{"id":91034,"date":"2025-05-22T22:57:35","date_gmt":"2025-05-23T01:57:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/colunas\/?p=84346"},"modified":"2025-05-22T22:58:24","modified_gmt":"2025-05-23T01:58:24","slug":"a-hipocrisia-da-imprensa-e-o-lobby-israelense-na-terra-do-holocausto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/a-hipocrisia-da-imprensa-e-o-lobby-israelense-na-terra-do-holocausto\/","title":{"rendered":"A hipocrisia da imprensa e o lobby israelense na terra do holocausto"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mariano Senna<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A qualidade moral da pol\u00edtica alem\u00e3 est\u00e1 em seu n\u00edvel mais baixo desde os nazistas. Netanyahu est\u00e1 cometendo genoc\u00eddio, matando crian\u00e7as de fome, bombardeando hospitais e tornando Gaza inabit\u00e1vel com uma ampla ajuda alem\u00e3.&#8221;<\/p>\n<p>A frase seria uma obviedade irrelevante, n\u00e3o tivesse sido publicada por um cidad\u00e3o alem\u00e3o de alto gabarito.<\/p>\n<p>Aos 84 anos, J\u00fcrgen Todenh\u00f6fer \u00e9 um empres\u00e1rio e pol\u00edtico de longa experi\u00eancia. Doutor em direito e ex-juiz, ele consagrou-se internacionalmente como parlamentar pela Uni\u00e3o Democrata Crista (CDU), onde atuou at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990, defendendo posi\u00e7\u00f5es conservadoras.<\/p>\n<p>Decepcionado pela hipocrisia da pol\u00edtica, foi aos poucos se afastando. Dedicou-se ent\u00e3o por mais de duas d\u00e9cadas a empreender no ramo da m\u00eddia, aprimorando seu conhecimento sobre as causas e consequ\u00eancias dos conflitos b\u00e9licos nos confins do mundo.<\/p>\n<p>Em 2020 desfiliou-se formalmente do CDU e criou seu pr\u00f3prio partido, o &#8220;Team-Todenh\u00f6fer&#8221;, com o qual tem concorrido como candidato independente \u00e0s elei\u00e7\u00f5es do parlamento federal em Berlim.<\/p>\n<p>Suas propostas s\u00e3o ousadas, fazendo dele uma esp\u00e9cie de franco-atirador da pol\u00edtica. Na quest\u00e3o de Israel, por exemplo, Todenh\u00f6fer \u00e9 um dos \u00fanicos alem\u00e3es de destaque que ousam criticar diretamente o Estado-Sionista, arriscando inclusive ser punido por antisemitismo.<\/p>\n<p>&#8220;O Holocausto moldou toda a minha vida. Nosso lema comum era \u201cNunca mais!\u201d. Agora Netanyahu est\u00e1 fazendo algo semelhante. E os pol\u00edticos alem\u00e3es s\u00e3o seus c\u00famplices mais pr\u00f3ximos&#8221;, ataca ele, justificando que &#8220;a liberdade \u00e9 o direito de dizer o que os outros n\u00e3o querem ouvir. No caso de genoc\u00eddio, esse direito se torna um dever&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Dilema humano<\/strong><\/p>\n<p>Para ele, a quest\u00e3o envolve um dilema. Entre a acusa\u00e7\u00e3o de antisemitismo, ou da cumplicidade com um genoc\u00eddio, J\u00fcrgen defende a observ\u00e2ncia aos valores fundamentais da constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3, evitando o relativismo hip\u00f3crita do poderoso lobby sionista.<\/p>\n<p>Sozinho e por vezes at\u00e9 isolado no contexto europeu, Dr. Todenh\u00f6fer \u00e9 uma das poucas vozes que tenta manter a sanidade mental na pol\u00edtica do continente.<\/p>\n<p>Segundo ele, a ra\u00edz do problema est\u00e1 justamente no papel da chamada m\u00eddia mainstream. Para tratar o assunto, publicou o livro &#8220;A Grande Hipocrisia&#8221; (Die Grosse Heuchelei) em 2019, curiosamente um ano antes da Pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>Na obra, J\u00fcrgen denuncia o descompromisso da classe pol\u00edtica europeia com os mais b\u00e1sicos princ\u00edpios morais e \u00e9ticos do nosso tempo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de acusar a dupla-moral que caracter\u00edza a Uni\u00e3o Europeia na atualidade, o texto traz um cap\u00edtulo inteiro sobre a responsabilidade dos jornalistas no corrente processo da derrocada do velho continente.<\/p>\n<p>Intitulado &#8220;O fracasso das m\u00eddias&#8221; (Das Versagen der Medien), o trecho de 11 p\u00e1ginas esmiu\u00e7a alguns dos casos recentes que explicitam a falta de compromisso do chamado &#8220;quarto poder&#8221; com qualquer tipo de no\u00e7\u00e3o daquilo comumente denominado de humanidade.<\/p>\n<p>Todenh\u00f6fer vai al\u00e9m, e desmascara o car\u00e1ter imoral do establishment jornalistico do ocidente. Com fatos e fontes irrefut\u00e1veis, mostra o compromisso das grandes redes de informa\u00e7\u00e3o com a narrativa do poder vigente, onde nacionalidade, etnia ou mesmo op\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica importam mais do que a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p><strong>Jornalistas de ventr\u00edloco<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo tratando-se de exemplos no palco internacional, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar in\u00fameros paralelos com o comportamento do jornalismo brasileiro. Como se as cordinhas que animam os apresentadores dos telejornais fossem, em muitos casos, as mesmas.<\/p>\n<p>O texto vale sobretudo como um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o. Por isso a decis\u00e3o de traduzir o cap\u00edtulo em sua \u00edntegra. Ainda que alguns fatos n\u00e3o sejam mais atuais (ex.: Assad j\u00e1 foi derrubado na Siria), a compara\u00e7\u00e3o entre discursos ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas demonstra a profunda hipocrisia dos destacados jornalistas que produzem o not\u00edci\u00e1rio nos grandes ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Como demonstra Todenh\u00f6fer, do alto de seus cargos prestigiados, tais profissionais se prestam ao lament\u00e1vel papel de refor\u00e7ar a narrativa em defesa da guerra como meio pol\u00edtico para combater problemas complexos e difusos, sem apontar as causas de tais mazelas.<\/p>\n<p>Confiram o texto do cap\u00edtulo 19 do livro &#8220;A grande hipocrisia&#8221; a seguir:<\/p>\n<p><strong>Jornalismo torcedor<\/strong><br \/>\n<em>Muitos dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o sentados como observadores objetivos na arquibancada da pol\u00edtica mundial. Eles se sentam nas arquibancadas dos poderosos. Eles praticam o jornalismo de torcedor. Apitam apenas as faltas cometidas pelo \u201cadvers\u00e1rio\u201d. Ignoram as faltas cometidas por sua pr\u00f3pria equipe, ou as relativizam como \u201cdureza necess\u00e1ria\u201d. Exatamente como os torcedores. Quando a regi\u00e3o oeste de Mossul foi destru\u00edda sob a lideran\u00e7a americana e pelo menos 20.000 civis foram mortos, a m\u00eddia principal falou de uma vit\u00f3ria sobre o terror, de uma \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d. Quando o leste de Aleppo foi destru\u00eddo sob a lideran\u00e7a russa e, de acordo com estimativas locais, 10.000 pessoas morreram, eles falaram de uma derrota, ou at\u00e9 mesmo do \u201cfim da humanidade\u201d. O Estado Isl\u00e2mico estava sediado em Mossul e a Jabhat Al-Nusra em Aleppo. Ambos s\u00e3o plantas de p\u00e2ntano da Al-Qaeda.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>A palma de ouro da dupla moral<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Grande parte dos outrora t\u00e3o diferentes centros culturais mundiais de Mosul e Aleppo tem a mesma apar\u00eancia hoje: como Hiroshima teve no passado. No entanto, o jornalismo ocidental fez uma grande diferen\u00e7a em sua avalia\u00e7\u00e3o dos bombardeios americanos e russos: as bombas americanas eram \u201cbombas do bem\u201d. As bombas russas eram \u201cbombas do mau\u201d. O lema do &#8220;jornalismo-de-torcida&#8221; ocidental dominante \u00e9: o que os Estados Unidos e n\u00f3s podemos fazer, a R\u00fassia e outros \u201coponentes\u201d nem de longe podem.<\/em><\/p>\n<p><em>Visitei as duas cidades v\u00e1rias vezes. Fiquei chocado com o sofrimento das pessoas, com o fracasso de nossa pol\u00edtica e com o fracasso de nossa m\u00eddia. Somente por causa de Mosul e Aleppo, alguns dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais merecem a \u201cPalma de Ouro da Dupla Moral\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Quando a m\u00eddia cria guerras<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Alguns jornalistas importantes s\u00e3o mais belicosos do que seus governos. At\u00e9 mesmo na Alemanha. O espirituoso Berthold Kohler, editor do Frankfurter Allgemeine Zeitung, n\u00e3o apenas saudou as \u00faltimas guerras do Ocidente. Ele queria mais guerra, e lamentou muito o fato de Obama ter cancelado sua interven\u00e7\u00e3o militar contra a S\u00edria no \u00faltimo momento. O Ocidente tinha que \u201cproteger seus valores com unidade, (&#8230;) se necess\u00e1rio, com suas pr\u00f3prias tropas na S\u00edria\u201d. Essa batalha hist\u00f3rica n\u00e3o seria poss\u00edvel sem sacrif\u00edcios. Kohler atestou generosamente a \u201clegitimidade\u201d da guerra dos EUA contra o Iraque, que violou a lei internacional. Afinal de contas, houve \u201cconsentimento vis\u00edvel para a invas\u00e3o da coaliz\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Josef Joffe, editor belicoso do Die Zeit, defendeu a guerra no Afeganist\u00e3o como uma \u201cguerra de defesa\u201d, que \u201cduraria at\u00e9 que a rede terrorista fosse destru\u00edda\u201d. Nesse meio tempo, o n\u00famero de terroristas no Oriente M\u00e9dio explodiu como resultado das \u201cguerras antiterroristas\u201d. Mas isso n\u00e3o impede Josef Joffe. Ele chamou a guerra da OTAN na L\u00edbia de \u201cgolpe de sorte\u201d. Tamb\u00e9m queria ter visto uma interven\u00e7\u00e3o militar ocidental contra a S\u00edria: Os s\u00edrios \u201cteriam merecido a ajuda militar do Ocidente ainda mais do que os l\u00edbios\u201d. Infelizmente, isso n\u00e3o acontecer\u00e1 porque o real \u00e9 mais forte do que o ideal. E assim, &#8220;a Europa n\u00e3o precisa temer um influxo em massa de refugiados s\u00edrios&#8221;, escreveu ele em 2011. Bem, desde ent\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Em 2013, Joffe escreveu: \u201cSe voc\u00ea quiser derrubar ou paralisar a ditadura de Assad, destrua o fornecimento de energia, os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o, as f\u00e1bricas e as pontes como na S\u00e9rvia; melhor ainda: refinarias, dep\u00f3sitos de petr\u00f3leo, campos de avia\u00e7\u00e3o e portos. E, com armas de precis\u00e3o ou n\u00e3o, aceite milhares e milhares de mortes de civis&#8230; Na guerra, aplica-se a \u201cfal\u00e1cia do \u00faltimo movimento\u201d: se um lado ataca na expectativa de que o outro abaixe as armas. Nesse caso, o golpe deve ser quase fatal. Caso contr\u00e1rio, a guerra &#8216;curta&#8217; se tornar\u00e1 uma guerra intermin\u00e1vel, o que o Ocidente quer evitar a todo custo.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Imprensa belicosa<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Mas Assad ainda est\u00e1 l\u00e1, apesar dos mais de 100.000 rebeldes e terroristas armados pelo Ocidente e seus aliados. A estrat\u00e9gia criminosa de caos do Ocidente n\u00e3o \u201cdestruiu\u201d o regime, mas o povo, o pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Steffan Kornelius, diretor de pol\u00edtica externa do S\u00fcddeutsche Zeitung, apresentou um argumento igualmente belicoso. Ele chamou a rejei\u00e7\u00e3o do governo alem\u00e3o \u00e0 guerra do Iraque em 2002 de \u201ctola\u201d e \u201cerrada\u201d. A Alemanha estava \u201csacrificando a OTAN &#8230; no altar da nova pol\u00edtica externa alem\u00e3 &#8230; Bem-vindo ao Isolarion! &#8230; O pre\u00e7o por essa decis\u00e3o ser\u00e1 enorme\u201d. Ele chamou as bombas contra Gaddafi de \u201ccorajosas\u201d e a absten\u00e7\u00e3o alem\u00e3 no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas de \u201co maior erro de pol\u00edtica externa\u201d do governo alem\u00e3o. A Alemanha vai pagar um pre\u00e7o alto por isso\u201d, previu ele aos seus leitores.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, os tr\u00eas jornalistas est\u00e3o chateados com a explos\u00e3o do terrorismo no Oriente M\u00e9dio. A ideia de que eles pr\u00f3prios poderiam estar contribuindo intelectualmente para o caos que est\u00e1 nos atingindo como um bumerangue, n\u00e3o lhes ocorre. Muito pelo contr\u00e1rio! Kohler e Joffe ridicularizam os oponentes da guerra como \u201cabutres da propaganda isl\u00e2mica\u201d e \u201cpacifistas vulgares\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Kohler, Joffe e Kornelius n\u00e3o fazem coment\u00e1rios muito diferentes de seus famosos colegas do New York Times ou do Washington Post. Os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o do mundo ocidental ajudaram a provocar muitas guerras. E n\u00e3o apenas nos \u00faltimos anos. H\u00e1 livros inteiros sobre a belicosidade da m\u00eddia americana.<\/em><\/p>\n<p><em>Sentados no quentinho e cantando para a guerra<\/em><br \/>\n<em>Tais jornalistas tamb\u00e9m parecem desejar que ex\u00e9rcitos inteiros se movimentem em resposta a seus coment\u00e1rios. Afinal de contas, as bombas n\u00e3o est\u00e3o voando em torno de seus ouvidos, mas dos ouvidos dos outros. Eles raramente s\u00e3o encontrados onde as coisas acontecem de verdade, mas ainda assim veem a guerra como um sinal de masculinidade. Por seguran\u00e7a, n\u00e3o se submetem a esse teste de masculinidade. Goethe desprezava as pessoas que se sentavam em suas salas quentes e cantavam can\u00e7\u00f5es de guerra.<\/em><\/p>\n<p><em>Convido cada um desses tr\u00eas grandes jornalistas &#8211; Kohler, Joffe e Kornelius &#8211; a passar uma semana comigo em uma zona de guerra. E para visitar um hospital de guerra depois disso. Nas zonas de combate do Afeganist\u00e3o, L\u00edbia, I\u00eamen ou Som\u00e1lia. N\u00e3o como um \u201cjornalista infiltrado\u201d. Mas sem guarda-costas e sem colete \u00e0 prova de balas. As pessoas que o Ocidente est\u00e1 bombardeando tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam coletes \u00e0 prova de balas. Quer apostar que ningu\u00e9m vai aparecer? Cantar can\u00e7\u00f5es de guerra \u00e9 mais f\u00e1cil se voc\u00ea ficar no calor de sua sala de estar.<\/em><\/p>\n<p><em>O \u201ctri\u00e2ngulo de ferro\u201d de Kohler, Joffe e Kornelius n\u00e3o pode falar pela maioria dos jornalistas alem\u00e3es. Em minha experi\u00eancia, a maioria dos jornalistas alem\u00e3es est\u00e1 do lado da paz. Mas Kohler, Joffe e Kornelius representam uma m\u00eddia poderosa e l\u00edder de opini\u00e3o na Alemanha. Eles s\u00e3o aliados jornal\u00edsticos do projeto de domina\u00e7\u00e3o mundial dos EUA. Eles nunca ser\u00e3o aliados na luta contra a hipocrisia.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Dupla atra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><br \/>\n<em>A proximidade dos principais jornalistas ocidentais com os l\u00edderes da pol\u00edtica ocidental j\u00e1 foi analisada muitas vezes. O principal problema n\u00e3o \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o deles em determinadas confer\u00eancias transatl\u00e2nticas. Em vez disso, \u00e9 o fato de alguns jornalistas se sentirem confort\u00e1veis demais perto dos poderosos. Eles se deixam intoxicar pelo ambiente de poder. Esquecem-se de seu papel de c\u00e3o de guarda e abandonam seu distanciamento seguro. Eles se tornam cortes\u00e3os.<\/em><\/p>\n<p><em>Durante anos, testemunhei em primeira m\u00e3o o respeito com que os principais representantes da m\u00eddia se aproximavam dos chanceleres Brandt, Kohl, Schr\u00f6der e Merkel. O quanto eles gostavam da proximidade pessoal que os caracterizava na frente de seus colegas. Depois de uma longa conversa individual com um dos poderosos, seus artigos geralmente n\u00e3o continham uma palavra cr\u00edtica por um longo tempo. E, se alguma delas escapasse, eles se retiravam por meses.<\/em><\/p>\n<p><em>Os ju\u00edzes precisam se declarar \u201ctendenciosos\u201d se estiverem t\u00e3o pr\u00f3ximos. Retirar-se da disputa legal. O mesmo fazem os \u00e1rbitros de futebol e os ju\u00edzes de patina\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Isso \u00e9, de fato, uma quest\u00e3o natural. E, no entanto, quase ningu\u00e9m adere a essa regra b\u00e1sica do jornalismo objetivo e consciente. Quanto mais tendenciosas algumas pessoas s\u00e3o, mais abertamente elas escrevem.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Falta liberdade interna na imprensa<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Passei vinte anos da minha vida trabalhando na pol\u00edtica e 22 anos na m\u00eddia. Conheci in\u00fameros jornalistas. Muitas vezes, pessoas impressionantes com quem me senti muito \u00e0 vontade. Pessoas que est\u00e3o do lado da paz. At\u00e9 mesmo nos tr\u00eas principais jornais alem\u00e3es que mencionei.<\/em><\/p>\n<p><em>Por que \u00e9 t\u00e3o raro ouvirmos suas vozes em momentos cruciais? Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para eles enfrentar o belicismo irrespons\u00e1vel de seus superiores? Por que eles n\u00e3o usam seus erros catastr\u00f3ficos de julgamento contra eles?<\/em><\/p>\n<p><em>Um dos motivos provavelmente \u00e9 que a liberdade de imprensa garantida pela Carta Magna protege mais as organiza\u00e7\u00f5es de m\u00eddia do que os jornalistas. \u00c9 verdade que os jornalistas individuais tamb\u00e9m s\u00e3o protegidos de interven\u00e7\u00f5es externas. Entretanto, eles n\u00e3o est\u00e3o protegidos contra interven\u00e7\u00f5es internas. De instru\u00e7\u00f5es de seu superior, seu editor-chefe. Os jornalistas n\u00e3o t\u00eam \u201cliberdade de imprensa\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao editor-chefe ou ao editor. Nossa constitui\u00e7\u00e3o garante apenas a \u201cliberdade externa\u201d, n\u00e3o a \u201cliberdade interna de imprensa\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Pa\u00eds livre?<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Quando os editores-chefes de alguns dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o alem\u00e3es decidem na confer\u00eancia matinal: \u201c\u00c9 assim que vamos comentar sobre o conflito no Ir\u00e3 hoje\u201d, o conflito geralmente tamb\u00e9m \u00e9 comentado \u201cdessa forma\u201d pelo editor respons\u00e1vel. Mesmo que eles discordem completamente. \u00c9 claro que ele pode discutir e discordar. Se o editor-chefe mantiver sua opini\u00e3o, ele ter\u00e1 de ceder. Depois de uma certa idade, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil simplesmente pedir demiss\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Com Friedrich Schiller, eu gostaria de gritar para todos os editores e chefes de reda\u00e7\u00e3o: \u201cD\u00ea liberdade de pensamento, senhor!\u201d Mas o que eu gostaria de ver nos jornalistas, tamb\u00e9m com Schiller, \u00e9 \u201cmais coragem de homem diante dos tronos principescos!\u201d \u00c0s vezes, \u00e9 preciso lutar por sua opini\u00e3o. E, se necess\u00e1rio, pagar um pre\u00e7o por ela.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Direito \u00e0 \u201clinha editorial\u201d<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Ningu\u00e9m deve negar aos editores e editores-chefes o direito de determinar a dire\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de sua m\u00eddia. Mas em quest\u00f5es fundamentais de guerra e paz, em quest\u00f5es centrais de certo e errado, em quest\u00f5es importantes de consci\u00eancia, o jornalista individual deve ter mais liberdade. At\u00e9 mesmo o Tribunal Constitucional Federal publica os \u201cvotos da minoria\u201d. Ser\u00e1 que algo semelhante n\u00e3o pode ser feito na m\u00eddia? Na quest\u00e3o da guerra e da paz, muitas vezes esses seriam at\u00e9 mesmo \u201cvotos da maioria\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Por mais de vinte anos, fui assistente de Hubert Burda, um editor alem\u00e3o com ideias pol\u00edticas claras. Durante esse per\u00edodo, escrevi v\u00e1rios livros sobre as guerras no Afeganist\u00e3o e no Iraque. Eles fazem uma an\u00e1lise cr\u00edtica da pol\u00edtica externa americana. Neles, tamb\u00e9m formulei minhas preocupa\u00e7\u00f5es sobre a pol\u00edtica externa de Israel.<\/em><br \/>\n<em>Na \u00e9poca, meu editor era um grande amigo dos EUA. E um amigo ainda maior de Israel. Ele me deixou fazer isso mesmo assim. Embora certamente n\u00e3o tenha sido f\u00e1cil para ele. \u00c9 claro que tivemos discuss\u00f5es sobre minhas declara\u00e7\u00f5es. Mas elas eram justas e soberanas. \u00c9 isso que quero dizer quando falo sobre toler\u00e2ncia editorial. \u00c9 poss\u00edvel.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>A mentira destr\u00f3i a credibilidade<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Essa toler\u00e2ncia e atitude liberal em rela\u00e7\u00e3o a opini\u00f5es divergentes tamb\u00e9m \u00e9 do interesse dos propriet\u00e1rios e editores-chefes da grande m\u00eddia. Um dos motivos da perda de credibilidade da grande m\u00eddia \u00e9 que ela frequentemente suprime opini\u00f5es contr\u00e1rias. E marginalizam os fatos que n\u00e3o se encaixam em sua vis\u00e3o de mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Tenho mais de 700.000 assinantes em minha p\u00e1gina do Facebook. Alguns de meus artigos alcan\u00e7aram milh\u00f5es de leitores. N\u00e3o porque meu texto seja particularmente original. Mas porque o corajoso S\u00fcddeutsche Zeitung (SZ), o diversificado Frankenfurter Allgemein Zeitung (FAZ) ou a atrevida revista Spiegel do passado n\u00e3o existem mais. E os jovens geralmente n\u00e3o acreditam mais na m\u00eddia tradicional. Porque eles foram enganados com muita frequ\u00eancia. Infelizmente, as not\u00edcias falsas n\u00e3o s\u00e3o apenas um problema da m\u00eddia social, mas tamb\u00e9m da m\u00eddia tradicional.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando viajei pelo Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia, S\u00edria, Palestina, Ir\u00e3 ou I\u00eamen nas \u00faltimas d\u00e9cadas e estudei as reportagens da m\u00eddia ocidental \u00e0 noite, muitas vezes pensei que estava assistindo ao filme errado. Porque eu estava lendo coisas que tinham pouco a ver com a realidade no local. Tamb\u00e9m tive que corrigir minha opini\u00e3o v\u00e1rias vezes durante minhas viagens. Mas a corrente principal nunca muda sua opini\u00e3o pr\u00f3-Ocidente. Ela sempre segue o mesmo roteiro.<\/em><\/p>\n<p><em>Especialmente em quest\u00f5es de guerra e paz, a grande m\u00eddia ocidental tem sido, muitas vezes, o farol dos poderosos. Muitas vezes, eles espalham suas mentiras sem controle. Eles pensavam: Por que um ministro da defesa ou outro membro do alto escal\u00e3o do governo deveria nos contar uma mentira? Sim, por que eles diriam? Porque a pol\u00edtica sempre precisa de propagandistas.<\/em><\/p>\n<p><em>Pelo renascimento da diversidade de opini\u00f5es<\/em><br \/>\n<em>Eu costumava encontrar uma grande variedade de opini\u00f5es sobre quest\u00f5es importantes no FAZ. Por exemplo, sobre a guerra no Afeganist\u00e3o, no \u201cPolitisches Buch\u201d, partid\u00e1rios e opositores tinham sua opini\u00e3o. No \u201cFeuilleton\u201d ou na editoria de \u201cEconomia\u201d, eu encontrava outra vis\u00e3o das coisas.<\/em><\/p>\n<p><em>Isso foi um \u00f3timo jornalismo, onde se testemunhava a liberdade intelectual. Mas isso \u00e9 coisa do passado. As reportagens sobre quest\u00f5es de pol\u00edtica externa agora tendem a ir em uma \u00fanica dire\u00e7\u00e3o. O que aconteceu com a antiga diversidade de opini\u00f5es do FAZ?<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 meios de comunica\u00e7\u00e3o que ainda tentam permitir um certo grau de \u201cliberdade de imprensa interna\u201d e diversidade de opini\u00e3o. O Die Zeit, por exemplo, ou as emissoras p\u00fablicas. E alguns jornais regionais. Mas mesmo eles raramente resistiram ao zeitgeist em quest\u00f5es importantes. Sua voz contra a guerra e a hipocrisia raramente foi ouvida. Ou apenas de forma discreta e sutil. Em geral, eles n\u00e3o eram um contrapeso real.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Guardi\u00e3s da democracia<\/strong><\/em><br \/>\n<em>At\u00e9 mesmo a outrora grande Spiegel n\u00e3o \u00e9 mais um farol da imprensa livre. N\u00e3o apenas desde o \u201ccaso Relotius\u201d*, embora grandes jornalistas ainda escrevam em algumas editorias da publica\u00e7\u00e3o. A Der Spiegel costumava ser t\u00e3o controversa, que voc\u00ea podia odiar e amar numa mesma edi\u00e7\u00e3o, mas agora est\u00e1 atrasada em rela\u00e7\u00e3o ao zeitgeist em muitos t\u00f3picos de uma forma quase embara\u00e7osa. Em algumas quest\u00f5es que posso julgar razoavelmente bem, como a quest\u00e3o da S\u00edria, ela estava e est\u00e1 t\u00e3o longe do alvo que quase d\u00e1 para sentir pena dela.<\/em><\/p>\n<p><em>A revista foi obrigada pela justi\u00e7a a se retratar por conta de uma reportagem de v\u00e1rias p\u00e1ginas sobre a nossa viagem ao \u201cEstado Isl\u00e2mico\u201d. No final da audi\u00eancia, a Der Spiegel anuiu todos os quatorze trechos que eu havia classificado como falsos e emitiu \u201cdeclara\u00e7\u00f5es de cessa\u00e7\u00e3o e desist\u00eancia com penalidades anexas\u201d. A publica\u00e7\u00e3o nunca mais deve repetir essas 14 declara\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Seguindo o conselho do Tribunal Regional de Hamburgo, a Der Spiegel at\u00e9 mesmo se comprometeu a excluir completamente seu artigo da Internet. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para ser pior do que isso!\u201d, disse-me um observador no julgamento, balan\u00e7ando a cabe\u00e7a. A Der Spiegel nunca se desculpou com seus leitores por essa falha. Pelo menos n\u00e3o para mim. Basicamente, isso \u00e9 triste. A Der Spiegel foi uma das mais importantes guardi\u00e3s de nossa democracia. Ela s\u00f3 voltar\u00e1 a s\u00ea-lo com um jornalismo muito mais corajoso.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>A coragem de historiadores<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Enquanto alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o seguem as opini\u00f5es dos poderosos, banalizam-nas ou defendem-nas, os historiadores geralmente t\u00eam uma vis\u00e3o mais intr\u00e9pida e livre das linhas gerais da pol\u00edtica mundial. Os historiadores apontam abertamente as hipocrisias e os erros de nosso tempo. Na prepara\u00e7\u00e3o para este livro, li in\u00fameras obras de historiadores alem\u00e3es, americanos e franceses. Eles raramente contam o conto de fadas da luta \u201cher\u00f3ica\u201d do Ocidente pelos direitos humanos e pela democracia. \u00c9 absurdo demais. Quase rid\u00edculo. Ser\u00e1 que alguns jornalistas n\u00e3o poderiam, pelo menos, dar uma olhadinha nesses trabalhos?<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Hipocrisias dos poderosos<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Ser\u00e1 que n\u00e3o vou mais ler o SZ, o FAZ ou o ZEIT? Eu estaria me punindo. Leio pelo menos duas horas de jornais todos os dias. Com grande proveito. Passo pelo menos uma hora por dia em minha bicicleta ergom\u00e9trica lendo o FAZ. Incluindo artigos de Berthold Kohler, \u00e9 claro. N\u00e3o para \u201cobservar o inimigo\u201d, mas porque tamb\u00e9m encontro an\u00e1lises fortes nesse jornal. Tamb\u00e9m de Kohler. O mesmo se aplica ao SZ e, cada vez mais, tamb\u00e9m ao Die Zeit. Ou o jornal semanal Der Freitag.<\/em><\/p>\n<p><em>Os jornais fazem parte de nossa cultura. \u00c9 exatamente por isso que o fracasso de muitos dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o da guerra e da paz me deixa t\u00e3o irritado. O fato de eles permitirem que as hipocrisias dos poderosos passem t\u00e3o facilmente, e at\u00e9 mesmo concordarem com elas, coloca em risco a paz no mundo todo. E enfraquece sua pr\u00f3pria import\u00e2ncia.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>A mentira vital\u00edcia de nossa civiliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o acredito que haja jornalistas na m\u00eddia que mencionei que escrevam deliberadamente inverdades. As exce\u00e7\u00f5es comprovam a regra. Acredito que a maioria dos defensores jornal\u00edsticos da guerra s\u00e3o, eles pr\u00f3prios, v\u00edtimas de uma grande mentira. A mentira vital\u00edcia do Ocidente, de que sua pol\u00edtica de poder \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria. Nunca ser\u00e1 uma pol\u00edtica de poder. Os EUA gastam inimagin\u00e1veis 700 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em armamentos porque querem fazer valer seus interesses em todo o mundo. N\u00e3o para dar acesso \u00e0 escola \u00e0s meninas afeg\u00e3s.<\/em><\/p>\n<p><em>A grande m\u00eddia deve parar de divulgar esses contos de fadas tolos. N\u00e3o deveriam ser elas a aplaudir o guarda-roupa inexistente do imperador, como no conto de fadas de Andersen, As roupas novas do imperador. Voc\u00ea deveria ser o garotinho que afirma abertamente que o imperador n\u00e3o est\u00e1 vestindo nada.<\/em><\/p>\n<p><em>* O &#8220;Caso Relotius&#8221; se refere a uma serie de reportagens fraudulentas produzidas pelo jornalista Claas Relotius, membro do staff principal da revista Der Spiegel entre 2017 e 2018.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariano Senna &#8220;A qualidade moral da pol\u00edtica alem\u00e3 est\u00e1 em seu n\u00edvel mais baixo desde os nazistas. Netanyahu est\u00e1 cometendo genoc\u00eddio, matando crian\u00e7as de fome, bombardeando hospitais e tornando Gaza inabit\u00e1vel com uma ampla ajuda alem\u00e3.&#8221; A frase seria uma obviedade irrelevante, n\u00e3o tivesse sido publicada por um cidad\u00e3o alem\u00e3o de alto gabarito. 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