{"id":82100,"date":"2020-06-22T07:40:23","date_gmt":"2020-06-22T10:40:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/?p=82100"},"modified":"2020-06-27T19:40:14","modified_gmt":"2020-06-27T22:40:14","slug":"um-documento-sobre-a-formacao-do-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/um-documento-sobre-a-formacao-do-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Um documento sobre a forma\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\"><img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"82090\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/a-viagem-de-saint-hilaire-um-olhar-critico-sobre-o-rio-grande-do-sul\/selosainthilaire\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/SeloSaintHilaire.jpg\" data-orig-size=\"627,680\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"SeloSaintHilaire\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/SeloSaintHilaire.jpg\" class=\"alignright wp-image-82090 \" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/SeloSaintHilaire-277x300.jpg\" alt=\"Selo Diario de Sai\" width=\"231\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/SeloSaintHilaire-277x300.jpg 277w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/SeloSaintHilaire.jpg 627w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/span>Em centenas de p\u00e1ginas manuscritas o naturalista e botanista franc\u00eas Auguste de Saint-Hilaire, registrou o dia a dia de sua viagem de um ano pelo Rio Grande do Sul a partir de junho de 1820.<\/p>\n<p>Seu di\u00e1rio tornou-se um documento \u00fanico &#8211; o olhar de um europeu culto sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida no Rio Grande do Sul h\u00e1 200 anos,\u00a0 quando era ainda um territ\u00f3rio de campos abertos, escassamente povoados.<\/p>\n<p>Encerrava-se o ciclo das Guerras Cisplatinas, disseminavam-se as est\u00e2ncias, estabilizavam-se as primeiras povoa\u00e7\u00f5es nas regi\u00f5es fronteiri\u00e7as, uma economia come\u00e7ava a ganhar contornos, al\u00e9m da subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Embora continue a provocar controv\u00e9rsias por passagens preconceituosas e outras francamente racistas, inerentes \u00e0 \u00e9poca, n\u00e3o h\u00e1 como desconhecer a import\u00e2ncia da <em>Viagem ao Rio Grande do Sul<\/em>,\u00a0 como fonte imprescind\u00edvel para o conhecimento da sociedade ga\u00facha.<\/p>\n<p>As anota\u00e7\u00f5es de Saint Hilaire s\u00e3o decisivas para que se entenda essa realidade seminal. Nela est\u00e3o as origens da sociedade riograndense.<\/p>\n<p>No dia 6 de junho, quando h\u00e1 exatos 200 anos Saint Hilaire iniciou seu di\u00e1rio em territ\u00f3rio do Rio Grande do Sul, o jornal J\u00c1 come\u00e7ou a publicar uma s\u00e9rie que vai at\u00e9 junho de 2021.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o reportagens, entrevistas, artigos, debates em torno desse monumento hist\u00f3rico que \u00e9 a <em>Viagem ao Rio Grande do Sul<\/em>, de August Saint Hilaire.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Ga\u00fachos e gaud\u00e9rios eram os<\/strong><strong>\u00a0 que n\u00e3o tinham trabalho fixo&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Nessa entrevista a Francisco Ribeiro, o historiador Moacyr Flores (via email, em respeito ao isolamento imposto pela covid-19), aborda principalmente as afirma\u00e7\u00f5es de Saint Hilaire que hoje soam preconceituosas e abertamente racistas:<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Qual a import\u00e2ncia, para a hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul, do testemunho, em forma de di\u00e1rio, de Saint-Hilaire?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; \u00a0\u00c9 um dos poucos documentos que permite a reconstitui\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica do Rio Grande do Sul, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 <\/strong>&#8211; <strong>A primeira coisa que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a indig\u00eancia dos moradores do litoral. Qual a raz\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; O litoral estava distante, sem portos para comunica\u00e7\u00e3o mar\u00edtima. O \u00fanico porto era o de Rio Grande, com uma barra perigosa, que permitia entrada de embarca\u00e7\u00f5es de novembro a mar\u00e7o, por causa dos ventos, bancos de areia e corrente mar\u00edtima vindas das ilhas Malvinas.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; A contradi\u00e7\u00e3o entre a indig\u00eancia das habita\u00e7\u00f5es e o trajar das mulheres, melhor, segundo Saint-Hilaire, do que as camponesas francesas.<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; N\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o. Na Fran\u00e7a os nobres e sacerdotes eram os donos da terra, n\u00e3o trabalhavam nem pagavam impostos. Os comerciantes viviam bem numa sociedade mercantilista, embora pagassem impostos. Os camponeses n\u00e3o eram donos da terra, pagavam altos impostos. A mis\u00e9ria estava no campo. No Brasil formou-se uma economia de consumo, em troca da explora\u00e7\u00e3o da cana de a\u00e7\u00facar, algod\u00e3o, pedras preciosas. O morador da \u00e1rea rural era geralmente dono da terra.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Nota-se, nos relatos de Saint-Hilaire, um imenso desprezo pelos \u00edndios, sobretudo pelas \u00edndias. Fala que elas n\u00e3o t\u00eam pudor. Tamb\u00e9m acusa de causarem muitos males aos brancos que, ao que parece, segundo ele conta, ficavam enfeiti\u00e7ados por elas.<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; A moral dos \u00edndios era diferente da moral dos europeus crist\u00e3os. O padre Ruiz de Montoya, no seu livro Conquista Espiritual, narra que, para atrair e fixar os guaranis numa miss\u00e3o, devia-se silenciar sobre os pecados provocados pela sexualidade, e n\u00e3o impor casamento monog\u00e2mico.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Contudo, ele n\u00e3o deixa de acentuar a decad\u00eancia moral e material dos guaranis devido a destrui\u00e7\u00e3o das miss\u00f5es jesu\u00edticas.<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Porque os \u00edndios ficaram sem o controle da moral pelos jesu\u00edtas, voltando aos valores ancestrais.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Ele sempre insiste na ideia de que um dos problemas dos \u00edndios \u00e9 que eles n\u00e3o possuem a \u201cno\u00e7\u00e3o de futuro\u201d. No que ele se apoia?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; No conhecimento geral. Na mentalidade ind\u00edgena o passado deixou de existir, vivia-se o presente e o futuro ainda n\u00e3o existia.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Ele n\u00e3o \u00e9 preconceituoso somente em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndios. Faz cr\u00edticas duras a todos os grupos \u00e9tnicos e sociais que viviam no Rio Grande do Sul naquele per\u00edodo. Trata-se do olhar de um nobre europeu, civilizado, diante de um contexto primitivo, que alterna civiliza\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; At\u00e9 hoje o nacionalismo dos europeus \u00e9 preconceituoso a quem n\u00e3o \u00e9 de sua nacionalidade e cultura.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Para Saint-Hilaire, ga\u00facho e bandido s\u00e3o sin\u00f4nimos. Preconceito que, na \u00e9poca, era comum a rio-grandenses e platinos, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Saint-Hilaire apenas confirma a exist\u00eancia desses indiv\u00edduos marginais \u00e0 sociedade da \u00e9poca. Os gaud\u00e9rios ou ga\u00fachos formavam um grupo social \u00e0 parte, que n\u00e3o possu\u00edam trabalho fixo.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 \u2013 Ele faz muitas considera\u00e7\u00f5es sobre Porto Alegre. Acha-a bonita, por\u00e9m mais suja que o Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 aquecimento, lareiras, nas casas&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Todas as cidades eram sujas. Jogava-se todo o tipo de lixo no meio da rua, que s\u00f3 era limpa pelas chuvas fortes. Os camponeses na Europa tinham o est\u00e1bulo numa divis\u00e3o da casa, pois os excrementos e calor dos animais serviam para aquecer no inverno.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1- \u00a0O Rio Grande do Sul, na \u00e9poca em que Saint-Hilaire esteve por aqui, era uma imensa pra\u00e7a de guerra, um acampamento militar, principalmente depois da anexa\u00e7\u00e3o da Banda Oriental, sob o nome de prov\u00edncia Cisplatina. <\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; O territ\u00f3rio do Rio Grande do Sul pertencia \u00e0 Espanha pelo tratado de Tordesilhas. Os portugueses colonizaram o Brasil at\u00e9 Cananeia deixando o Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul atuais para os espanh\u00f3is. S\u00f3 a partir de 1680, com a funda\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia do Sacramento, \u00e9 que a pol\u00edtica portuguesa conquistou este territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 \u2013 Pelos relatos de Saint-Hilaire, chama a aten\u00e7\u00e3o o enorme contingente de soldados ind\u00edgenas, havendo regimentos compostos s\u00f3 com esta etnia.<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; O \u00edndio era guerreiro. Ao ser absorvido pela civiliza\u00e7\u00e3o, sentou pra\u00e7a no ex\u00e9rcito espanhol e portugu\u00eas. Tamb\u00e9m trabalhou como pe\u00e3o, tropeiro, capataz.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Ele fala muito sobre um general \u00edndio, Siti, e seu bando de ga\u00fachos. Qual a relev\u00e2ncia deste personagem?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Os ga\u00fachos surgiram junto aos toldos dos \u00edndios charruas, adotando seus costumes. E cada bando obedecia a um chefe.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Nos meses que passou no Rio Grande do Sul, Saint-Hilaire constatou que a capitania era uma das mais ricas do Brasil. Tamb\u00e9m relatou uma s\u00e9rie de descontentamentos, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos impostos, que deflagrariam a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha. <\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; O Rio Grande do Sul exportava seus produtos de navio pelo porto de Rio Grande para o Rio de Janeiro. Tamb\u00e9m por tropas de mulas seguindo para os Campos de Curitiba, Sorocaba, e da\u00ed para o Rio de Janeiro ou Juiz de Fora. Um ter\u00e7o do imposto era pago na origem, isto no Rio Grande do Sul, e um ter\u00e7o em Sorocaba, e o ter\u00e7o final no Rio de Janeiro ou Juiz de Fora. Os rio-grandenses do partido farroupilha queriam que todo o imposto fosse pago na origem do produto.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Fora o car\u00e1ter cient\u00edfico, o que diferencia Saint-Hilaire dos demais viajantes como, por exemplo, Nicholas Dreys ou Arsene Isabelle, que percorreram o Rio Grande do Sul nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX? <\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; A maioria desses viajantes era financiada por grandes comerciantes europeus. Eram concorrentes. Atr\u00e1s do car\u00e1ter cient\u00edfico tamb\u00e9m tinha o objetivo de descobrir novos produtos que poderiam ser comercializados. Tinham o compromisso com seus financistas de apresentar resultados de como melhorar e ganhar mais com as descobertas que faziam. Enfim, de explorar nosso mercado de consumo.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 \u2013 Embora aristocrata, Saint-Hilaire foi contempor\u00e2neo das mudan\u00e7as culturais e pol\u00edticas que assolaram a Fran\u00e7a e se espelharam pelo mundo. Ele tem uma rela\u00e7\u00e3o estranha com o \u00edndio, botocudo, Firmiano, ou com outros, que pretende levar para Fran\u00e7a. O romantismo de Rosseau, do \u201cbom selvagem,\u201d passou longe dele?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Os rom\u00e2nticos como Gon\u00e7alves Dias e Jos\u00e9 de Alencar \u00e9 que ressuscitaram o bom selvagem do Rousseau. Atualmente ainda existem os que exploram politicamente os \u00edndios como coitadinhos. Acham que devem receber toda a prote\u00e7\u00e3o e mordomias da sociedade dos que trabalham e produzem. Os portugueses e brasileiros que conquistaram o pa\u00eds sempre mantiveram a imagem do canibal, refrat\u00e1rio ao trabalho.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; O di\u00e1rio sobre a viagem ao Rio Grande do Sul foi publicado postumamente. em 1887. Ou seja, entre a viagem e a sua morte, ele teve mais de 30 anos para rever, acrescentar, cortar, ou alterar. Parece, n\u00e3o abdicou de nenhum dos seus preconceitos?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; N\u00e3o eram preconceitos na \u00e9poca em que ele escreveu seu di\u00e1rio de viagem. Era um olhar europeu a outra cultura.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Os poetas Manoel Bandeira e Carlos Drumond de Andrade enaltecem Saint-Hilaire, o chamam de amigo. Os rio-grandenses teriam motivos para fazer o mesmo?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Os dois poetas t\u00eam suas raz\u00f5es que a raz\u00e3o de um historiador desconhece.<\/p>\n<p>Saint-Hilaire, por sua arrog\u00e2ncia francesa, n\u00e3o foi convidado para as casas dos porto- alegrenses, que viram com desconfian\u00e7a apenas mais um forasteiro.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Ele descreve uma cena, numa est\u00e2ncia, na qual um escravo, entre 10 e 12 anos, \u00e9 muito maltratado. Afirma nunca ter visto crian\u00e7a mais triste. Trata-se de um dos relatos mais pungentes da hist\u00f3ria da escravid\u00e3o no Rio Grande do Sul.<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Todas as crian\u00e7as eram maltratadas, mas creio que a hist\u00f3ria desse moleque seja um caso \u00fanico.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Hist\u00f3rias de crian\u00e7as judiadas pelos patr\u00f5es, que remete a lenda do Negrinho do Pastoreio?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; A lenda do Negrinho do Pastoreio \u00e9 criada durante o romantismo, j\u00e1 no fim do s\u00e9culo XIX, durante a Campanha Abolicionista. Apolin\u00e1rio Porto Alegre deixou escrita esta lenda com o nome de Crioulo do Pastoreio. Jos\u00e9 de Alencar escreve a pe\u00e7a Dem\u00f4nio familiar, na qual o moleque \u00e9 considerado como um dem\u00f4nio, que n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por seus atos por n\u00e3o ter liberdade. Apolin\u00e1rio Porto Alegre tamb\u00e9m escreveu uma com\u00e9dia, onde o negrinho \u00e9 o dem\u00f4nio familiar. S\u00f3 havia uma solu\u00e7\u00e3o para terminar com as diabruras: dar liberdade, pois, ent\u00e3o seria respons\u00e1vel por seus atos.<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 \u2013 Por outro lado, ele diz que os negros do Rio Grande do Sul eram os mais felizes das prov\u00edncias brasileiras: comiam muita carne e n\u00e3o andavam a p\u00e9. Viviam a cavalgar, o que era mais um prazer do que uma fatiga. Procede?<\/strong><\/p>\n<p>MF &#8211; Os escravos das grandes planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e de caf\u00e9 estavam divididos em lotes. Cada lote era cuidado e disciplinado por um feitor. Os escravos dom\u00e9sticos gozavam de melhor viver, pois n\u00e3o possu\u00edam feitor, estavam sob as ordens da m\u00e3e preta, que criou os filhos dos donos.<\/p>\n<p>Os escravos das fazendas de cria\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul, que trabalhavam como pe\u00f5es, tinham cavalos e cuidavam de um pasto chamado de posto, morando no seu rancho, n\u00e3o tinham feitor. O Capataz de Domingos Jos\u00e9 de Almeida era escravo e conduzia a tropa de gado de Pelotas para a charqueada na Barra do Ribeiro, recebendo pagamento. Durante a fase do tropeirismo tamb\u00e9m havia capatazes escravos, que levavam mercadorias ou mulas para vender em Sorocaba: pagava imposto e comprava principalmente sal, ferramentas, e mantimentos retornando \u00e0 fazenda de seu senhor.<\/p>\n<p>O pior trabalho era na charqueada, onde se trabalhava com determinada produ\u00e7\u00e3o, vigiado por feitor negro. Como se trabalhava durante a safra, de novembro a mar\u00e7o, a maior parte dos escravos era alugada, pois o charqueador n\u00e3o iria sustentar escravos no per\u00edodo de mar\u00e7o a novembro, quando cessava ou diminu\u00eda o abate de gado. Os rio-grandenses compravam escravos no mercado de Escravos, de ciganos na rua do Valongo, Rio de Janeiro. Davam prefer\u00eancia as crian\u00e7as, pois custavam mais barato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em centenas de p\u00e1ginas manuscritas o naturalista e botanista franc\u00eas Auguste de Saint-Hilaire, registrou o dia a dia de sua viagem de um ano pelo Rio Grande do Sul a partir de junho de 1820. Seu di\u00e1rio tornou-se um documento \u00fanico &#8211; o olhar de um europeu culto sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida no Rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":82101,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[31,34,16,32,35],"class_list":["post-82100","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materiasecundaria","tag-historia","tag-moacyr-flores","tag-rs","tag-saint-hilaire","tag-sainthilaire"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/Moacyr-Flores-historiador-scaled.jpg","jetpack-related-posts":[{"id":82062,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/a-viagem-de-saint-hilaire-um-olhar-critico-sobre-o-rio-grande-do-sul\/","url_meta":{"origin":82100,"position":0},"title":"A viagem de Saint Hilaire: Um olhar cr\u00edtico sobre o Rio Grande do Sul","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"5 de junho de 2020","format":false,"excerpt":"Francisco Ribeiro Na manh\u00e3 do dia cinco de junho de 1820 o bot\u00e2nico e naturalista \u00a0franc\u00eas Auguste de Saint-Hilaire cruzou o rio Mampituba (\u201co pai do frio\u201d) e entrou na capitania de S\u00e3o Pedro do Rio Grande do Sul. Viajando numa carro\u00e7a pelo litoral atravessou a fronteira e chegou a\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Cultura-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Cultura-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/category\/materiasecundaria\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/Saint-Hilaire2GrandeHORIZ.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/Saint-Hilaire2GrandeHORIZ.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/Saint-Hilaire2GrandeHORIZ.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/Saint-Hilaire2GrandeHORIZ.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":82261,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/a-porto-alegre-de-12-mil-habitantes-que-saint-hilaire-viu-ha-200-anos\/","url_meta":{"origin":82100,"position":1},"title":"A Porto Alegre de 12 mil habitantes que Saint Hilaire viu h\u00e1 200 anos","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de junho de 2020","format":false,"excerpt":"Francisco Ribeiro Na viagem que empreendeu pelo Rio Grande do Sul , h\u00e1 200 anos, o naturalista franc\u00eas, Auguste de Saint-Hilaire, ficou mais de um m\u00eas em Porto Alegre. Tempo suficiente para escrever um dos mais importantes relatos sobre como era a vida na, ent\u00e3o, sede do governo da Capitania\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Cultura-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Cultura-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/category\/materiasecundaria\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/saint-hilaire-caminho-novo-1-1-scaled.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/saint-hilaire-caminho-novo-1-1-scaled.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/saint-hilaire-caminho-novo-1-1-scaled.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/06\/saint-hilaire-caminho-novo-1-1-scaled.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbKnZc-lmc","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82100"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82235,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82100\/revisions\/82235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}