{"id":40651,"date":"2016-10-19T22:35:48","date_gmt":"2016-10-20T01:35:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=40651"},"modified":"2016-10-19T22:35:48","modified_gmt":"2016-10-20T01:35:48","slug":"a-morte-de-plinio-zalewski-e-o-2o-turno-em-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/a-morte-de-plinio-zalewski-e-o-2o-turno-em-porto-alegre\/","title":{"rendered":"A morte de Pl\u00ednio Zalewski e o 2\u00ba Turno em Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo<\/strong> &#8211; Soci\u00f3logo e professor da PUCRS<br \/>\nConheci Pl\u00ednio Alexandre Zalewski Vargas no final dos anos 80. Ele integrava na \u00e9poca a chamada Nova Esquerda, grupo pol\u00edtico formado por ex-integrantes do PRC, entre os quais Tarso Genro, Marcos Rolim e Jos\u00e9 Geno\u00edno. Convivi mais proximamente com ele quando fundamos o movimento PT Amplo e Democr\u00e1tico, em 1992, que defendia uma mudan\u00e7a radical na estrutura interna do partido, arejando e democratizando os espa\u00e7os de poder com o fim das estruturas de tend\u00eancias internas, a desburocratiza\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo com a sociedade numa perspectiva democr\u00e1tica, superando os v\u00edcios de estruturas pol\u00edticas ainda marcadas pela luta armada contra o regime militar e padr\u00f5es marxistas-leninistas de organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tivemos sucesso, e o pr\u00f3prio PT Amplo virou uma tend\u00eancia.<br \/>\nPor essa e por outras acabei me afastando da milit\u00e2ncia partid\u00e1ria, enquanto Pl\u00ednio, no final dos anos 90, desistiu do PT e foi primeiro para o PPS, depois para o PMDB.<br \/>\nDiscordei e discordo das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dele, e durante a \u00faltima d\u00e9cada continuei apoiando candidatos do PT para diversas esferas de poder, considerando que o partido era a possibilidade mais avan\u00e7ada de democratiza\u00e7\u00e3o do Estado e invers\u00e3o de prioridades na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de distribui\u00e7\u00e3o de renda e acesso a direitos. Mas reconhe\u00e7o que Pl\u00ednio sempre manteve a coer\u00eancia na tentativa de construir um espa\u00e7o pol\u00edtico democr\u00e1tico no contexto do Brasil e do Rio Grande do Sul. H\u00e1 muito havia revisto suas ideias, e seu pensamento era muito influenciado pela fil\u00f3sofa Hannah Arendt, muito mais pr\u00f3ximo de uma social democracia.<br \/>\nLembro que em nosso \u00faltimo embate nas redes sociais, algumas semanas atr\u00e1s, ele acusava a campanha de Raul Pont de estimular a viol\u00eancia juvenil contra o patrim\u00f4nio em manifesta\u00e7\u00f5es, e dizia que isso era inaceit\u00e1vel. Eu contrapunha dizendo que, em que pese a necessidade de evitar a utiliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como m\u00e9todo de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o processo de destitui\u00e7\u00e3o da Presidente da Rep\u00fablica, pelo grau de ilegitimidade que continha, havia aberto a porta para a degrada\u00e7\u00e3o da disputa pol\u00edtica democr\u00e1tica, retrocedendo no processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o dos conflitos sociais, para o qual o PT havia contribu\u00eddo.<br \/>\nNaquele momento, ele ainda acreditava que o advers\u00e1rio no 2\u00ba turno seria Raul. Se deu conta logo depois, talvez tarde demais, que o desgaste do PT e a divis\u00e3o da esquerda em Porto Alegre apontava para o risco real de que ficasse de fora da disputa, que seria entre dois grupos que at\u00e9 ent\u00e3o estiveram aliados na Prefeitura e no Estado, um deles, representado por Marchezan, buscando aproveitar a onda conservadora e dispensar as parcerias com o centro (parte do PMDB e PDT) para governar sozinho e com um projeto de poder para o estado e o pa\u00eds de absoluta exclus\u00e3o da esquerda dos espa\u00e7os pol\u00edticos e da participa\u00e7\u00e3o social na gest\u00e3o p\u00fablica.<br \/>\nLogo ap\u00f3s a sua morte, sites da direita tem espalhado a not\u00edcia de que Pl\u00ednio era um &#8220;comunista&#8221;, e com isso procuram justificar a a\u00e7\u00e3o do MBL de persegui\u00e7\u00e3o a ele. Ao contr\u00e1rio, Pl\u00ednio foi um dos art\u00edfices do projeto pol\u00edtico que levou \u00e0 derrota do PT na prefeitura de Porto Alegre depois de 16 anos no poder municipal, com marcas importantes e internacionalmente reconhecidas como o or\u00e7amento participativo, amalgamando for\u00e7as pol\u00edticas do centro at\u00e9 a direta para a constitui\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia pol\u00edtica na cidade. Brilhante estrategista, Pl\u00ednio \u00e9 parte de uma gera\u00e7\u00e3o que buscou incessantemente a boa pol\u00edtica, e sua morte empobrece a pol\u00edtica ga\u00facha.<br \/>\nNa sexta-feira passada, encontrei com Pl\u00ednio pessoalmente, depois de muitos anos, para declarar meu apoio \u00e0 chapa Melo\/Juliana, e conversar sobre os rumos da campanha no 2\u00ba turno. N\u00e3o imaginava que seria nosso \u00faltimo encontro. A serem comprovados os fatos at\u00e9 agora divulgados, que apontam para uma linha investigativa voltada para a comprova\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, justificado pela press\u00e3o exercida sobre ele, j\u00e1 que o monitoravam e amea\u00e7avam por v\u00e1rios meios, teria o sentido de um recado. Que sejamos capazes de ouvi-lo, para nos darmos conta do que de fato est\u00e1 em jogo nas elei\u00e7\u00f5es em Porto Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo &#8211; Soci\u00f3logo e professor da PUCRS Conheci Pl\u00ednio Alexandre Zalewski Vargas no final dos anos 80. Ele integrava na \u00e9poca a chamada Nova Esquerda, grupo pol\u00edtico formado por ex-integrantes do PRC, entre os quais Tarso Genro, Marcos Rolim e Jos\u00e9 Geno\u00edno. 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