{"id":78103,"date":"2019-10-18T06:00:26","date_gmt":"2019-10-18T09:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=78103"},"modified":"2019-10-18T06:00:26","modified_gmt":"2019-10-18T09:00:26","slug":"athanasio-orth","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/athanasio-orth\/","title":{"rendered":"Athan\u00e1sio Orth"},"content":{"rendered":"<p>Nasceu em Tapera, RS, onde realizou seus estudos b\u00e1sicos. Na conviv\u00eancia do Semin\u00e1rio da Cidade de Viam\u00e3o, conheceu e adotou a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, forte movimento religioso dos anos 1960. Por suas convic\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, passou a integrar grupos secretos de resist\u00eancia ao regime autorit\u00e1rio vigente no Brasil, sendo perseguido, sequestrado, torturado e condenado. Na pris\u00e3o, este fil\u00f3sofo e professor escreveu e publicou seu livro de poemas \u201cA companheira e Duas Tr\u00eas Coisas Vistas da Ilha das Pedras\u201d, vindo a falecer em acidente rodovi\u00e1rio em 1978. Na regi\u00e3o de origem, d\u00e1 nome a escolas, pra\u00e7as e bibliotecas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Encantamento<\/span><br \/>\nNos olhos do teu olhar<br \/>\nenxergo minhas fei\u00e7\u00f5es<br \/>\nimpregnadas de voc\u00ea.<br \/>\nManso e suavemente<br \/>\ntriste \u2013 o olhar.<br \/>\nEstes olhos ocupados<br \/>\nna descoberta de voc\u00ea,<br \/>\nainda se multiplicar\u00e3o<br \/>\nem pesquisa e admira\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo ser e do acontecer.<br \/>\nDepois n\u00f3s dois miramos o longe:<br \/>\nconstru\u00e7\u00f5es e chamin\u00e9s,<br \/>\na urbe estrangulada<br \/>\nvetada a meus p\u00e9s.<br \/>\nExpectativa: fundir<br \/>\nilha e cais da estiva<br \/>\ndirigir o movimento&#8230;<br \/>\nLento, por\u00e9m contram\u00e3o,<br \/>\ndomingar uma barca<br \/>\ncarregada de rosas.<br \/>\nPerdela jamas<br \/>\nternura, y cosas<br \/>\nque vivan su muerte.<br \/>\nEntonces est\u00e1 prohibido<br \/>\nmatar\/matar<br \/>\na un hombre nuevo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Domingo, se n\u00e3o chover<\/span><br \/>\nverei a ave de olhos inesgot\u00e1veis<br \/>\npousar seu corpo no meu.<br \/>\nVezes incont\u00e1veis configurei<br \/>\nas partes e o conjunto. A boca<br \/>\n\u00e1vidos tran\u00e7amos em beijos.<br \/>\nQuando recordo, a noite<br \/>\nse faz imensa com o rio<br \/>\nme invadindo de nostalgia.<br \/>\nEnt\u00e3o ou\u00e7o companheiros<br \/>\nem sonhos de lamenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDomingo, salvo imprevisto,<br \/>\nenla\u00e7arei em l\u00e1bios vertentes<br \/>\nmeu recado mudo e concreto<br \/>\ncom os cinco sentidos sentirei<br \/>\na presen\u00e7a lasciva da primavera<br \/>\nao entrela\u00e7armos os bra\u00e7os<br \/>\nno toque libente<br \/>\nde p\u00f3los que se atraem.<br \/>\nTudo quieto por aqui<br \/>\ns\u00f3 a melancolia da paci\u00eancia<br \/>\nao contemplar os clar\u00f5es<br \/>\nque da f\u00e1brica se espalham na \u00e1gua<br \/>\ne umedecem meus olhos de tristeza.<br \/>\nDomingo se voc\u00ea quiser<br \/>\nseremos dois e um e mais<br \/>\ncomo somos muitos agora.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">A balada pungente da ausente<\/span><br \/>\ntrinca e tranca o pranto<br \/>\nno tristonho-risonho dos olhos.<br \/>\nNo sinistro da cela, ao p\u00e9<br \/>\nda cama., Neruda sempre redito<br \/>\n(puedo escribir los versos<br \/>\nm\u00e1s tristes esa noche)<br \/>\nme desespera em inten\u00e7\u00f5es de antes.<br \/>\nTenho pensado, care\u00e7o dizer,<br \/>\num r\u00e9quiem por Chael<br \/>\nque dure exato o sil\u00eancio<br \/>\ne um bai\u00e3o baiano, tributo<br \/>\na cantigar em novembro<br \/>\nquatro de cada ano.<br \/>\nImaginei monumentos estilizados<br \/>\naos tombados no risco de esculpir<br \/>\na manh\u00e3 plena de dia.<br \/>\nCompus em madeira fragmentos<br \/>\n\u00e0 militante, mas Vera L\u00edgia<br \/>\nainda n\u00e3o os leu e j\u00e1<br \/>\nse extraviaram e s\u00e3o outros<br \/>\ne s\u00e3o desejos de talvez<br \/>\nvirem a ser inventos<br \/>\nde mais encanto, porquanto<br \/>\no envolvimento em novas malhas<br \/>\nda formosura cresce o labor.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">De Longe e de Perto<\/span><br \/>\nChispas se levantam do levante de \u00c1tica<br \/>\ne ati\u00e7am \u00f3dio contra a Am\u00e9rika.<br \/>\nDa contextura brutal do pres\u00eddio<br \/>\nbrota uma alvorada de ternura e dureza.<br \/>\nSob os cassetetes se volatizam<br \/>\nsonhos remotos, mas dos mortos<br \/>\nsangram gritos de pantera.<br \/>\nSovados na teimosia de negar as grades<br \/>\nos punhos deflagram a ousadia de ser.<br \/>\nA coragem de carecer \u201co riso de um amigo<br \/>\ne a voz macia de uma mulher\u201d<br \/>\ne de tombar sob escombros de g\u00e1s<br \/>\nmadruga gr\u00e1vida de primavera.<br \/>\nCorpo crivado \u00e0 bala, Sam Melville<br \/>\nse dissipa em fulg\u00eancia de saber:<br \/>\n\u201cH\u00e1 sutis surpresas \u00e0 minha frente<br \/>\nmas eu me sinto seguro e forte\u201d.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Nas palavras suprimidas<\/span><br \/>\nA alegria de debate com o \u00f3dio.<br \/>\nDos quadrantes da terra informam:<br \/>\nrequinto central do capital<br \/>\ne camaradas torturados<br \/>\nmetralhados na nota oficial<br \/>\nsegundo voz de pris\u00e3o.<br \/>\nSem media\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o inumana<br \/>\nse mistura com fome e fama<br \/>\nde bem-aventuran\u00e7as e prote\u00ednas<br \/>\ne de gingas e dan\u00e7as com meninas,<br \/>\nluzes roxas sobre as coxas<br \/>\np\u00f3 e cisco na tigela.<br \/>\nNingu\u00e9m vela a crian\u00e7a<br \/>\nachada morta na favela.<br \/>\nA burguesia exporta<br \/>\ncresce a renda bruta,<br \/>\ncada vez mais enxuta<br \/>\na marmita do servente.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">77 vezes 7 vezes<\/span><br \/>\nContra grandes estandartes<br \/>\nsetenta e sete vezes<br \/>\nsete vezes se desejou<br \/>\nenfarte dos patr\u00f5es&#8230;<br \/>\nbenedictus<br \/>\npecata mundi<br \/>\nContra as chaves da opress\u00e3o<br \/>\nsetenta e sete vezes<br \/>\nsete vezes danados<br \/>\nclamamos antes de trancados&#8230;<br \/>\nmiserere<br \/>\nfructis ventri<br \/>\nContra os horizontes abertos<br \/>\nsetenta e sete vezes<br \/>\nsete vezes usaram em v\u00e3o<br \/>\nferrolhos e tramelas&#8230;<br \/>\nora amem<br \/>\nhora morti nostri<br \/>\np\u00e9rfidos e f\u00e9tidos<br \/>\neles v\u00e3o apodrecendo em feliz ilus\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Do continente sul<\/span><br \/>\nUna noche envejece<br \/>\nEl destino de la Am\u00e9rica:<br \/>\nHuevos de ara\u00f1as<br \/>\nP\u00e1jaros muertos<br \/>\nE insetos tontos<br \/>\nEm la calle central.<br \/>\nLas tripas llenas de hambre<br \/>\nLa toza llena de torpezas<br \/>\nAunque parezca mentira,<br \/>\nProezas de la misma haza\u00f1a,<br \/>\nContra las cuales se assoma<br \/>\nLa artimanha de fuziles<br \/>\nDiscursos y canciones miles.<br \/>\nNo panorama soturno<br \/>\nO triste pindorama<br \/>\nQue ficou para submundo,<br \/>\nCom o auri-verde perd\u00e3o<br \/>\nDa pujan\u00e7a, que cansa os olhos<br \/>\nQue sabem sobre as contradi\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEsta \u00e9 a v\u00e9spera<br \/>\nPro proleta prolet\u00e1ria<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">A fome fomenta a morte&#8230;<\/span><br \/>\nA fome fomenta a morte<br \/>\nmordendo mansamente<br \/>\na dor da vida desprovida.<br \/>\nA dor dormida mais se rebela<br \/>\nem cada nova ferida.<br \/>\nnada ser\u00e1 como antes:<br \/>\num dia a rebeldia eclodindo,<br \/>\naves de rapina al\u00e7ando v\u00f4o<br \/>\nderradeiro em mergulho fatal<br \/>\nao orgulho nas \u00e1guas estagnadas<br \/>\nde peixes podres emersos<br \/>\ne escombros submersos<br \/>\ncarcomidos-fedidos idos,<br \/>\ncontra a granada arremessada<br \/>\no tiro repentino assassinando,<br \/>\ncontra a surpresa um quartel<br \/>\nperdendo a defesa, ao estalido<br \/>\no sentinela esquecendo a ressaca<br \/>\nbabaca da pr\u00f3pria sina&#8230;<br \/>\nMas a morte morde<br \/>\na fome fomenta<br \/>\na dorme at\u00e9<br \/>\num dia a rebeldia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">A burguesia velejando<\/span><br \/>\nA burguesia velejando<br \/>\n\u00e0 tarde mansa<br \/>\nn\u00e3o se cansa de usufruirfluir l\u00edquido do lucro.<br \/>\nNavios que entram lentos pelo canal<br \/>\nj\u00e1 se agitaram contra outros ventos<br \/>\ne as ondas que convulsionam contra as pedras<br \/>\nvoltam e se amainam no rio<br \/>\ncomo os marinheiros se acostumam<br \/>\naos ares de muitos mares.<br \/>\nBra\u00e7os prolet\u00e1rios cujo trabalho<br \/>\nvai incorporado neste frete<br \/>\nalaram-se aos que aqui sofrem algemas<br \/>\nexercendo protesto noutras terras.<br \/>\nJ\u00e1 aconteceu saudar-nos<br \/>\num navio de bandeira vermelha<br \/>\nemitindo acentos sonoros.<br \/>\nJ\u00e1 aconteceu em manh\u00e3 de sol<br \/>\nas gaivotas espantadas em bando<br \/>\nlembrarem poetas de cantares<br \/>\ncantados e sofridos em portos<br \/>\nsem portas, em minas e cantinas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Apesar de esbordoarem o rosto&#8230;<\/span><br \/>\nApesar de esbordoarem o rosto<br \/>\nposto em algemas no p\u00f3 da rua<br \/>\napesar de provar aos berros que o corpo<br \/>\n\u00e9 \u00f3timo condutor de eletricidade<br \/>\napesar dos verg\u00f5es no dorso<br \/>\ne dos dentes que se esmigalham<br \/>\napesar da coronha na cabe\u00e7a<br \/>\ne a sanga de sangue entre os cabelos<br \/>\napesar de trancado entre paredes<br \/>\nferros e chaves ou cercado<br \/>\nde \u00e1guas e guardas<br \/>\napesar da dor que mais d\u00f3i,<br \/>\no pior de tudo: p\u00f4r mudo<br \/>\na quem cabe pontear.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Bra\u00e7o erguido em punho&#8230;<\/span><br \/>\nBra\u00e7o erguido em punho<br \/>\ncomo se rompesse grilh\u00f5es<br \/>\na alegria nos contagia, ele<br \/>\ndeslancha rumo ao nascente.<br \/>\nPega a voga companheiro,<br \/>\nSegue antes. J\u00e1 viste<br \/>\nque o cativeiro n\u00e3o resiste<br \/>\n\u00e0 chispa em riste madrugando<br \/>\nConosco no bojo da liberdade.<br \/>\nMais que nunca sorve agora<br \/>\na bebida amarga dos oper\u00e1rios,<br \/>\nprova a ta\u00e7a at\u00e9 o fundo<br \/>\ne do gosto a suor faze<br \/>\no nosso momento.<br \/>\nPelo descampado adestra a mira<br \/>\ne o dedo no gatilho,<br \/>\nguarda a p\u00f3lvora e o sarilho<br \/>\npara a hora prop\u00edcia.<br \/>\nLembra de empunhar malhos<br \/>\nPara derrubar os deuses.<br \/>\nN\u00e3o coleciones c\u00e2ntaros cristalizados<br \/>\ncultiva as promessas que vicejam<br \/>\ne que se vejam no acontecer di\u00e1rio.<br \/>\nPrev\u00ea as provis\u00f5es de volta.<br \/>\nE considera que o amor<br \/>\naviva a vis\u00e3o das coisas.<br \/>\n(para o Calino)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Talhado para as coisas da vida<\/span><br \/>\nTalhado para as coisas da vida<br \/>\nzurziram tua carne barbaramente,<br \/>\nmas teu corpo se esculpiu em bravo.<br \/>\nApodrecer\u00e1 viva a boca<br \/>\nque insultou de canalha a solidariedade<br \/>\ne os algozes ter\u00e3o seu dil\u00favio<br \/>\nmisturados a excremento e lixo.<br \/>\nPodemos ouvir George Jakson<br \/>\nn\u00e3o entendendo tudo que Dylan diz,<br \/>\nlixar o verniz de cada um,<br \/>\nbuscar dimens\u00f5es n\u00e3o abra\u00e7adas,<br \/>\nretomar as li\u00e7\u00f5es calhadas na lida.<br \/>\nlan\u00e7ar a linha e aguardar o peixe,<br \/>\ncomer o p\u00e3o dormido e n\u00e3o perder<br \/>\na firmeza, saber do acontecido<br \/>\nconhecendo para onde indicam<br \/>\nas luzes e percal\u00e7os dos pioneiros da terra,<br \/>\nn\u00e3o estamos num beco sem sa\u00edda.<br \/>\nMas o reduto \u00e9 de trevas<br \/>\nE a prova palp\u00e1vel da luz<br \/>\nPode ser o \u00f3sculo dos camaradas<br \/>\nQue compartilham a estrada.<br \/>\n(num anivers\u00e1rio do Minhoca)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nasceu em Tapera, RS, onde realizou seus estudos b\u00e1sicos. Na conviv\u00eancia do Semin\u00e1rio da Cidade de Viam\u00e3o, conheceu e adotou a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, forte movimento religioso dos anos 1960. Por suas convic\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, passou a integrar grupos secretos de resist\u00eancia ao regime autorit\u00e1rio vigente no Brasil, sendo perseguido, sequestrado, torturado e condenado. 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