{"id":78750,"date":"2019-10-30T16:44:53","date_gmt":"2019-10-30T19:44:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=78750"},"modified":"2019-10-30T16:44:53","modified_gmt":"2019-10-30T19:44:53","slug":"nei-duclos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/nei-duclos\/","title":{"rendered":"Nei Ducl\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_78755\" aria-describedby=\"caption-attachment-78755\" style=\"width: 164px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail wp-image-78755\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Nei-Ducl\u00f3s2-164x240.jpg\" alt=\"\" width=\"164\" height=\"240\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78755\" class=\"wp-caption-text\">Nei Ducl\u00f3s<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNei Ducl\u00f3s (Uruguaiana, RS, 1948) estreou como poeta pregando poemas em cartolina nas \u00e1rvores das pra\u00e7as de Porto Alegre, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, junto a outros autores da mesma gera\u00e7\u00e3o. Mesmo sob o ambiente opressivo do regime militar, lan\u00e7ou seu primeiro livro, Outubro, em 1976. Em 1979, foi a vez de No Meio da Rua, apresentando a seguir No Mar, Veremos (2001), assim como Partimos de Manh\u00e3, em 2012, todos de poesia. Publicou como romancista, como autor de literatura juvenil, de livro de contos e cr\u00f4nicas. Trabalhou em ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o como Folha de S. Paulo, Isto\u00c9, Senhor e foi colaborador de Veja e Estad\u00e3o com resenhas de livros. \u00c9 formado em Hist\u00f3ria pela USP desde 1998. Nos \u00faltimos anos, lan\u00e7ou v\u00e1rios e-books de poesia, contos e cr\u00f4nicas, e participa com ensaios, artigos, contos, cr\u00f4nicas e poesia nas m\u00eddias sociais. Publica poemas e contos na revista virtual Sagarana, editada em italiano. Teve poemas traduzidos para o ingl\u00eas na revista novaiorquina Rattapalax. Participou de diversas antologias.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Carta ao companheiro exilado<\/span><br \/>\nAqui, o sol obstinado<br \/>\nainda banha a folhagem<br \/>\na chuva nos visita<br \/>\ne deixa o arco-\u00edris quando parte<br \/>\nAs cores da saudade<br \/>\nabriram a palma<br \/>\nde nossa m\u00e3o p\u00e1lida<br \/>\ne a vontade de buscar-te<br \/>\nsoltou-se como um raio<br \/>\nDescobrimos que era muito tarde<br \/>\nAgora, que a madrugada se acaba<br \/>\ne o sol nos d\u00e1 na cara<br \/>\nn\u00e3o sabemos o que fazer<br \/>\ncom esta ressaca<br \/>\nBatem nas portas e revistam roupas e pacotes<br \/>\nEstamos na praia do naufr\u00e1gio<br \/>\nDo mar vieram boiando coisas mortas<br \/>\nentre elas<br \/>\nnossos sonhos e emboscadas<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Cais<\/span><br \/>\nO passageiro n\u00e3o perde a vez de partir<br \/>\ne parte<br \/>\npois \u00e9 tarde<br \/>\nEste cais apodreceu as cordas<br \/>\nque soltam a sua carne<br \/>\nOs bares silenciam<br \/>\na mem\u00f3ria \u00e9 uma cadeira que ringe<br \/>\ncomo um cofre de vime<br \/>\n(o que passou n\u00e3o \u00e9 sonho<br \/>\n\u00e9 desafio)<br \/>\nDe p\u00e9, a m\u00e3o na vista<br \/>\nele toca o horizonte com a saliva<br \/>\nSua boca guarda um aviso<br \/>\n(o tempo \u00e9 um susto, uma v\u00edbora)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Apesar de tudo<\/span><br \/>\nApesar de tudo<br \/>\nsou teimoso<br \/>\ne vivo<br \/>\nsou teimoso e visto<br \/>\na pele dos soldados mortos<br \/>\nNeste carrossel de espanto<br \/>\nque carrego dentro dos olhos<br \/>\ntoco melodias<br \/>\nque me ressuscitam<br \/>\nLevanto com esfor\u00e7o<br \/>\nas \u00e2ncoras e parto nas naus sem volta<br \/>\ndo meu canto<br \/>\nE sempre tenho que mudar as velas<br \/>\narrebentadas de vento<br \/>\ncom remendos colhidos<br \/>\ndos violentos panos do tempo<br \/>\nO tempo \u00e9 novo<br \/>\ne eu tenho a mania insone<br \/>\nde rebentar em pranto<br \/>\nMas sou teimoso e insisto<br \/>\nsou teimoso e visto<br \/>\na pele dos soldados mortos<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Outubro<\/span><br \/>\nTrago a nova: eu mudo<br \/>\nlento, e \u00e9 tudo<br \/>\nSinto ser assim<br \/>\npor esta\u00e7\u00f5es: aos turnos<br \/>\nPosso voltar<br \/>\nao ponto de partida<br \/>\nmas luto<br \/>\nSei que vem outubro<br \/>\nFlores, fruto de seiva<br \/>\nromper\u00e3o no mundo<br \/>\n(Trabalho duro:<br \/>\nsugar de pedras<br \/>\nrasgar os caules<br \/>\ncolher ar puro)<br \/>\nLento e bruto<br \/>\neu mudo<br \/>\nSei que vem<br \/>\noutubro<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Toca<\/span><br \/>\ne os meus mortos<br \/>\nquem chora<br \/>\nos milhares que caem<br \/>\nenquanto passo?<br \/>\no ex\u00edlio, quem paga<br \/>\ne a tortura, seu fruto<br \/>\nquem devora?<br \/>\nsomos herdeiros<br \/>\nda vida amarga e da morte<br \/>\nas pris\u00f5es cobrem<br \/>\no canto dos escravos<br \/>\ncom a m\u00e3o no horizonte<br \/>\nos bravos aguardam<br \/>\nbreve<br \/>\nsairemos da toca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s (Uruguaiana, RS, 1948) estreou como poeta pregando poemas em cartolina nas \u00e1rvores das pra\u00e7as de Porto Alegre, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, junto a outros autores da mesma gera\u00e7\u00e3o. Mesmo sob o ambiente opressivo do regime militar, lan\u00e7ou seu primeiro livro, Outubro, em 1976. 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