{"id":73799,"date":"2019-04-22T14:00:04","date_gmt":"2019-04-22T17:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=73799"},"modified":"2020-09-23T19:03:59","modified_gmt":"2020-09-23T22:03:59","slug":"motivacao-desafia-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/motivacao-desafia-especialistas\/","title":{"rendered":"Motiva\u00e7\u00e3o divide especialistas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-74049 size-thumbnail\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Selo-As-redes-do-\u00f3dio-190x190.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"190\" \/><span class=\"olho\" style=\"font-weight: 400;\"><span class=\"assina\">Por Tiago Lobo<\/span><\/span><\/p>\n<p>A puberdade masculina d\u00e1 os seus primeiros sinais entre os 9 e 14 anos: os test\u00edculos aumentam, pelos come\u00e7am a surgir pelo corpo, a voz engrossa e a produ\u00e7\u00e3o de testosterona (o horm\u00f4nio masculino) faz com que o sistema reprodutivo, ossos e m\u00fasculos amadure\u00e7am. E tamb\u00e9m pode mexer com o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O consenso na comunidade cient\u00edfica internacional \u00e9 que o horm\u00f4nio possui um efeito facilitador sobre a agress\u00e3o, mas n\u00e3o age sozinho. Presos violentos, por exemplo, possuem n\u00edveis mais altos de testosterona que seus pares mais d\u00f3ceis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPelo o que podemos dizer at\u00e9 agora, a testosterona \u00e9 gerada para preparar o organismo para responder a competi\u00e7\u00e3o e\/ou desafios \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m\u201d, explica Frank McAndrew, professor de psicologia no Knox College em Galesburg, Illinois, Estados Unidos, em entrevista a Scientific American Brasil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQualquer est\u00edmulo ou evento que sinaliza uma dessas coisas pode desencadear uma eleva\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis do horm\u00f4nio\u201d, relata o professor.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Exposi\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia afeta habilidades sociais<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Augusto Buchweitz, pesquisador do <\/span><a href=\"http:\/\/inscer.pucrs.br\/?lang=pt_br\"><span style=\"font-weight: 400;\">Instituto do C\u00e9rebro do RS (InsCer)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do RS (PUCRS), analisou como a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia afeta o c\u00e9rebro de adolescentes por meio de neuroimagens (imagens do c\u00e9rebro). A pesquisa da sua equipe, <\/span><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/desc.12799\"><span style=\"font-weight: 400;\">publicada na revista cient\u00edfica internacional Developmental Science<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, aplicou um question\u00e1rio para adolescentes de escolas de Porto Alegre, algumas situadas em bairros com os maiores \u00edndices de viol\u00eancia da capital. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os jovens tinham o c\u00e9rebro monitorado por imagem enquanto deviam decidir o estado mental de pessoas vistas em fotos onde apenas os olhos eram mostrados. As \u00e1reas que envolvem a percep\u00e7\u00e3o e a cogni\u00e7\u00e3o social (a parte da sociabilidade) eram menos ativadas em jovens que tinham um hist\u00f3rico de maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. Nestes jovens, ao mesmo tempo, a conectividade da am\u00edgdala (conhecida como o \u201ccentro do medo\u201d do c\u00e9rebro) foi maior. Os n\u00edveis de cortisol, medidos por amostras de cabelo, tamb\u00e9m eram mais elevados nos jovens mais expostos \u00e0 viol\u00eancia. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo sugere que a viol\u00eancia pode afetar v\u00e1rias sub-habilidades importantes para a conviv\u00eancia em sociedade, como a empatia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o se pode dizer se isso vai ter efeitos futuros, mas estudos mostram que este tipo de funcionamento at\u00edpico pode aumentar o risco para transtornos de humor, por exemplo\u201d, explica o pesquisador em <\/span><a href=\"http:\/\/www.pucrs.br\/blog\/estudo-aborda-impacto-da-violencia-na-vida-dos-adolescentes\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">entrevista ao site da PUCRS<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora imagine um espa\u00e7o na internet criado exclusivamente para estimular jovens rec\u00e9m-sa\u00eddos da puberdade a cometer atentados e propagar o \u00f3dio. E imagine se estes jovens forem virgens e v\u00edtimas de <em>bullying<\/em>. O efeito tem se mostrado desastroso. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Receita perigosa<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fam\u00edlias disfuncionais, m\u00e1 influ\u00eancia, busca de fama e poder: essa \u00e9 uma receita perigosa (mas n\u00e3o definitiva) segundo os estudos do psic\u00f3logo Peter Langman, pesquisador do Centro Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Amea\u00e7as do Servi\u00e7o Secreto dos Estados Unidos e autor do livro &#8220;<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Why Kids Kill: Inside the Minds of School Shooters<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8221; (&#8220;Por que jovens matam: por dentro das mentes de atiradores em escolas&#8221;), que vem dedicando boa parte da vida ao estudo do tema.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_73786\" aria-describedby=\"caption-attachment-73786\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-73786 size-full\" src=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/PL_headshot-sm.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"420\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-73786\" class=\"wp-caption-text\">O psic\u00f3logo Peter Langman dedica boa parte da vida a estudar tiroteios em massa (Foto: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele mant\u00e9m o site <\/span><a href=\"http:\/\/www.schoolshooters.info\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">School Shooters<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que agrega uma base de dados com 150 casos reportados em 10 pa\u00edses desde 1913. S\u00e3o eles: Alemanha, Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, Esc\u00f3cia, E.U.A., Finlandia, Fran\u00e7a, Su\u00e9cia e Ukr\u00e2nia. O site tamb\u00e9m oferece recomenda\u00e7\u00f5es para prevenir ataques. <\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">No artigo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Rampage school shooters: A typology<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (\u201cAtiradores de escolas: uma tipologia\u201d), de 2009, Langman analisou 10 casos e classificou estes jovens em tr\u00eas tipos: traumatizados, psic\u00f3ticos e psicopatas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da amostragem analisada tr\u00eas eram traumatizados, cinco psic\u00f3ticos e dois psicopatas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os tr\u00eas atiradores traumatizados vieram de lares desfeitos com abuso de subst\u00e2ncias e comportamento criminoso pelos pais. Todos foram fisicamente abusados \u200b\u200be dois foram abusados \u200b\u200bsexualmente fora de casa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os cinco atiradores psic\u00f3ticos tinham transtornos do espectro da esquizofrenia, incluindo esquizofrenia e transtorno de personalidade esquizot\u00edpica. Todos eles vieram de fam\u00edlias intactas, sem hist\u00f3rico de abuso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dois atiradores psicopatas n\u00e3o foram abusados \u200b\u200bnem eram psic\u00f3ticos. Eles demonstraram narcisismo, falta de empatia, falta de consci\u00eancia e comportamento s\u00e1dico. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de ajudar a compreender um pouco a mente dos atiradores, estes perfis est\u00e3o muito longe de servirem como base para identificar poss\u00edveis novos autores, visto que \u00a0\u201ca maioria das pessoas traumatizadas, psic\u00f3ticas e psicopatas n\u00e3o cometem assassinato\u201d, segundo Langman enfatiza. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele indica que 82% dos autores desses atentados cresceram em &#8220;fam\u00edlias disfuncionais&#8221; e que um &#8220;desejo de fama&#8221; ou de &#8220;se sentir masculino e poderoso&#8221; costuma ser a motiva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para caracterizar uma &#8220;fam\u00edlia disfuncional&#8221;, ele cita fatores como aus\u00eancia dos pais, infidelidade, div\u00f3rcio, depend\u00eancia qu\u00edmica, comportamento criminoso, viol\u00eancia dom\u00e9stica e abuso infantil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Langman explica o que ao se juntarem a f\u00f3runs online que debatem assassinatos em massa, jovens que se sentem deslocados conquistam um grupo e se unem a uma subcultura na qual podem se sentir especiais, diferentes e superiores \u00e0 sociedade dominante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuanto mais sentem que n\u00e3o s\u00e3o ningu\u00e9m \/ nada, mais s\u00e3o levados a se sentirem poderosos por meio de ideologias de superioridade e \u00f3dio\u201d, disse ao rep\u00f3rter. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Langman, existem alguns mitos a serem superados: a conex\u00e3o entre <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">atiradores como v\u00edtimas de <em>bullying<\/em> \u00e9 imprecisa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o que isso nunca seja verdade, mas seu significado foi muito exagerado\u201d, declarou o pesquisador ao site Monitor on Psychology. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia de que apenas adolescentes solit\u00e1rios cometem estes crimes tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o: Langman encontrou atiradores entre 11 e 62 anos em suas pesquisas, sendo a maioria deles adultos. Muitos atiradores de escolas n\u00e3o est\u00e3o isolados: diferente da maioria dos casos brasileiros. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Langman revela que meninas podem, sim, puxar o gatilho. Mesmo que isso seja menos comum: com base em uma an\u00e1lise dentro de um per\u00edodo de 50 anos de casos documentados, 95,3% dos atiradores eram homens e 4,7% eram mulheres. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A maioria dos atiradores n\u00e3o possui alvo espec\u00edfico. Dos 48 analisados no livro de Langman, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">School Shootters<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (&#8220;Atiradores de Escola\u201d, ainda in\u00e9dito no Brasil), apenas um visou um desafeto. Quando existe um alvo, na maioria das vezes, eles s\u00e3o funcion\u00e1rios da escola, professores e administradores. Os pr\u00f3ximos alvos mais comuns s\u00e3o meninas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As motiva\u00e7\u00f5es para perpetrar um tiroteio em massa formam uma rede complexa e de mapeamento intrincado: \u201centre os adolescentes, pode ser que um garoto tenha terminado um namoro na mesma \u00e9poca em que \u00e9 suspenso da escola, em que recebe uma multa de tr\u00e2nsito ou \u00e9 preso por alguma coisa, mais ou menos na mesma \u00e9poca em que tem problemas em casa ou n\u00e3o\u201d. Langman explica que uma sucess\u00e3o de \u201cfracassos\u201d, falhas ou retrocessos acontecendo com algu\u00e9m que \u00e9 psicopata, psic\u00f3tico ou traumatizado, gera uma combina\u00e7\u00e3o de din\u00e2micas psicol\u00f3gicas e eventos de vida que colocam as pessoas em um caminho de viol\u00eancia. Entre os adultos, casamentos fracassados, fracassos ocupacionais e, principalmente, dificuldades financeiras s\u00e3o elementos cr\u00edticos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro dado importante: atiradores com menos de 20 anos geralmente t\u00eam algum tipo de influ\u00eancia externa, seja algu\u00e9m recrutando-os para participar de um ataque ou de um &#8220;modelo&#8221;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu encontrei pelo menos uma d\u00fazia de atiradores que foram atra\u00eddos por Hitler e os nazistas. Tamb\u00e9m poderia ser um modelo fict\u00edcio: o filme &#8220;Assassinos Naturais&#8221; foi citado por v\u00e1rios atiradores\u201d. Trata-se de um filme policial sat\u00edrico de 1994 dirigido por Oliver Stone, com roteiro de Quentin Tarantino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um relat\u00f3rio publicado em 2004, pelo Servi\u00e7o Secreto dos E.U.A. em parceria com o Departamento de Educa\u00e7\u00e3o norte-americano, revisou 37 casos envolvendo 41 atiradores entre ataques e tentativas ocorridos em 26 estados de 1974 at\u00e9 2000. O objetivo do documento \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Final Report and Findings of the Safe School Initiative<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (Algo como \u201cO relat\u00f3rio final e os resultados da Iniciativa Escola Segura\u201d), que voc\u00ea pode acessar <\/span><a href=\"https:\/\/www2.ed.gov\/admins\/lead\/safety\/preventingattacksreport.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">aqui <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">(em ingl\u00eas), era compreender o fen\u00f4meno e lan\u00e7ar propostas preventivas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A conclus\u00e3o do relat\u00f3rio vai de encontro com os resultados das pesquisas de Langman: n\u00e3o h\u00e1 um perfil psicol\u00f3gico ou demogr\u00e1fico caracter\u00edstico dos atiradores em escolas. No entanto, o relat\u00f3rio sugere vari\u00e1veis que podem ser identificadas na maioria dos casos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As mais significativas s\u00e3o: <\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">A dificuldade dos atiradores em lidar com perdas significativas e falhas pessoais<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">A manifesta\u00e7\u00e3o de comportamentos anteriores que sinalizavam que eles precisavam de ajuda<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">O fato de terem sido ou serem v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es de colegas.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Langman defende que idealmente as escolas e universidades deveriam contar com equipes de avalia\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as, multidisciplinares, incluindo administra\u00e7\u00e3o, corpo docente, for\u00e7as policiais, sa\u00fade mental e, \u00e0s vezes, representa\u00e7\u00e3o legal. A principal tarefa dessas equipes seria investigar amea\u00e7as de viol\u00eancia e separar falsos alarmes de viol\u00eancia potencial ou iminente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNada \u00e9 simples aqui, mas os psic\u00f3logos est\u00e3o na melhor posi\u00e7\u00e3o para entrevistar e avaliar algu\u00e9m, procurando por evid\u00eancias de uma personalidade psicopata, quest\u00f5es psic\u00f3ticas, hist\u00f3rico de trauma e para construir um relacionamento com essa pessoa para avali\u00e1-los\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Influ\u00eancia do meio e fam\u00edlia<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisadora Eva Fj\u00e4llstr\u00f6m, da Lule\u00e5 University of Technology, ao norte da Su\u00e9cia, publicou um <\/span><a href=\"http:\/\/www.diva-portal.org\/smash\/get\/diva2:1019428\/FULLTEXT01.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">ensaio em 2007<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> onde defendeu que, em tiroteios em massa, as fam\u00edlias n\u00e3o s\u00e3o \u201ccausas\u201d, mas t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o importante e determinada responsabilidade: \u201co que pode parecer ser um ato de loucura pode ser melhor entendido como resultante da aus\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o que leva a uma falta de estabilidade e seguran\u00e7a b\u00e1sicas. Amigos solid\u00e1rios e uma fam\u00edlia solid\u00e1ria s\u00e3o essenciais para todos os indiv\u00edduos, especialmente adolescentes, e as conseq\u00fc\u00eancias, se n\u00e3o houverem tais rela\u00e7\u00f5es, podem, como vimos aqui, ser devastadoras\u201d, conclui Fj\u00e4llstr\u00f6m .<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A dupla Stephen Thompson e Ken Kyle, no artigo \u201cUnderstanding mass school shootings: Links between personhood and power in the competitive school environment\u201d (\u201cEntendendo o tiroteio em massa nas escolas: liga\u00e7\u00f5es entre personalidade e poder no ambiente escolar competitivo\u201d), publicado em 2005, acrescentaram um ponto de vista interessante a esta investiga\u00e7\u00e3o. Segundo eles a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser com o perfil psicol\u00f3gico dos atiradores, mas com os perfis dos meios onde os massacres ocorrem e como isso pode influenciar as respostas de estudantes despreparados para estes ambientes. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outras pesquisas, como a de Gary e Alison Clabaugh, \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bad Apples or Sour Pickles? Fundamental Attribution Error and the Columbine Massacre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (\u201cMa\u00e7\u00e3s podres ou picles azedo? Erro Fundamental de Atribui\u00e7\u00e3o e o Massacre de Columbine\u201d), tamb\u00e9m de 2005, sugerem que quando psiquiatras e psic\u00f3logos a servi\u00e7o Departamento Federal de Investiga\u00e7\u00e3o dos E.U.A., o FBI, divulgam os supostos perfis psicol\u00f3gicos dos atiradores, acabam provocando ondas de discrimina\u00e7\u00e3o e gerando mais tens\u00e3o em escolas com alunos que passam a ser identificados como socialmente inaptos e assassinos em potencial.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"intertit\">\u00d3dio \u00e0s mulheres<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, a maioria dos atiradores odiavam mulheres.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o estudo \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Meta-Analyses of the Relationship Between Conformity to Masculine Norms and Mental Health-Related Outcomes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (\u201cMeta-An\u00e1lises da Rela\u00e7\u00e3o entre a Conformidade com as Normas Masculinas e os Resultados Relacionados \u00e0 Sa\u00fade Mental\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), da Universidade Estadual de Indiana, nos E.U.A, homens com comportamento playboy e que buscam poder sobre as mulheres s\u00e3o mais propensos a ter problemas psicol\u00f3gicos. A an\u00e1lise se ateve a 11 dimens\u00f5es de masculinidade e reuniu dados de 78 estudos sobre sa\u00fade mental e percep\u00e7\u00f5es de masculinidade de 19.453 homens analisados. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;As normas masculinas de Playboy e &#8220;poder sobre as mulheres&#8217; s\u00e3o as normas mais intimamente associadas a atitudes sexistas&#8221;, disse Joel Wong, l\u00edder da pesquisa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA associa\u00e7\u00e3o robusta entre a conformidade com essas duas normas e resultados negativos relacionados \u00e0 sa\u00fade mental ressalta a ideia de que o sexismo n\u00e3o \u00e9 meramente uma injusti\u00e7a social, mas tamb\u00e9m pode ter um efeito prejudicial na sa\u00fade mental daqueles que adotam tais atitudes.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda mais preocupante, disse Wong, era que os homens que se conformavam fortemente com as normas masculinas tinham mais probabilidade de ter problemas de sa\u00fade mental, mas tamb\u00e9m menores chances de procurar tratamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Simone de Beuvoir j\u00e1 dizia, em seu livro \u201cO Segundo Sexo\u201d, que \u201co masculino se imp\u00f5e ao anular o outro (feminino)\u201d. Ela segue atual.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"intertit\"><strong>Acompanhe as reportagens da s\u00e9rie:<\/strong><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/wp.me\/panyOw-jbS\">Parte 1:\u00a0Repress\u00e3o aos crimes virtuais desafia pol\u00edcia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/wp.me\/panyOw-jbX\">Parte 2: H\u00e1 20 anos amea\u00e7as fermentam na internet<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/wp.me\/panyOw-jcd\">Parte 3:\u00a0RS ocupa o 4\u00ba lugar no \u201cranking do \u00f3dio\u201d<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/bullying-um-em-cada-dez-estudantes-e-vitima\">Parte 4: Bullying: um em cada dez estudantes \u00e9 v\u00edtima<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tiago Lobo A puberdade masculina d\u00e1 os seus primeiros sinais entre os 9 e 14 anos: os test\u00edculos aumentam, pelos come\u00e7am a surgir pelo corpo, a voz engrossa e a produ\u00e7\u00e3o de testosterona (o horm\u00f4nio masculino) faz com que o sistema reprodutivo, ossos e m\u00fasculos amadure\u00e7am. E tamb\u00e9m pode mexer com o c\u00e9rebro. O [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":78879,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[40,11,12,41,42,80,43,44,45,46,47,48,49,50,51,52,53,54,55,56,57,58,59,60,61,62,22,76,63],"class_list":["post-73799","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-as-redes-do-odio","tag-alison-clabaugh","tag-ameacas","tag-as-redes-do-odio","tag-augusto-buchweitz","tag-bullying","tag-efeitos","tag-eua","tag-eva-fjallstrom","tag-frank-mcandrew","tag-gary-clabaugh","tag-inscer","tag-instituto-do-cerebro-do-rs","tag-joel-wong","tag-ken-kyle","tag-knox-college","tag-lulea-university-of-technology","tag-monitor-on-psychology","tag-o-segundo-sexo","tag-peter-langman","tag-pucrs","tag-rampage-school-shooters-a-typology","tag-school-shooters","tag-servico-secreto","tag-simone-de-beuvoir","tag-stephen-thompson","tag-the-final-report-and-findings-of-the-safe-school-initiative","tag-tiago-lobo","tag-tiroteios-em-massa","tag-why-kids-kill-inside-the-minds-of-school-shooters"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2020\/08\/human-head-and-brain-5-scaled.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73799"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73799\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78969,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73799\/revisions\/78969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}