{"id":42705,"date":"2016-12-26T09:05:37","date_gmt":"2016-12-26T12:05:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=42705"},"modified":"2016-12-26T09:05:37","modified_gmt":"2016-12-26T12:05:37","slug":"a-sombra-da-desonra-cobre-a-casa-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/a-sombra-da-desonra-cobre-a-casa-do-povo\/","title":{"rendered":"A sombra da desonra cobre a casa do povo"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Barcellos \u2013 Doutor em Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nO desencontro entre a \u00e9tica e a pol\u00edtica pode ser observado na facilidade em com que a mentira impera na vida p\u00fablica. Para o cidad\u00e3o que busca o decoro e a compostura dos comportamentos dos seus representantes, <strong>dizer-a-verdade \u00e9 um imperativo<\/strong> e a presen\u00e7a de pr\u00e1ticas e comportamentos transgressoras desses valores e normas colabora para o desaparecimento do respeito \u00e0 lei e \u00e0s regras da sociedade.<br \/>\nA conclus\u00e3o adv\u00e9m da an\u00e1lise de um fato que aconteceu no terceiro dia consecutivo de vota\u00e7\u00e3o das medidas previstas no pacote do governo de Jos\u00e9 Ivo Sartori (PMDB) na Assembleia legislativa e que \u00e9 um exemplo de que a mentira ainda existe na vida pol\u00edtica. A hist\u00f3ria foi narrada pela jornalista Fernanda Canofre, do Jornal SUL21, que mostra que <strong>a mentira foi ingrediente estrat\u00e9gico para calar a oposi\u00e7\u00e3o ao pacote que terminou com a extin\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Produ\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Sa\u00fade<\/strong> (FEPPS), extinta por 28 votos a favor e 25 contra. Ciro Simoni (PDT) viu ruir um acordo do PDT com o PTB pela manuten\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o.\u00a0 Diz Canofre: \u201d. Pelas contas da oposi\u00e7\u00e3o, o governo precisaria de um voto para aprovar o PL de extin\u00e7\u00e3o da FEPPS. Tinha 27, at\u00e9 ent\u00e3o. Ciro acordou com o deputado Alo\u00edsio Classmann que a oposi\u00e7\u00e3o abriria m\u00e3o do tempo de falas na tribuna, apenas ele se manifestaria em defesa da Funda\u00e7\u00e3o, <strong>em troca de o PTB tirar o voto que o governo precisava para ganhar<\/strong>. O acordo foi fechado e nenhum deputado de oposi\u00e7\u00e3o, fora Ciro, ocupou o espa\u00e7o da tribuna\u201d. \u00a0N\u00e3o foi o que aconteceu. O PTB mentiu para Ciro Simoni.<br \/>\nPor que os pol\u00edticos mentem? A quest\u00e3o remete a um problema epistemol\u00f3gico e a um contexto no qual os pol\u00edticos se debatem e se prolonga desde quando v\u00edamos na televis\u00e3o ao final da CPI da Assembleia Legislativa a discuss\u00e3o sobre a legitimidade do Governo Yeda. L\u00e1, depoimentos entrela\u00e7arem-se em uma s\u00e9rie de quest\u00f5es mal respondidas &#8211; se a casa de Yeda foi reformada com dinheiro do Caixa 2 da campanha, se sua equipe de governo tinha ou n\u00e3o conhecimento dos fatos envolvendo a governadora, etc., etc. <strong>Ao final fica para o observador, ao menos uma certeza: algu\u00e9m est\u00e1 mentido.<\/strong> A hist\u00f3ria se repete: feito um acordo com base na palavra, d\u00e1-se a f\u00e9 na honra pol\u00edtica, isto \u00e9, na capacidade de cada pol\u00edtico de honrar o acordado.<br \/>\nAcordos verbais s\u00e3o necess\u00e1rios a ordem pol\u00edtica. Eles permitem que os indiv\u00edduos num curto espa\u00e7o de tempo fa\u00e7am os acertos necess\u00e1rios para dar rumo a mat\u00e9ria legislativa. Combina\u00e7\u00f5es, acertos, negocia\u00e7\u00f5es, troca, \u00e9 disto que se fala na pol\u00edtica. E para isso, \u00e9 preciso ter f\u00e9 na palavra do pol\u00edtico, do colega, um artigo aparentemente em falta no PTB da Assembleia Legislativa. Se os pol\u00edticos n\u00e3o puderem confiar no que combinam, como poder\u00e3o fazer uma pol\u00edtica com seriedade?<br \/>\nO argumento de que o governante teria o direito de mentir em benef\u00edcio da comunidade se contrap\u00f5e ao direito a informa\u00e7\u00e3o verdadeira por parte dos governados. Os trabalhadores da FEPPS que acompanharam a sess\u00e3o foram enganados, acreditavam que seriam salvos, e silenciaram, mas terminaram extintos. Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, <strong>precisamos urgentemente proteger a verdade pol\u00edtica. <\/strong>N\u00e3o \u00e9 evidente que a ilus\u00e3o e a mentira dominem totalmente o espa\u00e7o do poder. Ao contr\u00e1rio. Quando vemos que um acordo entre deputados de partidos diferentes que era decisivo para o futuro de um projeto ser quebrado, estamos diante de um dilema da legitimidade pol\u00edtica que precisa ser debatido. Eu deposito meu voto num pol\u00edtico honesto: como ele pode faltar com sua palavra em um momento de perigo (Benjamin)?<br \/>\nA verdade \u00e9 que o acordo foi quebrado porque o placar combinado teve outro resultado. Algu\u00e9m mentiu. Dos 5 parlamentares do PTB, 2 votaram contra extin\u00e7\u00e3o \u2013 Classmann e Ronaldo Santini \u2013 e 3 a favor \u2013 Lu\u00eds Augusto Lara, Mauricio Dziedricki e Marcelo Moraes. O acordo do PDT com o PTB era de que apenas um voto sim seria n\u00e3o, o que derrotava a pretens\u00e3o de Sartori de extinguir a funda\u00e7\u00e3o. Porque era importante manter a FEPPS? Para Maria do Ros\u00e1rio \u201cA Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Produ\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Sa\u00fade (FEPPS) desenvolve fun\u00e7\u00f5es exclusivas para a sa\u00fade p\u00fablica do Estado como o controle epidemiol\u00f3gico, o gerenciamento das doa\u00e7\u00f5es de sangue e realiza\u00e7\u00e3o de exames de DNA, dentre outros servi\u00e7os. Os preju\u00edzos tamb\u00e9m ser\u00e3o enormes e lembremos que a Fepps \u00e9 refer\u00eancia no atendimento a pacientes com hemofilia, atrav\u00e9s do Hemocentro do Estado (Hemorgs) e da Hemorrede P\u00fablica (rede de hemocentros). Al\u00e9m disso, a Funda\u00e7\u00e3o realiza exames de paternidade para crian\u00e7as de fam\u00edlias de baixa renda. Segundo a Defensoria P\u00fablica do Estado, cada exame de DNA realizado pela FEPPS representa menos cinco a\u00e7\u00f5es que ingressariam no Poder Judici\u00e1rio. Sobretudo, \u00e9 o Estado garantindo um servi\u00e7o como direito dos que precisam. A extin\u00e7\u00e3o da FEPPS tamb\u00e9m coloca em risco o trabalho realizado pelo Laborat\u00f3rio Central do RS que realiza an\u00e1lises de res\u00edduos de agrot\u00f3xicos em alimentos, hepatites virais, HIV, tuberculose, c\u00f3lera, dengue, febre amarela, leptospirose, H1N1, infec\u00e7\u00f5es hospitalares, an\u00e1lise de \u00e1guas, medicamentos, leite, entre outros. \u201d Se eu elejo um vereador do PTB, defensor do trabalhismo, do trabalhador, \u00e9 por que acredito que ele seja capaz de defender institui\u00e7\u00f5es que protejam o trabalhador: extinguir a FEPPS s\u00f3 far\u00e1 bem para o Capital, at\u00e9 Alberto Pasqualini, onde quer que esteja, sabe disso.<br \/>\nNenhum argumento foi capaz de fazer o PTB manter sua palavra. Havia no PTB aqueles que sinalizavam ter aceito os argumentos em defesa da funda\u00e7\u00e3o e, para evitar discursar at\u00e9 as 5 horas da manh\u00e3, acordaram, deram sua palavra, que n\u00e3o dariam a maioria que o governador queria. Essa foi a posi\u00e7\u00e3o do partido. <strong>Se erraram, porque o PTB n\u00e3o pediu renova\u00e7\u00e3o de vota\u00e7\u00e3o?<\/strong> \u00a0Em entrevista ao SUL21, Ciro Simoni reconheceu que fez um acordo com o PTB: \u201d O deputado [Alo\u00edsio] Classmann \u00e9 um homem em quem eu confio, foi com quem eu fiz o acordo e esse acordo n\u00e3o foi cumprido com algu\u00e9m da bancada. N\u00e3o acredito que tenha sido o deputado Classmann. Quero dizer que, certamente, n\u00e3o foi o deputado Lara. Porque \u00e9 outra pessoa que eu conhe\u00e7o, participei da conversa dos dois quando conversaram. A verdade \u00e9 que t\u00ednhamos um acordo, tanto \u00e9 visto que ningu\u00e9m se manifestou. Estava dentro do acordo s\u00f3 a minha manifesta\u00e7\u00e3o, nem da bancada do PT, nem do PC do B. Voc\u00eas viram que durante todos os projetos pol\u00eamicos aqui, todo mundo se manifestou. \u00c9 para mostrar que havia um acordo. Infelizmente, ele n\u00e3o foi cumprido \u201c<br \/>\nA m\u00eddia hegem\u00f4nica da capital pouca aten\u00e7\u00e3o deu ao detalhe, prestando um desservi\u00e7o \u00e0 sociedade, pois assim enfraquece a ideia de que a verdade \u00e9 a base da confian\u00e7a, e a confian\u00e7a, alicerce para a vida em comum e, portanto, essencial a vida pol\u00edtica. Quando assistimos as lideran\u00e7as fazerem um acordo pol\u00edtico, esta \u00e9 a verdade da pol\u00edtica, \u00e9 sua natureza, baseada na honra da palavra, ess\u00eancia da vida do plen\u00e1rio. Quando ela n\u00e3o se cumpre, estamos dizendo que h\u00e1 mentira entre os pol\u00edticos. \u00c9 preciso inverter os termos da rela\u00e7\u00e3o verdade\/mentira na pol\u00edtica, abandonar a concep\u00e7\u00e3o de que a mentira \u00e9 um mal menor. N\u00e3o \u00e9: Ciro Simoni reitera <strong>\u201cImaginar que isso tenha acontecido, \u00e9 coisa quase imposs\u00edvel nesta Casa, porque esta Casa, por mais dif\u00edcil que seja a conjuntura, sempre cumpriu seus acordos. \u201d<\/strong><br \/>\nO retorno da mentira \u00e0 pol\u00edtica \u00e9 porque ela torna-se o ingrediente essencial no fomento do autoritarismo. Se desde o in\u00edcio dos anos 90 a pol\u00edtica inseriu-se no espa\u00e7o da m\u00eddia e a m\u00eddia transformou-se num campo de batalha pelo poder, o que fazem e dizem nossos pol\u00edticos ficou mais pr\u00f3ximo dos cidad\u00e3os. Na \u00e9poca em que inexistia a TV Assembleia era poss\u00edvel que situa\u00e7\u00f5es como essa, vota\u00e7\u00f5es na calada da noite, acordos duvidosos e pol\u00edticos que n\u00e3o cumprem acordos poderiam passar batido. Agora n\u00e3o, os pol\u00edticos precisam ter cautela com o que dizem, ter cuidado com suas promessas. Elas s\u00e3o televisionadas, acompanhadas no detalhe pela imprensa. Para se atingir os pol\u00edticos, eles sabem que \u00e9 preciso agir pela m\u00eddia. A palavra dada \u00e9 sua \u00fanica prote\u00e7\u00e3o. Por isso em todo o mundo l\u00edderes pol\u00edticos tiveram sua imagem destru\u00edda por uma s\u00e9rie de esc\u00e2ndalos que normalmente dizem respeito a ordem moral (comportamento sexual inadequado, problemas de alcoolismo) mas que tamb\u00e9m dizem respeito a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ao que dizem, ao modo como conduzem a pol\u00edtica. Agir indevidamente, trocar de favores, desde o esc\u00e2ndalo do governo Fernando Collor de Mello tem sido o combust\u00edvel da m\u00eddia mais fornecido pela vida p\u00fablica: \u00a0mentir parece ser o primeiro passo capaz de destruir um pol\u00edtico ou um partido. Que o PTB tome cuidado, tudo o que faz est\u00e1 sob as vistas das c\u00e2meras.<br \/>\nNo caso do esc\u00e2ndalo envolvendo Yeda Crusius, sua especulariza\u00e7\u00e3o teve um significado. Viu-se que era um erro pensar que aquele governo fosse mais ou menos honesto ou corrupto que seus antecessores. Como l\u00e1 e hoje, o olhar deve ser direcionado: as den\u00fancias e not\u00edcias que vem a p\u00fablico revelam o n\u00edvel de nossa sociedade democr\u00e1tica, o n\u00edvel da liberdade de imprensa e o n\u00edvel moral de nossos pol\u00edticos. Se a imprensa burguesa n\u00e3o enfatizou, o eleitor deve ser atento: o PTB foi pego na mentira e isto \u00e9 um esc\u00e2ndalo pol\u00edtico. Ocorreu porqu\u00ea este silencio? Porque a m\u00eddia burguesa apoia o projeto neoliberal de Jos\u00e9 Ivo Sartori. \u00a0Quem saiu perdendo: os bons pol\u00edticos que buscam a verdade e n\u00e3o enganar seus colegas de plen\u00e1rio.<br \/>\nAo tornarmos conscientes destes processos de manipula\u00e7\u00e3o, de oculta\u00e7\u00e3o de gesto, de aus\u00eancia de discursos sobre o que \u00e9 importante, nos tornamos cr\u00edtico a pol\u00edtica que nos cerca. O que \u00e9 positivo na pol\u00edtica do espet\u00e1culo \u00e9 que retira o poder dos pol\u00edticos para traz\u00ea-lo para o campo da sociedade. Agora, tudo \u00e9 vis\u00edvel, mesmo na calada da noite. A mentira \u00e9 negativa, ruim para a pol\u00edtica, ela retira a legitimidade dos partidos identificados mais uma vez a corrup\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o que fica \u00e9 que, se no plano da res p\u00fablica, a mentira leva a corrup\u00e7\u00e3o, e a imprensa \u00e9 havida em transformar corrup\u00e7\u00e3o em espet\u00e1culo, por isso \u00e9 preciso defender os mecanismos de defesa da sociedade, o valor das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e a verdade na pol\u00edtica.<br \/>\nTanto o governo Yeda teve muito a explicar como o PTB tem agora. N\u00e3o cabe a n\u00f3s pr\u00e9-julgar sem provas mas apontar as consequ\u00eancias do fato. Se a imprensa tem o m\u00e9rito de nos levar a tomar conhecimento da corrup\u00e7\u00e3o, dos acordos rompidos e das mentiras trocadas entre partidos, cabe ao cidad\u00e3o exigir suas explica\u00e7\u00f5es e a sociedade usar de mecanismos para fazer valer o seu controle, al\u00e9m de ser audi\u00eancia ela det\u00e9m o poder do voto. <strong>E pode tirar da pol\u00edtica aqueles que mentem. <\/strong>\u00a0Se o sistema da m\u00eddia, em suas rela\u00e7\u00f5es de simbiose com as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, transforma esc\u00e2ndalos em artigo de venda, os pol\u00edticos t\u00eam mais uma raz\u00e3o para estarem atentos. Continuamos precisando dos bons pol\u00edticos, aqueles que v\u00e3o a fundo na defesa de sua palavra e usam seu tempo de tribuna n\u00e3o para iludir, mas para buscar acordos que representam o desejo da sociedade.<br \/>\n\u00c9 preciso utilizar de outros recursos para julgar o comportamento de um pol\u00edtico e que eles sejam em si mesmos rem\u00e9dios contra a mentira, que inibam a corrup\u00e7\u00e3o na busca da verdade. Disse o Deputado Pedro Ruas ao site Globo.com: &#8220;N\u00f3s temos levado adiante a estrat\u00e9gia de debater insistentemente cada projeto na medida em que \u00e9 importante, j\u00e1 que eles n\u00e3o foram debatidos com a sociedade. Agora havia um pedido do PTB, de que n\u00f3s n\u00e3o discut\u00edssemos esse projeto da Fepps, porque o PTB nos daria os votos necess\u00e1rios para reprov\u00e1-lo. E n\u00e3o aconteceu isso, lamentavelmente. Isso nos deixou muito triste, particularmente porque n\u00f3s sempre debatemos e, dessa vez, deixamos de debater para respeitar o acordo, que n\u00e3o foi respeitado pela outra parte(&#8230;)foi t\u00e3o forte, t\u00e3o intenso, que os deputados n\u00e3o puderam ficar no plen\u00e1rio. N\u00e3o tinha mais clima&#8221;, completou.<br \/>\nEssa aus\u00eancia de clima, este mal-estar apontado por Pedro Ruas \u00e9 o testemunho da desintegra\u00e7\u00e3o parcial de uma institui\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica se funda na palavra, na orat\u00f3ria, na gest\u00e3o dos bons argumentos. Se a palavra \u00e9 falseada, o debate n\u00e3o tem valor, e a institui\u00e7\u00e3o entra em processo de corros\u00e3o e agora, a vista de todos gra\u00e7as a m\u00eddia que faz ver a mentira que supera a verdade e as consequ\u00eancias do que foi capaz de fazer. O que \u00e9 positivo nesta pol\u00edtica do espet\u00e1culo \u00e9 que retira o poder dos pol\u00edticos para traz\u00ea-lo para o campo da sociedade, tudo \u00e9 visto, inclusive, os bastidores da pol\u00edtica. O que \u00e9 negativo na mentira na pol\u00edtica \u00e9 que se retira a legitimidade dos partidos, identificados mais uma vez a corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO PTB caiu na armadilha do sistema que ele mesmo ajudou a construir. O PTB abandonou sua ideologia por interesses de ocasi\u00e3o, que usou da m\u00eddia para fazer-se apresentar a sociedade seus candidatos como sin\u00f4nimo de novidade na pol\u00edtica, viu-se denunciado pela oposi\u00e7\u00e3o como incapaz de cumprir acordos. Isso \u00e9 um esc\u00e2ndalo. A conclus\u00e3o que fica \u00e9 que, se no plano da <em>res p\u00fablica,<\/em> a mentira leva a corrup\u00e7\u00e3o<strong>, \u00e9 preciso defender os mecanismos de defesa da sociedade e o valor das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. <\/strong><br \/>\nO PTB ainda tem muito a explicar. Surgido em 1945 e fundado por Get\u00falio Vargas, como \u00e9 poss\u00edvel que um partido que tem o Trabalhismo no nome e figuras como Alberto Pasqualini, um not\u00e1vel defensor do trabalho e dos trabalhadores, <strong>possa ter tra\u00eddo um acordo para preservar uma institui\u00e7\u00e3o e seus funcion\u00e1rios?<\/strong> Se a atitude do PTB tem um significado, \u00e9 de nos provar a sua pr\u00f3pria corros\u00e3o, e cabe ao cidad\u00e3o exigir suas explica\u00e7\u00f5es e a sociedade deve usar de outros partidos para efetuar sua representa\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nSe o sistema de acordos pol\u00edticos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 eficaz \u00e9 porque as rela\u00e7\u00f5es de simbiose dos partidos, como o PTB com a mentira \u00e9 necess\u00e1ria para aprovar projetos que destoam do ideal hist\u00f3rico do partido, de agora em diante, a defesa do ideal trabalhista j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir a cren\u00e7a da sociedade no partido. Por isso continuamos precisando de bons pol\u00edticos, inclusive no PTB, para que v\u00e3o fundo na recupera\u00e7\u00e3o da ideologia do partido e n\u00e3o se tornem aliados de ocasi\u00e3o a projetos que v\u00e3o na contram\u00e3o de suas origens, contra sua ideologia. \u00a0Nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, os cidad\u00e3os ter\u00e3o uma evidencia nova para julgar o comportamento dos pol\u00edtico que se apresentam como novidade do partido, \u00e9 necess\u00e1rio votar naqueles candidatos que inibam a corrup\u00e7\u00e3o na busca da verdade. A a\u00e7\u00e3o do PTB desonrou a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul: o partido precisa fazer seu mea culpa, pedir desculpas, assumir que errou como todos os demais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Barcellos \u2013 Doutor em Educa\u00e7\u00e3o O desencontro entre a \u00e9tica e a pol\u00edtica pode ser observado na facilidade em com que a mentira impera na vida p\u00fablica. Para o cidad\u00e3o que busca o decoro e a compostura dos comportamentos dos seus representantes, dizer-a-verdade \u00e9 um imperativo e a presen\u00e7a de pr\u00e1ticas e comportamentos transgressoras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":42706,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[71],"class_list":["post-42705","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-debates","tag-imprensa"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42705\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}