{"id":78747,"date":"2019-10-30T16:38:04","date_gmt":"2019-10-30T19:38:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=78747"},"modified":"2019-10-30T16:38:04","modified_gmt":"2019-10-30T19:38:04","slug":"luiz-eurico-tejera-lisboa-ico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/luiz-eurico-tejera-lisboa-ico\/","title":{"rendered":"Luiz Eurico Tejera Lisboa (Ico)"},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_78748\" aria-describedby=\"caption-attachment-78748\" style=\"width: 166px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail wp-image-78748\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Luiz-Eurico-Tejera-LisBoa-Ico2-166x240.jpg\" alt=\"\" width=\"166\" height=\"240\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78748\" class=\"wp-caption-text\">Luiz Eurico Tejera Lisboa (Ico)<\/figcaption><\/figure><br \/>\nLuiz Eurico Tejera Lisb\u00f4a, conhecido como Ico, nasceu em Porto Uni\u00e3o (SC), em 19\/01\/1948, mas desde crian\u00e7a viveu no RS, em Caxias e Porto Alegre. Ao se intensificar a luta contra a ditadura, na d\u00e9cada de 60, Ico liderava &#8211; com outros companheiros &#8211; o movimento estudantil secundarista, atrav\u00e9s da Uni\u00e3o Ga\u00facha dos Estudantes Secund\u00e1rios &#8211; UGES. Em novembro de 1969, foi condenado pela LSN a seis meses de pris\u00e3o pela tentativa de abertura de entidade ilegal, no caso o Gr\u00eamio Estudantil do Col\u00e9gio Julio de Castilhos. Como militante da ALN, fez treinamento em Cuba a partir do final de 1970 e regressou ao Brasil em 1971, no auge da repress\u00e3o pol\u00edtica. Em setembro de 1972, foi sequestrado e desapareceu em S\u00e3o Paulo. Em agosto de 1979 a Comiss\u00e3o de Familiares de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, onde sua esposa Suzana Lisboa teve papel protag\u00f4nico, anunciou o achado de seu corpo, sendo o primeiro dos desaparecidos localizado, enterrado com nome falso no Cemit\u00e9rio Dom Bosco, em Perus (SP). Somente em 2012, uma an\u00e1lise dos peritos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, atestou que foi assassinado, contestando a vers\u00e3o oficial de suic\u00eddio. Em 1993, foi publicado o livro Condi\u00e7\u00f5es Ideais para o Amor, com poesias e cartas resgatadas por seus familiares. Em 1999, nova edi\u00e7\u00e3o do livro, com editora\u00e7\u00e3o de Nei Lisboa, apresenta\u00e7\u00e3o de Luiz Pilla Vares e texto de Noeli Lisboa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Tempo Novo<\/span><br \/>\nH\u00e1 um Novo Tempo<br \/>\nDe novas coisas!<br \/>\nTodos sabem<br \/>\nA mudan\u00e7a \u00e9 irrevers\u00edvel<br \/>\nMas as velhas formas<br \/>\nN\u00e3o cedem sem um \u00faltimo gesto<br \/>\nDe desespero.<br \/>\nO importante \u00e9 persistir<br \/>\nConfiar na vit\u00f3ria do Povo.<br \/>\nAvancemos<br \/>\nSeguros<br \/>\nPasso a passo.<br \/>\nPois a hist\u00f3ria n\u00e3o se volta<br \/>\nSobre s\u00ed mesma<br \/>\n\u00c9 uma espiral infinita<br \/>\nQue nada consegue deter!<br \/>\n<em>Porto Alegre, 11\/6\/66<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Liberdade<\/span><br \/>\nH\u00e1 um povo que sofre<br \/>\nH\u00e1 um povo que geme<br \/>\nE h\u00e1 outros<br \/>\nComo eu<br \/>\nQue embora<br \/>\nSaibam desse sofrimento<br \/>\nE ou\u00e7am esses gemidos<br \/>\nN\u00e3o sofrem<br \/>\nE n\u00e3o gemem.<br \/>\nAh pris\u00e3o de minha classe!&#8230;<br \/>\nAmarras de minha fam\u00edlia<br \/>\nCordames de meus vizinhos<br \/>\nTend\u00f5es de meus amigos<br \/>\nRedes de meu lar e minha escola<br \/>\nTodos! Todos eu rompi.<br \/>\nE encontrei melhor fam\u00edlia<br \/>\nNa fraternidade universal<br \/>\nMelhores amigos<br \/>\nNos companheiros de luta<br \/>\nE dei sentido \u00e0 vida<br \/>\nAo lado dos que sofrem<br \/>\nE dos que gemem<br \/>\nAh! Pris\u00e3o de minha classe&#8230;<br \/>\nPouco a pouco<br \/>\nAumenta a brecha de teus muros<br \/>\nPouco a pouco<br \/>\nEncontro a minha LIBERDADE.<br \/>\n<em>Santa Mar\u00eda, 15\/2\/67<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Procuro o Homem do Povo<\/span><br \/>\nProcuro o homem do povo<br \/>\no prolet\u00e1rio<br \/>\no campon\u00eas<br \/>\no assalariado<br \/>\nProcuro o homem do povo<br \/>\no explorado<br \/>\nfam\u00e9lico<br \/>\ndesabrigado<br \/>\no que dorme na mansid\u00e3o<br \/>\ndo n\u00e3o saber.<br \/>\nProcuro o homem do povo<br \/>\npara ultrapassar a frieza<br \/>\ndo vocabul\u00e1rio pol\u00edtico,<br \/>\ne ver na \u201cmassa oprimida\u201d<br \/>\nnas \u201ccontradi\u00e7\u00f5es sociais\u201d<br \/>\nna \u201cluta de classes\u201d<br \/>\nnas \u201can\u00e1lises da realidade\u201d<br \/>\no homem do povo.<br \/>\nRenuncio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o calculada<br \/>\nmilim\u00e9trica e friamente<br \/>\nno racionalismo tecnicista<br \/>\ndos \u201ccientistas\u201d<br \/>\nda transforma\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nHoje<br \/>\nprocuro o homem do povo.<br \/>\nquero al\u00e9m da ignor\u00e2ncia<br \/>\nal\u00e9m da fome<br \/>\nal\u00e9m do frio<br \/>\no homem que se consome<br \/>\nnessa dor.<br \/>\nQuero as mesmas contor\u00e7\u00f5es<br \/>\nde suas entranhas<br \/>\nsem alimento.<br \/>\nas mesmas chagas<br \/>\nde seu corpo maltratado.<br \/>\nAs mesmas l\u00e1grimas<br \/>\no mesmo sofrimento<br \/>\na mesma ang\u00fastia<br \/>\nde n\u00e3o compreender.<br \/>\nHoje<br \/>\nquero ser um homem do povo.<br \/>\nViver por um d\u00eda<br \/>\nas estat\u00edsticas<br \/>\ndos levantamentos do Partido.<br \/>\nFugir por um momento<br \/>\nao jarg\u00e3o, ao palavreado<br \/>\ne chegar ao real.<br \/>\nQuero uma mente r\u00fastica<br \/>\nque at\u00e9 mesmo creia em Deus<br \/>\ne outras divindades.<br \/>\nQuero um corpo dorido<br \/>\ne um olhar sem luz<br \/>\nperdido languidamente<br \/>\nno incompreens\u00edvel.<br \/>\nQuero vender meus bra\u00e7os<br \/>\nsufocar minha voz<br \/>\namorda\u00e7ar-me<br \/>\ncrucificar-me todos os d\u00edas.<br \/>\nHoje<br \/>\nserei um homem do povo<br \/>\nporque necessito<br \/>\nmais do que os dados minuciosos<br \/>\nmais do que a ci\u00eancia.<br \/>\nBusco o sofrimento<br \/>\nnaquele que sofre<br \/>\npara am\u00e1-lo<br \/>\nacima dos pronunciamentos pol\u00edticos<br \/>\npara que nas\u00e7a em meu peito<br \/>\no \u00f3dio incontrol\u00e1vel<br \/>\nque d\u00ea for\u00e7a \u00e0s minhas m\u00e3os<br \/>\ne torne certeiros os meus golpes!<br \/>\nProcuro o homem do povo<br \/>\nporque recuso<br \/>\na mistifica\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria<br \/>\ndos gabinetes.<br \/>\nPorque necessito<br \/>\nPaix\u00e3o em minha luta<br \/>\nentusiasmo em minha voz<br \/>\nfirmeza em meus passos<br \/>\namor a meu povo<br \/>\ne f\u00e9 na sua vit\u00f3ria.<br \/>\n<em>18\/4\/68<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Patos azuis em meu pensamento<\/span><br \/>\nPatos azuis selvagens<br \/>\ndos grandes lagos<br \/>\npousaram resvalando<br \/>\nna limpidez de meu pensamento<br \/>\nesta manh\u00e3<br \/>\nas \u00e1guas se abriram<br \/>\nsilenciosas, ternas<br \/>\ncomo uma mulher que ama.<br \/>\nespadanar de espumas<br \/>\ncar\u00edcias de luz<br \/>\npara\u00edso de cores<br \/>\nverdes plan\u00edcies<br \/>\ndas cobi\u00e7adas terras do sul<br \/>\nestive preso num iceberg<br \/>\nnavegando no<br \/>\nmar das Antilhas<br \/>\nao longo da ilha de Cuba<br \/>\nAh!&#8230; doce calor<br \/>\nque me liberta&#8230;<br \/>\nas \u00e1guas engolem as \u00e1guas,<br \/>\nmeus olhos se abrem,<br \/>\ncaem os \u00faltimos cristais de gelo,<br \/>\nmovo lentamente<br \/>\nos membros entorpecidos,<br \/>\nsaboreando a surpresa<br \/>\ndesta ex\u00f3tica liberdade<br \/>\nmilhares, milh\u00f5es<br \/>\nde patos azuis selvagens<br \/>\ndos grandes lagos<br \/>\npousaram resvalando na limpidez de meu pensamento<br \/>\nesta manh\u00e3.<br \/>\n<em>1968\/1969<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Noite singular<\/span><br \/>\nDos limites do mundo<br \/>\nEu espiava as coisas humanas.<br \/>\nTu chegaste no seio da noite<br \/>\nE me levaste \u00e0 outra margem.<br \/>\nJuntos na escurid\u00e3o partimos,<br \/>\nTeu cora\u00e7\u00e3o palpitante,<br \/>\nMeu cora\u00e7\u00e3o palpitando,<br \/>\nLado a lado<br \/>\nNa unidade natural de nossos caminhos.<br \/>\nOs grandes ventos da noite<br \/>\nAgrediram nossas faces<br \/>\nMas n\u00f3s seguimos<br \/>\nE nossas m\u00e3os se enla\u00e7aram.<br \/>\nOs grandes ventos da noite<br \/>\nAgrediram nossas faces<br \/>\nMas n\u00f3s sorrimos<br \/>\nE nossas almas<br \/>\nSe inundaram de ternura.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Singular instante de tristeza<\/span><br \/>\nH\u00e1 na simplicidade do teu gesto<br \/>\num aceno inexplic\u00e1vel para mim,<br \/>\nna limpidez do teu olhar<br \/>\nh\u00e1 um momento turvo<br \/>\nque n\u00e3o posso comprender.<br \/>\nE o teu sorriso se torna<br \/>\n\u00e0s vezes<br \/>\ns\u00e9rio<br \/>\nsem que eu saiba o porqu\u00ea.<br \/>\n\u00c9 verdade&#8230;<br \/>\nconhe\u00e7o todos os caminhos<br \/>\ndo teu corpo.<br \/>\nMas ignoro as trilhas misteriosas<br \/>\nDe tua alma de menina e de mulher.<br \/>\nE embora eu te ame<br \/>\ne eu te deseje tanto<br \/>\nh\u00e1 nessa felicidade sem par<br \/>\num instante singular de tristeza.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">19 de janeiro<\/span><br \/>\n19 de janeiro<br \/>\n19 anos<br \/>\nS\u00f3.<br \/>\n19 de janeiro<br \/>\ne eu choro<br \/>\nde saudades<br \/>\ndo Bol\u00e3o<br \/>\ndo menino sardento<br \/>\nsempre no 1\u00ba lugar<br \/>\ndo gurizinho briguento<br \/>\nque ia pra rua<br \/>\nde bodoque<br \/>\nenfrentar a esp\u00e1tula<br \/>\ndo filho do vizinho<br \/>\ndo menino que tinha<br \/>\num sonho encantado<br \/>\numa menina linda<br \/>\nde rabo-de-cavalo<br \/>\ne fita na cabe\u00e7a.<br \/>\nSaudades do Bol\u00e3o<br \/>\nt\u00e3o t\u00edmido que chorava<br \/>\nenvergonhado<br \/>\ndo apelido<br \/>\nque eu hoje<br \/>\nmergulho no tempo<br \/>\ns\u00f3 pra ouvir novamente.<br \/>\nDo Bol\u00e3o que jurou ser<br \/>\n\u201cum grande her\u00f3i\u201d<br \/>\n-\u201cum dia\u201d.<br \/>\nDo \u201ccampe\u00e3o\u201d de bot\u00e3o<br \/>\nDo \u201cchutador\u201d de sorvete<br \/>\nDo Bol\u00e3o mentiroso<br \/>\nQue aos 15 anos<br \/>\nJ\u00e1 tinha mil casos de amor.<br \/>\n19 de janeiro<br \/>\n19 anos<br \/>\nS\u00f3.<br \/>\nQuanta saudade!&#8230;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Balada de Ham-Li<\/span><br \/>\nNa pequenina aldeia<br \/>\nde Luang-Dinh<br \/>\num menino<br \/>\nde pele amarela<br \/>\ne olhos rasgados<br \/>\nest\u00e1<br \/>\nsilencioso<br \/>\ndeitado no ch\u00e3o.<br \/>\nSeu nome<br \/>\nHam-Li.<br \/>\nAs m\u00e3os<br \/>\nas pequeninas m\u00e3os<br \/>\nde Ham-Li<br \/>\nest\u00e3o crispadas<br \/>\nretorcidas<br \/>\npor uma grande dor.<br \/>\nOs pequeninos bra\u00e7os<br \/>\nfortes de Ham-Li<br \/>\n&#8211; menino campon\u00eas \u2013<br \/>\nest\u00e3o descarnados<br \/>\ne j\u00e1 se decomp\u00f5em.<br \/>\nA pequenina face<br \/>\nde pele macia<br \/>\nonde brilhavam<br \/>\nos negros olhos rasgados<br \/>\no menino Ham-li<br \/>\nescondeu-a no ventre aberto<br \/>\npara que o mundo<br \/>\nn\u00e3o visse tanto horror.<br \/>\nMas ao pequenino cora\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo menino Ham-li<br \/>\no napalm<br \/>\nn\u00e3o poder\u00e1 jamais atingir!<br \/>\nEntre os escombros<br \/>\nda pequenina aldeia<br \/>\nde Huang-Dinh<br \/>\num menino<br \/>\nde pele amarela<br \/>\ne olhos rasgados<br \/>\nest\u00e1<br \/>\nsilencioso<br \/>\ndeitado no ch\u00e3o.<br \/>\nO pequenino cora\u00e7\u00e3o<br \/>\npulsa<br \/>\ninalterado<br \/>\nsobre todo o Vietn\u00e3.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Longa a Marcha<\/span><br \/>\n\u00c9 longa a marcha<br \/>\n&#8211; camarada \u2013<br \/>\nAs sombras envolver\u00e3o<br \/>\nnossos passos mudos<br \/>\nem eterno caminhar<br \/>\nO inimigo se aproxima<br \/>\ne j\u00e1 nos alcan\u00e7am<br \/>\nos ru\u00eddos cautelosos dos seus batedores.<br \/>\nAvancemos<br \/>\nN\u00e3o se trata<br \/>\nsimplesmente<br \/>\nde nossas vidas<br \/>\n&#8211; camarada \u2013<br \/>\nEssa verdura<br \/>\nesse andar<br \/>\nsem fim<br \/>\nj\u00e1 nos deram<br \/>\na medida<br \/>\nda nossa pequenez<br \/>\n\u00c9 a chama que<br \/>\ndevemos<br \/>\nmanter acesa!<br \/>\nEla ainda \u00e9 t\u00edmida<br \/>\nincerta<br \/>\nbruxuleante<br \/>\nO dever \u00e9 proteg\u00ea-la<br \/>\naliment\u00e1-la<br \/>\neterniz\u00e1-la<br \/>\nela \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do povo<br \/>\nque inicia a palpitar<br \/>\nDantos e Bustos<br \/>\nlhe ofereceram<br \/>\nem holocausto<br \/>\na pr\u00f3pria liberdade<br \/>\nRamon entregou-lhe<br \/>\na vida em Camiri<br \/>\nsem hesitar<br \/>\nO sangue de Bol\u00edvar<br \/>\ne San Martin<br \/>\nverteu em Bol\u00edvia rebelde!<br \/>\nE a chama agigantou-se<br \/>\nno peito ardente do povo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00c0 Camarada que Fica<\/span><br \/>\nAdeus. Doce amada.<br \/>\n\u00c9 preciso partir.<br \/>\nSeguirei tranquilo por outros caminhos<br \/>\npois nosso andar<br \/>\nbusca uma mesma pousada.<br \/>\nBreve descansaremos na Rubra Aurora<br \/>\nde nosso Povo.<br \/>\nMas preciso confiar-te<br \/>\nque dou \u00e0s cegas muitos dos meus passos largos<br \/>\nque s\u00e3o fr\u00e1geis as minhas pernas<br \/>\ne muito dura a jornada.<br \/>\nS\u00f3 em teus olhos encontrarei a luz<br \/>\nQue iluminar\u00e1 meu caminho.<br \/>\nNo mais profundo do teu ser<br \/>\nfortalecerei meu corpo,<br \/>\nfirmarei meus passos,<br \/>\nacumularei energias<br \/>\npara o desafio do presente.<br \/>\nEm tuas m\u00e3os aquecerei as minhas<br \/>\npara enfrentar o rigor dos tempos.<br \/>\nE se algum dia<br \/>\n&#8211; meu anjo lindo \u2013<br \/>\nnovo amor florescer em tua vida<br \/>\nainda assim<br \/>\npensa sempre em mim<br \/>\ncom carinho<br \/>\nporque estarei pensando em ti<br \/>\ne estarei sozinho.<br \/>\n<em>Junho\/1968.<\/em><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Eurico Tejera Lisb\u00f4a, conhecido como Ico, nasceu em Porto Uni\u00e3o (SC), em 19\/01\/1948, mas desde crian\u00e7a viveu no RS, em Caxias e Porto Alegre. Ao se intensificar a luta contra a ditadura, na d\u00e9cada de 60, Ico liderava &#8211; com outros companheiros &#8211; o movimento estudantil secundarista, atrav\u00e9s da Uni\u00e3o Ga\u00facha dos Estudantes Secund\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[29],"class_list":["post-78747","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-hotsite-poetas-da-dura-noite","tag-sao-paulo"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78747\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}