{"id":40004,"date":"2016-10-03T22:57:45","date_gmt":"2016-10-04T01:57:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=40004"},"modified":"2016-10-03T22:57:45","modified_gmt":"2016-10-04T01:57:45","slug":"primeiras-reflexoes-sobre-as-eleicoes-de-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/primeiras-reflexoes-sobre-as-eleicoes-de-2016\/","title":{"rendered":"Primeiras reflex\u00f5es sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2016"},"content":{"rendered":"<p>Algumas impress\u00f5es e reflex\u00f5es sobre o dia de ontem. Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o o alto n\u00famero de votos brancos\/nulos e absten\u00e7\u00f5es. Tudo leva a crer que de fato estamos nos aprofundando em um processo que traz duas faces: de um lado a criminaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, de outro a busca, ainda tateante, de uma nova pol\u00edtica. Parte da juventude que foi \u00e0s ruas em 2013, especialmente os grupos que iniciaram as Jornadas em Porto Alegre, S\u00e3o Paulo e depois outras capitais, representa a insatisfa\u00e7\u00e3o com a democracia representativa e a velha pol\u00edtica dos partidos, devem somar-se a esses jovens os secundaristas que ativamente se mobilizaram ao longo de 2015 e 2016. Nota-se nesta turma toda uma grande paix\u00e3o pol\u00edtica, uma vontade de construir uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com P mai\u00fasculo, mas que ainda n\u00e3o encontrou sua forma mais est\u00e1vel. Foi ao ver tais jovens em a\u00e7\u00e3o que fiquei feliz nos primeiros lances de 2013.<br \/>\nPor outro lado, no rastro aberto pelo in\u00edcio das Jornadas vieram as consequ\u00eancias de uma velha pol\u00edtica que se disfar\u00e7a no Brasil, mas que n\u00e3o tem nada de nova (a Revolu\u00e7\u00e3o de 30 foi uma insurg\u00eancia contra a &#8220;democracia&#8221; da Rep\u00fablica Velha, o discurso da pol\u00edtica corrupta e generalizada favoreceu os militares, vistos como n\u00e3o pol\u00edticos, e foi a ru\u00edna de Get\u00falio, Jango, JK e agora Lula): a constru\u00e7\u00e3o da imagem de que a democracia \u00e9 um engodo, de que pol\u00edticos s\u00e3o dinossauros corruptos, que pol\u00edtica, direito e moral devem todos ser a mesma coisa, e que a melhor leitura disto \u00e9 o modelo de indiv\u00edduo atomizado e isolado, assim cada qual que se responsabilize pela pr\u00f3pria desgra\u00e7a. Tal imagem social \u00e9 aprofundada entre n\u00f3s pela forte investida religiosa fundamentalista no campo p\u00fablico.<br \/>\nVejam que al\u00e9m do alto n\u00famero de votos nulos\/brancos\/absten\u00e7\u00f5es verificou-se uma grande dificuldade de as situa\u00e7\u00f5es se manterem (o que atingiu o PT mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio PMDB). Jo\u00e3o D\u00f3ria em Sampa foi eleito sob a apar\u00eancia de n\u00e3o ser um pol\u00edtico, o mesmo aconteceu com Sartori no RS (&#8220;meu partido \u00e9 o Rio Grande&#8221;).<br \/>\nVejo que se prepara cada vez mais no Brasil o terreno para uma Berlusconiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Algu\u00e9m que n\u00e3o seja da pol\u00edtica tradicional, que represente para a grande parcela da popula\u00e7\u00e3o, teleguiada pela m\u00eddia hegem\u00f4nica, um salvador da p\u00e1tria. Ontem foram os militares, hoje podem ser os ju\u00edzes. N\u00e3o me admiraria se algu\u00e9m como Moro ou Joaquim Barbosa for eleito Presidente do Brasil em 2018.<br \/>\nPara as esquerdas, o desafio \u00e9 duplo. De um lado, deve resistir ao processo de criminaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e dos retrocessos sociais que podem vir da\u00ed, dos quais o pior, sem sombra de d\u00favida, \u00e9 a descren\u00e7a das pessoas em qualquer trabalho coletivo, comunit\u00e1rio e solid\u00e1rio, restando apenas a raz\u00e3o c\u00ednica, calculat\u00f3ria, ego\u00edsta e predat\u00f3ria, favorecida pela l\u00f3gica do salve-se quem puder. De outro lado, a esquerda deve se reinventar, para al\u00e9m da din\u00e2mica partid\u00e1ria, deve novamente ressurgir das bases, dar lugar para as novas gera\u00e7\u00f5es e suas novas gram\u00e1ticas, saber dialogar com essas novas for\u00e7as emancipat\u00f3rias, n\u00e3o estabilizadas ou institucionalizadas. A nova unidade de esquerda deve vir desse processo das bases. Dificilmente vir\u00e1 de concilia\u00e7\u00f5es quase imposs\u00edveis entre os bra\u00e7os partidarizados da esquerda brasileira, mas deve passar tamb\u00e9m por a\u00ed. Este \u00e9 o verdadeiro trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o das esquerdas, que no Brasil devem sim trabalhar com o imponder\u00e1vel de 2018, mas sem deixar que este front paralise todo o resto, pois, sinceramente, penso que o &#8220;resto&#8221; \u00e9 o que mais importa agora para a retomada de um projeto inclusivo, plural e democr\u00e1tico para o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas impress\u00f5es e reflex\u00f5es sobre o dia de ontem. Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o o alto n\u00famero de votos brancos\/nulos e absten\u00e7\u00f5es. Tudo leva a crer que de fato estamos nos aprofundando em um processo que traz duas faces: de um lado a criminaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, de outro a busca, ainda tateante, de uma nova pol\u00edtica. 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