{"id":79217,"date":"2016-09-17T07:25:21","date_gmt":"2016-09-17T10:25:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=39124"},"modified":"2021-09-09T22:45:42","modified_gmt":"2021-09-10T01:45:42","slug":"a-sombra-dos-lanceiros-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/a-sombra-dos-lanceiros-negros\/","title":{"rendered":"A sombra dos Lanceiros Negros"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-79244\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2021\/09\/rrg-180anos-tjtopo-300x132.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"102\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2021\/09\/rrg-180anos-tjtopo-300x132.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2021\/09\/rrg-180anos-tjtopo.jpg 725w\" sizes=\"(max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/>Na madrugada de 14 de novembro de 1844, guerrilheiros comandados pelo ardiloso Francisco Pedro de Abreu, o Chico Moringue, surpreenderam um acampamento farroupilha numa curva do Arroio Porongos, entre Piratini e Bag\u00e9.<\/p>\n<p>Deu-se, a\u00ed, n\u00e3o apenas um massacre dos soldados rebeldes, mas tamb\u00e9m o epis\u00f3dio mais pol\u00eamico da guerra. O alvo principal do ataque foi o Corpo de Lanceiros Negros, formado por mais de 100 ex-escravos, que foram exterminados. Um detalhe: eles haviam sido desarmados na v\u00e9spera por seu comandante, o general David Canabarro. Coincid\u00eancia ou trai\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Os mais respeitados pesquisadores da Revolu\u00e7\u00e3o, como Moacyr Flores e Riopardense de Macedo, n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas de que houve trai\u00e7\u00e3o, um arranjo entre Canabarro e Caxias para resolver a quest\u00e3o dos escravos, que emperrava o acordo de paz. A d\u00favida, em todo o caso, persiste, uma vez que o \u00fanico documento sobre o fato \u2013 uma carta de Caxias informando Moringue da combina\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o tem autenticidade comprovada.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que as contradi\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha em rela\u00e7\u00e3o aos escravos n\u00e3o se esgotam neste epis\u00f3dio de Porongos. Elas est\u00e3o, inclusive, impressas nas p\u00e1ginas do jornal O Povo, onde artigos de veemente doutrina republicana e libert\u00e1ria est\u00e3o lado a lado com an\u00fancios de fuga ou de aluguel de escravos.<\/p>\n<p>Bento Gon\u00e7alves, Neto e outros chefes tinham escravos e os mantiveram durante a guerra. Segundo Abeillard Barreto, foi com a venda de 17 escravos em Montevid\u00e9u que Domingos Jos\u00e9 de Almeida p\u00f4de comprar a tipografia onde era impresso o jornal farrapo.<\/p>\n<p>Parte da confus\u00e3o deve-se ao fato da Revolu\u00e7\u00e3o haver mobilizado ex-escravos como soldados, formando os famosos Corpos de Lanceiros Negros. Diz Moacyr Flores:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-39136 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lanceiro2-1.jpg\" alt=\"lanceiro2-1\" width=\"400\" height=\"354\" \/>\u201cOs chefes de pol\u00edcia dos distritos desabafavam que n\u00e3o podiam mais efetuar o recrutamento, porque os homens livres fugiam para o lado legal; ent\u00e3o, Bento Gon\u00e7alves prometeu liberdade aos escravos que se alistassem nas fileiras rebeldes&#8230; O alistamento de ex-cativos deveu-se, igualmente, \u00e0 necessidade- farroupilha de formar uma infantaria de lanceiros, corpo utilizado com sucesso pelos imperiais. O homem livre sulino considerava indigno lutar a p\u00e9. Tamb\u00e9m era poss\u00edvel a um senhor ou seu filho escaparem do recrutamento mandando no lugar um cativo, que era alforriado para servir como soldado.<\/p>\n<p>Os senhores farroupilhas cobravam pelos servi\u00e7os prestados por seus cativos \u00e0 Rep\u00fablica. Os negros que lutaram nas tropas sulinas jamais o fizeram em igualdade com os homens livres. Seus oficiais sempre foram homens brancos. Nas tropas farroupilhas, negros e brancos marchavam, comiam e dormiam separados.<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio tamb\u00e9m libertou cativos para combaterem os farroupilhas e concedia carta de alforria e passagem para fora do Rio Grande aos soldados negros que desertassem das fileiras farroupilhas.<\/p>\n<p>Sobre os \u201clegend\u00e1rios Lanceiros Negros\u201d, muito se escreveu e muito pouco se sabe. Segundo H\u00e9lio Moro Mariante, a \u00fanica refer\u00eancia oficial a respeito deles \u00e9 uma minuta de janeiro de 1844, que fala da regulariza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito farroupilha e menciona \u201c &#8230; o Primeiro Corpo de Lanceiros passa a denominar-se Corpo Auxiliar de Lanceiros, integrado pelas pra\u00e7as libertas dos de-mais corpos de cavalaria\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39465\" aria-describedby=\"caption-attachment-39465\" style=\"width: 241px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39465 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cabe\u00e7a-de-lanceiro-negro-Vasco-Machado.jpg\" alt=\"Tela de Vasco machado \" width=\"241\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39465\" class=\"wp-caption-text\">Tela de Vasco Machado<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nem o n\u00famero certo deles se fica sabendo. Wiederspahn diz vagamente que \u201ceram estes soldados afro-brasileiros do Corpo de Lanceiros e de um Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores, unidades cuja cria\u00e7\u00e3o se deve a uma iniciativa pessoal do ent\u00e3o major Jo\u00e3o Manuel de Lima e Silva. O uniforme desses lanceiros era uma camisa vermelha e cal\u00e7a de brim bege, exaltados por Garibaldi como os melhores e mais destemidos cavalarianos\u201d.<\/p>\n<p>Em 1839, segundo M\u00e1rio Maestri, dos 4.396 soldados das tropas de primeira linha farroupilha, 952 eram lanceiros negros, organizados em dois corpos. \u201cCom a crescente dificuldade dos farroupilhas de arregimentarem soldados livres, a propor\u00e7\u00e3o de ex-escravos deve ter crescido ainda mais.\u201d Outros autores afirmam que teria chegado a 600 o n\u00famero de cativos engajados nas for\u00e7as rebeldes. Restariam, quando foi assinada a paz, 200 ou 300. Mais de 100 foram assassinados em Porongos. Um of\u00edcio de Caxias, de 5 de mar\u00e7o de 1845, sobre as condi\u00e7\u00f5es da pacifica\u00e7\u00e3o informa: \u201cOs escravos que eles ainda conservavam armados foram entregues com suas armas e seu n\u00famero n\u00e3o excede a 120\u201d.<\/p>\n<p>Diz Wiederspahn: \u201cCanabarro acabaria entregando, depois, um contingente de cerca de 120 destes seus soldados ex-escravos, por ele apartados dos demais para serem encaminhados ao Rio de Janeiro, onde deveriam ficar confinados na Fazenda Imperial de Santa Cruz, inicialmente como escravos estatizados, depois alforriados com a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o voltassem ao Sul. Valeu-se de um aviso imperial que prometera liberdade a todos os soldados republicanos ex-escravos que desertassem de suas fileiras e se apresentassem \u00e0s autoridades imperiais\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">170 anos depois, a pol\u00eamica continua acesa<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_39461\" aria-describedby=\"caption-attachment-39461\" style=\"width: 307px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39461 \" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/11010957_1030306757000197_4760998454499659192_n-1.jpg\" alt=\"Monumento aos Lanceiros Negros, em Ca\u00e7apava\" width=\"307\" height=\"454\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39461\" class=\"wp-caption-text\">Monumento aos Lanceiros Negros, em Ca\u00e7apava\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 ponto pac\u00edfico que os esquadr\u00f5es de lanceiros negros, formados por escravos, foram importantes na Guerra dos Farrapos. S\u00f3 do lado rebelde houve mais de mil guerreiros, que se engajaram na esperan\u00e7a (e com a promessa) de se tornar livres, mas tamb\u00e9m do lado imperial se formaram batalh\u00f5es de escravos. Eles usavam lan\u00e7as de tr\u00eas metros de comprimento e lutavam a p\u00e9 ou montados (em pelo, quando havia cavalos). Finda a guerra, ganha pelo Imp\u00e9rio, poucos lanceiros se tornaram livres \u2013 caso dos que foram para o Uruguai sob a chefia do general Neto, que tinha uma fazenda l\u00e1. A maioria voltou ao regime escravo, s\u00f3 extinto pela Lei \u00c1urea em 13 de maio de 1888.<\/p>\n<p>Passados mais de 170 anos do fim da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, permanece obscuro e pol\u00eamico o \u00faltimo epis\u00f3dio guerreiro, ocorrido no Cerro de Porongos, no atual munic\u00edpio de Pinheiro Machado, a 350 km de Porto Alegre, na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando j\u00e1 n\u00e3o havia mais combates e estavam todos esperando o fim das conversa\u00e7\u00f5es de paz. A Hist\u00f3ria o registra ora como \u201ca surpresa de Porongos\u201d, ora como \u201co massacre\u201d ou \u201ca trai\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39133\" aria-describedby=\"caption-attachment-39133\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39133 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/pag-52-e-53-David-Canabarro.jpg\" alt=\"David Canabarro\" width=\"300\" height=\"246\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39133\" class=\"wp-caption-text\">David Canabarro<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em Porongos se concentrava o ex\u00e9rcito farrapo, sob o comando do general David Canabarro, que tinha nas redondezas os esquadr\u00f5es dos generais Neto e Jo\u00e3o da Silveira. O outro general farrapo, Bento Gon\u00e7alves, havia se retirado das lutas depois de ferir mortalmente seu primo Onofre Pires num duelo de espadas. Enquanto isso, a algumas l\u00e9guas de dist\u00e2ncia, perto de Bag\u00e9, o vitorioso presidente da prov\u00edncia, general Luis Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias), dava as cartas em nome do governo do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em resumo, o Imp\u00e9rio aceitava indenizar os fazendeiros, charqueadores e comerciantes por preju\u00edzos sofridos durante a guerra, mas se negava a libertar os escravos que haviam lutado sob a promessa de ganhar a liberdade. Mais do que isso, exigia a devolu\u00e7\u00e3o dos escravos pertencentes a fazendeiros legalistas. Pode ent\u00e3o ter sido um neg\u00f3cio, uma troca? Naquele tempo, os escravos valiam dinheiro &#8212; cada \u201cpe\u00e7a\u201d custava 150 mil r\u00e9is em leil\u00f5es p\u00fablicos e negocia\u00e7\u00f5es particulares. Sem eles, os neg\u00f3cios n\u00e3o andavam.<\/p>\n<p>Naquela madrugada de novembro de 1844, o acampamento dos lanceiros negros foi atacado pelo coronel Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, posteriormente agraciado com o t\u00edtulo de bar\u00e3o. Estava escuro, mas Moringue n\u00e3o errou o bote: tudo indica que ele tinha informa\u00e7\u00f5es de dentro das for\u00e7as farrapas. Uma de suas fontes era a mulher conhecida por Papagaia, personagem misteriosa da hist\u00f3ria, cujo papel nunca foi devidamente estudado. Ela chegara ao acampamento como companheira do enfermeiro Jo\u00e3o Duarte, mas mantinha encontros noturnos com o general Canabarro, que estava na barraca dela quando Moringue atacou.<\/p>\n<p>Uma centena de lanceiros foi morta, outra centena aprisionada e os restantes fugiram, sem armas nem muni\u00e7\u00e3o, pois o armamento havia sido recolhido na v\u00e9spera sob a alega\u00e7\u00e3o de que os negros amea\u00e7avam revoltar-se contra a indefini\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o. Dias depois os remanescentes dos lanceiros farrapos foram liquidados numa batalha em Arroio Grande, a poucos quil\u00f4metros de Porongos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39132\" aria-describedby=\"caption-attachment-39132\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39132 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Pag-42_CerrodosPorongos_.jpg\" alt=\"Cerro de Porongos\/foto de \" width=\"300\" height=\"199\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39132\" class=\"wp-caption-text\">Cerro de Porongos\/foto de Tain\u00e3 Valad\u00e3o\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Surpresa ou n\u00e3o, o evento foi esquecido por d\u00e9cadas, at\u00e9 mesmo porque ap\u00f3s 1845 a Guerra dos Farrapos se tornara assunto proibido no Brasil. O primeiro a levantar o assunto foi Giuseppe Garibaldi, que havia liderado uma malograda marinha de guerra lan\u00e7ada contra Laguna, SC. Em suas mem\u00f3rias, organizadas pelo escritor franc\u00eas Alexandre Dumas e publicadas em 1870, o revolucion\u00e1rio italiano elogiou a bravura e a destreza dos lanceiros negros chefiados pelo capit\u00e3o Teixeira Nunes. \u201cNunca vi guerreiros mais valentes\u201d, disse Garibaldi. Nem assim o tema prosperou.<\/p>\n<p>O primeiro brasileiro a contar a hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o farrapa foi o cearense Trist\u00e3o de Alencar Araripe, funcion\u00e1rio p\u00fablico no Rio que publicou em livro de 1880 a vers\u00e3o imperial do conflito. Em 1882, veio a resposta escrita por Joaquim Francisco de Assis Brasil, ga\u00facho de S\u00e3o Gabriel que estudava Direito em S\u00e3o Paulo, onde um grupo de subversivos havia fundado o Clube 20 de Setembro. Montados na data farroupilha, faziam propaganda do sistema republicano de governo.<\/p>\n<p>Empatado o jogo, o assunto ficou em banho-maria at\u00e9 os primeiros anos da Rep\u00fablica proclamada em 1889. As lembran\u00e7as sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha enalteciam os her\u00f3is rebeldes e ignoravam a participa\u00e7\u00e3o dos escravos, que serviam como vanguarda de batalhas ou davam golpes de m\u00e3o em acampamentos inimigos. No final do s\u00e9culo XIX, a quest\u00e3o dos lanceiros de Porongos estava resumida a duas alternativas contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Para uns, em Porongos teria ocorrido uma emboscada imperial que pegou de surpresa um acampamento farrapo j\u00e1 sem disciplina; para outros, houve um massacre trai\u00e7oeiro que se consumou gra\u00e7as \u00e0 ajuda dos chefes da tropa farroupilha. As duas alternativas s\u00e3o veross\u00edmeis.<\/p>\n<p>O primeiro estudioso a buscar respostas concretas foi o jornalista-historiador Alfredo Ferreira Rodrigues em seu Almanak Liter\u00e1rio e Hist\u00f3rico do Rio Grande do Sul, de 1899 a 1901. Mesmo tendo recebido cartas de ex-combatentes afirmando que Canabarro preparou o terreno para o ataque inimigo, Rodrigues se manteve na defesa do comandante farrapo. Depois, veio uma safra intermitente de livros a favor e contra os her\u00f3is farroupilhas:<\/p>\n<p><strong>1933<\/strong> \u2013 Alfredo Varela, que escreveu mais de tr\u00eas mil p\u00e1ginas, deixando Canabarro mal<\/p>\n<p><strong>1935<\/strong> \u2013 Aurelio Porto, que passou alguns anos no Rio pesquisando os documentos oficiais sobre a guerra dos farrapos<\/p>\n<p><strong>1936<\/strong> \u2013 Dante de Laytano, o primeiro estudioso a reconhecer a import\u00e2ncia s\u00f3cio-econ\u00f4mica dos escravos na hist\u00f3ria rio-grandense<\/p>\n<p><strong>1938<\/strong> \u2013 Tasso Fragoso, o primeiro militar a apresentar uma vers\u00e3o castrense do conflito<\/p>\n<p><strong>1944<\/strong> &#8211; Walter Spalding, que tratou a rebeli\u00e3o como uma epop\u00e9ia<\/p>\n<p><strong>1955<\/strong> \u2013 Arthur Ferreira, outro historiador que preferiu uma narrativa militar<\/p>\n<p><strong>1961<\/strong> \u2013 Fernando Henrique Cardoso, que estudou a presen\u00e7a dos negros na economia sulina<\/p>\n<p><strong>1975<\/strong> \u2013 Claudio Moreira Bento, especialista em hist\u00f3ria militar, enalteceu os lanceiros negros<\/p>\n<p><strong>1978<\/strong> em diante \u2013 Moacyr Flores, professor que estudou a fundo a revolu\u00e7\u00e3o, tendo publicado mais de 20 livros, concluindo que houve uma trama para por fim ao conflito<\/p>\n<p><strong>1979<\/strong> \u2013 Spencer Leitman, americano que estudou profundamente a presen\u00e7a dos negros na hist\u00f3ria<\/p>\n<p><strong>1981<\/strong> \u2013 Henrique Wiederspahn, outro historiador militar<\/p>\n<p><strong>1984<\/strong> \u2013 Tau Golin, historiador que abriu pol\u00eamica ao chamar Bento Gon\u00e7alves de her\u00f3i-ladr\u00e3o<\/p>\n<p><strong>1993<\/strong> \u2013 Mario Maestri, historiador que dissecou a escravid\u00e3o no Rio Grande do Sul<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">S\u00c9CULO XXI <\/span><\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, sa\u00edram outros livros sobre a revolta rio-grandense, mas as refer\u00eancias aos lanceiros eram quase sempre fragment\u00e1rias. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou a partir de 2001, quando membros do Movimento Consci\u00eancia Negra come\u00e7aram a chamar a aten\u00e7\u00e3o para o sil\u00eancio em torno de Porongos. Para resumir a hist\u00f3ria, no s\u00e9culo XXI foram publicados tr\u00eas livros de caracter\u00edsticas distintas. O primeiro, lan\u00e7ado em 2005, exp\u00f5e o assunto e n\u00e3o toma partido: os outros dois sustentam opini\u00f5es contr\u00e1rias, mantendo acesa a pol\u00eamica secular.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-79272\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/09\/livro-lanceiros-negros-680x1024-1-199x300.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/09\/livro-lanceiros-negros-680x1024-1-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2016\/09\/livro-lanceiros-negros-680x1024-1.jpg 680w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/>\u201cLanceiros Negros\u201d (J\u00c1 Editores, 2006, 2\u00aa ed., 140 pg.), dos jornalistas Geraldo Hasse e Guilherme Kolling, reconta a guerra e resgata a participa\u00e7\u00e3o dos lanceiros, cuja mem\u00f3ria passou a ser intensamente recuperada a partir de 2001.<\/p>\n<p>\u201cHist\u00f3ria Regional da Inf\u00e2mia\u201d (L&amp;PM, 2010, com 342 pg), de jornalista e historiador Juremir Machado da Silva, faz uma revis\u00e3o completa da pol\u00eamica antes de concluir que os lanceiros foram v\u00edtimas de uma trai\u00e7\u00e3o armada por David Canabarro em conluio com Caxias.<\/p>\n<p>\u201cO Ataque de Porongos e os 170 anos de uma Farsa Intermitente\u201d (Edigal, 2014, 70 pg), de Cesar Pires Machado, argumenta que o ataque de Porongos foi uma opera\u00e7\u00e3o militar planejada por Caxias e executada por Moringue; e que as acusa\u00e7\u00f5es desairosas contra Canabarro foram parte de um plano menor para terminar de desmoralizar os farrapos, que j\u00e1 estavam bastante divididos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na madrugada de 14 de novembro de 1844, guerrilheiros comandados pelo ardiloso Francisco Pedro de Abreu, o Chico Moringue, surpreenderam um acampamento farroupilha numa curva do Arroio Porongos, entre Piratini e Bag\u00e9. 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