{"id":79219,"date":"2016-09-16T13:36:13","date_gmt":"2016-09-16T16:36:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=39061"},"modified":"2021-09-10T00:16:52","modified_gmt":"2021-09-10T03:16:52","slug":"um-pais-com-hino-bandeira-e-brasao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/um-pais-com-hino-bandeira-e-brasao\/","title":{"rendered":"Um pa\u00eds com hino, bandeira e bras\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/especiais\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2021\/09\/rrg-180anos-tjtopo-300x132.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"102\" \/>A maioria dos historiadores aceita o crit\u00e9rio de Trist\u00e3o de Alencar Araripe, funcion\u00e1rio do Imp\u00e9rio que escreveu a primeira hist\u00f3ria completa da revolu\u00e7\u00e3o, em 1881. Araripe era contra os farrapos, mas seu livro A Guerra Civil no Rio Grande do Sul \u00e9 considerado uma obra cl\u00e1ssica sobre o assunto, apesar das ressalvas que fazem a ele muitos autores ga\u00fachos.<\/p>\n<p>Araripe divide a revolu\u00e7\u00e3o em tr\u00eas fases: a sedi\u00e7\u00e3o, que vai do 20 de setembro de 1835 at\u00e9 setembro de 1836, quando \u00e9 proclamada a Rep\u00fablica Rio-grandense; a rebeli\u00e3o, que vai da\u00ed at\u00e9 1843; e a reintegra\u00e7\u00e3o com o acordo da paz, em 1845.<\/p>\n<p>No per\u00edodo que se estende de 1836 a 1845, quase nove anos, o Rio Grande do Sul se constituiu em um pa\u00eds \u00e0 parte do Brasil. Araripe chamou de Rep\u00fablica de Piratini, com um sentido pejorativo, de republiqueta, e afirma que houve apenas uma mudan\u00e7a de nome, imp\u00e9rio por rep\u00fablica, e do imperador pelo presidente, j\u00e1 que as leis e a estrutura administrativa seguiam sendo basicamente as mesmas do Imp\u00e9rio. Disse ainda que foi \u201cum regime militar\u201d, pois o presidente Bento Gon\u00e7alves tinha poderes discricion\u00e1rios, nunca houve consultas para eleger seus magistrados, e a constituinte, que daria novas leis ao pa\u00eds, n\u00e3o chegou a ser votada, j\u00e1 no ocaso do movimento. A verdade \u00e9 que foi um regime em permanente estado de guerra.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso considerar tamb\u00e9m que os liberais daquela \u00e9poca n\u00e3o eram democratas, no conceito que se usa hoje. Eles n\u00e3o reconheciam no homem comum a capacidade para selecionar os dirigentes. Muitos autores, como Dante de Laytano, procurando minimizar o car\u00e1ter separatista que a revolu\u00e7\u00e3o assumiu a partir de 1836, dizem que a rep\u00fablica foi \u201cum afastamento provis\u00f3rio\u201d, um meio para alcan\u00e7ar a federa\u00e7\u00e3o brasileira mais adiante.<\/p>\n<p>Moacyr Flores \u00e9 mais enf\u00e1tico: \u201cOs farroupilhas criaram de fato um Estado separado e independente do Brasil, pois tinham bandeira, dinheiro, projeto de constitui\u00e7\u00e3o, leis e governos pr\u00f3prios.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39064\" aria-describedby=\"caption-attachment-39064\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39064 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/projeto-constitui\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"Projeto Constitui\u00e7\u00e3o\" width=\"725\" height=\"490\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39064\" class=\"wp-caption-text\">Projeto Constitui\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em seus jornais, as not\u00edcias sobre o Brasil apareciam na coluna denominada Exterior e os brasileiros eram considerados como estrangeiros\u201d.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds, por\u00e9m, n\u00e3o conseguiu ser reconhecido por nenhuma outra na\u00e7\u00e3o estrangeira &#8211; embora houvesse recebido apoios dos governos uruguaio e argentino, inclinados a uma federa\u00e7\u00e3o platina. Entretanto, Bento Gon\u00e7alves, quando esteve em Paisandu, no Uruguai, recebeu honras de presidente de Estado, o que provocou reclama\u00e7\u00f5es do governo imperial ante o presidente uruguaio, Fructuoso Rivera.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39071\" aria-describedby=\"caption-attachment-39071\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39071 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lenco_farr.jpg\" alt=\"Len\u00e7o farroupilha, de padr\u00e3o diferente, no acervo da Biblioteca de Pelotas \" width=\"327\" height=\"325\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39071\" class=\"wp-caption-text\">Len\u00e7o farroupilha, de padr\u00e3o diferente, no acervo da Biblioteca de Pelotas<\/figcaption><\/figure>\n<p>O sil\u00eancio de quase meio s\u00e9culo imposto \u00e0 mem\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o trouxe dificuldades para o entendimento at\u00e9 de coisas mais simples, como \u00e9 o caso dos s\u00edmbolos da Rep\u00fablica Rio-grandense.<\/p>\n<p>Segundo Walter Spalding, as palavras Liberdade, Igualdade, Humanidade, inscritas no bras\u00e3o da Rep\u00fablica Rio-grandense, n\u00e3o faziam parte do desenho original, \u201cque deve ter sido criado logo ap\u00f3s a bandeira em novembro de 1836\u201d. As palavras foram, no entanto, oficializadas em 1891, pelos republicanos positivistas de J\u00falio de Castilhos.<\/p>\n<p>A bandeira criada por decreto de Domingos Jos\u00e9 de Almeida deveria ter um tri\u00e2ngulo is\u00f3sceles na parte superior, outro igual e simetricamente disposto na parte inferior e uma faixa no centro, separando os dois tri\u00e2ngulos.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, esse decreto foi mal interpretado e as bandeiras come\u00e7aram a surgir de todos os feitios. Encontramos hoje mais de uma dezena de bandeiras rio-grandenses diferentes\u201d, escreveu Spalding, que chegou a entregar um estudo \u00e0 Assembleia Legislativa para a uniformiza\u00e7\u00e3o da bandeira que mais tarde se tornou a bandeira oficial do Rio Grande do Sul. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 isento de controv\u00e9rsias o hino da Rep\u00fablica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39068\" aria-describedby=\"caption-attachment-39068\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39068 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Hino-Riograndense.jpg\" alt=\"Hino Rio-grandense\" width=\"725\" height=\"474\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39068\" class=\"wp-caption-text\">Hino Rio-grandense<\/figcaption><\/figure>\n<p>O hino foi composto dois anos depois da proclama\u00e7\u00e3o, em abril de 1838, quando os farrapos tomaram a cidade de Rio Pardo e aprisionaram a banda de m\u00fasica, cujo maestro era o c\u00e9lebre m\u00fasico Joaquim Jos\u00e9 Mendanha, \u201cfigura bastante popular na prov\u00edncia\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Spalding, o maestro simplesmente adaptou o trecho de uma valsa de Strauss e p\u00f4s o ritmo de marcha. O jornalista e cr\u00edtico musical \u00canio Squeff acha pouco prov\u00e1vel: \u201cO que sei \u00e9 que o Mendanha n\u00e3o comp\u00f4s uma pe\u00e7a original para o hino. Utilizou uma composi\u00e7\u00e3o de sua autoria, n\u00e3o um trecho de Strauss\u201d. Tamb\u00e9m a letra teve v\u00e1rias vers\u00f5es. Hoje \u00e9 o hino oficial do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Guerrilha no Pampa<\/span><\/p>\n<p><em>No auge da revolu\u00e7\u00e3o, os farroupilhas chegaram a ter dez mil homens em armas<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_39075\" aria-describedby=\"caption-attachment-39075\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39075 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cole\u00e7\u00e3o-Farrapos_Acervo-Familia-lutzenberger.jpg\" alt=\"Cole\u00e7\u00e3o Farrapos\/Acervo Familia Lutzenberger\" width=\"725\" height=\"465\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39075\" class=\"wp-caption-text\">Cole\u00e7\u00e3o Farrapos\/Acervo Familia Lutzenberger<\/figcaption><\/figure>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre os efetivos militares que tomaram parte na Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha s\u00e3o prec\u00e1rias e geram controv\u00e9rsia entre historiadores.<\/p>\n<p>\u201cNo ano de 1835, ao eclodir o movimento revolucion\u00e1rio, o Rio Grande do Sul contava com cerca de dois mil homens em armas, somando-se os integrantes das unidades que compunham as 1\u00aa e 2\u00aa linhas\u201d, registra H\u00e9lio Moro Mariante, que dedica um cap\u00edtulo de seu livro \u201cGuerra \u00e0 Ga\u00facha\u201d a essa quest\u00e3o. Segundo ele, apesar de toda a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se avolumava, \u201co Imp\u00e9rio descuidou-se de guarnecer militarmente o Rio Grande do Sul\u201d. A guarni\u00e7\u00e3o militar de Porto Alegre, onde havia uns 12 mil habitantes, soma 270 homens. No interior, as principais unidades militares est\u00e3o nas m\u00e3os dos rebeldes ou a eles se incorporam logo no in\u00edcio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39047\" aria-describedby=\"caption-attachment-39047\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-39047 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/POA-vista-da-Santa-Casa-1839.jpg\" alt=\"Vista do Gua\u00edba a partir da Pra\u00e7a do Port\u00e3o, atual Conde de Porto Alegre\" width=\"725\" height=\"483\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39047\" class=\"wp-caption-text\">Vista do Gua\u00edba a partir da Pra\u00e7a do Port\u00e3o, atual Conde de Porto Alegre<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando se iniciou o movimento, os farroupilhas n\u00e3o tinham mais do que 400 homens em Porto Alegre. \u201cSeriam entre 200 e 400 os homens reunidos no acampamento da Azenha e que penetraram na capital no 20 de setembro\u201d, diz Mariante.<\/p>\n<p>No momento da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Rio-grandense, em setembro de 1836, o ex\u00e9rcito farroupilha contava com cerca de 1.700 homens. No ano seguinte, o marechal Elize\u00e1rio de Miranda Brito informou ao governo imperial que os rebeldes perfaziam \u201cum complexo de 3.000 combatentes\u201d.<\/p>\n<p>Em 1839, segundo H\u00e9lio Mariante, os republicanos chegaram ao seu melhor est\u00e1gio em organiza\u00e7\u00e3o e ao seu maior efetivo, somando \u201cquase dez mil homens em armas\u201d. Quando terminou a guerra, o ex\u00e9rcito farroupilha tinha pouco mais de mil combatentes.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito imperial combateu com 8 mil homens em 1837 e, em 1843, na ofensiva final, chegou a 11.387 combatentes no Rio Grande do Sul. O efetivo militar do Imp\u00e9rio em todo o pa\u00eds era de 19.853 homens, o que significava que dois ter\u00e7os das for\u00e7as armadas brasileiras estavam concentradas no Rio Grande do Sul, nos \u00faltimos anos da guerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos historiadores aceita o crit\u00e9rio de Trist\u00e3o de Alencar Araripe, funcion\u00e1rio do Imp\u00e9rio que escreveu a primeira hist\u00f3ria completa da revolu\u00e7\u00e3o, em 1881. 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