{"id":45563,"date":"2017-03-10T12:47:16","date_gmt":"2017-03-10T15:47:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=45563"},"modified":"2017-03-10T12:47:16","modified_gmt":"2017-03-10T15:47:16","slug":"movimento-busca-dialogo-para-reverter-extincao-de-fundacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/movimento-busca-dialogo-para-reverter-extincao-de-fundacoes\/","title":{"rendered":"Movimento busca di\u00e1logo para reverter extin\u00e7\u00e3o de Funda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Cleber Dioni tentardini e GERALDO HASSE<\/span><br \/>\nMesmo com o audit\u00f3rio do Dante Barone pegando meia lota\u00e7\u00e3o em consequ\u00eancia da tempestade que caiu ao anoitecer de quinta-feira (9), foi um sucesso pol\u00edtico o evento convocado por um coletivo de entidades que buscam \u2013 tardiamente \u2013 reverter a decis\u00e3o do governo Sartori de extinguir a maior parte das funda\u00e7\u00f5es estaduais.<br \/>\nO encontro foi aberto por Francisco Maschall, professor de Hist\u00f3ria da UFRGS. Ele explicou que o coletivo est\u00e1 buscando dialogar com o governo, mas a margem de manobra \u00e9 m\u00ednima porque \u201co Piratini est\u00e1 num transe ideol\u00f3gico\u201d. Foram protocolados convites a integrantes do governo, mas ningu\u00e9m ocupou as quatro cadeiras reservadas para eles.<br \/>\nNo bojo das manifesta\u00e7\u00f5es, iniciadas com um mini-show do compositor Bebeto Alves, que cantou tr\u00eas novas can\u00e7\u00f5es de protesto (\u201cTraidor, \u00e9 preciso estocar o amor para a fome que vai se fazer sentir\u201d), aflorou a cr\u00edtica generalizada \u00e0 submiss\u00e3o do governo do Estado ao modelo neoliberal de gest\u00e3o das finan\u00e7as p\u00fablicas. Segundo Carlos de Martini, presidente do Sindicato dos T\u00e9cnicos Tribut\u00e1rios do Estado, \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que tudo se encaminha para a privatiza\u00e7\u00e3o do Banrisul, CRM, CEEE e Sulg\u00e1s\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_45573\" aria-describedby=\"caption-attachment-45573\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-45573 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170309_213927.jpg\" alt=\"Carlos de Martini , Andr\u00e9 Scherer e Josu\u00e9 Martins analisaram alternativas para a crise\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"725\" height=\"407\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45573\" class=\"wp-caption-text\">Carlos de Martini , Andr\u00e9 Scherer e Josu\u00e9 Martins analisaram alternativas para a crise\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nFoi a primeira vez desde a segunda quinzena de dezembro (quando a Assembleia Legislativa aprovou o pacote de extin\u00e7\u00f5es) que uma significativa fra\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia ga\u00facha se reuniu para combater a \u201creforma sartoriana\u201d. De Accurso a Brum Torres, ningu\u00e9m poupou os autores da fa\u00e7anha suspeita de carregar consigo. Ao todo, 16 pessoas se pronunciaram. As primeiras, representando as funda\u00e7\u00f5es extintas, tiveram cinco minutos cada. As \u00faltimas, dez minutos. No come\u00e7o, protestos, queixas e acusa\u00e7\u00f5es. No meio, perplexidade. No final, tr\u00eas an\u00e1lises t\u00e9cnicas arrasadoras sobre a falta de consist\u00eancia das decis\u00f5es do governo estadual. A seguir, um resumo das falas conduzidas por Carla Ferreira, Lu\u00eds Augusto Fischer e Antonio Villeroy.<br \/>\nLEANDRO TABORDA (Cientec) \u2013 Com mais de 75 anos de exist\u00eancia (come\u00e7ou com o Instituto Tecnol\u00f3gico do Rio Grande do Sul em 1942), a Funda\u00e7\u00e3o Cientec realiza um trabalho t\u00e9cnico de pouca visibilidade que se revela em epis\u00f3dios hist\u00f3ricos como a constru\u00e7\u00e3o da ponte do Gua\u00edba, eclusas da bacia do Jacu\u00ed e a implanta\u00e7\u00e3o do Polo Petroqu\u00edmico de Triunfo. A Cientec est\u00e1 presente no cotidiano de muitas medidas t\u00e9cnicas e decis\u00f5es judiciais. Ela ajuda o Minist\u00e9rio P\u00fablico a inspecionar os combust\u00edveis, os fertilizantes e os res\u00edduos de carv\u00e3o mineral usados na ind\u00fastria de cimento. \u201cCom a extin\u00e7\u00e3o, quem vai fazer o que a Cientec faz?\u201d<br \/>\nJAIR STANGLER (Corag) \u2013 O governo alega que vai passar a publicar o Di\u00e1rio Oficial eletronicamente. Ignora que h\u00e1 tr\u00eas anos o DO j\u00e1 tem uma vers\u00e3o digital feita pela Corag, que presta diversos servi\u00e7os a \u00f3rg\u00e3os do Estado, como a impress\u00e3o de documentos para o Detran, a Secretaria da Fazenda e a Assembl\u00e9ia Legislativa. Al\u00e9m de publicar livros em parcerias com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a Corag \u00e9 uma empresa lucrativa. Nos \u00faltimos cinco anos, transferiu aos cofres p\u00fablicos 55 milh\u00f5es de reais.<br \/>\nIRACEMA CASTELO BRANCO (FEE) \u2013 A Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica tem 43 anos de exist\u00eancia e desfruta de grande credibilidade nos setores p\u00fablico e privado. Possui um acervo de dados de mais de um s\u00e9culo. Mant\u00e9m 93 mestres e 36 doutores. Produz 25 indicadores e 8 publica\u00e7\u00f5es que ajudam a avaliar o desempenho da economia e contribuem para orientar as pol\u00edticas p\u00fablicas. Com a extin\u00e7\u00e3o da FEE, o IBGE vai perder seu parceiro em v\u00e1rios aspectos como o c\u00e1lculo da popula\u00e7\u00e3o do Estado, a medi\u00e7\u00e3o do Indice de Desenvolvimento dos Munic\u00edpios, a pesquisa de emprego e desemprego e o c\u00e1lculo do Produto Interno Bruto. \u201cFechar a FEE n\u00e3o trar\u00e1 economia de custos. Ali\u00e1s, \u00e9 bom lembrar que desde 2011 a funda\u00e7\u00e3o vem reduzindo seus custos operacionais\u201d.<br \/>\nSILVIA SPALDING (FEPPS) \u2013 A Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Produ\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Sa\u00fade tem 22 anos de exist\u00eancia, mas acumula conhecimentos de mais de 100 anos de laborat\u00f3rios de refer\u00eancia em sa\u00fade p\u00fablica. Com a extin\u00e7\u00e3o, estamos jogando fora conhecimento e expertise em diversas \u00e1reas como tuberculose, hepatite, HIV e dengue. No in\u00edcio, o governo disse que para acomodar a FEPPS seriam criados quatro departamentos na Secretaria da Sa\u00fade. Agora a decis\u00e3o \u00e9 remeter o pessoal da FEPPS para o Centro de Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica. Isso indica falta de planejamento e desrespeito \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<br \/>\nSERGIO LISANDRO DORNELLES (FDRH) \u2013 Eu tinha orgulho de trabalhar numa institui\u00e7\u00e3o de mais de 40 anos que mant\u00e9m uma escola de governo apta a capacitar e treinar funcion\u00e1rios p\u00fablicos, seleciona estagi\u00e1rios sem apadrinhamento e prepara concursos p\u00fablicos sem possibilidade de fraudes. Com a extin\u00e7\u00e3o, n\u00f3s estamos nos sentindo humilhados. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal manda cada estado manter uma escola de governo.<br \/>\nNEMORA RODRIGUES (Fepagro) \u2013 A Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Pesquisa Agropecu\u00e1ria foi criada em 1994, mas herda estruturas e trabalhos iniciados em 1919, quando foi aberta a primeira esta\u00e7\u00e3o experimental em Veran\u00f3polis. Hoje, al\u00e9m da sede no bairro Menino Deus, a Fepagro possui 22 \u00e1reas operacionais no interior, onde trabalha em v\u00e1rios campos sem superposi\u00e7\u00e3o com outros \u00f3rg\u00e3os de pesquisa como a Embrapa. Um dos nossos orgulhos \u00e9 ter ajudado a acabar com a febre aftosa no Rio Grande do Sul. \u00c9 bastante evidente que a extin\u00e7\u00e3o visa abrir espa\u00e7o para a iniciativa privada. \u00c9 que se chama de estado m\u00ednimo. Uma vis\u00e3o mesquinha. N\u00f3s funcion\u00e1rios da Fepagro somos concursados e n\u00e3o podemos ser demitidos. Mas fomos colocados num quadro de extin\u00e7\u00e3o, dentro da Secretaria da Agricultura, que n\u00e3o pode fazer pesquisa.<br \/>\nFERNANDA BASTOS (Funda\u00e7\u00e3o Piratini) \u2013 A TVE est\u00e1 fazendo 43 anos neste m\u00eas. \u00c9 a segunda maior rede do estado, alcan\u00e7ando mais de 6 milh\u00f5es de pessoas. A FM Cultura vai para 28 anos. A extin\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Piratini vai contra o artigo 23 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, cujo item 5 trata da obriga\u00e7\u00e3o governamental de prover a difus\u00e3o da cultura. A TVE e a Radio Cultura fazem parte do patrim\u00f4nio imaterial do Rio Grande. Exigimos que o governo interrompa e suspensa a extin\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(\u201cFora Sartori!\u201d, exclama a mediadora Carla Ferreira, no seu p\u00falpito \u00e0 esquerda da mesa)<br \/>\nMARCOS AZEVEDO (Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica) \u2013 A FZB mant\u00e9m atualmente mais de 100 projetos de pesquisa, al\u00e9m dos trabalhos de conserva\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. No campo da sustentabilidade, um dos nossos trabalhos \u00e9 ajudar a Alianza del Pastizal, dos criadores de gado em pastos nativos do RS, Uruguai e Argentina. Outro, a manuten\u00e7\u00e3o de um centro de triagem de animais silvestres. Na gest\u00e3o da biodiversidade, elaboramos as listas de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Recebemos 130 mil alunos por ano no Jardim Bot\u00e2nico, no Zool\u00f3gico e no Museu de Ci\u00eancias Naturais. Damos assessoria para \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Atendemos pesquisadores. Treinamos professores e profissionais do meio ambiente. Recolhemos pe\u00e7onha de cobras para produ\u00e7\u00e3o de soros. Monitoramos os levantamentos de qualidade do ar. Editamos livros e revistas. Tudo isso custa 0,045% do or\u00e7amento estadual.<br \/>\nDIEGO OLIZ (Sindicato dos Engenheiros) \u2013 \u201cO governo est\u00e1 matando a intelig\u00eancia do Estado. Da\u00ed a pergunta: para que fazer mestrado e doutorado se n\u00e3o houver espa\u00e7o para trabalhar no servi\u00e7o p\u00fablico? Precisamos acordar para a proposta de neg\u00f3cios que o governo est\u00e1 armando. Vejam o caso das entidades que lidam com o carv\u00e3o mineral: a Cientec, a CRM e a Sulg\u00e1s t\u00eam um pr\u00e9-sal em Candiota. Quem vai explorar isso? Com a extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es e a privatiza\u00e7\u00e3o das empresas, ser\u00e3o os chineses, os estrangeiros. Mas prestem aten\u00e7\u00e3o: as funda\u00e7\u00f5es est\u00e3o extintas no papel, mas na pr\u00e1tica seguem operando. N\u00e3o ta morto quem peleia. Estamos dispostos a recorrer \u00e0 Justi\u00e7a.\u201d<br \/>\nL\u00daCIA CARPENA (Conselho da UFRGS) \u2013 Citando o escritor franc\u00eas Vitor Hugo, que se manifestou em 1848 na Assembl\u00e9ia de Paris sobre a contradi\u00e7\u00e3o entre a insignific\u00e2ncia financeira e o valor das coisas perenes, lembrou que no dia 25 de novembro de 2016 o Conselho Universit\u00e1rio da UFRGS fez uma mo\u00e7\u00e3o contra a extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es, que representam um patrim\u00f4nio f\u00edsico, cultural e imaterial. \u201cApagado o conhecimento, ficaremos sem mem\u00f3ria\u201d. Segundo Carpena, a extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es reflete a ignor\u00e2ncia pol\u00edtica e administrativa de um governo subserviente ao Mercado.<br \/>\nPEDRO CEZAR DUTRA FONSECA (professor de economia da UFRGS) \u2013 A extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 racional. Se foi feita para \u201cmostrar servi\u00e7o\u201d em Bras\u00edlia, \u00e9 uma medida in\u00f3cua, tanto que o governo federal, interessado em valores muito maiores, n\u00e3o lhe deu a menor pelota. Al\u00e9m disso, mais gera despesas do que faz economia. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 racional porque nenhum estudo foi levado \u00e0 Assembl\u00e9ia Legislativa, que agiu de forma vergonhosa. Qualquer obra oficial precisa de projeto, de estudo de impacto e de planejamento financeiro. Nada disso foi feito. Tampouco se aplica \u00e0s funda\u00e7\u00f5es o discurso neoliberal da desqualifica\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico. Elas trabalham bem, s\u00e3o \u00fateis e necess\u00e1rias, t\u00eam baixo custo. O que acontece de fato \u00e9 que as funda\u00e7\u00f5es n\u00e3o se enquadram no novo modelo&#8230; Modelo que n\u00e3o nos foi apresentado na campanha eleitoral ou em qualquer momento nesses \u00faltimos dois anos. A extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es \u00e9 uma medida isolada que destoa do modus operandi do neoliberalismo, que age de forma concatenada, como est\u00e3o fazendo Macri na Argentina e Temer em Bras\u00edlia. Enfim, estamos no fim de um ciclo: sem qualquer proposta expl\u00edcita, o governo do Estado est\u00e1 pondo abaixo uma estrutura montada nos \u00faltimos 70 anos. Ao se sujeitar ao projeto de arrocho fiscal do governo federal, o Rio Grande do Sul abre m\u00e3o do seu futuro.<br \/>\nJO\u00c3O CARLOS BRUM TORRES (professor da Universidade de Caixas do Sul) \u2013 Voc\u00eas sabem que eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com o PMDB, mas confesso que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entender as raz\u00f5es do governo. Pelo que ouvi dos operadores do projeto de extin\u00e7\u00f5es, s\u00e3o decis\u00f5es il\u00f3gicas. Enfim, acho que essas medidas s\u00e3o erradas. Gravemente erradas. Lamento especialmente pela FEE: nas duas vezes em que fui secret\u00e1rio do Planejamento do Estado, vi o quanto \u00e9 importante o trabalho da FEE na gera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es fundamentais para a avalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o do Estado. O governo n\u00e3o pode se desonerar de \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos e de conhecimento. S\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que precisam de tempo para se consolidar e n\u00e3o podem ser destru\u00eddas por erros induzidos por apr\u00eamio financeiro. Mesmo \u00f3rg\u00e3os debilitados pela crise financeira n\u00e3o podem ser descartados. H\u00e1 nisso tudo uma falta de vis\u00e3o hist\u00f3rica de longo prazo. O Rio Grande do Sul n\u00e3o vai acabar por causa dessa crise. Por isso acho que essas decis\u00f5es s\u00e3o profundamente equivocadas.<br \/>\nCLAUDIO ACCURSO (professor de economia aposentado) \u2013 Estamos entre a frustra\u00e7\u00e3o e a indigna\u00e7\u00e3o. Quando um governo se afasta das ruas, tomando decis\u00f5es de gabinete, ele pratica a ruptura democr\u00e1tica. As decis\u00f5es de castas p\u00f5em a democracia em risco. A suposta moderniza\u00e7\u00e3o da estrutura do governo \u00e9 um embuste. Com que direito o governo sonega as op\u00e7\u00f5es que se t\u00eam hoje? Que inten\u00e7\u00e3o escondida sustenta a extin\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es?\u00a0 Vivemos um momento triste no Brasil. Perdemos partidos, n\u00e3o temos l\u00edderes e n\u00e3o temos projeto. Vivemos de conjunturas. Mas esse momento pode ser pedag\u00f3gico se soubermos tirar li\u00e7\u00f5es de tudo isso.<br \/>\nANDR\u00c9 SCHERER (economista da FEE) \u2013 \u00c9 um erro achar que a sa\u00edda da crise fiscal do Rio Grande do Sul poderia estar no corte de despesas, pois isso quase sempre acaba redundando numa queda de receitas. Do ponto de vista estrutural, o que configura a dimens\u00e3o das dificuldades de gest\u00e3o do Tesouro \u00e9 uma soma de tr\u00eas fatores: a d\u00edvida com a Uni\u00e3o, a desonera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es (Lei Kandir) e o acirramento da guerra fiscal entre os estados. Desde o in\u00edcio de seu governo Sartori mostrou um grande imobilismo seja por falta de lideran\u00e7a ou de capacidade de correta percep\u00e7\u00e3o da realidade. Nos \u00faltimos tempos, assistimos ao servilismo do governo do RS diante da repactua\u00e7\u00e3o fiscal liderada pelo Estado do Rio de Janeiro. Quais seriam as alternativas? O primeiro passo \u00e9 fazer uma repactua\u00e7\u00e3o da d\u00edvida com o governo federal, mas n\u00e3o nos termos propostos pela Uni\u00e3o, que aceitou a troca do indexador da d\u00edvida e depois voltou atr\u00e1s. Se o novo indexador foi aplicado ao estoque da d\u00edvida (55 bilh\u00f5es de reais), o total cai pelo menos um ter\u00e7o. Outro ponto fundamental \u00e9 incluir nas negocia\u00e7\u00f5es o valor das isen\u00e7\u00f5es \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es segundo a Lei Kandir. S\u00e3o pelo menos 30 bilh\u00f5es durante 20 anos. Se o Rio Grande do Sul \u00e9 um dos estados que mais contribuem para as receitas cambiais brasileiras, o m\u00ednimo que se espera \u00e9 que o governo estadual use isso como argumento diante do governo federal.<br \/>\nCARLOS DE MARTINI (presidente do Sindicato dos T\u00e9cnicos Tribut\u00e1rios) \u2013 Nossa crise \u00e9 de receitas! A Secretaria da Fazenda argumenta que o Rio\u00a0 Grande do Sul aumentou a receita do ICMS em 37% entre 2008 e 2014, mas o desempenho da arrecada\u00e7\u00e3o do Estado fica em 20\u00ba lugar no ranking nacional. Ou, seja, estamos ficando para tr\u00e1s. H\u00e1 v\u00e1rios indicadores de que poder\u00edamos melhorar as receitas. Temos uma evas\u00e3o fiscal gigantesca. Segundo a Fecom\u00e9rcio, a pirataria movimenta 65 bilh\u00f5es de reais por ano no estado. Se aplicarmos sobre esse montante a al\u00edquota de 18% do ICMS, arrecadar\u00edamos mais de 11 bilh\u00f5es. E quanto perdemos com a sonega\u00e7\u00e3o federal, estimada em 539 bilh\u00f5es por ano? E quanto deixamos de arrecadar em face do 1,5 trilh\u00e3o de reais das d\u00edvidas das empresas com a Uni\u00e3o? A d\u00edvida ativa das empresas como Tesouro do Rio Grande \u00e9 de 39 bilh\u00f5es. Por a\u00ed vemos que a Secretaria da Fazenda patrocina a privatiza\u00e7\u00e3o, mantendo uma caixa preta, apontada pelo procurador Geraldo da Camino, do Tribunal de Contas. Temos que estatizar a Secretaria da Fazenda. Ela parcela sal\u00e1rios do funcionalismo mas perguntem se tem algum fornecedor com atraso no pagamento. Todas as empresas est\u00e3o recebendo em dia, a come\u00e7ar pela Gerdau. Se n\u00e3o brecarmos a campanha para passar patrim\u00f4nio p\u00fablico para a iniciativa privada, tenham certeza de que v\u00e3o privatizar o Banrisul, a CRM, a CEEE e a Sulg\u00e1s.<br \/>\nJOSU\u00c9 MARTINS (presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais do RS) \u2013 A d\u00edvida p\u00fablica tem sido usada como instrumento de domina\u00e7\u00e3o financeira. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que vem se agravando. De 91 a 97, a amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida do RS representou 8% do or\u00e7amento. De 98 a 2015, passou para 16,6%. A hist\u00f3ria registra que os pa\u00edses hegem\u00f4nicos \u2013 Inglaterra no in\u00edcio do s\u00e9culo XX e os EUA agora \u2013 s\u00e3o os grandes benefici\u00e1rios do caos financeiro mundial. Nesses momentos em que as amarras do sistema financeiro come\u00e7am a se esgar\u00e7ar, \u00e9 hora de propor algo novo. O Brasil n\u00e3o prop\u00f5e nada porque est\u00e1 sem projeto. A proposta do governo federal no momento \u00e9 austeridade para os pobres e \u2018o c\u00e9u \u00e9 o limite\u2019 para as finan\u00e7as. O objetivo \u00e9 manter o estado de joelhos diante do sistema financeiro.<br \/>\nNo final do evento, a artista pl\u00e1stica Zor\u00e1via Betiol leu um manifesto conclamando a popula\u00e7\u00e3o a cobrar do governo a manuten\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es culturais e t\u00e9cnicas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_45568\" aria-describedby=\"caption-attachment-45568\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-45568 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/20170309_195335.jpg\" alt=\"Representantes das funda\u00e7\u00f5es e de outros \u00f3rg\u00e3os do Estado\/Divulga\u00e7\u00e3o \" width=\"725\" height=\"407\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45568\" class=\"wp-caption-text\">Representantes das funda\u00e7\u00f5es e de outros \u00f3rg\u00e3os do Estado\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni tentardini e GERALDO HASSE Mesmo com o audit\u00f3rio do Dante Barone pegando meia lota\u00e7\u00e3o em consequ\u00eancia da tempestade que caiu ao anoitecer de quinta-feira (9), foi um sucesso pol\u00edtico o evento convocado por um coletivo de entidades que buscam \u2013 tardiamente \u2013 reverter a decis\u00e3o do governo Sartori de extinguir a maior parte [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":45572,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[43],"class_list":["post-45563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-patrimonio","tag-eua"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2017\/03\/20170309-211104.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45563\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}