{"id":78559,"date":"2019-10-26T06:00:28","date_gmt":"2019-10-26T09:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=78559"},"modified":"2019-10-26T06:00:28","modified_gmt":"2019-10-26T09:00:28","slug":"jorge-fischer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/jorge-fischer\/","title":{"rendered":"Jorge Fischer"},"content":{"rendered":"<p>Nascido em Porto Alegre, em 1955 ingressou no Batalh\u00e3o de Choque da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito. Sofreu duas pris\u00f5es, em 1965 e 1970, sofrendo sev\u00edcias de todo tipo, ministradas por colegas. Condenado em 1967, a partir de 1970 cumpriu diversas penas, quando escreveu poemas, cr\u00f4nicas e desenhou cartuns sat\u00edricos colados nas paredes dos xilindr\u00f3s por onde passou. Conhecido por seu humor, publicou uma dezena de livros, onde se destacam \u201cO riso dos torturados\u201d e \u201cMulheres de Atenas\u201d. Como meio de vida, Jorge Fischer \u201cFish\u00e3o\u201d Nunes ambulou por diversas cidades, notabilizando-se como cartunista er\u00f3tico.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<span class=\"intertit\">O Dia da Independ\u00eancia <\/span><br \/>\nAh, falam tanto no Dia da Independ\u00eancia<br \/>\nMarcham os soldados, batem contin\u00eancia:<br \/>\n\u201cUm viva ao general! Um viva ao Coronel! \u201c<br \/>\nOs \u00ednclitos tribunos assomam ao palanque<br \/>\ne le\u00eam \u201cde improviso\u201d discursos no papel.<br \/>\nH\u00e1 tanques pelas ruas<br \/>\ne os velhos generais<br \/>\ncostumam esquecer<br \/>\no cr\u00f4nico artritismo:<br \/>\nbrandem espadas nuas<br \/>\nem gestos de hero\u00edsmo<br \/>\ne juram lealdade a deus, \u00e0 p\u00e1tria e aos pais.<br \/>\nO louro e sorridente embaixador ianque<br \/>\nconfraterniza com a \u201cna\u00e7\u00e3o amiga\u201d.<br \/>\nMas, entre a multid\u00e3o, resmunga um oper\u00e1rio:<br \/>\n\u201cQue gringo de uma figa,<br \/>\nque gringo salafr\u00e1rio!\u201d.<br \/>\nAl\u00e9m, de p\u00e9, entre o povo, palpita uma comadre.<br \/>\nN\u00e3o vai embora: aguarda a ben\u00e7\u00e3o do \u201cs\u00eao\u201d padre.<br \/>\nE quando, enfim, assoma, redondo como um zero<br \/>\no quengo tonsurado \u2013 o s\u00edmbolo do clero \u2013<br \/>\nas santas m\u00e3os cruzadas sobre a proemin\u00eancia<br \/>\ndo ventre romboidal \u2013 um poema de indec\u00eancia \u2013<br \/>\na boca a mastigar a frase decorada<br \/>\ndeitando fala\u00e7\u00e3o \u2013mas sem que diga nada \u2013<br \/>\nna fria objurgat\u00f3ria do seu latim de festa,<br \/>\n\u00e9 o triunfo!, \u00e9 a apoteose!, \u00e9 a ben\u00e7\u00e3o clerical<br \/>\nque, mais que tudo, atesta<br \/>\nque Cristo est\u00e1 de bem com nosso general.<br \/>\nDepois, a tal comadre, com ar bem satisfeito,<br \/>\nretira-se: j\u00e1 viu o padre e at\u00e9 o prefeito<br \/>\ne o louro e sorridente embaixador ianque.<br \/>\n\u00c0 tarde, quando for lavar roupa no tanque,<br \/>\nh\u00e1 de esquecer a dor das cr\u00f4nicas varizes,<br \/>\nsentir-se-\u00e1 a mais feliz de todas as felizes<br \/>\ne dir\u00e1 consigo mesma, redonda de alegria:<br \/>\n&#8211; \u201cAh, tudo foi t\u00e3o lindo! Isto \u00e9 que \u00e9 democracia!\u201d<br \/>\nO Sete de Setembro, de fato, \u00e9 bem festivo:<br \/>\ntem muito carnaval, tem muita alegoria.<br \/>\nMas&#8230;Dia da Independ\u00eancia, meus camaradas?<br \/>\nQuando \u00e9 que vamos marcar este dia?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido em Porto Alegre, em 1955 ingressou no Batalh\u00e3o de Choque da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito. Sofreu duas pris\u00f5es, em 1965 e 1970, sofrendo sev\u00edcias de todo tipo, ministradas por colegas. 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