{"id":78762,"date":"2019-11-03T06:00:18","date_gmt":"2019-11-03T08:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=78762"},"modified":"2019-11-03T06:00:18","modified_gmt":"2019-11-03T08:00:18","slug":"victor-douglas-nunez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/victor-douglas-nunez\/","title":{"rendered":"Victor Douglas Nu\u00f1ez"},"content":{"rendered":"<p><figure id=\"attachment_78763\" aria-describedby=\"caption-attachment-78763\" style=\"width: 190px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-78763 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Victor-Douglas-Nu\u00f1ez-190x238.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"238\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78763\" class=\"wp-caption-text\">Victor Douglas Nu\u00f1ez<\/figcaption><\/figure><br \/>\nVictor Douglas N\u00fa\u00f1ez nasceu em Salto, no Uruguai, em fevereiro de 1930. Veio ainda na inf\u00e2ncia para o Brasil, crescendo no munic\u00edpio de Ira\u00ed, no norte do Rio Grande do Sul. Ainda na adolesc\u00eancia, se mudou com a fam\u00edlia para Porto Alegre, onde estudou no col\u00e9gio J\u00falio de Castilhos. Ingressou no curso de direito da UFRGS, onde fez parte do movimento estudantil. Em meados dos anos 50 foi diretor da Uni\u00e3o Estadual de Estudantes, participando de campanhas como \u201cO petr\u00f3leo \u00e9 nosso!\u201d. Formado advogado, passou a atuar na advocacia trabalhista, sempre na defesa dos trabalhadores. Foi advogado dos sindicatos dos eletricit\u00e1rios, dos telef\u00f4nicos, dos funcion\u00e1rios da Carris e dos radialistas, entre outros. Em agosto de 1961 coordenou o setor de comunica\u00e7\u00f5es da \u201cResist\u00eancia Democr\u00e1tica\u201d, movimento popular que se constituiu na espinha dorsal do movimento da Legalidade. Foi diretor da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Advogados Trabalhistas (AGETRA) em 1974 e novamente em 1984.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Sombra e semente<\/span><br \/>\n\u00c0 mem\u00f3ria de Afranio Ara\u00fajo<br \/>\nTinhas que morrer como viveste:<br \/>\nDe p\u00e9, como uma \u00e1rvore.<br \/>\nOs ventos da raiva n\u00e3o te dobraram:<br \/>\nS\u00f3 o raio te feriu o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEsta louca e desatada tormenta<br \/>\n&#8211; que aprisiona a asa dos p\u00e1ssaros<br \/>\nE despetala borboletas-<br \/>\nPor mais que ruja seus \u00f3dios,<br \/>\nPassar\u00e1.<br \/>\nMas eu te choro, companheiro:<br \/>\nN\u00e3o estar\u00e1s no tempo que vir\u00e1,<br \/>\nQuando os ventos sejam de flor e m\u00fasica.<br \/>\nEu te choro, mestre:<br \/>\nN\u00e3o ver\u00e1s o tempo novo<br \/>\nEm que de ensinar se prescinda.<br \/>\nEu te choro, irm\u00e3o,<br \/>\nQue viveste o sonho antigo<br \/>\nDe fazer um mundo novo<br \/>\nE n\u00e3o partilhar\u00e1s da alegr\u00eda vindoura.<br \/>\nMais te choram os que tiveram fome<br \/>\nE comeram do p\u00e3o da justi\u00e7a<br \/>\nQue ajudaste a servir em suas mesas.<br \/>\nE, se n\u00e3o te choram os que rezando exploram,<br \/>\nEles te respeitam a espada limpa.<br \/>\nCompanheiro, mestre, irm\u00e3o,<br \/>\nNing\u00faem passou por ti<br \/>\nSem compartir-te.<br \/>\nFoste sombra frondosa,<br \/>\nE semente.<br \/>\nDe luta, de vida, de sonho.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Guerreiro sem repouso<\/span><br \/>\nUm a um<br \/>\n&#8211; ainda o bra\u00e7o forte e a espada firme-<br \/>\nO cora\u00e7\u00e3o vai nos levando.<br \/>\nGuerreiros sem repouso,<br \/>\nAs duras armaduras pesam tanto<br \/>\nQue vamos morrendo sem feridas.<br \/>\nQuebrando lan\u00e7as, no confronto sem fim<br \/>\nDeste combate, rompe-se o peito<br \/>\nE explode o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas contigo foi muito cedo, companheiro<br \/>\nTu, que tanto fizeste, sabes<br \/>\nQuanto ficou por fazer,<br \/>\nAt\u00e9 que os pobres sejam menos pobres.<br \/>\nAt\u00e9 que o p\u00e3o seja alegre.<br \/>\nEu te vi menino<br \/>\n&#8211; e j\u00e1 na mesma trincheira<br \/>\nAprendendo com teu pai<br \/>\na op\u00e7\u00e3o peos pobres,<br \/>\n&#8211; essa velha paix\u00e3o de todos os santos.<br \/>\nDepois te vi crescer<br \/>\n&#8211; sempre ajudando a servir<br \/>\nO p\u00e3o da Justi\u00e7a<br \/>\nNa mesa dos mais pobres.<br \/>\nNa seara t\u00e3o vasta, de t\u00e3o poucos lidadores<br \/>\nN\u00e3o te poupaste nunca,<br \/>\nLutador incans\u00e1vel.<br \/>\nE n\u00e3o te vi morrer,<br \/>\nHomem de ferro e de flor.<br \/>\nNingu\u00e9m te viu morrer,<br \/>\n\u00c9 s\u00f3 uma aus\u00eancia.<br \/>\nN\u00e3o morre o fogo,<br \/>\nA luz n\u00e3o morre:<br \/>\n&#8211; se renovam.<br \/>\nChoramos, sim,<br \/>\nTe choramos muito.<br \/>\nMas j\u00e1 limpamos dos olhos<br \/>\nToda l\u00e1grima, companheiro.<br \/>\nE, sem temor da morte,<br \/>\nVoltamos a teu bom combate<br \/>\nLuiz Heron Araujo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Victor Douglas N\u00fa\u00f1ez nasceu em Salto, no Uruguai, em fevereiro de 1930. 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