele silenciasse diante dos escorreg\u00f5es do ego inflado de Wainer. N\u00e3o se conhece na hist\u00f3ria do jornalismo brasileiro obra t\u00e3o demolidora, realizada com o \u00fanico prop\u00f3sito de restabelecer a verdade dos fatos contados e imaginados.<br \/>\nAlgumas invencionices do Samuel Wainer receberam tratamento de choque. Afinal de contas, segundo Rivad\u00e1via de Souza, as mem\u00f3rias do criador da \u00daltima Hora cont\u00e9m \u201cum cardume de invencionices, que pulam e pululam no seu leito\u201d. Eu gostaria de conhecer a opini\u00e3o do Augusto Nunes a respeito do livro do Rivad\u00e1via de Souza. Sempre h\u00e1 tempo para servir \u00e0 verdade. E, acima de tudo, sempre h\u00e1 tempo para impedir que a hist\u00f3ria se misture com a fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 seis ou oito anos, no bar da Feira do Livro, ali ao lado do Museu de Artes do Rio Grande do Sul, na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, tive a honra de compartilhar de uma mesa, onde se reuniam, em alarido juvenil, o Walter Galvani, o C\u00eddio Salatino e o Rivad\u00e1via de Souza, o nego Riva, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-999","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack-related-posts":[{"id":84673,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/40-anos-sem-simone-de-beauvoir-uma-interlocutora-ainda-incomoda-do-presente\/","url_meta":{"origin":999,"position":0},"title":"40 anos sem Simone de Beauvoir, uma interlocutora ainda inc\u00f4moda do presente","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"14 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"CRISTIANO GOLDSCHMIDT Quarenta anos ap\u00f3s a morte de Simone de Beauvoir (9 de janeiro de 1908 - 14 de abril de 1986), descubro que sua aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 propriamente um vazio \u2014 \u00e9 antes um rumor cont\u00ednuo, uma esp\u00e9cie de presen\u00e7a indireta que se infiltra nas conversas, nos livros, nas\u2026","rel":"","context":"Em &quot;An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"An\u00e1lise&amp;Opini\u00e3o","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/category\/analiseopiniao\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/colunas\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2026\/04\/simone-de-beauvoir-memorias-de-uma-menina-bemcomportada.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":84622,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/13-de-abril-queriam-transformar-o-hino-nacional-em-grito-de-guerra-mas-ele-insiste-em-ser-canto-de-paz\/","url_meta":{"origin":999,"position":1},"title":"13 de abril: Queriam transformar o Hino Nacional em grito de guerra, mas ele insiste em ser canto de paz","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"13 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"CRISTIANO GOLDSCHMIDT No calend\u00e1rio das datas c\u00edvicas, o 13 de abril passa quase em sil\u00eancio, como um acorde sustentado que poucos escutam at\u00e9 o fim. 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