{"id":40638,"date":"2016-10-19T21:47:29","date_gmt":"2016-10-20T00:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=40638"},"modified":"2016-10-19T21:47:29","modified_gmt":"2016-10-20T00:47:29","slug":"divida-e-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/divida-e-juros\/","title":{"rendered":"D\u00edvida e juros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Paulo Timm<\/strong> \u2013 Economista<br \/>\nMarx escreveu na obra O Capital (Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica):<br \/>\n<em>\u201c(\u2026) A \u00fanica parte da chamada riqueza nacional que \u00e9 realmente objeto de posse coletiva dos povos modernos \u00e9 \u2026 a d\u00edvida p\u00fablica\u201d. (p.872)<\/em><br \/>\n<em> \u201cA d\u00edvida p\u00fablica converte-se numa das alavancas mais poderosas da acumula\u00e7\u00e3o primitiva. Como uma varinha de cond\u00e3o, ela dota o dinheiro de capacidade criadora, transformando-o assim em capital, sem ser necess\u00e1rio que seu dono se exponha aos aborrecimentos e riscos insepar\u00e1veis das aplica\u00e7\u00f5es industriais e mesmo usur\u00e1rias. Os credores do estado nada d\u00e3o na realidade, pois a soma emprestada converte-se em t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica facilmente transfer\u00edveis, que continuam a funcionar em suas m\u00e3os como se fossem dinheiro.\u201d (p.872-873)<\/em><br \/>\n<em> &#8220;\u201c(\u2026) A d\u00edvida p\u00fablica criou uma classe de capitalistas ociosos, enriqueceu, de improviso, os agentes financeiros que servem de intermedi\u00e1rios entre o governo e a na\u00e7\u00e3o. As parcelas de sua emiss\u00e3o adquiridas pelos arrematantes de impostos, comerciantes e fabricantes particulares proporcionam o servi\u00e7o de um capital ca\u00eddo do c\u00e9u. Mas, al\u00e9m de tudo isso, a d\u00edvida p\u00fablica fez prosperar as sociedades an\u00f4nimas, o com\u00e9rcio com os t\u00edtulos negoci\u00e1veis de toda esp\u00e9cie, a agiotagem, em suma, o jogo da bolsa e a moderna bancocracia.\u201d (p.873)<\/em><br \/>\nKarl Marx. O Capital. Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica. Livro Primeiro, Volume II, Cap\u00edtulo XXIV. 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Reginaldo Sant\u2019Anna. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988.<br \/>\nHoje tem reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central, o \u00f3rg\u00e3o colegiado que define a taxa b\u00e1sica de juros da economia brasileira, a qual, al\u00e9m de balizar o mercado financeiro, determina a disposi\u00e7\u00e3o do Governo quanto \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o de seus t\u00edtulos neste mercado.<br \/>\n<figure id=\"attachment_40639\" aria-describedby=\"caption-attachment-40639\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-40639\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Evolu\u00e7\u00e3o-da-taxa-b\u00e1sica-de-juros-Selic-300x210.jpg\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros selic\" width=\"382\" height=\"270\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-40639\" class=\"wp-caption-text\">Evolu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros selic<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA \u00faltima reuni\u00e3o do COPOM manteve a taxa SELIC em 14,25%, n\u00edvel mais alto dos \u00faltimos anos e que vem assim se mantendo desde 2012, \u00e0 vista da retomada do ritmo inflacion\u00e1rio e persist\u00eancia da recess\u00e3o, conforme NOTA:<br \/>\n1.\u00a0\u00a0\u00a0 Os indicadores divulgados desde a \u00faltima reuni\u00e3o do Copom forneceram evid\u00eancias adicionais de estabiliza\u00e7\u00e3o recente da atividade econ\u00f4mica. Em particular, a medida de investimento nas contas nacionais mostrou o primeiro aumento ap\u00f3s dez trimestres seguidos de queda. H\u00e1 sinais de uma poss\u00edvel retomada gradual da atividade econ\u00f4mica, como os componentes de expectativas de \u00edndices de confian\u00e7a, expectativas de crescimento do PIB2 para 2017 apuradas pela pesquisa Focus, e expans\u00e3o da atividade industrial. 2. A economia segue operando com n\u00edvel elevado de ociosidade dos fatores de produ\u00e7\u00e3o, refletido nos \u00edndices de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade da ind\u00fastria e, principalmente, na taxa de desemprego.<br \/>\n(Notas da 201\u00aa Reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central do Brasil 30 e 31 de agosto de 2016)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.bcb.gov.br\/htms\/copom\/not20160831201.pdf\">http:\/\/www.bcb.gov.br\/htms\/copom\/not20160831201.pdf<\/a><br \/>\nNos dois \u00faltimos meses o ritmo da economia n\u00e3o demonstrou maior varia\u00e7\u00e3o, resultando na previs\u00e3o de queda do PIB neste ano na ordem de 3,2% &#8211; <a href=\"http:\/\/www.brasil.gov.br\/economia-e-emprego\/2016\/08\/mercado-melhora-previsoes-para-o-pib-de-2016-e-de-2017\">http:\/\/www.brasil.gov.br\/economia-e-emprego\/2016\/08\/mercado-melhora-previsoes-para-o-pib-de-2016-e-de-2017 <\/a>&#8211; , mas os pre\u00e7os acusaram n\u00edtido refluxo, particularmente em setembro: IPCA = 0,08% &#8211; <a href=\"http:\/\/www.valor.com.br\/valor-data\/tabela\/5800\/inflacao\">http:\/\/www.valor.com.br\/valor-data\/tabela\/5800\/inflacao<\/a>. Al\u00edvio, depois do susto no m\u00eas de agosto. . Com isso, a permanecer a tend\u00eancia,\u00a0 voltaremos, em 2017, ao n\u00edvel toler\u00e1vel da banda de metas com uma infla\u00e7\u00e3o anual em torno\u00a0 de 5.0% &#8211; <a href=\"http:\/\/www4.bcb.gov.br\/pec\/gci\/port\/focus\/faq%2010-regime%20de%20metas%20para%20a%20infla%C3%A7%C3%A3o%20no%20brasil.pdf\">http:\/\/www4.bcb.gov.br\/pec\/gci\/port\/focus\/faq%2010-regime%20de%20metas%20para%20a%20infla%C3%A7%C3%A3o%20no%20brasil.pdf <\/a>.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 certeza sobre o tamanho do corte dos juros SELIC. Uns apostam em 0,25%,outros em 0,50%, o que seria, neste caso, uma economia proxi de R$ 20 bilh\u00f5es em um ano no pagamento dos juros da D\u00edvida P\u00fablica, na ordem de R$ 4 trilh\u00f5es, tragando quase metade da receita em impostos da Uni\u00e3o. Simplificando, para orientar os leitores mais leigos, os quais, entretanto, est\u00e3o acostumados a calcular o peso dos juros sobre suas d\u00edvidas: Se os juros anuais est\u00e3o em torno de 15% ao ano sobre R$ 4 trilh\u00f5es, seu montante devido chegaria a R$ 600 bi e uma economia 0,5% nos juros significa os R$ 20 bilh\u00f5es apontados. Tivesse ao Governo a coragem de dobrar este corte, para 1,0%, a economia chegaria a R$ 40 bi, evidenciando que aqui reside o fator principal do t\u00e3o decantado d\u00e9ficit p\u00fablico, hoje debitado aos Gastos Sociais, mormente Previd\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">D\u00edvida L\u00edquida<br \/>\nTotal da Uni\u00e3o (Interna e Externa)<br \/>\nFonte MF &#8211; Base R$ bilh\u00f5es.<\/p>\n<table style=\"width: 584px\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 73.5667px\">Itens<\/td>\n<td style=\"width: 72.4333px\">2002<\/td>\n<td style=\"width: 72px\">% PIB<\/td>\n<td style=\"width: 74px\">2010<\/td>\n<td style=\"width: 71px\">% PIB<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">Abril\/16<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">% PIB<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 73.5667px\">D\u00edvida Interna Em Poder do Mercado<\/td>\n<td style=\"width: 72.4333px\">558,9<\/td>\n<td style=\"width: 72px\">37,54<\/td>\n<td style=\"width: 74px\">1.603,9<\/td>\n<td style=\"width: 71px\">41,28<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">2.670,2<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">44,96<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 73.5667px\">D\u00edvida Interna Em Poder do Banco Central<\/td>\n<td style=\"width: 72.4333px\">282,1<\/td>\n<td style=\"width: 72px\">18,95<\/td>\n<td style=\"width: 74px\">694,0<\/td>\n<td style=\"width: 71px\">17,86<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">1.297,6<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">21,86<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 73.5667px\">D\u00edvida Externa L\u00edquida<\/td>\n<td style=\"width: 72.4333px\">262,9<\/td>\n<td style=\"width: 72px\">17,66<\/td>\n<td style=\"width: 74px\">90,1<\/td>\n<td style=\"width: 71px\">2,32<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">129,6<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">2,18<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 73.5667px\">D\u00edvida Total L\u00edquida<\/td>\n<td style=\"width: 72.4333px\">1.103,9<\/td>\n<td style=\"width: 72px\">74,15<\/td>\n<td style=\"width: 74px\">2.388,0<\/td>\n<td style=\"width: 71px\">61,46<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">4.097,4<\/td>\n<td style=\"width: 73px\">69,00<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte :\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.ricardobergamini.com.br\">www.ricardobergamini.com.br<\/a><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-40642\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Evolu\u00e7\u00e3o-da-d\u00edvida-bruta-do-Governo-Geral-300x196.jpg\" alt=\"evolucao-da-divida-bruta-do-governo-geral\" width=\"399\" height=\"263\" \/><br \/>\nFonte: A s\u00e9rie \u201cBrasil 1994\/2014\u201d \u00e9 de autoria de Jos\u00e9 Prata Ara\u00fajo, economista mineiro. Veja outros posts da s\u00e9rie no site <a href=\"http:\/\/www.mariliacampos.com.br\">www.mariliacampos.com.br<\/a>, se\u00e7\u00e3o \u201cBrasil 1994\/2014\u201d.<br \/>\n<strong>Execu\u00e7\u00e3o Or\u00e7ament\u00e1ria Uni\u00e3o \u2013 2016<\/strong><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-40641\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Evolu\u00e7\u00e3o-Or\u00e7ament\u00e1ria-Uni\u00e3o-2016.jpg\" alt=\"evolucao-orcamentaria-uniao-2016\" width=\"387\" height=\"188\" \/><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.dividacidade.org.br\">www.dividacidade.org.br<\/a><br \/>\nN\u00e3o se trata, aqui, de discutir a fundo as raz\u00f5es do alto montante da d\u00edvida p\u00fablica da Uni\u00e3o, do d\u00e9ficit sobre o qual recai agora o peso da PEC 241, pretendendo limitar os gastos do governo por 20 anos, nem dos altos juros que alimentam lucros exorbitantes nos bancos nos \u00faltimos anos.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-40643\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Gasto-social-300x208.png\" alt=\"gasto-social\" width=\"397\" height=\"279\" \/><br \/>\nApenas registrar, a bem da verdade, que malgrado uma m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o dos governos petistas, excessivamente permissivo sobre o d\u00e9ficit p\u00fablico, atribu\u00eddo \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o keynesiana no manejo das contas p\u00fablicas, e da expans\u00e3o dos Gastos Sociais, n\u00e3o houve qualquer explos\u00e3o de gastos governamentais em sua era 2003-2013. Por uma raz\u00e3o muito simples: Este gasto cresceu junto com o crescimento do PIB e do crescimento da Receita da Uni\u00e3o. A partir da\u00ed, sim, isto ocorreu, devido a tr\u00eas fatores b\u00e1sicos n\u00e3o percebidos a tempo de corre\u00e7\u00e3o pela Pres. Dilma Roussef:<br \/>\n(1) queda no ritmo da atividade econ\u00f4mica, medida pelo PIB, com reflexos imediatos na receita de impostos, fruto, em grande parte da perda\u00a0 nos pre\u00e7os das commodities, resultado, por sua vez do menor dinamismo chin\u00eas que havia se tornado no principal parceiro externo;<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-40644\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Commodity-prces-indices-monthly-300x203.jpg\" alt=\"commodity-prices-indices-monthly\" width=\"388\" height=\"267\" \/><br \/>\n<a href=\"http:\/\/blogs.worldbank.org\/developmenttalk\/commodities-mostly-continue-tumble?cid=EXT_WBBlogSocialShare_D_EXT\">http:\/\/blogs.worldbank.org\/developmenttalk\/commodities-mostly-continue-tumble?cid=EXT_WBBlogSocialShare_D_EXT<\/a><br \/>\n(2) valor excessivo dos subs\u00eddios \u00e0s empresas, ditos gastos tribut\u00e1rios, quando relativos \u00e0 isen\u00e7\u00f5es fiscais, ou juros abaixo da SELIC, quando aplicados atrav\u00e9s do BNDES, os quais importaram o valor de R$ 20 bilh\u00f5es anuais em cinco anos,\u00a0 na expectativa de, com isso, anim\u00e1-las ao investimento,\u00a0 chegando estes dois valores somados, em 2016, ao patamar de\u00a0 R$ 291\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 bilh\u00f5es nominais &#8211;<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,custo-dos-subsidios-do-tesouro-ao-bndes-chega-a-r-79-7-bi-em-4-anos-imp-,1561422\"> http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,custo-dos-subsidios-do-tesouro-ao-bndes-chega-a-r-79-7-bi-em-4-anos-imp-,1561422<\/a><br \/>\nA EXPLOS\u00c3O DOS GASTOS TRIBUT\u00c1RIOS NO BRASIL OU O QUE DEIXAMOS DE ARRECADAR A T\u00cdTULO DE EST\u00cdMULO AO\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CRESCIMENTO<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.proac.uff.br\/cede\/sites\/default\/files\/TD64.pdf\">http:\/\/www.proac.uff.br\/cede\/sites\/default\/files\/TD64.pdf<\/a><br \/>\nAno\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0R$ milh\u00f5es\/2011-IPCA\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0R$ milh\u00f5es nom.<br \/>\n2004\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 36.945\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 24.211<br \/>\n2008\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 94.411\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 76.056<br \/>\n2012\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 145.977\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 145.977<br \/>\n2016 *\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8230;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0271.006<br \/>\n&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>\nFonte: IBGE; 1Demonstrativo de Gastos Tribut\u00e1rios da Receita Federal do Brasil (2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011a); 2\u00a0 Demonstrativo de Gastos Tribut\u00e1rios \u2013 Estimativas 2008, Receita Federal do Brasil (2011b). Elabora\u00e7\u00e3o Pr\u00f3pria<br \/>\n(*) <a href=\"\/Users\/gg\/Documents\/BRASIL%20DADOS\/DGTPLOA2016FINAL.pdf\">file:\/\/\/C:\/Users\/gg\/Documents\/BRASIL%20DADOS\/DGTPLOA2016FINAL.pdf<\/a><br \/>\n(3) eleva\u00e7\u00e3o brutal dos juros a partir de 2013, com imediato resultado no custo da d\u00edvida p\u00fablica. (acima assinalado)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nImporta destacar que o elevado montante de recursos emprestados pelo BNDES a outros pa\u00edses, bem como os perd\u00f5es de d\u00edvida a alguns pa\u00edses com baixo n\u00edvel de renda, n\u00e3o teve impacto sobre a d\u00edvida p\u00fablica, em raz\u00e3o de terem sido efetuados em moeda estrangeira sobre as reservas cambiais, embora tenham sido pagos em reais no Brasil. Ainda assim, \u00e9 interessante visualizar o montante, por pa\u00eds, destes empr\u00e9stimos vinculados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de empresas brasileiras nestes pa\u00edses, cujo montante parece alcan\u00e7ar US$ 500 bilh\u00f5es, ao custo global de US $ 4,5 bilh\u00f5es, a saber, desde que n\u00e3o haja calote dos tomadores:<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-40645\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/O-custo-dos-campe\u00f5es-nacionais-168x300.jpg\" alt=\"o-custo-dos-campeoes-nacionais\" width=\"249\" height=\"437\" \/><br \/>\nA Venezuela, por exemplo, recebeu o subs\u00eddio mais gordo: US$ 1,4 bilh\u00e3o em quatro opera\u00e7\u00f5es. O pa\u00eds fez uma emiss\u00e3o de t\u00edtulos em agosto de 2010, com prazo de 12 anos. Na \u00e9poca, j\u00e1 seguia a cartilha controversa de Hugo Ch\u00e1vez (falecido em 2013), como medidas intervencionistas no mercado interno e um discurso anti-imperialista na cena internacional. Por ser considerado um pa\u00eds arriscado, a taxa de juros da emiss\u00e3o foi de dois d\u00edgitos: 12,75%. Em dezembro daquele ano, o BNDES assinou um empr\u00e9stimo, com prazo id\u00eantico ao da emiss\u00e3o. A taxa, por\u00e9m, foi bem menor: 4,45%.<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,creditos-do-bndes-a-paises-estrangeiros-embutem-subsidios-de-us-4-5-bilhoes,1705800\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,creditos-do-bndes-a-paises-estrangeiros-embutem-subsidios-de-us-4-5-bilhoes,1705800<\/a><br \/>\nO cen\u00e1rio das Finan\u00e7as P\u00fablicas n\u00e3o \u00e9, pois, animador e sobre ele recaem as preocupa\u00e7\u00f5es governamentais, seja mediante tentativas de conten\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, seja pelo maior controle da d\u00edvida p\u00fablica e juros.<br \/>\nAli\u00e1s, \u00e9 por isso mesmo que se estranha o fato de justo neste clima de conten\u00e7\u00e3o os Bancos Oficiais \u2013 CEF e BB \u2013 venham a elevar as taxas de juros em v\u00e1rias de suas linhas de cr\u00e9dito, vindo a se tornar nas mais altas do mercado. Veja-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>O\u00a0cr\u00e9dito dispon\u00edvel para a compra de ve\u00edculos, por exemplo, tem juros que chegaram a 27,06% ao ano na Caixa Econ\u00f4mica Federal, no final do m\u00eas de setembro. Essa taxa \u00e9 a mais cara entre os cinco maiores bancos do pa\u00eds. O\u00a0Banco do Brasil\u00a0tem a segunda taxa de juros mais elevada, com 26,96% ao ano. Ao fiinal de 2015, essa taxa estava em 26,84% ao ano,na Caixa e 26,58% no BB.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>A menor taxa dos cinco maiores bancos do Pa\u00eds \u00e9 a do\u00a0Santander, que tem 23,33% \u00a0de juros ao ano para financiamento de ve\u00edculos. Em seguida vem o Bradesco (26,15% ao ano) e Ita\u00fa Unibanco (26,23% ao ano), que t\u00eam taxas bastante pr\u00f3ximas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Em rela\u00e7\u00e3o ao rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, empr\u00e9stimo tomado pelo consumidor quando paga um valor inferior ao integral da fatura, a Caixa (470,56%) e o BB (450,23% ao ano) possuem juros mais caros do que os do Bradesco (424,58% ao ano), por\u00e9m mais baratos comparados aos do Santander (557,8% ao ano) e Ita\u00fa Unibanco (631,86% ao ano).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/economia.ig.com.br\/2016-10-17\/banco-brasil-caixa.html\">http:\/\/economia.ig.com.br\/2016-10-17\/banco-brasil-caixa.html<\/a><\/p>\n<p>Alegam estes bancos que quando, em 2012, as institui\u00e7\u00f5es privadas elevaram suas taxas na tentativa de manter sua lucratividade, eles n\u00e3o o fizeram, raz\u00e3o pela qual, inclusive a CEF se transformaria na segunda maior institui\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds, mas agora, tratam de se recompor.<br \/>\nDif\u00edcil entender, justo neste momento. Mais parece uma falta de articula\u00e7\u00e3o da \u00e1rea econ\u00f4mica que carece de um Presidente da Rep\u00fablica com maior apetite para arbitrar tais situa\u00e7\u00f5es, tal como fazia FHC.<br \/>\nVamos, entretanto, aguardar o fim da tarde, o fim do ano, e se Deus ajudar, o fim do processo recessivo de forma a abrir o ano legislativo de 2017 com novos cen\u00e1rios a serem levantados pela perspectiva eleitoral de 2018. At\u00e9 l\u00e1, prendamos a respira\u00e7\u00e3o&#8230;.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Timm \u2013 Economista Marx escreveu na obra O Capital (Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica): \u201c(\u2026) A \u00fanica parte da chamada riqueza nacional que \u00e9 realmente objeto de posse coletiva dos povos modernos \u00e9 \u2026 a d\u00edvida p\u00fablica\u201d. (p.872) \u201cA d\u00edvida p\u00fablica converte-se numa das alavancas mais poderosas da acumula\u00e7\u00e3o primitiva. Como uma varinha de cond\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":40650,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-40638","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-debates"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40638\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}