{"id":33608,"date":"2016-05-30T05:00:52","date_gmt":"2016-05-30T08:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=33608"},"modified":"2016-05-30T05:00:52","modified_gmt":"2016-05-30T08:00:52","slug":"o-que-explica-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/o-que-explica-crise\/","title":{"rendered":"O que explica a crise?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Giovane Martins*<\/span><br \/>\nAinda n\u00e3o chegamos \u00e0 metade de 2016 e, me arriscaria a dizer, j\u00e1 poder\u00edamos calcular mais not\u00edcias sobre esc\u00e2ndalos pol\u00edticos nesta primeira metade do semestre do que em v\u00e1rios momentos parecidos da nossa hist\u00f3ria. O Brasil, que at\u00e9 pouco tempo era visto como o pa\u00eds do Carnaval e do futebol, agora ocupa as manchetes pol\u00edticas do Brasil e do mundo quase que diariamente, com novas revela\u00e7\u00f5es em esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o \u2013 revela\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram capazes de levar para a cadeia alguns dos empres\u00e1rios mais ricos do pa\u00eds e de declarar a \u201cquase morte\u201d pol\u00edtica (pois no fim das contas s\u00f3 a popula\u00e7\u00e3o tem o poder de declarar a morte pol\u00edtica de algu\u00e9m de forma definitiva) de v\u00e1rios envolvidos nos esquemas.<br \/>\nA crise pol\u00edtica que estamos vivendo n\u00e3o come\u00e7ou ontem e provavelmente n\u00e3o terminar\u00e1 amanh\u00e3. Provavelmente tamb\u00e9m n\u00e3o come\u00e7ou em 2013, embora tenha sido neste ano que os primeiros protestos populares de grande magnitude tenham ocorrido durante o per\u00edodo frequentemente denominado de \u201clulismo\u201d. Uma crise pol\u00edtica desta magnitude n\u00e3o surge do nada. Embora na superf\u00edcie esteja tudo correndo aparentemente bem, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel que uma profunda sensa\u00e7\u00e3o de desgosto e um crescente desejo de mudan\u00e7a estejam presentes nas consci\u00eancias individuais.<br \/>\nPor isso seria um trabalho duro especificar onde come\u00e7a a crise pol\u00edtica que nos afeta, e \u00e9 um tiro no escuro saber o que vir\u00e1 depois. Qualquer tentativa de se apontar uma causa para explicar o que est\u00e1 ocorrendo agora acabaria com o status de meia-verdade: talvez por isso as correntes ideol\u00f3gicas tradicionais tenham tanta dificuldade para justificar seus diagn\u00f3sticos. Ao contr\u00e1rio de outros eventos hist\u00f3ricos em que era poss\u00edvel delinear claramente onde uma revolta come\u00e7a e quais s\u00e3o seus pontos de transi\u00e7\u00e3o, fazer isso hoje \u00e9 correr o risco de se cair na ideologia, na resposta que j\u00e1 estava engatilhada <em>a priori<\/em>.<br \/>\nMas o que torna nossos tempos t\u00e3o diferentes de outros eventos pol\u00edticos hist\u00f3ricos?<br \/>\nA filosofia, as ci\u00eancias sociais, a comunica\u00e7\u00e3o social e outras \u00e1reas que frequentemente se comprometem com o debate pol\u00edtico v\u00eam desenvolvendo nos \u00faltimos anos uma boa gama de trabalhos a respeito de um novo mundo (ou de uma nova forma de se relacionar com ele) que ainda n\u00e3o entendemos bem \u2013 embora nosso contato seja permanente. Estamos na era do ciberespa\u00e7o, das novas tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o que a cada dia trazem novos recursos, que mudam a forma como nos relacionamos e tornam a atividade pol\u00edtica acess\u00edvel a qualquer um que tenha um computador ou um <em>smartphone<\/em> com internet. A cl\u00e1ssica rela\u00e7\u00e3o causa-efeito se torna completamente incerta em um mundo em que v\u00e1rios eventos significativos ocorrem simultaneamente, em que causas que desconhec\u00edamos podem ganhar for\u00e7a em minutos e em que a informa\u00e7\u00e3o ganha autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos sujeitos \u2013 quem precisa procurar informa\u00e7\u00f5es quando elas aparecem na sua <em>timeline<\/em> inesperadamente?<br \/>\nNossa imprensa tradicional, nossa democracia e as nossas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o tendo que lidar com esse conjunto de novos fatores. A liberdade que a democracia nos proporciona, por sinal, \u00e9 fundamental para que saiamos da crise sem qualquer viol\u00eancia ou derramamento de sangue, como j\u00e1 ocorreu antes nesses 30 anos de democracia. \u00c9 essa liberdade que permitiu a cultura de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que estamos assistindo diariamente. Por mais que se pense o contr\u00e1rio, cada vez mais parece ser o povo o motor pol\u00edtico principal, e n\u00e3o as classes m\u00e9dias e pol\u00edticas.<br \/>\nMeu objetivo nesta coluna ser\u00e1 trazer para o debate pol\u00edtico alguns desses temas que nos ajudam a entender o momento pol\u00edtico que ocorre no Brasil e em outros pa\u00edses do mundo, mas que ao mesmo tempo quase que nos impossibilitam de fazer an\u00e1lises sistem\u00e1ticas que apontem causas e efeitos claros e distintos sem se cair em respostas velhas para problemas novos. Para isso, conto com a participa\u00e7\u00e3o do leitor. O debate pol\u00edtico, agora, \u00e9 de todos!<br \/>\n<em>* Giovane Martins \u00e9 estudante de filosofia da PUCRS, pesquisador bolsista do CNPq e do CEFA \u2013 Centro de Estudos em Filosofia Americana. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovane Martins* Ainda n\u00e3o chegamos \u00e0 metade de 2016 e, me arriscaria a dizer, j\u00e1 poder\u00edamos calcular mais not\u00edcias sobre esc\u00e2ndalos pol\u00edticos nesta primeira metade do semestre do que em v\u00e1rios momentos parecidos da nossa hist\u00f3ria. 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