{"id":35748,"date":"2016-06-29T23:09:38","date_gmt":"2016-06-30T02:09:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=35748"},"modified":"2016-06-29T23:09:38","modified_gmt":"2016-06-30T02:09:38","slug":"o-xadrez-da-rainha-da-inglaterra-e-do-interino-do-jaburu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/o-xadrez-da-rainha-da-inglaterra-e-do-interino-do-jaburu\/","title":{"rendered":"O Xadrez da Rainha da Inglaterra e do interino do Jaburu"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria \u00e9 repleta de paradoxos. \u00c9 como uma espiral, sempre d\u00e1 voltas retornando ao mesmo lugar, mas alguns degraus acima, como dizia o m\u00fasico e fil\u00f3sofo Koellreutter. H\u00e1 enormes semelhan\u00e7as entre as crises das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20 e as atuais, culminando com o Brexit do Reino Unido, a campanha pela sa\u00edda do Reino Unido da Comunidade Europeia, que foi vitoriosa no referendo.<br \/>\nDesde o s\u00e9culo 19 h\u00e1 a disputa pelo controle das pol\u00edticas econ\u00f4micas nacionais, entre a proposta globalizantes \u2013 liderada pelo grande capital internacionalizado \u2013 e os projetos nacionais.<br \/>\nEsta disputa est\u00e1 na raiz da economia como ci\u00eancia. De um lado, o pensamento majorit\u00e1rio de cren\u00e7a no mercado, que nasce com Adam Smith, com o mundo racionalmente integrado por economias nacionais, cada qual fundando-se em suas vantagens comparativas.<br \/>\nDe outro, o desenvolvimento da economia pol\u00edtica, a convic\u00e7\u00e3o sobre o papel do Estado nacional para criar a competitividade sist\u00eamica, a partir das ideias do norte-americano Alexander Hamilton, sistematizadas depois pelo economista alem\u00e3o Friedrick List. Nesse modelo, mercado interno passa a ser tratado como ativo nacional, assim como a prote\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias nascentes, os investimentos estrat\u00e9gicos para conquistar mercados etc.<br \/>\nNa base de tudo, sistemas eleitorais nos quais os dois lados ir\u00e3o vender suas utopias, sobre qual modelo \u00e9 mais eficiente para levar o bem-estar \u00e0 maior parte da popula\u00e7\u00e3o eleitora.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00a0Primeiro passo &#8211; a integra\u00e7\u00e3o dos mercados<\/span><br \/>\nNo s\u00e9culo 19, a expans\u00e3o da economia global, as novas rotas mar\u00edtimas, a integra\u00e7\u00e3o continental com as ferrovias, permitiram alguma integra\u00e7\u00e3o internacional atrav\u00e9s do com\u00e9rcio.<br \/>\nO passo seguinte foi atrav\u00e9s dos fluxos de capitais, a primeira articula\u00e7\u00e3o efetiva entre pa\u00edses, a partir da coordena\u00e7\u00e3o do Banco da Inglaterra, tendo como parceiros os bancos centrais da Europa e dos pa\u00edses perif\u00e9ricos \u2013 no caso nosso, do Banco do Brasil cumprindo essas fun\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA coopta\u00e7\u00e3o das elites nacionais se dava atrav\u00e9s de tr\u00eas personagens centrais:<br \/>\n1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os capitalistas locais, que j\u00e1 mantinham rela\u00e7\u00f5es com a banca inglesa.<br \/>\n2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Economistas portadores das \u00faltimas novas da nova ci\u00eancia, incumbidos de criar a utopia de que a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais traria a prosperidade geral.<br \/>\n3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pol\u00edticos eleitos, turbinados pelos recursos dos capitalistas e pelas utopias dos economistas.<br \/>\nA globaliza\u00e7\u00e3o viceja fundamentalmente em pa\u00edses democr\u00e1ticos, em que o jogo se decide pela coopta\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios agentes de opini\u00e3o p\u00fablica: intelectuais, jornais, pol\u00edticos, advogados.<br \/>\nNo meu livro \u201cOs Cabe\u00e7as de Planilha\u201d detalho melhor esse modelo e a maneira como cooptaram Rui Barbosa, o primeiro Ministro da Fazenda da Rep\u00fablica.<br \/>\nCom esse pacto instituiu-se o predom\u00ednio do capital financeiro, abolindo qualquer forma de controle e regula\u00e7\u00e3o de mercados em um longo per\u00edodo que vai das tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo 19 at\u00e9 a Primeira Guerra Mundial.<br \/>\nPermitiu-se a cria\u00e7\u00e3o de uma gama extraordin\u00e1ria de novas opera\u00e7\u00f5es de mercado, visando turbinar ainda mais a especula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo tempo de Rui Barbosa, j\u00e1 se batizara de \u201ctacadas\u201d as jogadas poss\u00edveis com o controle da moeda, do cr\u00e9dito e a libera\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, que inclu\u00edam jogadas em bolsa, concess\u00f5es ferrovi\u00e1rias escandalosas, opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito com estados e Uni\u00e3o.<br \/>\nEsse modelo gera uma din\u00e2mica que se espalha por v\u00e1rias economias at\u00e9 implodir o pr\u00f3prio modelo: For\u00e7a pol\u00edtica &#8211;&gt; Desregula\u00e7\u00e3o de mercado &#8211;&gt; Cria\u00e7\u00e3o de novos instrumentos financeiros &#8211;&gt; Gera\u00e7\u00e3o de bolhas especulativas &#8211;&gt; Implos\u00e3o.<br \/>\nNo caso brasileiro, o resultado foi a grande crise cambial do encilhamento, no nascimento da Rep\u00fablica, que atrasou por trinta anos o desenvolvimento do pa\u00eds.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Segundo passo \u2013 o choque de realidade<\/span><br \/>\nA\u00ed chega a conta. Sucessivas bolhas especulativas minam as economias nacionais, mas o sistema pol\u00edtico n\u00e3o consegue reagir porque, no per\u00edodo de predom\u00ednio da financeiriza\u00e7\u00e3o, sufocam-se as alternativas democr\u00e1ticas de mudan\u00e7a de rota.<br \/>\nOs cidad\u00e3os s\u00e3o tomados de profundo ceticismo em rela\u00e7\u00e3o ao modelo pol\u00edtico vigente, tanto interna quanto externamente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es multilaterais, em geral criadas para impor o poder do credor sobre os devedores.<br \/>\nAs consequ\u00eancias fazem parte da hist\u00f3ria: Primeira Guerra, marcando o in\u00edcio do fim do modelo; crise de 1929 assinalando seus estertores; as disputas cambiais-comerciais entre na\u00e7\u00f5es; o nascimento do comunismo na R\u00fassia (ainda uma economia feudal) e do nazi-fascismo a partir das disputas eleitorais na Alemanha, Fran\u00e7a e Espanha; a incapacidade da Liga das Na\u00e7\u00f5es em arbitrar conflitos nacionais.Na sequ\u00eancia, a consolida\u00e7\u00e3o de regimes ditatoriais at\u00e9 o desfecho final na Segunda Grande Guerra.<br \/>\nOs tempos s\u00e3o outros, o desfecho certamente ser\u00e1 distinto, mas os sintomas s\u00e3o os mesmos.<br \/>\nDesde 1972, a financeiriza\u00e7\u00e3o passou a comandar as pol\u00edticas nacionais. A expans\u00e3o do capitalismo norte-americano turbinou a China, da mesma maneira que o ingl\u00eas turbinou os Estados Unidos no s\u00e9culo 19. Montaram-se os grandes blocos econ\u00f4micos, abolindo as fronteiras nacionais.<br \/>\nNo plano socioecon\u00f4mico, abriu uma enorme janela de oportunidades, brilhantemente aproveitada pela China e pelos Tigres Asi\u00e1ticos, relativamente aproveitada pela Am\u00e9rica Latina.<br \/>\nPa\u00edses com baixos sal\u00e1rios come\u00e7aram a se industrializar, como ch\u00e3o de f\u00e1brica das grandes corpora\u00e7\u00f5es. E pa\u00edses que n\u00e3o lograram desenvolver uma estrat\u00e9gia eficiente ficaram fora do baile.<br \/>\nMais que isso, com o avan\u00e7o das redes sociais e das diversas formas de comunica\u00e7\u00e3o global, a expans\u00e3o do mercado de consumo e dos valores ocidentais, e sua contraposi\u00e7\u00e3o, nos movimentos fundamentalistas em pa\u00edses de pouca tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica,abrem espa\u00e7o para um redesenho da geopol\u00edtica mundial. Nesse entrechoque de culturas, pa\u00edses inteiros foram destro\u00e7ados devido ao desmonte de suas institui\u00e7\u00f5es. Trocaram uma ordem anacr\u00f4nica, antidemocr\u00e1tica, pelo caos.<br \/>\nEm fins do s\u00e9culo 19, as diversas guerras e crises europeias e do Oriente M\u00e9dio promoveram um formid\u00e1vel fluxo de migra\u00e7\u00e3o para os emergentes, beneficiando substancialmente EUA e Am\u00e9rica do Sul com m\u00e3o de obra de qualidade superior.<br \/>\nNo s\u00e9culo 21, o fluxo migrat\u00f3rio inverteu, com popula\u00e7\u00f5es inteiras de na\u00e7\u00f5es destro\u00e7adas ou que perderam o dinamismo, invadindo o mercado de trabalho dos pa\u00edses centrais, j\u00e1 assolado pelas perdas de direitos, consequ\u00eancia dos ajustes que tiveram que serem feitos para impedir a quebra dos sistemas banc\u00e1rios nacionais.<br \/>\nOs efeitos s\u00e3o vis\u00edveis:<br \/>\n1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aumento do individualismo e da xenofobia.<br \/>\n2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Crise dos partidos tradicionais e das institui\u00e7\u00f5es internas.<br \/>\n3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Crescimento dos partidos de direita, estimulados pelas m\u00eddias nacionais, que pretenderam cavalgar a onda para ampliar seu poder pol\u00edtico, ante as novas formas de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 o que explica o referendo brit\u00e2nico.<br \/>\nA integra\u00e7\u00e3o europeia era defendida pelo establishment pol\u00edtico, financeiro, acad\u00eamico. E foi derrotada pelo voto de protesto difuso, no qual se misturaram \u00a0a ultradireita xen\u00f3foba e a esquerda antiglobaliza\u00e7\u00e3o. Ou seja, a elite perdeu o controle das massas. O regime democr\u00e1tico torna-se disfuncional. E a maneira encontrada para controlar as press\u00f5es nacionais \u2013 a camisa de for\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia \u2013 come\u00e7a a fazer \u00e1gua.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Os desdobramentos no Brasil<\/span><br \/>\nTodos esses epis\u00f3dios t\u00eam desdobramentos no Brasil.<br \/>\nDe 2008 a 2012 o Brasil se beneficiou da estrat\u00e9gia antic\u00edclica de Lula e da sobrevida da especula\u00e7\u00e3o internacional com commodities, que garantiu alguns anos a mais de fartura.<br \/>\nQuando a crise derrubou as cota\u00e7\u00f5es de commodities, depois de dois anos de bom governo Dilma perdeu o rumo. N\u00e3o conseguiu definir uma estrat\u00e9gia econ\u00f4mica, pol\u00edtica, ou social, como ocorreu na crise de 2008 com Lula.<br \/>\nA crise derrubou o \u00e2nimo nacional e incendiou as ruas, com multid\u00f5es insufladas pela m\u00eddia e compondo uma geleia geral ideol\u00f3gica: contra os impostos e a favor da melhoria da educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas.<br \/>\nA insatisfa\u00e7\u00e3o foi turbinada pela Lava Jato, pela piora nas expectativas econ\u00f4micas e pelos problemas com os servi\u00e7os p\u00fablicos.Mas n\u00e3o resultou em um conjunto articulado de propostas, encampado por algum partido pol\u00edtico ou alguma lideran\u00e7a emergente. Houve apenas a insatisfa\u00e7\u00e3o generalizada que abriu espa\u00e7o para a a\u00e7\u00e3o descoordenada de grupos oportunistas de diversas esp\u00e9cies, como os grupos de Cunha-Temer, a Lava Jato, a m\u00eddia, os mercadistas. E isso em uma quadra da hist\u00f3ria em que escassearam as figuras referenciais, na pol\u00edtica, na Justi\u00e7a, no MPF, nos partidos e na m\u00eddia.<br \/>\nEssa frente entregou o poder de bandeja para uma das organiza\u00e7\u00f5es mais suspeitas da moderna hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira: o grupo de Michel Temer, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Geddel Vieira de Lima e Romero Juc\u00e1.<br \/>\nA chance de dar certo \u00e9 pr\u00f3xima de zero, conforme se ver\u00e1 a seguir.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Um interino vulner\u00e1vel moral e penalmente<\/span><br \/>\nA not\u00edcia de Temer recebendo Eduardo Cunha reservadamente no Pal\u00e1cio Jaburu, por si, seria motivo de impedimento de Temer. O presidente interino conversando reservadamente com um parlamentar cujo cargo foi suspenso por suspeita de corrup\u00e7\u00e3o, apontado em v\u00e1rios desvios e proibido de frequentar a C\u00e2mara, justamente para n\u00e3o conspirar contra a Justi\u00e7a. Certamente a conversa n\u00e3o girou sobre o Brexit nem sobre a atual campanha do Vasco da Gama. E s\u00f3 foi oficialmente divulgada ap\u00f3s os vazamentos sobre o encontro sigiloso.<br \/>\nPara o interino se expor dessa maneira, mostra uma rela\u00e7\u00e3o n\u00edtida de interesses.<br \/>\nA qualquer momento, Temer poder\u00e1 ser fuzilado por uma das seguintes alternativas:<br \/>\n1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma dela\u00e7\u00e3o de Cunha ou de outros membros da quadrilha.,<br \/>\n2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma den\u00fancia da Procuradoria Geral da Rep\u00fablica.<br \/>\n3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vazamentos de informa\u00e7\u00f5es pelos jornais e redes sociais.<br \/>\nSer\u00e1 poss\u00edvel ao pa\u00eds conviver com um interino com tais vulnerabilidades, com uma biografia pol\u00eamica, uma companhia suspeita e tendo nas m\u00e3os a mais poderosa caneta da Rep\u00fablica?<br \/>\n<span class=\"intertit\">Um interino sem dimens\u00e3o pol\u00edtica<\/span><br \/>\nDilma entendeu a dimens\u00e3o da crise, mas n\u00e3o teve compet\u00eancia para enfrent\u00e1-la. Temer sequer logrou um diagn\u00f3stico consistente sobre o cen\u00e1rio atual. \u00c9 surpreendente que, em algum momento de sua vida, criasse fama de intelectual. Suas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas n\u00e3o conseguem ir al\u00e9m dos ecos da imprensa,.<br \/>\nA maneira como se escora em Cristovam Buarque \u00e9 deprimente. Alardeou aos quatro ventos o grande elogio recebido de Cristovam, que disse que s\u00f3 votaria pela volta de Dilma se ela mantivesse Henrique Meirelles e a equipe econ\u00f4mica. Ou seja, o aggiornamento de Cristovam n\u00e3o foi apenas em rela\u00e7\u00e3o ao PT, mas \u00e0 pr\u00f3pria social democracia e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do Estado que um dia fizeram parte de sua biografia.<br \/>\nCristovam \u00e9 uma esp\u00e9cie de Eugenio Bucci do Senado, equilibrando-se permanentemente entre extremos atrav\u00e9s de declara\u00e7\u00f5es rasas de um equilibrismo vazio.<br \/>\nA receita da li\u00e7\u00e3o de casa \u2013 os sacrif\u00edcios impostos aos cidad\u00e3os &#8211; funcionou quando podia se invocar o fantasma da hiperinfla\u00e7\u00e3o. Qualquer sacrif\u00edcio seria leg\u00edtimo, pois todos eles visariam impedir a volta do fantasma.<br \/>\nO momento \u00e9 outro. T\u00eam-se uma popula\u00e7\u00e3o que experimentou per\u00edodos de bonan\u00e7a, conquistou direitos, incluiu-se no mercado e n\u00e3o aceita retrocessos. Para ela, Temer acena com mudan\u00e7as radicais na Previd\u00eancia, cortes nos gastos sociais com educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, aparelhamento da m\u00e1quina p\u00fablica com o que de pior a fisiologia pol\u00edtica criou, a corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, profundamente enraizada na atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do grupo que empalmou o poder.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A democracia sem votos<\/span><br \/>\n\u00c9 nessa sinuca que se desenvolve a tese da democracia sem votos, um sistema controlado pelas corpora\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e Tribunais superiores, pelos Tribunais de Contas associados \u00e0 m\u00eddia.<br \/>\n\u00c9 por a\u00ed que se entende a geopol\u00edtica norte-americana, de aproximar-se das estruturas dos Minist\u00e9rios P\u00fablicos e Judici\u00e1rios nacionais. Ali\u00e1s, como bem lembrou Dilma na entrevista \u00e0 P\u00fablica, a interfer\u00eancia externa n\u00e3o \u00e9 agente central do golpe, que \u00e9 fundamentalmente coisa nossa.<br \/>\nSer\u00e1 imposs\u00edvel se aplicar as teses neoliberais a seco. Nem encontrar pol\u00edticos de discurso claro e vida limpa para conduzir o desmonte do Estado social sem ter o que mostrar pela frente.<br \/>\nOlhando todas essas pe\u00e7as do jogo, h\u00e1 movimentos que tender\u00e3o a crescer exponencialmente:<br \/>\n1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Contra o golpe, ganhar\u00e1 f\u00f4lego a tese da constituinte exclusiva para a reforma pol\u00edtica, suprapartid\u00e1ria, tendo como bandeira comum a cr\u00edtica \u00e0 crise de representatividade do Parlamento e dos partidos.<br \/>\n2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como aprimoramento do golpe, inicialmente a tentativa de tucaniza\u00e7\u00e3o de Temer, esbarrando na din\u00e2mica da Lava Jato, de criminalizar tamb\u00e9m as lideran\u00e7as tucanas at\u00e9 agora poupadas. Todos fazem parte do mesmo balaio.<br \/>\n3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como sa\u00edda alternativa, o impedimento da chapa Dilma-Temer seguido de elei\u00e7\u00f5es indiretas visando consagrar algu\u00e9m fora da pol\u00edtica tradicional para completar o trabalho.<br \/>\n4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como lance final, maneiras de inviabilizar as elei\u00e7\u00f5es de 2018, pela \u00f3bvia impossibilidade de vencer elei\u00e7\u00f5es montado na velha li\u00e7\u00e3o neoliberal de desmonte das conquistas sociais.<br \/>\nArtigo publicado originalmente no site GGN &#8211; O jornal de todos os jornais.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/jornalggn.com.br\/noticia\/o-xadrez-da-rainha-da-inglaterra-e-do-interino-do-jaburu\">http:\/\/jornalggn.com.br\/noticia\/o-xadrez-da-rainha-da-inglaterra-e-do-interino-do-jaburu<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria \u00e9 repleta de paradoxos. \u00c9 como uma espiral, sempre d\u00e1 voltas retornando ao mesmo lugar, mas alguns degraus acima, como dizia o m\u00fasico e fil\u00f3sofo Koellreutter. 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