{"id":88508,"date":"2023-10-23T15:05:54","date_gmt":"2023-10-23T18:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/?p=88508"},"modified":"2023-10-31T11:43:18","modified_gmt":"2023-10-31T14:43:18","slug":"tabajara-ruas-autor-e-personagem-oitenta-e-um-invernos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/tabajara-ruas-autor-e-personagem-oitenta-e-um-invernos-depois\/","title":{"rendered":"Tabajara Ruas: o autor e o personagem, oitenta e um invernos depois"},"content":{"rendered":"<p><em> Aos 81 anos, comemorados em agosto, Tabajara Ruas chega \u00e0 69a Feira do Livro de Porto Alegre, da qual \u00e9 patrono, com um lan\u00e7amento, tr\u00eas reedi\u00e7\u00f5es,\u00a0 um roteiro de filme e muitos projetos. Consagrado autor, personifica o escritor cioso do seu of\u00edcio.\u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/p>\n<p>O escritor Tabajara Ruas lan\u00e7a neste final de ano, pela Editora AGE, <em>Voc\u00ea Sabe de Onde eu Venho<\/em>, livro de 300 p\u00e1ginas sobre a conquista brasileira de Monte Castelo, na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Trata-se de uma nova narrativa sobre a participa\u00e7\u00e3o brasileira na luta contra o nazismo. \u201c\u00c9 uma vers\u00e3o ampliada de um folhetim que escrevi anos atr\u00e1s para o jornal <em>Zero Hora<\/em>\u201d, explica o autor nascido em Uruguaiana em agosto de 1942, os mesmos m\u00eas e ano da entrada do Brasil na guerra.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do livro vem do primeiro verso do longo poema de Guilherme de Almeida transformado pelo maestro Spartaco Rossi no Hino do Expedicion\u00e1rio, que exalta as paisagens de onde sa\u00edram os 25 mil soldados brasileiros enviados \u00e0 Europa. \u00c9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o arrepiar-se ao ouvir o resultado dessa parceria nacionalista de larga abrang\u00eancia geogr\u00e1fica. Fala do pampa e dos cafezais, do engenho e dos canaviais. A vit\u00f3ria final ocorreu em 21 de fevereiro de 1945, ap\u00f3s tr\u00eas meses de cerco para desalojar os inimigos alem\u00e3es entrincheirados na montanha coberta de neve, a 60 quil\u00f4metros de Bolonha, no norte da It\u00e1lia. Nos combates morreram 451 \u201cpracinhas\u201d sepultados no cemit\u00e9rio da vizinha cidade de Pistoia.<\/p>\n<p>A GUERRA COMO TEMA<\/p>\n<p>Um novo livro sobre ocorr\u00eancias da \u00faltima guerra mundial \u00e9 mais uma prova do apelo que os temas b\u00e9licos exercem sobre Tabajara Ruas.<\/p>\n<p>Ele aprendeu a falar quando ainda se ouviam pela Voz do Brasil as dram\u00e1ticas not\u00edcias sobre os combates na Europa. Fora isso, \u00e9 bom lembrar que a fronteiri\u00e7a Uruguaiana sempre esteve nas ordens-dos-dias militares desde que foi invadida e ocupada pelo ex\u00e9rcito do Paraguai em 1865, quando o imperador Pedro II esteve l\u00e1 para os devidos fins.<\/p>\n<p>E nem \u00e9 preciso falar das revolu\u00e7\u00f5es intestinas de 1893, 1923 e 1932 para entender o estado de esp\u00edrito dos nativos dessa cidade, militarizada (Ex\u00e9rcito, Marinha e Brigada Militar) para vigiar inimigos estrangeiros e contrabandistas de combust\u00edveis, pneus e outras mercadorias.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode cravar que Tabajara Ruas seja o fruto mais original dessa conjuntura armada, mas os fatos est\u00e3o a\u00ed: aos 81 anos, ele se fez reconhecer e consagrar como autor de livros e filmes que focalizam sobretudo atividades guerreiras de figuras hist\u00f3ricas como os generais Antonio de Souza Netto, Bento Gon\u00e7alves e Davi Canabarro, al\u00e9m dos civis Giuseppe Garibaldi e Gumercindo Saraiva &#8212; personagens que descobriu aos poucos, \u00e0 medida que lia, estudava, discutia e comparava narrativas, que n\u00e3o rejeitam a imagina\u00e7\u00e3o para preencher lacunas entre os fatos. Sua conclus\u00e3o final \u00e9 que, por conta de manipula\u00e7\u00f5es politiqueiras, \u201ca mitologia \u00e9 mais firme do que a Hist\u00f3ria\u201d, como consta em depoimento seu \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o do livro <em>Lanceiros Negros (<\/em>J\u00c1, 2006). Para poder exercitar-se sem hesita\u00e7\u00f5es no terreno da fic\u00e7\u00e3o, ele sempre leu livros de Hist\u00f3ria a fim de desvendar contradi\u00e7\u00f5es, manipula\u00e7\u00f5es e sofismas em torno dos fatos. \u201cEu gosto muito de Hist\u00f3ria, mas sou ficcionista\u201d, eis sua profiss\u00e3o de f\u00e9 no of\u00edcio de escritor.<\/p>\n<p>PATRONO<\/p>\n<p>Em 2023, Tabajara Ruas \u00e9 o patrono da\u00a0 69a Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento cultural da capital.<\/p>\n<p>Aproveitando a visibilidade, al\u00e9m do lan\u00e7amento de <em>Voc\u00ea Sabe de Onde eu Venho, <\/em>est\u00e3o sendo reeditados: <em>Os Var\u00f5es Assinalados<\/em> e <em>O Amor de Pedro por Jo\u00e3o<\/em>, dois dos seus livros mais lidos, ambos pela L&amp;PM. Pela J\u00c1 Editora, sai\u00a0 <em>A Cabe\u00e7a de Gumercindo Saraiva<\/em>, em coautoria com Elmar Bones, um ensaio-reportagem sobre o caudilho que apavorou a Rep\u00fablica na guerra de 1893.<\/p>\n<p>O tema do primeiro \u00e9 a Guerra dos Farrapos. Ele conta a g\u00eanese da obra: \u201cEu estava em Portugal quando li um livrinho do Alfredo Varela, o autor da hist\u00f3ria da \u201cgrande guerra\u201d sulina contra o Imp\u00e9rio do Brasil em meados do s\u00e9culo XIX\u201d.<\/p>\n<p>Ao voltar para o Brasil, em 1981, mergulhou na leitura da cole\u00e7\u00e3o completa de Varela (seis volumes, alguns com 800 p\u00e1ginas), ganhando coragem para escrever o romance \u00e9pico-varonil que, na literatura ga\u00facha, s\u00f3 encontra paralelo em \u00c9rico Verissimo.<\/p>\n<p>A primeira vers\u00e3o de <em>Os Var\u00f5es<\/em>\u00a0saiu como folhetim no jornal <em>Zero Hora<\/em>. Os primeiros cap\u00edtulos sa\u00edram no primeiro semestre de 1985, o desfecho foi no 20 de setembro, o dia da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Rio-Grandense, em 1836.<\/p>\n<p>Para Ruas, n\u00e3o h\u00e1 como negar que a controvertida guerra dos farrapos buscava a liberdade \u2013 os caudilhos tentando se libertar do jugo imperial e os soldados negros querendo deixar de ser escravos.<\/p>\n<p>Segundo o romancista Lu\u00eds Ant\u00f4nio de Assis Brasil, as 550 p\u00e1ginas do romance de Ruas constituem a obra definitiva sobre a revolu\u00e7\u00e3o farroupilha. Nele, o ficcionista revela-se um ex\u00edmio montador de di\u00e1logos, habilidade fundamental na elabora\u00e7\u00e3o de roteiros de cinema. Apesar de sua densidade e envergadura, <em>Os Var\u00f5es<\/em> n\u00e3o \u00e9 o favorito do autor.<\/p>\n<p>FUGINDO DA DITADURA<\/p>\n<p>\u201cMeu melhor livro \u00e9 este!\u201d, afirma, apontando o novo volume rec\u00e9m-impresso de <em>O Amor de Pedro por Jo\u00e3o<\/em>. Trata-se de um romance sobre a busca da liberdade sob o sufoco da ditadura militar, motivo de sua sa\u00edda clandestina do Brasil em 1971.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 obra autobiogr\u00e1fica, embora romanceie epis\u00f3dios vividos ou presenciados por ele na vida estudantil e na luta pela sobreviv\u00eancia fora do Brasil.<\/p>\n<p>Em depoimento ao J\u00c1, Ruas contou como deixou o Brasil. Compartilhava com mais tr\u00eas colegas uma rep\u00fablica estudantil, cursava Arquitetura na UFRGS e trabalhava num escrit\u00f3rio onde desenhava plantas. Vida espartana com seguidos sobressaltos de origem pol\u00edtica: sem ser um militante exaltado, participava da A\u00e7\u00e3o Popular, organiza\u00e7\u00e3o que combatia o governo, mas n\u00e3o aderiu \u00e0 luta armada contra o regime militar.<\/p>\n<p>Em pleno per\u00edodo dos \u201canos de chumbo\u201d, o apartamento no segundo andar de um predinho no bairro Auxiliadora foi denunciado por vizinhos incomodados com o barulho e o entra-e-sai de estranhos que se hospedavam ali por uns dias e logo seguiam viagem para onde ningu\u00e9m podia saber.<\/p>\n<p>Um dia, no rastro de uns panfletos pol\u00edticos, a pol\u00edcia chegou e prendeu o mais sereno dos moradores, o poeta Nei Ducl\u00f3s, outro nativo de Uruguaiana, militante do jornalismo. Tabajara escapuliu por uma janela e \u201cevadiu-se do local\u201d s\u00f3 com a roupa do corpo, sem carregar nenhum pertence. Por alguns dias abrigou-se na casa de conhecidos no vale do rio dos Sinos, onde se convenceu de que n\u00e3o teria alternativa sen\u00e3o fugir para o Uruguai, mas sem correr o risco de expor-se na esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria ou dentro de um \u00f4nibus para alguma cidade da fronteira. Salvou-o a ajuda emergencial do jornalista santanense Jorge Escosteguy (1946-1997), que lhe arranjou uma carona discreta num carro da reportagem do jornal <em>Zero Hora<\/em> que cumpriria pauta jornal\u00edstica em Livramento.<\/p>\n<p>Depois de uma viagem tranquila, o motorista o deixou numa rua do centro da cidade. Mal desembarcou, caminhou at\u00e9 atravessar a avenida que separa o Brasil do pa\u00eds vizinho. Livre em Rivera, nem pensou em ir para Uruguaiana, pois sabia que a casa paterna estava vigiada. Foi parar em Paissandu, onde \u2013 quase arquiteto \u2013 trabalhou por cerca de dois meses na constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Dali atravessou o rio Uruguai e entrou na Argentina por Concepci\u00f3n, de onde se deslocou para Buenos Aires e, logo depois, para o Chile, onde muitos brasileiros torciam pelo governo de Salvador Allende. Foi morar em Valpara\u00edso, onde obteve um emprego regular numa f\u00e1brica de m\u00f3veis que soube aproveitar muito bem seus conhecimentos de arquitetura.<\/p>\n<p>Em 11 de setembro de 1973, o dia do bombardeio do pal\u00e1cio presidencial que marcou a morte de Allende e o in\u00edcio da ditadura do general Augusto Pinochet, Tabajara estava casualmente em Santiago. Para n\u00e3o ser preso junto com outros brasileiros, decidiu buscar ref\u00fagio numa embaixada. Boca braba. A oportunidade surgiu na frente do casar\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica da Argentina. Ele ficou na avenida com um grupo de pessoas que observavam o movimento. De repente, quando o port\u00e3o se abriu para a passagem de um carro, ele arrancou e entrou correndo no espa\u00e7o diplom\u00e1tico argentino, ignorando os gritos de protesto dos guardas. Assim conseguiu asilo pol\u00edtico. Dali foi levado para Buenos Aires, onde viveu at\u00e9 obter asilo na Dinamarca. Foi a partir da\u00ed que se empenhou em realizar o ideal de escrever. Seu primeiro livro, <em>A Regi\u00e3o Submersa<\/em>, foi um policial publicado originalmente na Dinamarca e em Portugal. O personagem principal \u00e9 o detetive Cid Espig\u00e3o. S\u00f3 depois veio <em>O Amor de Pedro por Jo\u00e3o<\/em>, cuja hist\u00f3ria come\u00e7a dentro de uma embaixada.<\/p>\n<p>ESCRITOR NO EX\u00cdLIO<\/p>\n<p>\u201cDesde pequeno eu queria ser escritor\u201d, diz ele. Admirou inicialmente \u00c9rico Verissimo de <em>O Continente<\/em>. Depois passou a apreciar americanos como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Por fim se ligou nos narradores latino-americanos Alejo Carpentier, Gabriel Garcia M\u00e1rquez, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Jorge Luis Borges e Julio Cort\u00e1zar. No meio de tantos g\u00eanios, apareceu um divisor de \u00e1guas: Juan Carlos Onetti, uruguaio que ele s\u00f3 foi conhecer gra\u00e7as ao jornalista Danilo Ucha (1946-2016). Com a autossufici\u00eancia t\u00edpica dos santanenses, Ucha baixou numa mesa de caf\u00e9 em Porto Alegre com um livro do \u00eddolo a quem acabara de entrevistar em Montevid\u00e9u, no final dos anos 60.<\/p>\n<p>\u201cNunca vou esquecer a pose de Danilo Ucha observando nosso sil\u00eancio de fim de mundo\u201d, escreveu Ruas, em relato sobre o impacto da descoberta dos fascinantes escritos do \u00edcone da literatura uruguaia. Ruas considera Onetti um especialista na elipse \u2013 a arte de contar apenas o necess\u00e1rio, deixando ao leitor o direito de imaginar o restante.<\/p>\n<p>Por a\u00ed sabemos que Tabajara Ruas bebeu em v\u00e1rias fontes para poder se tornar n\u00e3o apenas escritor, mas roteirista e diretor de cinema. Dubl\u00ea de escritor e cineasta, ele se configurou como um caso \u00fanico no Rio Grande do Sul. Poderia ter se contentado com o trabalho como arquiteto, redator de releases, jornalista folhetinista, escritor. Foi muito al\u00e9m. Ao abra\u00e7ar o cinema, colocou-se em condi\u00e7\u00f5es de fundir duas express\u00f5es art\u00edsticas, uma milenar, outra secular.<\/p>\n<p>\u201cQuis fazer cinema para realizar talvez a fantasia da nossa gera\u00e7\u00e3o\u201d, disse em 2023 em depoimento ao <em>Jornal do Com\u00e9rcio<\/em>. A gera\u00e7\u00e3o em tela \u00e9 aquela que frequentou a universidade nos anos 60 e fez passeatas contra a ditadura militar enquanto curtia filmes brasileiros e estrangeiros discutidos e analisados calorosamente em bares e rep\u00fablicas dos arredores do campus da UFRGS. Entre outros, Ruas gostava do baiano Glauber Rocha, do americano John Ford e do ingl\u00eas David Lean, que dirigiu o \u00e9pico \u201cLawrence da Ar\u00e1bia\u201d. Sempre prestou aten\u00e7\u00e3o no modo como eram feitos os filmes de faroeste, de guerra e de mist\u00e9rio. Com or\u00e7amentos apertados e recursos escassos, chegou a fazer filmes com centenas de figurantes armados e montados a cavalo, contando com a ajuda de unidades da Brigada Militar e o apoio entusi\u00e1stico de Centros de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas. Proezas de um esquerdista sem preconceitos ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Se tudo correr bem, essa carreira integrada livros-filmes seguir\u00e1 adiante com a filmagem de \u201cO Fasc\u00ednio\u201d, novela de sua autoria que narra a hist\u00f3ria de um advogado que, disposto a receber uma heran\u00e7a, viaja de camioneta de Porto Alegre para a fronteira com a Argentina. Desnecess\u00e1rio dizer que \u00e9 fic\u00e7\u00e3o sem vi\u00e9s autobiogr\u00e1fico. O roteiro est\u00e1 pronto. Falta arranjar os recursos financeiros, mas est\u00e1 definido que o codiretor ser\u00e1 seu filho Tom\u00e1s Walper Ruas, 21 anos, estudante de cinema na UFSC que desde crian\u00e7a acompanha a carreira cinematogr\u00e1fica dos pais. Este ano, Tom\u00e1s estreou oficialmente como codiretor de &#8220;Edif\u00edcio Bonfim&#8221;, longa rodado em Florian\u00f3polis sob o comando de Ligia Walper, sua m\u00e3e. Al\u00e9m de &#8220;Edif\u00edcio Bonfim&#8221;, a Walper Ruas Produ\u00e7\u00f5es est\u00e1 montando &#8220;Persegui\u00e7\u00e3o e Morte de Juv\u00eancio Gutierrez&#8221;, baseado no livro de Tabajara ambientado em Uruguaiana. Os dois filmes ser\u00e3o lan\u00e7ados em 2024.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros projetos de longo prazo cuja realiza\u00e7\u00e3o depende da obten\u00e7\u00e3o de recursos. Tabajara espera baixar a poeira da Feira do Livro para se dedicar a novos textos. Confessa sentir-se &#8220;travado&#8221; desde que contraiu o v\u00edrus da Covid em 2021, quando trabalhava na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o de Juv\u00eancio Gutierrez em Uruguaiana. Natural na idade, mas ele n\u00e3o se conforma com os lapsos de mem\u00f3ria que interrompem suas conversas. Fora disso, sua sa\u00fade n\u00e3o o preocupa. Ainda assim, n\u00e3o disfar\u00e7a certa a ansiedade \u00e0s v\u00e9speras de protagonizar um dos momentos de maior \u2018glamour\u2019 a que pode chegar um militante das letras do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meio s\u00e9culo de escrita, ostenta um cartel de uma dezena livros, meia d\u00fazia de filmes e a disposi\u00e7\u00e3o de aprofundar-se nas duas atividades principais de uma carreira profissional sem paralelo no Sul do Brasil. Ainda que seus leitores e espectadores n\u00e3o conhe\u00e7am detalhes de sua vida, ele explica sem rodeios sua origem. Foi o segundo de uma penca de cinco irm\u00e3os, todos batizados com nomes compostos. \u201cMeu nome completo \u00e9 Marcelino Tabajara Gutierrez Ruas. Meu pai usou a mesma nomenclatura dupla para seus cinco filhos. Pela ordem: Ubirajara, Tabajara, Tapejara, Potiguara e Paragua\u00e7u. Al\u00e9m de mim, o \u00fanico vivo \u00e9 o ca\u00e7ula, que se chama Francisco Paragua\u00e7u, mas \u00e9 conhecido por Chico. Mora em Porto Alegre\u201d.<\/p>\n<p>Enquanto o pai, Napole\u00e3o, morreu com mais de 70 anos, a m\u00e3e, Irma Gutierrez, viveu at\u00e9 os 98 anos. O sobrenome materno levou muita gente a supor que a hist\u00f3ria narrada no livro e no filme <em>Persegui\u00e7\u00e3o e Cerco a Juv\u00eancio Gutierrez<\/em> seria autobiogr\u00e1fica. Negativo. Tabajara esclarece que havia sim em sua fam\u00edlia um tio chamado Juv\u00eancio Gutierrez que nada tinha a ver com as atividades correntes em Uruguaiana. Ele era ferrovi\u00e1rio em Alegrete. Seu nome evoca a primitiva genealogia sulina, com sua sonora mescla de ascend\u00eancias luso-espanholas.<\/p>\n<p>Embora ambientada em Uruguaiana, Juv\u00eancio sintetiza uma hist\u00f3ria t\u00edpica da fronteira, onde \u00e9 forte a tradi\u00e7\u00e3o do contrabando, pano de fundo dessa fic\u00e7\u00e3o. O autor-diretor explica: \u201cEu fiz quest\u00e3o de recriar o contexto da minha inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia na cidade onde vivi at\u00e9 os 17 anos. Eu morava perto do rio Uruguai, a poucos metros do Col\u00e9gio Santana. O narrador da hist\u00f3ria \u00e9 um menino de 13 anos que estava abrindo os olhos para as coisas da vida. Tanto embaralhei hist\u00f3rias de amigos e colegas que dois deles vieram me perguntar quem era quem no livro\u201d. Claro que o autor aproveitou para deix\u00e1-los mais em d\u00favida ao brincar sobre as habilidades de ambos no futebol.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed um aspecto revelador da personalidade desse ficcionista que, de tanto escrever e fazer filmes, acabou por alcan\u00e7ar a dimens\u00e3o de um personagem. Cabe lembrar aqui que o inef\u00e1vel Taba \u00e9 multim\u00eddia capaz de atender a demandas extraordin\u00e1rias. Em 2012, por exemplo, deu um curso sobre prepara\u00e7\u00e3o de roteiros para vinte candidatos a escritor em Curitiba. Em 2009 foi convidado a participar de um semin\u00e1rio sobre \u201cOs Anos de Onetti na Espanha\u201d, organizado pelo N\u00facleo de Estudos sobre Onetti mantido na Universidade Federal de Santa Catarina. Eram 15 acad\u00eamicos cujas confer\u00eancias foram reunidas em livro editado pela editora Letras Contempor\u00e2neas. O \u00fanico estranho no ninho de acad\u00eamicos era Tabajara Ruas. Coube a ele ler uma cr\u00f4nica singela sobre como se encantou com a leitura de livros de Onetti no final dos anos 1960 em Porto Alegre e, depois, em Paissandu, onde acabou por concluir que seu fervor liter\u00e1rio era maior do que o ardor revolucion\u00e1rio. \u00c9 o texto mais fluente da colet\u00e2nea, na qual consta tamb\u00e9m um belo ensaio do escritor uruguaio Carlos Liscano (ent\u00e3o diretor da Biblioteca P\u00fablica de Montevideo) sobre o sonho de quem escreve.<\/p>\n<p>\u201cTodo escritor \u00e9 um personagem inventado pelo indiv\u00edduo que quer ser escritor. (&#8230;) O processo de inven\u00e7\u00e3o, no melhor dos casos e com sorte, ocorre ao redor dos trinta anos\u201d. Segundo Liscano, Onetti lutou por isso desde a juventude. E chegou l\u00e1.<\/p>\n<p>Sua engenhosa teoria pode aplicar-se a outras personagens. No Uruguai, tamb\u00e9m chegaram ao patamar mais elevado escritores como Eduardo Galeano e Mario Benedetti. No Rio Grande do Sul, alcan\u00e7aram esse status alguns como \u00c9rico Verissimo, M\u00e1rio Quintana, LF Ver\u00edssimo, LA Assis Brasil e Sergio Faraco. Nessa constela\u00e7\u00e3o de estrelas da literatura pode se encaixar o mais prof\u00edcuo escritor da margem oriental do rio Uruguai. Mesmo tendo atravessado 81 invernos, ele mant\u00e9m o af\u00e3. E conserva o visual da juventude. Embora a barba esteja quase toda branca, como acontece com a maioria dos velhos, n\u00e3o perdeu a cobertura capilar. O cabelo grisalho continua ca\u00eddo para o lado direito. Nem bon\u00e9 usa. Chap\u00e9u tamb\u00e9m n\u00e3o. Capa, de vez em quando, como se viu durante as filmagens de \u201cSenhores da Guerra\u201d, o livro de Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Severo (1941-2021) sobre os irm\u00e3os Bozzano, que se colocaram em lados opostos em conflitos armados em 1924. N\u00e3o falta nada para Tabajara Ruas virar lenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 81 anos, comemorados em agosto, Tabajara Ruas chega \u00e0 69a Feira do Livro de Porto Alegre, da qual \u00e9 patrono, com um lan\u00e7amento, tr\u00eas reedi\u00e7\u00f5es,\u00a0 um roteiro de filme e muitos projetos. 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