{"id":36396,"date":"2016-07-14T22:20:57","date_gmt":"2016-07-15T01:20:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=36396"},"modified":"2016-07-14T22:20:57","modified_gmt":"2016-07-15T01:20:57","slug":"imprensa-e-jornalismo-em-transicao-a-contradicao-das-agendas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/imprensa-e-jornalismo-em-transicao-a-contradicao-das-agendas\/","title":{"rendered":"Imprensa e jornalismo em transi\u00e7\u00e3o: a contradi\u00e7\u00e3o das Agendas"},"content":{"rendered":"<p>Agemir Bavaresco &#8211; Fil\u00f3sofo, professor e coordenador do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o da PUCRS.<br \/>\nA movimenta\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios da imprensa e do jornalismo nos \u00faltimos anos registrou contradi\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as que apontam para a transi\u00e7\u00e3o de modelos de empreendimento, causados pelo avan\u00e7o da tecnologia que tem implica\u00e7\u00f5es na teoria da Agenda.<br \/>\n<span class=\"intertit\">1 &#8211; Concentra\u00e7\u00e3o empresarial em tempo digital<\/span><br \/>\nA primeira constata\u00e7\u00e3o \u00e9 a converg\u00eancia digital que permitiu a reuni\u00e3o de grupos jornal\u00edsticos, m\u00eddia, telecomunica\u00e7\u00f5es e Internet. Estes grupos passam a intervir no mercado oferecendo vendas virtuais, montando portais, explorando nichos de acesso \u00e0 Internet, criando provedores de servi\u00e7os, num emergente shopping digital. Somado a esses fatos, as novas tecnologias desencadearam um processo de concentra\u00e7\u00e3o global de empresas e a consequente desnacionaliza\u00e7\u00e3o do setor.<br \/>\na) M\u00eddia Global X M\u00eddia local: Uma cadeia produtiva de m\u00eddia \u00e9 formada, grosso modo, por anunciantes, ag\u00eancias de publicidade e ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. O que tivemos no Brasil, nos \u00faltimos anos, foi uma desnacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas anunciantes, porque as empresas estrangeiras al\u00e9m de adquirirem as ag\u00eancias de publicidade trocaram o comando de tomada de decis\u00f5es, focado na matriz e com alinhamento de interesses. Junto com essa concentra\u00e7\u00e3o empresarial global est\u00e1 o enfraquecimento da m\u00eddia nacional. H\u00e1, de um lado, o modelo de jornal impresso de faturamento tradicional a custos elevados e, de outro, o modelo de neg\u00f3cios incipiente de edi\u00e7\u00e3o digital que n\u00e3o conseguiu ainda se implementar.<br \/>\nb) Modelo de neg\u00f3cio tradicional X Modelo de neg\u00f3cio digital: O modelo de neg\u00f3cios da imprensa tradicional entrou em crise com a entrada no mercado brasileiro do Google e do Facebook, absorvendo o faturamento publicit\u00e1rio atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o direta com o usu\u00e1rio pelo preenchimento de dados, perfil e ouvindo suas opini\u00f5es e interesses. A publicidade tradicional funcionava com as seguintes estrat\u00e9gias: a publicidade popular usava as redes de televis\u00e3o nacional para estimular o consumo de bens de massa; e a publicidade segmentada usava os jornais e revistas para atingir um p\u00fablico mais homog\u00eaneo e mais refinado nos h\u00e1bitos de consumo de produtos e de opini\u00f5es. Este modelo dissolveu-se com a emerg\u00eancia da Internet e as redes sociais, sobretudo com o ingresso, por exemplo, do Google e do Facebook que articularam um modelo de neg\u00f3cio digital, \u00e1gil e vers\u00e1til, baseado na segmenta\u00e7\u00e3o e o acesso online do banco de dados instant\u00e2neo.<br \/>\nc) Empresas jornal\u00edsticas X Jornalismo: A rigor na origem das sociedades democr\u00e1ticas a liberdade de imprensa e de opini\u00e3o s\u00e3o qualificadas de p\u00fablicas, isto \u00e9, trata-se de um servi\u00e7o p\u00fablico, independentemente, de ser estatal ou privado. A transi\u00e7\u00e3o de modelos em curso atingiu, especialmente, o jornalismo. Cabe distinguir entre as empresas jornal\u00edsticas de imprensa da atividade jornal\u00edstica, pois, isto explicita um conflito hist\u00f3rico entre os objetivos p\u00fablicos do jornalismo e os interesses comerciais dos grupos de imprensa. O que se constata \u00e9 uma perda do papel do jornalismo, pois este torna-se subordinado aos interesses privados das empresas jornal\u00edsticas, por exemplo, os jornais n\u00e3o expressam mais ideias, mas tornam-se instrumento de propaganda dos interesses corporativos das elites financeiras ou industriais em n\u00edvel nacional ou internacional (Esta parte baseia-se em mat\u00e9ria de Luis Nassif. Xadrez da crise da imprensa e do jornalismo. GGN, 12\/07\/16). Face a estes cen\u00e1rios de transi\u00e7\u00e3o da imprensa e do jornalismo coloca-se o problema da teoria da Agenda.<br \/>\n<span class=\"intertit\">2 &#8211; Agenda da M\u00eddia Tradicional X Agenda das Redes Sociais<\/span><br \/>\nO que faz com que as pessoas pensem determinados temas e deixem de lado outros? O que influencia ou forma a opini\u00e3o p\u00fablica? Conforme a\u00a0Agenda Setting, teoria elaborada por Maxwell McCombs, a pauta das conversas e debates \u00e9 provocada pelos jornais, televis\u00e3o e r\u00e1dio (meios tradicionais). Esses meios t\u00eam a for\u00e7a de mudar a realidade social, ou seja, informam os fatos a serem pensados ou debatidos pelo p\u00fablico. Eles estabelecem a pauta dos assuntos e o seu conte\u00fado em n\u00edvel local, nacional e internacional.<br \/>\nPor\u00e9m, em face da agenda da m\u00eddia tradicional surge a agenda das redes sociais: A internet e as redes sociais permitem que os cidad\u00e3os expressem opini\u00f5es e interesses, sem o filtro dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais. Atrav\u00e9s das redes sociais muitas pautas foram estabelecidas, protestos e insurrei\u00e7\u00f5es foram organizados. A esfera p\u00fablica encontrou nas novas tecnologias uma forma de express\u00e3o direta de sua opini\u00e3o, a tal ponto que alguns especialistas constatam um novo fen\u00f4meno: a forma\u00e7\u00e3o de uma nova opini\u00e3o p\u00fablica.<br \/>\nDe um lado, temos a opini\u00e3o p\u00fablica tradicional, agendada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais e controlada por interesses privados e pelas regula\u00e7\u00f5es e poderes estatais. De outro, a nova opini\u00e3o p\u00fablica diferenciada pela participa\u00e7\u00e3o inclusiva, pela autonomia, velocidade e transpar\u00eancia, que tem como agentes os cidad\u00e3os protagonistas e descentralizados, com mobilidade instant\u00e2nea e articulados em redes sociais.<br \/>\nA esfera p\u00fablica foi transformada pela internet que alterou o ecossistema comunicacional, criando uma nova opini\u00e3o p\u00fablica. O soci\u00f3logo Manuel Castells chama este fen\u00f4meno de autocomunica\u00e7\u00e3o de massas. \u00c0s a\u00e7\u00f5es coletivas em rede, como a constru\u00e7\u00e3o colaborativa da Wikip\u00e9dia, juntam-se milhares de pequenas comunidades que desenvolvem express\u00f5es de intelig\u00eancia coletiva, articulando uma esfera p\u00fablica aut\u00f4noma e em rede.<br \/>\nPor isso, o controle da opini\u00e3o p\u00fablica, pautado pela agenda tradicional est\u00e1 sendo mudado pela agenda das redes sociais. As grandes corpora\u00e7\u00f5es e ag\u00eancias internacionais de comunica\u00e7\u00e3o que det\u00eam o poder de disseminar sua vers\u00e3o dos fatos e de estabelecer a agenda p\u00fablica confronta-se com a agenda das redes sociais que expressam opini\u00f5es opostas, instaurando uma opini\u00e3o p\u00fablica contradit\u00f3ria com for\u00e7a de express\u00e3o plural e a\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agemir Bavaresco &#8211; Fil\u00f3sofo, professor e coordenador do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o da PUCRS. 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