{"id":91498,"date":"2025-10-27T14:20:30","date_gmt":"2025-10-27T17:20:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/?p=91498"},"modified":"2025-10-27T14:20:30","modified_gmt":"2025-10-27T17:20:30","slug":"a-mostra-cura-2025-deslocamentos-chega-em-duas-cidades-pelotas-e-porto-alegre-de-10-a-20-de-novembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/a-mostra-cura-2025-deslocamentos-chega-em-duas-cidades-pelotas-e-porto-alegre-de-10-a-20-de-novembro\/","title":{"rendered":"A\u00a0Mostra Cura 2025 \u2013 Deslocamentos chega em duas cidades: Pelotas e Porto Alegre, de 10 a 20 de novembro"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><i>Companhias do Brasil estar\u00e3o representadas na mostra, que prop\u00f5e um olhar aprofundado sobre a arte e contribui\u00e7\u00e3o de artistas negros para a cultura brasileira<\/i><\/div>\n<div>\nEm mais um ano de realiza\u00e7\u00e3o, a\u00a0<b>Cura &#8211; Mostra de Artes C\u00eanicas Negras<\/b>\u00a0promove uma rede de encontros, articula\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o das performatividades negras no sul do Brasil. Desde 2020 os curadores e equipe de produ\u00e7\u00e3o vem trabalhando de modo a tornar p\u00fablico a vasta produ\u00e7\u00e3o de artistas brasileiros e internacionais que comp\u00f5em um grande espectro das matrizes do pensamento e dos fazeres negros no campo das artes da cena. E assim, chega em sua terceira edi\u00e7\u00e3o fortalecida e maior, cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em um pa\u00eds marcado pelas desigualdades, promovendo uma rela\u00e7\u00e3o profunda com a constru\u00e7\u00e3o, a manuten\u00e7\u00e3o e a contribui\u00e7\u00e3o de artistas negros para a cultura brasileira. A Cura ousa, e muito, ao propor um festival simult\u00e2neo em duas cidades que se encontram a uma dist\u00e2ncia de 240 quil\u00f4metros uma da outra: Porto Alegre e Pelotas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Entre 10 e 20 de novembro,\u00a0<b>A Mostra Cura \u2013 Deslocamentos<\/b>\u00a0apresentar\u00e1 companhias e artistas de destaque no circuito de festivais, como a Cia. Heli\u00f3polis, com o espet\u00e1culo\u00a0<i>A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas);<\/i>\u00a0o core\u00f3grafo M\u00e1rio Lopes com as tr\u00eas performances que integram o projeto\u00a0<i>Afrotranstopia<\/i>, o espet\u00e1culo\u00a0<i>Dan\u00fabio,<\/i>\u00a0do Grupo Sutil Ato, do Distrito Federal,\u00a0<i>C\u00edcera,<\/i>\u00a0de S\u00e3o Paulo,\u00a0<i>Cord\u00e3o<\/i>, de Malu Avellar, tamb\u00e9m de S\u00e3o Paulo. Do RS, destaque para a estreia do novo espet\u00e1culo da Espiralar Encruza,\u00a0<i>Molha<\/i>, e importantes montagens ga\u00fachas como\u00a0<i>Corpocidade<\/i>, de Gabriel Faryas,\u00a0<i>Kiki Ball da Cura<\/i>,\u00a0<i>Vozes de Dandara<\/i>,\u00a0<i>Relaxamento Afro<\/i>, entre tantas outras atra\u00e7\u00f5es. A\u00a0<i>Mostra Cura &#8211; Deslocamentos<\/i>\u00a0\u00e9 realizada com recursos federais da Lei Aldir Blanc e conta com apoio da Casa de Cultura Mario Quintana, SESC-RS, Ieacen, Funda\u00e7\u00e3o Teatro S\u00e3o Pedro, Associa\u00e7\u00e3o dos amigos do Theatro S\u00e3o Pedro, Secult Pelotas, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como destaque da programa\u00e7\u00e3o est\u00e1 um encontro com curadores de festivais brasileiros.\u00a0<b>ABRE-ALAS: festivais em aquilombamento<\/b>\u00a0\u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o entre o Festival de Dan\u00e7a Itacar\u00e9\/BA, do Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de S\u00e3o Paulo e da Mostra CURA de Artes C\u00eanicas Negras (Porto Alegre\/ Pelotas &#8211; RS). Esse encontro, que ser\u00e1 realizado na Sala Lu\u00eds Cosme da CCMQ no dia 15, \u00e0s 15h, amplia a discuss\u00e3o das diferen\u00e7as \u00e9ticas e pol\u00edticas, vislumbrando os devires negros nas artes da cena. Articula estrat\u00e9gias conjuntas para continuidade de eventos negros produzidos no Brasil, buscando o di\u00e1logo com institui\u00e7\u00f5es nacionais que fomentam as artes. Neste primeiro ano lan\u00e7am a proposi\u00e7\u00e3o de um corredor cultural para circula\u00e7\u00e3o de artistas e obras c\u00eanicas, tendo o espet\u00e1culo\u00a0<i>Dan\u00fabio,<\/i>\u00a0da Cia Sutil Ato (Sobradinho-DF) como sua primeira experi\u00eancia. O encontro, que j\u00e1 foi realizado na programa\u00e7\u00e3o do Festival Dona Ruth de S\u00e3o Paulo em outubro, segue para Itacar\u00e9 (4\/11) e no dia 15 de novembro acontece em Porto Alegre, na Cura. Estar\u00e3o presentes Verusya Correia, idealizadora e diretora art\u00edstica do Festival de Dan\u00e7a Itacar\u00e9; Gabriel C\u00e2ndido, idealizador e curador do festival Dna Ruth: Festival de Teatro Negro de S\u00e3o Paulo, e Soraya Martins, artista, pesquisadora, cr\u00edtica de dan\u00e7a e curadora independente, convidada esse ano para a equipe do Dna Ruth. Al\u00e9m dos curadores, representantes da FUNARTE, Itau Cultural, Funda\u00e7\u00e3o Palmares e SESC Nacional acompanham o encontro.<\/div>\n<div>\n\u201cEm 2020 nos debru\u00e7amos nas urg\u00eancias do per\u00edodo pand\u00eamico para promover e fortalecer as redes de cria\u00e7\u00e3o e de sobreviv\u00eancia de artistas locais em perspectiva global. Em 2024, ano de enchentes no Rio Grande do Sul, nos movemos em dire\u00e7\u00e3o ao sul do estado, na cidade de Pelotas, uma das cidades brasileiras com o maior quantitativo de pessoas negras proporcional ao n\u00famero de habitantes, estabelecendo trocas e promovendo encontros entre artistas locais, da capital e de outros estados do pa\u00eds. Em 2025, a proposta curatorial da Mostra Cura, que se volta para sua curta, por\u00e9m intensa trajet\u00f3ria, se ocupa em pensar a partir da no\u00e7\u00e3o de deslocamentos, os devires criativos negros\u201d, afirma a equipe curatorial. Para isso, a Cura promove encontros e trocas a fim de oxigenar e espalhar esse renovado ar aos quatro cantos do pa\u00eds a partir do RS, um estado conservador e de not\u00f3ria complexidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Di\u00e1spora, deslocamentos pretos nas geografias, estradas e mapas, na terra, nas matas, entre realidades. Deslocamento de linguagens, no corpo, no tempo. Gesto como deslocamento. Deslocamentos da capital para interior e do interior para a capital. Entre margem e centro, reposicionando l\u00f3gicas, desfazendo estruturas, criando e imaginando um novo territ\u00f3rio, que se faz pelos movimentos dos corpos em articula\u00e7\u00e3o\u201d, reflete a curadoria. A programa\u00e7\u00e3o da\u00a0<b>Mostra Cura 2025 \u2013 deslocamentos\u00a0<\/b>ter\u00e1 ainda oficinas, resid\u00eancia, encontro com curadores, aula magna, shows, festas, oferecidos de forma gratuita para a popula\u00e7\u00e3o das duas cidades. Artistas locais, nacionais e internacionais em celebra\u00e7\u00e3o nas rotas do Rio Grande do Sul. \u201cO que podem artistas negros proporem como deslocamento de linguagens consolidadas? Dan\u00e7a, teatro, performance e m\u00fasica tramados por gestos que dinamizam, e rompem limites. Queremos pensar as diferentes e plurais intelig\u00eancias negras como recriadoras de modos de estar no mundo\u201d, reafirma a curadoria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>PROGRAMA\u00c7\u00c3O<\/b><\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<ul>\n<li><b>Porto Alegre \/ Espet\u00e1culos<\/b><\/li>\n<\/ul>\n<div><\/div>\n<div>10 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; C\u00edcera, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/div>\n<div><\/div>\n<div>11 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; Bandele \u2013 19h, no Teatro Sesc<\/div>\n<div>21h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento I, na Sala Carlos Carvalho<\/div>\n<div><\/div>\n<div>12 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; Zaze Zaze \u2013 Uma festa para Vav\u00f3, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/div>\n<div>21h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento II, na Sala Carlos Carvalho<\/div>\n<div><\/div>\n<div>13 de novembro<\/div>\n<div>11h &#8211; Cord\u00e3o \u2013 Travessa dos Cataventos<\/div>\n<div>14h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento III Celebration (filme), na Sala Eduardo Hirtz<\/div>\n<div>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/div>\n<div><\/div>\n<div>14 de novembro<\/div>\n<div>17h &#8211; Relaxamento Afro, na Travessa dos Cataventos<\/div>\n<div>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/div>\n<div>21h &#8211; Dan\u00fabio, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/div>\n<div><\/div>\n<div>15\u00a0de novembro<\/div>\n<div>15h &#8211; ABRE-ALAS: festivais em aquilombamento &#8211; Encontro de curadores na Sala Lu\u00eds Cosme da CCMQ<\/div>\n<div>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/div>\n<div>21h &#8211; Dan\u00fabio, no Galp\u00e3o Floresta Cultural<\/div>\n<div><\/div>\n<div>16 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; Molha, na Zona Cultural<\/div>\n<div><\/div>\n<div>20 de novembro<\/div>\n<div>15h \u2013 Kiki Ball da Cura: Cultura Negra Brasileira, na Sala \u00c1lvaro Moreyra<\/div>\n<div>18h \u2013 Vozes de Dandara, no Teatro Renascen\u00e7a<\/div>\n<div>20h \u2013 A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas), no Teatro Sim\u00f5es Lopes Neto<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<ul>\n<li><b>Oficinas Porto Alegre<\/b><\/li>\n<\/ul>\n<div><\/div>\n<div>Dia 8 de novembro<\/div>\n<div>Resid\u00eancia M\u00e1rio Lopes &#8211; 10h \u00e0s 13h e das 14h \u00e0s 17h \/ Espa\u00e7o For\u00e7a e Luz<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dia 9 de novembro<\/div>\n<div>Resid\u00eancia M\u00e1rio Lopes &#8211; 10h \u00e0s 13h e das 14h \u00e0s 17h \/ Espa\u00e7o For\u00e7a e Luz<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dia 10 de novembro<\/div>\n<div>Resid\u00eancia M\u00e1rio Lopes &#8211; 14h \u00e0s 18h \/ Espa\u00e7o For\u00e7a e Luz<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dia 12 de novembro<\/div>\n<div>Oficina Relaxamento Afro &#8211; 14h \u00e0s 17h &#8211; Sala S\u00e9rgio Napp 1 &#8211; 2 andar CCMQ<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dia 13 de novembro<\/div>\n<div>Oficina Relaxamento Afro &#8211; 14h \u00e0s 17h &#8211; Sala S\u00e9rgio Napp 1 &#8211; 2 andar CCMQ<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dias 17 de novembro<\/div>\n<div>Oficina Jess\u00e9 Oliveira &#8211; 10h \u00e0s 12h \u2013 CHC Santa Casa<\/div>\n<div>Oficina Ball, das 18h \u00e0s 20h &#8211; Espa\u00e7o JINKA N\u00facleo Afro<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dias 18 de novembro<\/div>\n<div>Oficina Jess\u00e9 Oliveira &#8211; 10h \u00e0s 12h \u2013 CHC Santa Casa<\/div>\n<div>Oficina Ball, das 18h \u00e0s 20h &#8211; Espa\u00e7o JINKA N\u00facleo Afro<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dia 19<\/div>\n<div>Oficina Cia Heli\u00f3polis &#8211; 9 \u00e0s 12h e das 14 \u00e0s 17h &#8211; Sala do Circo &#8211; Multipalco<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<ul>\n<li><b>Pelotas\/ Espet\u00e1culos<\/b><\/li>\n<\/ul>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div>10 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; Qual a diferen\u00e7a entre o Charme e o Funk, no Col\u00e9gio Pelotense<\/div>\n<div><\/div>\n<div>11 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; C\u00edcera, \u00e0s 19h na sala Carmem Biasoli<\/div>\n<div><\/div>\n<div>12 de novembro<\/div>\n<div>10h &#8211; Kuumba conta Hist\u00f3rias &#8211; local a confirmar<\/div>\n<div>15h &#8211; Bandelli, no Col\u00e9gio Pelotense<\/div>\n<div><\/div>\n<div>14 de novembro<\/div>\n<div>15h &#8211; Katchaku Katchaka, no C\u00e9u Artes \u2013 Dunas<\/div>\n<div><\/div>\n<div>15 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; Ballroom Ndate Yalla Mbodj \u2013 19h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/div>\n<div><\/div>\n<div>16 de novembro<\/div>\n<div>15h &#8211; Gr\u00e3o de Areia, no C\u00e9u Artes Dunas<\/div>\n<div><\/div>\n<div>17 de novembro<\/div>\n<div>19h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento I<\/div>\n<div><\/div>\n<div>18 de novembro<\/div>\n<div>14h &#8211; Afrotranstopia \u2013 Movimento III, \u00e0s 14h no Cine UFPEL<\/div>\n<div>17h &#8211; Igba Awo, no Largo do Bola<\/div>\n<div><\/div>\n<div>19 de novembro<\/div>\n<div>19h \u2013 Corporicidade \u2013 local a confirmar<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<ul>\n<li><b>Oficinas Pelotas<\/b><\/li>\n<\/ul>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div>12 de novembro<\/div>\n<div>Oficina Contadores de Mentira, das 9h \u00e0s 12h, na sala 61\/ bloco 3 &#8211; Centro de Artes UFPel<\/div>\n<div>Jess\u00e9 Oliveira \u2013 18h \u00e0s 22h &#8211; Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/p>\n<\/div>\n<div>13 de novembro<\/div>\n<div>Jess\u00e9 Oliveira \u2013 9h \u00e0s 12h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/div>\n<div><\/div>\n<div>18 de novembro<\/div>\n<div>Workshop M\u00e1rio Lopes \u2013 das 9h \u00e0s 12h, no Clube Cultural Fica Ah\u00ed<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><a name=\"m_-6811059079619185732_x_x__Hlk211240329\"><\/a>SINOPSES<\/b><\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas) \u2013 Cia Heli\u00f3polis \/ SP<\/b><\/div>\n<div>Com encena\u00e7\u00e3o de Miguel Rocha e dramaturgia de Dione Carlos, o espet\u00e1culo da Cia. Heli\u00f3polis \u00e9 resultado da pesquisa do projeto\u00a0<i>Do c\u00e1rcere \u00e0s ruas: o estigma da vida depois das grades,<\/i>\u00a0contemplado pela 43\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de S\u00e3o Paulo. A pesquisa partiu da premissa de que o encarceramento deflagra traumas, comportamentos e perspectivas que inevitavelmente estar\u00e3o presentes na retomada da vida, buscando compreender as consequ\u00eancias do aprisionamento nas tentativas de adapta\u00e7\u00e3o fora da pris\u00e3o e na reconstru\u00e7\u00e3o das vidas. Em cena, seis pessoas que passaram pelo sistema prisional brasileiro t\u00eam suas trajet\u00f3rias entrela\u00e7adas. Diante das dificuldades de reinser\u00e7\u00e3o social e reconstru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida, cada uma delas, a seu modo, tenta encontrar uma sa\u00edda. As marcas do per\u00edodo atr\u00e1s das grades permanecem na mem\u00f3ria, no corpo e nos afetos. Exu, o orix\u00e1 das encruzilhadas e destrancador dos caminhos, aparece como uma presen\u00e7a provocativa ao despertar naqueles sujeitos a fome de novos come\u00e7os e a avidez por dignidade.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>Afrotranstopia \u2013 Movimentos Coreogr\u00e1ficos<\/b>\u00a0\/ SP<\/div>\n<div>Obra em tr\u00eas atos complementares, que estrearam em diferentes tempos e contextos. Movimentos I, II e III derivam de uma extensa pesquisa conduzida pelo artista, core\u00f3grafo e pesquisador M\u00e1rio Lopes. A ativa\u00e7\u00e3o desta macrodramaturgia em tr\u00eas atos \u2014 dois c\u00eanicos e um audiovisual, criado e encenado durante a pandemia da COVID-19 \u2014 aborda o conceito de Afrotranstopia, desenvolvido por M\u00e1rio em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado\u00a0<i>Espumas e Algoritmos Coreogr\u00e1ficos<\/i>. Este conceito explora a intersec\u00e7\u00e3o entre tecnologias, exist\u00eancias e afrotranscend\u00eancias, valorizando saberes ancestrais, resist\u00eancias matriarcais, ind\u00edgenas e afro-diasp\u00f3ricas como fundamentos essenciais. \u201cComo articulador e core\u00f3grafo venho pesquisando e investigando conflitos de normas sociais e corpos estranhos. Mobilidade, encontros, cruzamentos e composi\u00e7\u00f5es, normas sociais e suas repercuss\u00f5es no corpo e no movimento. Busco constantemente reconhecer, apesar das dist\u00e2ncias e diferen\u00e7as, uma outra forma de criar, uma converg\u00eancia de ideias que ajude a deslocar minhas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es\u201d afirma o criador, que estar\u00e1 na Mostra Cura em Porto Alegre e em Pelotas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Movimento I \u2013 Parado \u00e9 Suspeito<\/b>\u00a0&#8211; A obra coreogr\u00e1fica investiga o gesto de dar som ao corpo e corpo ao instrumento, a partir de ecos do passado que ressoam no presente. Os movimentos seguem comandos que suprimem o batimento card\u00edaco, silenciam palavras que buscam se manifestar e revelam o poder da narrativa corporal. Inspirado na frase encontrada na Academia de Pol\u00edcia Militar dos anos 1990 \u2014\u00a0<i>Negro parado \u00e9 suspeito; negro correndo \u00e9 ladr\u00e3o\u00a0<\/i>\u2014, o espet\u00e1culo denuncia os alarmantes \u00edndices do exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o negra e o racismo estrutural presente nas institui\u00e7\u00f5es policiais. A pe\u00e7a evidencia como estere\u00f3tipos se perpetuam sem questionamento, sustentando a equivocada associa\u00e7\u00e3o entre pessoas negras e criminalidade. O movimento levado ao esgotamento provoca no p\u00fablico sensa\u00e7\u00f5es de ang\u00fastia, dor e perplexidade, ao assistir o corpo que resiste em saltos incessantes, reconfigurando-se diante do destino que o mira. Seja como espa\u00e7o de den\u00fancia, escuta ou cria\u00e7\u00e3o, Movimento I nos impulsiona a projetar novos caminhos de humanidade para os corpos negros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Movimento II \u2013 Kodex_Konflikt<\/b>\u00a0&#8211; Nesta cria\u00e7\u00e3o, o foco \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o do impacto no corpo em contextos desconhecidos: c\u00f3digos sociais, processos de adapta\u00e7\u00e3o f\u00edsica e momentos de confronto com a condi\u00e7\u00e3o de \u201ccorpo estrangeiro\u201d \u2014 seja pela l\u00edngua, pela cor da pele ou pelos modos de existir. Os que s\u00e3o reconhecidos como estrangeiros buscam estrat\u00e9gias de camuflagem que lhes permitam se adequar, atravessar e penetrar as normas estabelecidas. Movimento II articula dan\u00e7a e performance para revelar os conflitos e adapta\u00e7\u00f5es vividos por corpos deslocados e racializados, tensionando as fronteiras entre pertencimento, exclus\u00e3o e sobreviv\u00eancia.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>Movimento III \u2013 Celebra\u00e7\u00e3o, Espumas P\u00f3s-Tsunami<\/b>\u00a0(2021) Trabalho coletivo e transdisciplinar, Movimento III articula coreografia, cinema, dan\u00e7a, artes visuais, m\u00fasica, arquitetura e pensamento cr\u00edtico. Concretiza-se como longa-metragem, instala\u00e7\u00e3o imersiva e desdobramento da pesquisa em Afrotranstopia.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>As Vozes de Dandara, de Silvia Duarte \/ RS<\/b><\/div>\n<div>No palco est\u00e1 a reuni\u00e3o das cantoras Claudia Quadros, Guaira Soares e Preta Guedes \u2014 mulheres negras de reconhecida trajet\u00f3ria art\u00edstica no cen\u00e1rio musical ga\u00facho e porto-alegrense. Elas interpretam obras de compositoras negras e compositores de destaque no panorama musical local e nacional, acompanhadas por m\u00fasicos experientes e de s\u00f3lida carreira. O repert\u00f3rio celebra e valoriza a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres negras na m\u00fasica, destacando a riqueza das express\u00f5es afro-brasileiras e promovendo visibilidade, representatividade e empoderamento dessas artistas no contexto cultural do Rio Grande do Sul e do Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Bandele \/ RS<\/b><\/div>\n<div>O menino nascido longe de casa &#8211; bate seu tambor contando a trajet\u00f3ria de sua aldeia. Ele pede ajuda para os esp\u00edritos que moram no grande Baob\u00e1 e protegem todas as hist\u00f3rias do mundo. Inspirado nos sons, tons e imagens da M\u00e3e \u00c1frica, o espet\u00e1culo livremente adaptado da obra hom\u00f4nima da escritora ga\u00facha Eleonora Medeiros, ilustrada por Camilo Martins, re\u00fane conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, teatro de anima\u00e7\u00e3o e teatro visual. Bandele, \u00e9 um espet\u00e1culo para ver, ouvir e sentir. Criado em 2018, Bandele, dirigido pelo ator e bonequeiro Leandro Silva, foi precursor dos estudos e tem\u00e1ticas afrobrasileiras. Pensado para ser uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 vida dos corpos pretos, a pe\u00e7a resgata a import\u00e2ncia da maternidade, da juventude e do respeito aos mais velhos. De l\u00e1 para c\u00e1 foram diversas apresenta\u00e7\u00f5es, nos mais variados formatos e espa\u00e7os, com os mais diferentes p\u00fablicos.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>C\u00edcera \/ SP<\/b><\/div>\n<div>A alagoana C\u00edcera traz em sua mala um punhado de farinha, quatro filhas e o sonho de uma vida melhor. Em S\u00e3o Paulo encontra dureza, concreto, fome e saudade. \u201cC\u00edcera\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de uma mulher, mas \u00e9 o retrato da vida de centenas de mulheres retirantes que deixam suas ra\u00edzes na busca de igualdade social. A anci\u00e3, a jovem, a desbravadora, a m\u00e3e, a trabalhadora, a que luta por seus direitos. Todas s\u00e3o C\u00edceras. Atravessada por cantos de trabalho, relatos e mem\u00f3rias a obra apresenta uma mulher nordestina em ponto de ebuli\u00e7\u00e3o, que dan\u00e7a e sa\u00fada sua caminhada. Este \u00e9 o primeiro mon\u00f3logo do grupo Contadores de Mentira em 23 anos. Em cena, a atriz Daniele Santana vive a personagem, entre relatos, can\u00e7\u00f5es e \u00e1udios de senhoras de Alagoas, que colaboram para o entrela\u00e7amento dos temas e reflex\u00f5es propostos. O grupo, da cidade de Mairipor\u00e3, em SP, atua em rede com conex\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses. Desenvolve pesquisa e possui identidade na antropologia, hist\u00f3ria, pol\u00edtica e sociedade. \u00c9 um grupo militante que h\u00e1 anos descobriu que era necess\u00e1rio se organizar em coletivos, em redes, em f\u00f3runs, na luta por condi\u00e7\u00f5es de trabalho aos fazedores de cultura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Cord\u00e3o,<\/b>\u00a0de Malu Avellar \/SP \u2013 performance de rua<\/div>\n<div>Malu Avelar elaborou a performance a partir da pesquisa sobre um recorte da produ\u00e7\u00e3o de Geraldo Filme, artista, compositor, cantor e militante negro, e da presen\u00e7a relevante dos corpos LGBTQIA+ em bairros da cidade de S\u00e3o Paulo. Geraldo Filme desafiou o tempo e as limita\u00e7\u00f5es impostas pela sociedade e foi o guardi\u00e3o que cantarolou encantamentos e den\u00fancias para que as nossas hist\u00f3rias n\u00e3o fossem apagadas, um artista cuja obra atravessou as camadas do tempo Assim Malu evoca a entidade do malandro Z\u00e9 Pelintra e como um corpo sapat\u00e3o e preto dan\u00e7a pedindo a ben\u00e7\u00e3o ao v\u00f4 Gege para dar continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do samba. A dan\u00e7a como linguagem torna-se um rito de passagem e de sensibilidade para ativar outras escutas que permeiam o campo do conhecimento ancestral e espiritual.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>Corpocidade,\u00a0<\/b>de Gabriel Faryas \/ RS<\/div>\n<div>O espet\u00e1culo surge de observa\u00e7\u00f5es do artista Gabriel Faryas em diferentes munic\u00edpios, suas configura\u00e7\u00f5es espaciais e de como as constantes mudan\u00e7as impactam as subjetividades dos corpos que nas cidades se movimentam. O trabalho se inspira em elementos visuais, sonoros e corporais para construir uma encena\u00e7\u00e3o sensorial que traga os vest\u00edgios dessas urbanidades para uma narrativa cotidiana e humana: a procura por um objeto perdido. Na cena, Guilherme procura em Breu um pequeno objeto que mal reparou cair dos bolsos, tamanha a correria. Ao cruzar toneladas de pedras, surgem coreografias que o lembram de onde pode ter ficado. Deseja reencontr\u00e1-lo, nem que tenha que engolir a cidade para isso. Entre sutilezas e monstruosidades, o trabalho aborda, de forma especulativa, temas relacionados aos movimentos, imagens e ru\u00eddos de uma cidade-caos.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>Dan\u00fabio \/ DF<\/b><\/div>\n<div>Dois atores, um adulto e uma crian\u00e7a, percorrem uma jornada l\u00edrica e l\u00fadica que brinca di\u00e1logos entre uma mesma pessoa em diferentes tempos de vida. Dan\u00fabio \u00e9 o protagonista negro que busca sua pr\u00f3pria voz, hist\u00f3ria e identidade entre as muitas vozes e mem\u00f3rias que habitam seu corpo. As contradi\u00e7\u00f5es e embates entre a crian\u00e7a e o adulto, convidam o p\u00fablico a mergulhar na complexidade de sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, cosmologias e ancestralidades que atravessam as mem\u00f3rias e subjetividades pretas. A montagem explora a ancestralidade, a mem\u00f3ria e a constru\u00e7\u00e3o de identidade negra.\u00a0Com dire\u00e7\u00e3o e dramaturgia original de Jonathan Andrade, nome bastante conhecido na cena teatral do Distrito Federal, o espet\u00e1culo Dan\u00fabio promete tocar profundamente o p\u00fablico colocando em cena debates contempor\u00e2neos acerca das identidades, mem\u00f3rias e ancestralidades negras. O espet\u00e1culo teve sua estreia no final de 2024 e integrou a programa\u00e7\u00e3o da 28\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Cena Contempor\u00e2nea &#8211; Festival Internacional de Teatro de Bras\u00edlia. Este espet\u00e1culo promove o encontro de tr\u00eas festivais em aquilombamento: Mostra Cura, Dona Ruth e Itacar\u00e9.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Igba Awo \/ RS<\/b><\/div>\n<div>Performance sonora e corporal que se constr\u00f3i como ativa\u00e7\u00e3o art\u00edstica em tempo real. Protagonizada por Nina Fola e dirigida por Thiago Pirajira, a obra nasce da ancestralidade negro-africana para interrogar o presente. A obra estabelece um di\u00e1logo entre cultura de terreiro e experimenta\u00e7\u00e3o urbana, resist\u00eancia e celebra\u00e7\u00e3o, corpo e som, mem\u00f3ria e cria\u00e7\u00e3o. Ao se abrir ao p\u00fablico, afirma o processo como lugar de inven\u00e7\u00e3o e conhecimento, em que o fazer se torna tamb\u00e9m gesto de escuta e transforma\u00e7\u00e3o. O projeto foi pensado para mostrar a trajet\u00f3ria de um grupo de artistas em torno de um tema que passa pelo sentimento sobre a resist\u00eancia social e cultural negra-africana. Igba Awo exalta a import\u00e2ncia das mulheres negras, das palavras e poesias, das m\u00fasicas e sons, dos pensamentos e estrat\u00e9gias que constru\u00edram e que promovem espa\u00e7os de amplia\u00e7\u00e3o da humanidade negra frente ao mundo antinegro. No centro da cena est\u00e1 a caba\u00e7a, e a ela \u00e9 dada a import\u00e2ncia do lugar mitol\u00f3gico africano como \u201cventre do mundo&#8221;, um objeto que guarda segredos (Awo), instrumento que possibilita o acesso \u00e0 comida e \u00e0 \u00e1gua e que pode ser uma caixa amplificadora de sons.<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>Katchaku Katchacka: era uma vez em Odjeidje \/ RS<\/b><\/div>\n<div>O espet\u00e1culo narra a coragem e a esperteza do menino Gond\u0153ur, vivido por Loua Pacom, que aceita o desafio de enfrentar um grande monstro para defender a sua aldeia. O espet\u00e1culo \u00e9 direcionado para crian\u00e7as, jovens e adultos, com a proposta de oferecer uma abordagem da cultura africana, que tanto influencia a sociedade brasileira, de maneira l\u00fadica e original, somando-se \u00e0s diversas iniciativas no campo da educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais. Kachaku Katchaka estreou no Centro Cultural da UFRGS, em setembro de 2023, pelo projeto Cenas M\u00ednimas. Esteve presente no evento \u201cCaminhos para uma Educa\u00e7\u00e3o Antirracista\u201d promovido pelo Ita\u00fa Cultural e a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado do RS. Em 2024 realizou duas apresenta\u00e7\u00f5es no Centro Hist\u00f3rico Cultural Santa Casa, selecionado no edital de espet\u00e1culos do CHC daquele ano. E por fim, tamb\u00e9m foi selecionado para o Festival Palco Girat\u00f3rio 2024.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Kiki Ball da CURA: Cultura Negra Brasileira \/ RS<\/b><\/div>\n<div>Evento criado pela\u00a0<i>cultura ballroom<\/i>\u00a0para celebrar a vida, a arte e o talento atrav\u00e9s da dan\u00e7a, moda e performance. Com a presen\u00e7a de um mestre de cerim\u00f4nias, Dj e jurados, ocorrem competi\u00e7\u00f5es de acordo com categorias que ao longo dos anos a comunidade criou. Para cada categoria \u00e9 definido um tema relacionado ao conceito geral do evento. Com o deslocamento da cultura ballroom dos EUA, onde surgiu, para o Brasil, o movimento agregou a cultura negra brasileira e sua influ\u00eancia, criando a Cena Ballroom Brasil. E \u00e9 esse o tema para a\u00a0<i>Kiki Ball da CURA<\/i>, que ter\u00e1 como protagonistas do espet\u00e1culo as personagens Mexe a Raba, Samba no P\u00e9 e VogueFunk.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Kuumba Conta Hist\u00f3rias \/ RS<\/b><\/div>\n<div>Na montagem, o palco se transforma em portal de onde surge Kuumba \u2014 a guardi\u00e3 do tempo e das palavras vivas. Com folhas nos cabelos e pele que brilha com o dourado do sol, ela caminha entre mundos para trazer hist\u00f3rias que carregam a sabedoria dos antigos e a for\u00e7a da oralidade. Nesta aventura, Kuumba nos leva a \u00c1frica Ocidental, onde se fala sobre Anansi, o homem-aranha e sua s\u00e1bia companheira, As\u00f2. Juntos, eles enfrentam desafios para conquistar o ba\u00fa das hist\u00f3rias que pertence ao poderoso Deus do c\u00e9u, Nyame. Uma jornada repleta de esperteza, coragem e encantamento, onde a palavra \u00e9 o maior tesouro. Com dire\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o de Mayura Matos, o espet\u00e1culo \u00e9 um ato de celebra\u00e7\u00e3o da oralidade, inspirado nos valores civilizat\u00f3rios afro-brasileiros (Azoilda Loretto Trindade). Mais do que um espet\u00e1culo, \u00e9 um mergulho na cultura, na ludicidade e na beleza que brota das ra\u00edzes da nossa hist\u00f3ria, que reafirma o direito de aprender a riqueza do legado e da cultura afro-brasileira nas escolas e na vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Molha\/ RS<\/b><\/div>\n<div>Na estreia da companhia Espiralar Encruza na Mostra Cura, acompanhamos a hist\u00f3ria de um lugar por tr\u00eas janelas. Um grupo pedreiros, uma fam\u00edlia em farrapos e uma mo\u00e7a solit\u00e1ria. Todos sabem que um buraco ir\u00e1 se abrir e o piso ir\u00e1 rachar. Somente um pulo para se salvar do estrago e conseguir jantar o peixe, com tranquilidade. A Espiralar Encruza \u00e9 uma rede de artistas que trabalha com teatro, performance e audiovisual. Em 2020 e 2021 atrav\u00e9s de encontros semanais, criaram em conjunto com outros grupos a Resid\u00eancia Espiralar, uma resid\u00eancia art\u00edstica que promoveu como obra final o curta-metragem intitulado\u00a0<i>Ser\u00e1 que fica pronto a tempo?.<\/i>\u00a0A rede trabalhou junto ao Grupo PretaG\u00f4 na produ\u00e7\u00e3o do evento VERAFRO, que promoveu oficinas, apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e entrevistas com artistas nacionais durante o ver\u00e3o de 2021. De l\u00e1 para c\u00e1, a Espiralar estreou uma s\u00e9rie de performances como e esteve presente em festivais de teatro<\/div>\n<div><b>\u00a0<\/b><\/div>\n<div><b>Qual a Diferen\u00e7a entre o Charme e o Funk?<\/b>\u00a0<b>\/ RS<\/b><\/div>\n<div>Trabalho sensorial inspirado no m\u00e9todo de \u201carqueologia pessoal\u201d dos sete atores criadores, no qual o exerc\u00edcio de acessar mem\u00f3rias em busca de rel\u00edquias se fez presente para dar corpo ao espet\u00e1culo. O resgate daquilo que est\u00e1 dentro de cada um e que os faz ser: identidades. \u00c9 a dan\u00e7a entre o jovem negro e suas lembran\u00e7as. Falar das mem\u00f3rias \u00e9 tamb\u00e9m sacraliz\u00e1-las, encontrando um espa\u00e7o para que elas possam ser recontadas de in\u00fameras formas, cores, sons: mem\u00f3rias s\u00e3o processos vivos. A pe\u00e7a contextualiza, a partir de cenas aut\u00f4nomas, o movimento de uma juventude considerada a \u201cgera\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d, que anseia falar de sua cultura, sua arte, seu corpo, seu cabelo e sua dan\u00e7a. Anseia mostrar que tamb\u00e9m ri, brinca, canta, ama, se relaciona, existe.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Relaxamento afro \/ RS<\/b><\/div>\n<div>Resid\u00eancia\/performance de Silvana Rodrigues. Uma esta\u00e7\u00e3o de parada onde pessoas negras podem, ao seu modo, relaxar. A partir de uma oficina ministrada por Sandino Rafael e Silvana Rodrigues, como proposta de interc\u00e2mbio dos grupos surge a ideia desta performance. Os alunos, em conjunto com os membros dos dois coletivos, criaram imagens a partir das suas perspectivas \u00fanicas sobre relaxamento, que foram agrupadas em lambes de 6x2m e espalhados pela cidade. E foi assim que a obra entrou pela primeira vez no sal\u00e3o nobre de um museu. Uma das s\u00e9ries do Relaxamento Afro foi adquirida pelo SESC Nacional e est\u00e1 em circula\u00e7\u00e3o com Dos Brasis &#8211; Arte e pensamento Negro, j\u00e1 tendo passado pelos SESC Belenzinho (SP) e Quitandinha (RJ).<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Zaze-Zaze \u2013 Uma festa para Vav\u00f3 \/ RS<\/b><\/div>\n<div>A trama do espet\u00e1culo gira em torno de Vav\u00f3, uma personagem negra, idosa e pobre, que est\u00e1 no limiar de sua vida. Vav\u00f3 representa o arqu\u00e9tipo da mulher negra brasileira e carrega consigo uma hist\u00f3ria de vida rica em experi\u00eancias e desafios. Atrav\u00e9s de uma narrativa sens\u00edvel e poderosa, a pe\u00e7a apresenta cenas de suas mem\u00f3rias de juventude, momentos da com seu marido, cenas ritual\u00edsticas e recorda\u00e7\u00f5es que exp\u00f5em a condi\u00e7\u00e3o de vida da mulher negra no Brasil. O UTA, tem uma das mais expressivas trajet\u00f3rias art\u00edsticas do teatro ga\u00facho. Desde 1992 se dedica \u00e0 pesquisa sobre o trabalho de atua\u00e7\u00e3o, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de artistas. Em 2025 o grupo completou 33 anos de trabalho continuado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_91500\" aria-describedby=\"caption-attachment-91500\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"91500\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/a-mostra-cura-2025-deslocamentos-chega-em-duas-cidades-pelotas-e-porto-alegre-de-10-a-20-de-novembro\/mostra-afrotranstopia_mov-1-0205-54\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54.jpg\" data-orig-size=\"2048,1367\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;NIKON D750&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1714683496&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;70&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;3200&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.003125&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"mostra Afrotranstopia_Mov 1 0205 (54)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Afrotranstopia_Mov \/Divulga\u00e7\u00e3o\/ &lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-1024x684.jpg\" class=\"size-medium wp-image-91500\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54-1200x801.jpg 1200w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/cultura\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2025\/10\/mostra-afrotranstopia-mov-1-0205-54.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-91500\" class=\"wp-caption-text\">Afrotranstopia_Mov \/Divulga\u00e7\u00e3o\/<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><b>MOSTRA CURA \u2013 DESLOCAMENTOS<\/b><\/div>\n<div>De 10 a 20 de novembro, em Pelotas e Porto Alegre<\/div>\n<div>Entrada franca \u2013 ingressos distribu\u00eddos 1h antes do in\u00edcio, nos locais de apresenta\u00e7\u00e3o<\/div>\n<div>Oficinas com inscri\u00e7\u00f5es mediante formul\u00e1rio online<\/div>\n<div><\/div>\n<div>*<b>A boca que tudo come tem fome (do c\u00e1rcere \u00e0s ruas), da Cia Heli\u00f3polis \/ SP\u00a0<\/b>ter\u00e1 venda de ingressos populares, com valores de 30,00 e meia entrada de 15,00, na plataforma de vendas do Theatro S\u00e3o Pedro<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Endere\u00e7os dos teatros\/apresenta\u00e7\u00f5es \u2013 Porto Alegre<\/b><\/div>\n<div>Galp\u00e3o Floresta Cultural &#8211; R. Conselheiro Travassos, 541 &#8211; Floresta<\/div>\n<div>CCMQ &#8211; Sala Carlos Carvalho &#8211; R. dos Andradas, 762 &#8211; 2\u00ba Andar &#8211; Centro Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>Teatro do Sesc &#8211; Av. Alberto Bins, 665 &#8211; Centro Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>Zona Cultural Av. Alberto Bins, 900 &#8211; Centro Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>Teatro Renascen\u00e7a &#8211; Av. Erico Verissimo, 307 &#8211; Menino Deus<\/div>\n<div>Teatro Sim\u00f5es Lopes Neto &#8211; R. Riachuelo, 1089 &#8211; Centro Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>CHC Santa Casa \u2013 Av. Independ\u00eancia, 75. Centro Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>Espa\u00e7o JINKA N\u00facleo Afro &#8211; R. Andradas, 1270, sala 91. Centro Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>Espa\u00e7o For\u00e7a e Luz &#8211; R. dos Andradas, 1223 &#8211; Centro Hist\u00f3rico, Sala No\u00e9 de Mello Freitas<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Endere\u00e7os dos teatros\/apresenta\u00e7\u00f5es \u2013 Pelotas<\/b><\/div>\n<div>Col\u00e9gio Municipal Pelotense &#8211; R. Marc\u00edlio Dias, 1597 &#8211; Centro<\/div>\n<div>Bloco 3 &#8211; Centro de Artes &#8211; Rua Alberto Rosa, 117 &#8211; Centro<\/div>\n<div>C\u00c9U das Artes &#8211; Av. Ulysses Silveira Guimar\u00e3es &#8211; Dunas<\/div>\n<div>Cine UFPEL &#8211; R. Lobo da Costa, 447 &#8211; Centro<\/div>\n<div>Largo do Bola &#8211; UFPel &#8211; R. Cel. Alberto Rosa, 117 &#8211; Centro, Pelotas &#8211; RS, 96010-770<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>A Mostra Cura &#8211; Deslocamentos \u00e9 realizada com recursos federais da Lei Aldir Blanc e conta com apoio da Casa de Cultura Mario Quintana, SESC-RS, Ieacen, Funda\u00e7\u00e3o Teatro S\u00e3o Pedro, Associa\u00e7\u00e3o dos amigos do Theatro S\u00e3o Pedro, Secult Pelotas, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, Cinemateca Paulo Amorim.<\/i><\/div>\n<div><b><i>\u00a0<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>\u00a0<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Companhias do Brasil estar\u00e3o representadas na mostra, que prop\u00f5e um olhar aprofundado sobre a arte e contribui\u00e7\u00e3o de artistas negros para a cultura brasileira Em mais um ano de realiza\u00e7\u00e3o, a\u00a0Cura &#8211; Mostra de Artes C\u00eanicas Negras\u00a0promove uma rede de encontros, articula\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o das performatividades negras no sul do Brasil. 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O sarau ser\u00e1 recebido pelo\u00a0Afrosul Odomod\u00ea, na Av. Ipiranga, 3850, Bairro Jardim Bot\u00e2nico, na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, dia\u00a025 de abril, \u00e0s\u00a019h30min. A\u00a0entrada\u00a0\u00e9\u00a0franca. 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