{"id":85844,"date":"2022-05-01T20:48:57","date_gmt":"2022-05-01T23:48:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/?p=85844"},"modified":"2022-05-01T20:53:23","modified_gmt":"2022-05-01T23:53:23","slug":"sem-meias-verdades-trechos-das-ultimas-cartas-de-maria-lidia-magliani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/sem-meias-verdades-trechos-das-ultimas-cartas-de-maria-lidia-magliani\/","title":{"rendered":"SEM MEIAS VERDADES (trechos das \u00faltimas cartas de Maria Lidia Magliani)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eduardo San Martin*<\/strong><\/p>\n<p>\u201cBem que eu n\u00e3o ia achar t\u00e3o ruim se (<em>o mundo<\/em>) acabasse mesmo. Estou cansada demais pra continuar remando nesta nave de contradi\u00e7\u00f5es\u201d, disse Maria L\u00eddia Magliani na \u00faltima mensagem, por e-mail, no final da tarde de 20 de dezembro de 2012.<\/p>\n<p>Referia-se ao dia seguinte, 21 de dezembro, quando \u00a0o calend\u00e1rio maia previa o fim do mundo, \u00a0que ela ironizou: \u201cDesde ontem, canto a m\u00fasica de Assis Valente (\u201canunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. Eu sa\u00ed pra rua para me despedir e comemorar\u201d).<\/p>\n<p>Poucas horas depois, ela morreria de parada card\u00edaca, aos 66 anos, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Acostumado ao anonimado do ex\u00edlio, \u00e9 muito dif\u00edcil para mim falar em p\u00fablico sobre \u00a0amigos com quem vivi, convivi e produzi na vida. N\u00e3o poucos supostos bi\u00f3grafos profissionais me acusaram de ego\u00edsmo por n\u00e3o dividir as cartas, sobretudo, do Caio Fernando Abreu e agora as da Magliani. Este artigo \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o ao sil\u00eancio intencional. Revela a ponta do iceberg da correspond\u00eancia e conviv\u00eancia mais virtual que presencial de v\u00e1rias d\u00e9cadas com a Maria L\u00eddia.<\/p>\n<p>Desta forma, tamb\u00e9m embarco na \u201cnave das contradi\u00e7\u00f5es\u201d da <em>Magli<\/em> que, numa passagem, ressaltou \u201cdiga o que quiser. Fica tudo entre n\u00f3s\u201d, mas me contradigo e torno p\u00fablicas as mensagens.<\/p>\n<p>Acima de tudo isto, trata-se de um breve ou mini testamento intelectual, confirmando a lucidez e coer\u00eancia existencial e profissional mantidas do in\u00edcio ao fim de vida e obra limpas. A for\u00e7a destas \u00faltimas palavras da Magliani &#8211; parafraseando o ex-diretor do MARGS Luiz In\u00e1cio Medeiros \u2013 vem dela se mostrar exatamente como sempre foi em tudo que fez:\u00a0 sem meias verdades. \u00a0Os textos n\u00e3o escondem o custo e desgaste deste radicalismo no exerc\u00edcio da criatividade sem concess\u00f5es comerciais. Ela se sentia inadequada e maltratada no Brasil do ano 2000.<\/p>\n<p>Seguem cita\u00e7\u00f5es de 10 cartas\/mensagens trocadas com a Maria L\u00eddia do dia 15 de novembro de 2012 at\u00e9 a despedida em 20 de dezembro. No dia 15, eu estava em San Francisco, na Calif\u00f3rnia, convalescendo de uma cirurgia. Ela ficou sabendo e me procurou, retomando nossa correspond\u00eancia. N\u00e3o nos comunic\u00e1vamos h\u00e1 um bom tempo, mas continu\u00e1vamos os mesmos.<\/p>\n<p><strong>Ultimas Impress\u00f5es de Maria L\u00eddia Magliani<\/strong><\/p>\n<p>SEM OUSADIA PARA MUDAR<\/p>\n<p>Estou no Rio. N\u00e3o gosto. Quero voltar pra Sampa, que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 estas coisas, mas n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estou sentindo falta daquela ousadia que me permitia me mudar pra qualquer lugar com 20 reais no bolso.<\/p>\n<p>SEM F\u00d4LEGO E SEM PALAVRAS<\/p>\n<p>Agora sou uma pr\u00e9 velhinha card\u00edaca que cansa f\u00e1cil. Fiquei sem f\u00f4lego e sem palavras.<\/p>\n<p>Come\u00e7o a achar que estou sobrando, durando demais.<\/p>\n<p>EXACERBADA SOLID\u00c3O<\/p>\n<p>Estou internacional\u00a0 nas minhas preocupa\u00e7\u00f5es com os amigos. Um em Nova York, outra em Tel Aviv, um terceiro em Friburgo. Todos em \u00e1reas de desastres. D\u00e1 fadiga e exacerba solid\u00f5es.<\/p>\n<p><em>(At\u00e9 o fim, n\u00e3o perdeu a capacidade de alienar admiradores, como nesta refer\u00eancia a um amigo e colecionador&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>Ele n\u00e3o me escreve mais desde que eu, num momento de mau humor, disse que n\u00e3o me interessava uma not\u00edcia sobre um colega med\u00edocre e bem-sucedido que ele me enviou. Magoou-se.<\/p>\n<p><em>(O afastamento da fam\u00edlia, por\u00e9m, era intencional&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o falo com a minha irm\u00e3 (ou meus parentes) h\u00e1 anos. Nem quero.<\/p>\n<p>PIGNATARI E O CANCELAM ENTO<\/p>\n<p>(<em>Ao saber\u00a0 que D\u00e9cio Pignatari &#8211; um dos grandes da poesia concreta e autor que l\u00edamos\u00a0 juntos na juventude &#8211;\u00a0 vivia esquecido no Paran\u00e1, sem encontrar editor ou produtor para seu teatro&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>Eu nem sabia das incurs\u00f5es do Pignatari no teatro e acho normal que n\u00e3o tenham dado aten\u00e7\u00e3o&#8230; No teatro, haveria um embate com o ego do (D\u00e9cio) Antunes, que seria muito exaustivo. Idem, com a infantilidade manheira do Z\u00e9 Celso (Martinez Corr\u00eaa)&#8230; Quem mais dirigiria?<\/p>\n<p><em>(Pouco depois, o nosso antigo poeta predileto voltou a se fazer presente na conversa)<\/em><\/p>\n<p>Conheci o Pignatari em S\u00e3o Paulo, na \u00e9poca da Tropic\u00e1lia, junto com os irm\u00e3os Campos e o M\u00e1rio Chamie. Outro dia, recortei palavras de revistas e jornais e comecei a colar numas caixinhas de papel\u00e3o. Sa\u00edram umas frases loucas e outras com algum sentido &#8211; poemas aleat\u00f3rios &#8211; mais pra dada\u00edsta que concretista&#8230;Lembrei do Pignatari&#8230;quando liguei o r\u00e1dio na CBN,\u00a0 ouvi que ele tinha morrido.<\/p>\n<p>FEITA PARA\u00a0 FAZER SENTIDO<\/p>\n<p>Estou voltando de duas exposi\u00e7\u00f5es. Uma do acervo da Anna Maria Niemeyer que morreu um ou dois meses antes do pai. Tem muita coisa boa. Outra de xilogravuras do Newton Cavalcanti, um pernambucano, que cheguei a conhecer. Belo trabalho, mas ningu\u00e9m quer mais ver coisas de c\u00e2mera. S\u00f3 grandes e vazias instala\u00e7\u00f5es&#8230; e a ing\u00eanua aqui continua achando que nasceu pra produzir sentido&#8230;<\/p>\n<p>CONTROLE ESTATAL<\/p>\n<p>A cultura foi para o brejo e n\u00f3s deixamos. O pa\u00eds que pariu Tom Jobim agora reverencia Michel Tel\u00f3. N\u00e3o se consegue fazer arte\u00a0 sem vencer edital do governo e, consequentemente, sofrer controle estatal disfar\u00e7ado. Estamos caminhando pra tr\u00e1s, em busca de uma revolu\u00e7\u00e3o cultural mao\u00edsta.<\/p>\n<p>IDENTITARISMO E APARTHEID CULTURAL<\/p>\n<p>E agora teremos tamb\u00e9m o apartheid cultural institucionalizado. Inventaram uma lei de incentivo espec\u00edfica para a cultura negra; uma boa maneira de chutar os crioulos pra fora da competi\u00e7\u00e3o. Cria-se uma black box, chama-se de inclus\u00e3o e a negralhada fica quieta, sambando, bebendo e se sentindo sujeito da Hist\u00f3ria. E os negros t\u00e3o adorando e cobrando quem n\u00e3o pinta retrato de orix\u00e1 &#8220;meu i\u00e1i\u00e1, meu ioi\u00f4&#8221;.<\/p>\n<p>TUDO DE RUIM SE ESPALHOU<\/p>\n<p>\u00c9, a tal da globaliza\u00e7\u00e3o (<em>digital<\/em>) n\u00e3o deu certo. O &#8220;tudo de ruim&#8221; se espalhou e eu n\u00e3o sei onde se concentrou o pouco de bom que sobrou. Ao contr\u00e1rio de alguns, n\u00e3o acho o Facebook fundamental e\u00a0 n\u00e3o consigo me convencer que \u00e9 \u00f3timo profissionalmente. At\u00e9 j\u00e1 vendi por l\u00e1, mas s\u00f3 vejo bobagens. A Internet brinca de esconder o que \u00e9 relevante. Este \u00e9 o bug do fim do mundo.<\/p>\n<p>INFANTILIZA\u00c7\u00c3O INTELECTUAL<\/p>\n<p>Pra mim, o pior do retrocesso s\u00e3o pessoas que conhe\u00e7o h\u00e1 mais de 40 anos e que agora est\u00e3o num processo de infantiliza\u00e7\u00e3o via o Facebook. \u00c9 a volta ao grunhido. Temos o Web Proust, que vai \u00e0 padaria e descreve minuciosamente o evento, jurando que est\u00e1 fazendo literatura.\u00a0 E fica indignado se n\u00e3o d\u00e1s opini\u00e3o sobre &#8220;meu modesto textinho&#8221;.<\/p>\n<p>GUERREIROS SENTADOS E MEMORIALISTAS<\/p>\n<p>Temos os piadistas, os religiosos que te mandam correntes e amea\u00e7as se n\u00e3o repassares pra 3.876 amigos. E ainda os Guerreiros Sentados, que escrevem \u201ccontra tudo isso que a\u00ed est\u00e1&#8221;\u00a0 em letras vermelhas, corpo 72, reclamando que a imprensa vendida n\u00e3o publica&#8230; quase sempre alguma coisa que se leu h\u00e1 dois meses numa coluna assinada de um jornal\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas os que mais me irritam s\u00e3o os memorialistas. Quando menos se espera recebe-se um email que come\u00e7a: &#8230;&#8221; Era 1976&#8230;&#8221;. Deleto na hora. Estes ficam furibundos quando eu pergunto \u2018e que cazzo est\u00e1s fazendo agora\u2019?<\/p>\n<p>PICASSO, DESTRUIDOR DE MULHERES<\/p>\n<p><em>(Comentei uma mostra de retratos de Dora Maar,\u00a0 a tr\u00e1gica musa do modernismo franc\u00eas, grande amor e modelo de Pablo Picasso&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>Vi v\u00e1rios estudos para o retrato de Dora Maar no Museu Picasso. A Dora Maar \u00e9 uma figura tr\u00e1gica como todas as mulheres do Picasso. De alguma forma, casar com Picasso \u00e9 escolher uma vida tr\u00e1gica. Acho que ele fazia parte de uma certa fraternidade que odeia as mulheres e s\u00f3 se aproxima delas para melhor destru\u00ed-las. E tem umas vice-versa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>B\u00c9LGICA E SEPARATISMO<\/p>\n<p>Estive um m\u00eas e meio na B\u00e9lgica.\u00a0 Adorei o clima, a limpeza, as criancinhas bem educadas e toda a arte flamenga que jamais esperei ver ao vivo. Me defendi bem com meu franc\u00eas jabacul\u00ea e at\u00e9 aprendi algumas coisas em <em>flammand<\/em>. O suficiente para me manifestar contra aquele\u00a0 separatismo idiota (de Flandres) num pa\u00eds t\u00e3o pequeno.<\/p>\n<p>MORRER EM PARIS<\/p>\n<p><em>(Numa das \u00faltimas mensagens, convidei a Magliani para passar uma temporada em Nova York&#8230;)<\/em><\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o vou mais a qualquer lugar que n\u00e3o fale franc\u00eas, italiano ou espanhol. Agrade\u00e7o tua oferta. Mas se fosse o caso de ficar em algum lugar, continuo preferindo Paris, minha paix\u00e3o, onde estive duas vezes. De qualquer modo, j\u00e1 decidi que vou morrer em Paris.<\/p>\n<p>IR EMBORA<\/p>\n<p>Eu quero viajar. De prefer\u00eancia ir embora deste Brasil que me trata t\u00e3o mal&#8230; e o calor n\u00e3o melhora as coisas nem um pouco&#8230;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><em>* Eduardo San Martin \u00e9 jornalista. Mora em Nova York. Foi editor da BBC de Londres e R\u00e1dio das Na\u00e7\u00f5es Unidas, correspondente de OGlobo na Europa e ag\u00eancia RBS nos Estados Unidos. Recebeu dois pr\u00eamios A\u00e7orianos. \u00c9 autor, entre outros, de <strong>O C\u00edrculo do Suicida<\/strong>, com capa e ilustra\u00e7\u00f5es de Magliani.<\/em><\/p>\n<p><strong>Retrospectiva Magliani segue at\u00e9 fim de julho no Museu Iber\u00ea Camargo<\/strong><\/p>\n<p>Prossegue at\u00e9 o final de julho, no Instituto Iber\u00ea de Porto Alegre, a maior retrospectiva j\u00e1 realizada sobre a obra de Maria L\u00eddia Magliani.<\/p>\n<figure id=\"attachment_85846\" aria-describedby=\"caption-attachment-85846\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"85846\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/sem-meias-verdades-trechos-das-ultimas-cartas-de-maria-lidia-magliani\/magliani-parede-mulher-olhando\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-scaled.jpg\" data-orig-size=\"2560,1244\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.7&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;SM-J810M&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1651424646&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;3.93&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;80&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.016666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Magliani parede mulher olhando\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;A exposi\u00e7\u00e3o vai at\u00e9 31 de julho \/ EB\/J\u00c1&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-1024x498.jpg\" class=\" wp-image-85846\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-300x146.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-300x146.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-1024x498.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-768x373.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-1536x747.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-2048x996.jpg 2048w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2022\/05\/magliani-parede-mulher-olhando-1200x583.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-85846\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o mais de 200 obras de 70 cole\u00e7\u00f5es \/ EB\/J\u00c1<\/figcaption><\/figure>\n<p>O evento, no d\u00e9cimo anivers\u00e1rio da morte da artista ga\u00facha, re\u00fane cerca de 200 trabalhos vindos de 70 cole\u00e7\u00f5es. A mostra exemplifica as diversas fases e faces da sua produ\u00e7\u00e3o (pintura, gravura, desenho, escultura), assim como suas atividades extra artes pl\u00e1sticas, como o teatro\u00a0 e o jornalismo gr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Maria L\u00eddia Magliani (1946- 2012), nascida em Pelotas, foi uma das principais artistas pl\u00e1sticas do Rio Grande do Sul e do Brasil na segunda metade do s\u00e9culo XX, tendo vivido e atuado em Porto Alegre, S\u00e3o Paulo, Ouro Preto e Rio de Janeiro.\u00a0 \u00c9 reconhecida como uma das grandes express\u00f5es femininas da arte culta nacional, com obras no acervo dos principais museus brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo San Martin* \u201cBem que eu n\u00e3o ia achar t\u00e3o ruim se (o mundo) acabasse mesmo. 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