{"id":36265,"date":"2016-07-15T17:00:14","date_gmt":"2016-07-15T20:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=36265"},"modified":"2016-07-15T17:00:14","modified_gmt":"2016-07-15T20:00:14","slug":"vivendo-na-caverna-de-platao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/vivendo-na-caverna-de-platao\/","title":{"rendered":"Vivendo na caverna de Plat\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Ver\u00edssimo Veronese &#8211;\u00a0 Professora e pesquisadora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da UNISINOS.<br \/>\nAcho que todos os leitores e leitoras do Jornal J\u00e1 conhecem o mito\/alegoria da caverna de Plat\u00e3o. Dicotomias plat\u00f4nicas \u00e0 parte, ele servir\u00e1 aqui como uma met\u00e1fora para a leitura do nosso tempo. Na cl\u00e1ssica obra \u201cA Rep\u00fablica\u201d, o fil\u00f3sofo grego (428 aC. &#8211; 347 aC.) descreve uma caverna onde prisioneiros &#8211; desde o nascimento &#8211; viam apenas sombras projetadas pela luz de uma enorme fogueira, na entrada da caverna. As sombras eram os personagens do seu mundo; eram tudo que eles conheciam e com elas se relacionavam em seu universo simb\u00f3lico. Um deles, por\u00e9m, conseguiu escapar da pris\u00e3o cavernosa e, cego a princ\u00edpio com tanta luz, acabou com ela se acostumando e enxergando as coisas, as pessoas, os animais, as cores, o movimento, a diversidade&#8230; voltou correndo para contar aos ex-companheiros o que havia l\u00e1 no mundo \u201creal\u201d, animado com o teor e o potencial de suas bomb\u00e1sticas revela\u00e7\u00f5es!<br \/>\nCoitado! Ridicularizado a princ\u00edpio, depois amea\u00e7ado &#8211; e como insistisse na declara\u00e7\u00e3o que eles viviam na ignor\u00e2ncia e havia muitas coisas para al\u00e9m de seu mundo -, acabou morto pelos prisioneiros da caverna. Pois eu sustento que hoje boa parte dos cidad\u00e3os brasileiros est\u00e1 vivendo na caverna de Plat\u00e3o. As sombras projetadas s\u00e3o as \u201cverdades\u201d e o \u201creal\u201d produzidos pelos mais diversos agentes (no sentido de \u201cter ag\u00eancia\u201d, agir, fazer, realizar); estes s\u00e3o geralmente midi\u00e1ticos, e sua vers\u00e3o do \u201creal\u201d \u00e9 legitimada como sendo a express\u00e3o exata da verdade. Se algu\u00e9m questiona ve\u00edculos midi\u00e1ticos considerados \u201cde refer\u00eancia\u201d, \u201cconsagrados\u201d \u2013 ou at\u00e9 mesmo boatos amalucados que circulam nas redes sociais \u2013 \u00e9 defenestrado tal qual o sujeito que saiu da caverna e voltou para contar o que viu.<br \/>\nTive um exemplo, h\u00e1 uns tr\u00eas anos atr\u00e1s, quando circulou um hoax que utilizava uma imagem de um pr\u00e9dio p\u00fablico no interior de S\u00e3o Paulo \u2013 uma escola t\u00e9cnica pertencente \u00e0 USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queir\u00f3z) \u2013 dizendo que era a fazenda do filho do Lula e tinha sido adquirida com dinheiro p\u00fablico. Tratava-se de um pr\u00e9dio luxuoso, que passava por uma fazenda de alto luxo. Logo sa\u00edram os desmentidos, o site e-farsas colocou o link da escola e viu-se que era apenas uma mentira inventada por algum mentecapto. Contudo, a vers\u00e3o factual pouco importou para quem difundia o boato. A sombra bruxuleante na parede da caverna \u00e0 brazileira j\u00e1 havia se espalhado e era tomada como a mais certa e comprovada realidade. Uma pessoa que era meu contato no Facebook divulgou a postagem, que foi comentada imediatamente por uma legi\u00e3o de \u201cpessoas de bem\u201d, indignadas com os desmandos do \u201clulo-petismo\u201d. De boa vontade (juro!), postei nos coment\u00e1rios que se tratava de um hoax, acrescentei o site da escola e esclarecimentos diversos sobre a falsidade do boato1. Fui \u201cxingada\u201d de ep\u00edtetos muito pouco amig\u00e1veis, e que se eu n\u00e3o ia ajudar a divulgar, pelo menos que n\u00e3o atrapalhasse. Bloqueei aquela gente louca e me perguntei: estarei tendo o mesmo destino do habitante que fugiu da caverna?<br \/>\nMuitas outras situa\u00e7\u00f5es vieram a provar que sim. Hoax passaram a ser \u201cnot\u00edcias\u201d da mais profunda veracidade, boatos mentirosos motivaram decis\u00f5es em c\u00e2maras de vereadores &#8211; vide situa\u00e7\u00e3o bem recente que ocorreu na cidade de Feira de Santana, na Bahia (distante 100 km de Salvador, mais ou menos). Cidade esta que visitei em mar\u00e7o deste ano e que tem uma universidade federal com um corpo docente extremamente qualificado, que tive oportunidade de conhecer durante um congresso ali realizado. Lamentavelmente, os vereadores do simp\u00e1tico munic\u00edpio n\u00e3o lhes fazem jus. Esses nobres representantes municipais utilizaram a tribuna da C\u00e2mara para protestar contra um projeto de lei \u2013 inexistente! &#8211; que seria de autoria do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) para retirar \u201ctextos considerados homof\u00f3bicos da B\u00edblia\u201d. O boato na internet dizia que ele pretendia alterar a B\u00edblia&#8230; e os vereadores acreditaram!!!<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-36268\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Nas-redes-sociais-300x172.jpg\" alt=\"Nas redes sociais\" width=\"300\" height=\"172\" \/><br \/>\nQuem \u00e9 mais bitolado: esses \u201cnobres\u201d pol\u00edticos (eleitos pela popula\u00e7\u00e3o!) ou os habitantes da imagin\u00e1ria caverna de Plat\u00e3o? Decida voc\u00ea mesmo, caro\/a leitor\/a! Quem deu in\u00edcio \u00e0 discuss\u00e3o foi o vereador Edvaldo Lima (PP), que cogitou dar entrada em uma mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio contra o deputado federal. Na tribuna, ele criticou duramente o \u201cprojeto para alterar a b\u00edblia\u201d2. Meu \u00faltimo texto aqui foi sobre a <a href=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/a-tragicomedia-brasileira\/\">tragicom\u00e9dia brasileira<\/a>. Pois \u00e9, ela continua firme, a desenrolar-se diante de nossos olhos incr\u00e9dulos, talvez desde o ano de 1500 dC.<br \/>\nE n\u00e3o s\u00f3 no campo da pol\u00edtica que as sombras projetadas nas paredes criam realidades e autorias indevidas. Um texto que circulou muito h\u00e1 algum tempo atr\u00e1s, atribu\u00eddo a Luis Fernando Verissimo, dizia l\u00e1 pelas tantas que \u201cdar \u00e9 bom pra caramba\u201d. Algu\u00e9m que j\u00e1 tenha lido uma linha do que LFV escreve acha mesmo que ele escreveria isso!? Pois mesmo assim, l\u00e1 passava o texto de m\u00e3o em m\u00e3o, com elogios ao autor por ser t\u00e3o certeiro em suas assertivas sobre relacionamentos amorosos. Verificando sem dificuldade na internet, logo se descobria que o texto era de uma blogueira que escrevia na revista TPM, mas depois que caiu na rede, virou peixe sem m\u00e3e nem pai definidos. Por que as pessoas n\u00e3o verificam aquilo que postam?<br \/>\nE por que, ao verem que n\u00e3o \u00e9 verdade, n\u00e3o admitem o erro e procuram a vers\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade? Talvez porque um Hampty-dumpty3 arquet\u00edpico tenha morada dentro de todos n\u00f3s. O personagem utilizado por Lewis Carrol, no livro \u201c<em>Alice atrav\u00e9s do espelho<\/em>\u201d, dizia para Alice que dava \u00e0s palavras o sentido que ele queria dar. Pouco importa a legitimidade desse sentido, o que importa \u00e9 que ele era o dono do sentido, e assim manipulava-o \u00e0 vontade.<br \/>\nParte da imprensa faz exatamente isso, como ilustra bem o excelente document\u00e1rio de Jorge Furtado, \u201cMercado de noticias\u201d. Uma vez que a falsa vers\u00e3o, sem nenhuma verifica\u00e7\u00e3o mais s\u00e9ria e respons\u00e1vel passa a circular e ser apropriada pela mir\u00edade incrivelmente variada de receptores&#8230;, pronto, est\u00e1 feito: a sombra da caverna n\u00e3o \u00e9 mais questionada. Quem ousar faz\u00ea-lo sofrer\u00e1 as consequ\u00eancias. Ela se imp\u00f5e porque simplesmente \u00e9. E a for\u00e7a desse ser tem um poder incr\u00edvel de mobiliza\u00e7\u00e3o das subjetividades. N\u00e3o se trata simplesmente de \u201cformar opini\u00e3o\u201d, mas sim de conformar subjetividades, modos de ser\/estar no mundo, ideias e afetos diversos, dentre eles o \u00f3dio e o preconceito. Ou seja, se trata de produzir sujeitos, de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade no sentido de Deleuze e Guattari, autores conhecidos n\u00e3o s\u00f3 na filosofia como nos demais campos das humanidades e das ci\u00eancias sociais. Quem n\u00e3o \u00e9 desses campos deveria procurar conhec\u00ea-los, compreend\u00ea-los.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-36269\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/05-TV-e-Caverna-Platao-300x191.jpg\" alt=\"05-TV-e-Caverna-Platao\" width=\"300\" height=\"191\" \/><br \/>\nSeja por sedimenta\u00e7\u00e3o \u2013 martelar certo conte\u00fado dia ap\u00f3s dia, durante anos, para solidificar um determinado vi\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o de alguma coisa \u2013, seja por fratura \u2013 \u201copa, parem tudo, n\u00e3o \u00e9 nada daquilo, vejam s\u00f3!\u201d, atrav\u00e9s de uma \u201cnot\u00edcia\u201d (na verdade interpreta\u00e7\u00e3o viesada de algo) que d\u00e1 novo sentido ao mundo, a parcela hegem\u00f4nica da m\u00eddia brasileira n\u00e3o para. Simplesmente n\u00e3o para: ela age diuturnamente. Utiliza todas as ferramentas dispon\u00edveis da comunica\u00e7\u00e3o para produzir e sustentar seus interesses e a vis\u00e3o de mundo que defende.<br \/>\n\u00c9 dessa forma que o \u201cmensal\u00e3o\u201d vira o maior esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o de toda a hist\u00f3ria do Brasil. Sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, pois ao comparar o estrago feito por todos os lament\u00e1veis esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o das \u00faltimas d\u00e9cadas, temos que ele ocupa um \u201cmodesto\u201d d\u00e9cimo lugar. Vejamos:<br \/>\n<strong>Os dez maiores crimes de corrup\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong>4<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Top<\/td>\n<td>Crime\/Esc\u00e2ndalo<\/td>\n<td>Ano<\/td>\n<td>Rombo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>10\u00ba<\/td>\n<td>Mensal\u00e3o<\/td>\n<td>2005<\/td>\n<td>R$ 55 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>9\u00ba<\/td>\n<td>Opera\u00e7\u00e3o Sanguessuga<\/td>\n<td>2006<\/td>\n<td>R$ 140 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>8\u00ba<\/td>\n<td>Sudam<\/td>\n<td>2001<\/td>\n<td>R$ 214 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>7\u00ba<\/td>\n<td>Opera\u00e7\u00e3o Navalha<\/td>\n<td>2007<\/td>\n<td>R$ 610 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>6\u00ba<\/td>\n<td>An\u00f5es do Or\u00e7amento<\/td>\n<td>1993<\/td>\n<td>R$ 800 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>5\u00ba<\/td>\n<td>TRT\/SP<\/td>\n<td>1999<\/td>\n<td>R$ 923 milh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4\u00ba<\/td>\n<td>Banco Marka<\/td>\n<td>1999<\/td>\n<td>R$ 1,8 bilh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>3\u00ba<\/td>\n<td>Vampiros da Sa\u00fade<\/td>\n<td>1998<\/td>\n<td>R$ 2,4 bilh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2\u00ba<\/td>\n<td>Banestado<\/td>\n<td>2003<\/td>\n<td>R$ 42 bilh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1\u00ba<\/td>\n<td>Privataria Tucana<\/td>\n<td>1997<\/td>\n<td>R$ 100 bilh\u00f5es<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>E entender isso n\u00e3o tem nada a ver com defender os corruptos envolvidos no esquema do mensal\u00e3o, que, ali\u00e1s, eram oriundos de v\u00e1rios partidos pol\u00edticos e de grandes corpora\u00e7\u00f5es privadas. Cadeia neles! Agora, por que s\u00f3 neles?! Por que tanta seletividade? Ao querer que se diga a verdade dos fatos, n\u00e3o se est\u00e1 defendendo este ou aquele partido pol\u00edtico. Apenas se quer refletir sobre a informa\u00e7\u00e3o verdadeira em termos factuais! Entretanto, se a gente tenta argumentar com algu\u00e9m que incorporou profundamente a inverdade em seus afetos e \u201ccertezas\u201d, pode esquecer. Agress\u00f5es e insultos- ou uma resist\u00eancia obstinada &#8211; ser\u00e3o a resposta, jamais a reflex\u00e3o cr\u00edtica diante de fatos objetivos. Sim, porque o fato objetivo existe! Apesar de eu estar mais para Guattari do que para Durkheim (!), eu acredito que h\u00e1 uma factualidade em andamento que, embora contradit\u00f3ria e muitas vezes amb\u00edgua, possui uma concretude e uma exist\u00eancia que se desenrola objetivamente. Que pode ser demonstrada e provada, utilizando-se esses fatos e os dados decorrentes deles de forma objetiva.<br \/>\nO que a m\u00eddia faz \u00e9 atribuir sentidos a esses fatos; o sentido que ela quer dar. \u00c9 o Humpty-dumpty em a\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os regimes de luz de Deleuze: onde a gente joga luz, ali h\u00e1 exist\u00eancia. O que se deixa no escuro, invis\u00edvel, ali n\u00e3o h\u00e1 exist\u00eancia! Assim eu produzo a realidade do jeito que eu quiser, manipulando as luzes (acabo de ter um rompante de autoritarismo agudo, meu pr\u00f3prio Humpty-dumpty emergindo?).<br \/>\nConcluo que todos n\u00f3s, homens e mulheres contempor\u00e2neos, estamos \u00e0 merc\u00ea de nosso pr\u00f3prio personagem autorit\u00e1rio e manipulador, introjetado. A merc\u00ea das sombras das nossas cavernas de Plat\u00e3o existenciais. O que poder\u00e1 fazer a diferen\u00e7a \u00e9 o esfor\u00e7o consciente de nos informarmos em v\u00e1rias fontes, de refletirmos criticamente, de for\u00e7armos o pensamento a pensar &#8211; e buscar- mais e melhor diversidade de an\u00e1lise do mundo, correndo sempre para fora da caverna e vendo a pluralidade que existe para al\u00e9m dela.<br \/>\n1 <a href=\"http:\/\/www.e-farsas.com\/filho-de-lula-compra-fazenda-avaliada-em-47-milhoes-de-reais.html\">http:\/\/www.e-farsas.com\/filho-de-lula-compra-fazenda-avaliada-em-47-milhoes-de-reais.html<\/a><br \/>\n2 <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/bahia\/noticia\/2016\/07\/vereadores-repudiam-pl-inexistente-de-jean-wyllys-para-mudar-biblia.html\">http:\/\/g1.globo.com\/bahia\/noticia\/2016\/07\/vereadores-repudiam-pl-inexistente-de-jean-wyllys-para-mudar-biblia.html<\/a><br \/>\n3 &#8220;When\u00a0I\u00a0use a word,&#8221; Humpty Dumpty said in rather a scornful tone, &#8220;it means just what I choose it to mean \u2014 neither more nor less.&#8221;.\u2028 &#8220;The question is,&#8221; said Alice, &#8220;whether you\u00a0can\u00a0make words mean so many different things.&#8221;.\u2028 &#8220;The question is,&#8221; said Humpty Dumpty, &#8220;which is to be master\u2014 that&#8217;s all.&#8221; (Through the Looking Glass, by Lewis Carroll). Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/definitionsinsemantics.blogspot.com.br\/2012\/03\/humpty-dumpty-principle-in-definitions.html\"> http:\/\/definitionsinsemantics.blogspot.com.br\/2012\/03\/humpty-dumpty-principle-in-definitions.html<\/a><br \/>\n4 <a href=\"http:\/\/www.endodontiaclinica.odo.br\/os-10-maiores-escandalos-de-corrupcao-do-brasil\/\">http:\/\/www.endodontiaclinica.odo.br\/os-10-maiores-escandalos-de-corrupcao-do-brasil\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mar\u00edlia Ver\u00edssimo Veronese &#8211;\u00a0 Professora e pesquisadora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da UNISINOS. Acho que todos os leitores e leitoras do Jornal J\u00e1 conhecem o mito\/alegoria da caverna de Plat\u00e3o. Dicotomias plat\u00f4nicas \u00e0 parte, ele servir\u00e1 aqui como uma met\u00e1fora para a leitura do nosso tempo. 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