Ibope mostra Sebastião com 49% dos votos e Manuela com 42%

Sebastião Melo (MDB) tem 49% contra 42% das intenções de voto de Manuela D’Ávila (PCdoB) no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Porto Alegre. Os números são da pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira, 24/11.

Ainda, brancos e nulos são 5%, enquanto 4% não sabem/não responderam.

Se considerados somente os votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos, Sebastião Melo tem 54% e Manuela, 46%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Foram ouvidos 805 eleitores da capital, entre os dias 22 e 24 de novembro. A pesquisa tem identificação na Justiça Eleitoral e foi encomendada pelo grupo RBS.

No primeiro turno mais de 33% dos eleitores de Porto Alegre não compareceram à votação. Convencer esses eleitores a irem votar pode ser decisivo na disputa.

Foi a primeira pesquisa do Ibope para o segundo turno na Capital. Na semana passada uma pesquisa do Instituto Paraná apontava Melo com 53% e Manuela tendo 32% das intenções do voto. Comparando os números, nota-se uma diminuição da diferença entre os candidatos. A eleição ocorre domingo, 29/11.

Vice na sombra: Bruno Covas e Sebastião Melo têm algo em comum

No debate do Roda Viva desta segunda-feira, 23/11, na TV Cultura, foi levantada mais uma vez a questão do vice que o candidato Bruno Covas tenta manter na sombra durante sua campanha à reeleição como prefeito de São Paulo.

O vereador Ricardo Nunes, do MDB, vice na chapa de Covas, tem registro policial de violência contra a mulher e uma investigação no Tribunal de Contas por suspeita de superfaturamento em creches alugadas à prefeitura. Estas acusações já foram publicadas pelo blogueiro Felipe Neto e motivaram um processo, mas a Justiça não mandou retirar as denúncias do ar.

Covas, no Roda Viva, voltou a repetir que não há nada provado contra seu vice e que ele está sendo atacado porque é uma figura popular. Mas a verdade, como comentaram os entrevistadores do programa, é que Covas só fala do vice quando questionado.

Enquanto seu adversário, Guilherme Boulos, não perde oportunidade de mencionar a sua vice, Luiza Erundina, Covas não cita o vice nem na propaganda.

Nisso se parece ao candidato Sebastião Melo, do MDB, cujo vice Ricardo Gomes, atual DEM, também fica na sombra e mal aparece na propaganda eleitoral.

Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Gomes foi eleito vereador na esteira das manifestações de apoio ao impeachment de Dilma Roussef e defendendo uma política liberal e a favor de privatizações. Com histórico em atuação e promoção de sociedades empresariais ligadas ao liberalismo, presidiu o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), associação que reúne empresários, forma lideranças políticas e realiza eventos como o Fórum da Liberdade.

O vice de Melo foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Marchezan, mas brigou e rompeu com o atual prefeito ao discordar da lei que modificou o IPTU na Capital gaúcha. Ricardo Gomes é contra o projeto, que classifica como aumento abusivo de imposto. Eleito pelo PP, trocou de partido e está no DEM, e foi o indicado para vice de Melo.

Gomes já denominou a chapa como de “centro-direita” e age como ligação ao empresariado gaúcho liberal e com forças próximas ao bolsonarismo, ainda que ele, Gomes, não se declare abertamente apoiador do presidente da República.

A eleição no segundo turno ocorre no próximo domingo, dia 29. Em Porto Alegre disputam o voto Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB), que tem como vice em sua chapa Miguel Rosseto (PT).

 

Covid pega deputado Osmar Terra, aliado de Bolsonaro na crítica do isolamento social

O deputado federal Osmar Terra deu entrada no domingo (22) no Hospital São Lucas, de Porto Alegre.

Em postagem nas redes sociais, o parlamentar, que está com Covid-19, afirmou fará exames de avaliação e fisioterapia no tratamento da doença.

Segundo ele, o tratamento visa “acelerar volta ao trabalho o mais breve possível”. Segundo o hospital, ele seguirá em observação durante os próximos dias.

“Já iniciei tratamento precoce com hidroxicloroquina e ivermectina. Comecei o isolamento em casa e cumprirei minha agenda de forma remota nos próximos dias seguindo as instruções médicas”, informa o post.

Estudos no Brasil e no exterior já negaram a eficácia da hidroxicloroquina no combate à doença. E a Anvisa diz que “não existem estudos conclusivos” para o uso dos antiparasitários, como a ivermectina.

Ex-ministro dos governos Bolsonaro e Temer, Terra também foi secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.

Durante debate, em maio, o deputado criticou o isolamento social. O Twitter chegou a marcar uma postagem dele com um aviso de sanção, pois contrariava medidas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

Osmar foi um dos críticos mais ativos contra as medidas de isolamento social apoiadas desde o início da pandemia, opondo-se ao então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Após a demissão deste, os rumores apontavam para que Osmar Terra assumisse o cargo, dada sua relação com o presidente Jair Bolsonaro.

Oministro envolveu-se no apoio à Cloroquina e à Hidroxicloroquina para o tratamento da doença. Os dois medicamentos são considerados ineficazes ao tratamento da doença, podendo inclusive intensificar riscos ao tratamento.

O presidente apoiou novamente Osmar Terra neste tema, advogando pelo medicamento – mesmo depois de repetidos ensaios clínicos apontarem a inutilidade do remédio para o coronavírus. Ao descobrir que tinha a doença, há 10 dias, Osmar anunciou que faria uso do comprimido.

Em março Osmar chegou a dizer que os casos de covid seriam menores que os de H1N1 no Brasil em 2019 – o que geraria cerca de 3.500 casos de infecção e 800 mortes. Hoje, já são mais de 6 milhões de casos e 167 mil mortos pela pandemia.

 

Eleições 2020: a influência dos protestos às vésperas do voto

A morte de Carlos Alberto de Freitas, negro de 40 anos, espancado e asfixiado por dois seguranças do Carrefour em Porto Alegre, ganhou manchetes e motivou protestos antirraciais por todo o mundo.

No supermercado onde ocorreu o crime, houve manifestações já na sexta-feira, com forte repressão policial e no fim de semana vários atos de protesto denunciaram o racismo e a violência.

O tema contaminou a campanha eleitoral na sua reta final. No mesmo dia, Manuela e Melo participaram de atos contra o racismo.

A morte de João Alberto abriu o horário eleitoral de televisão, no primeiro dia de exibição no segundo turno, quando os dois candidatos renderam homenagens.
Melo dedicou dois dos cinco minutos do programa da noite de sexta-feira ao caso. O vídeo iniciou com uma mensagem: “Porto Alegre está de luto”.
Em seguida, o próprio candidato lamentou o fato: “20 de novembro é o Dia da Consciência Negra. É com profunda tristeza que em um dia tão emblemático, Porto Alegre se depare com mais um episódio de violência”.
E completou: “A Porto Alegre que queremos é de paz, igualdade, dignidade e respeito para todos, independente de cor, gênero, religião, ideologia ou partido político”.
Manuela encerrou o programa da noite de sexta-feira com uma homenagem. E dedicou todo o programa de sábado ao caso. A peça começou com uma série de imagens de pessoas negras em Porto Alegre e a citação de estatísticas sobre assassinatos e violência contra negros.
O programa teve imagens do protesto em frente ao Carrefour, com pedidos de justiça, e falas sustentando que a morte de João Alberto não é um caso isolado. Políticos negros também citaram casos de racismo pelos quais passaram, falando em racismo estrutural.
Os cinco vereadores negros eleitos para a próxima legislatura em Porto Alegre – Karen Santos (PSOL), Matheus Gomes (PSOL), Laura Sito (PT), Bruna Rodrigues (PCdoB) e Daiana Santos (PCdoB) – também protestaram em frente ao Carrefour na sexta-feira, pedindo justiça.

Qual será a influência deste fato, de repercussão internacional,  junto ao eleitor que vai domingo às urnas decidir entre Manuela d’Ávila e Sebastião Melo?

Esta é a pergunta que vai marcar a semana decisiva das eleições de  2020 em Porto Alegre.

 

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Espancamento de homem negro no Carrefour durou mais de cinco minutos

Diversos vídeos que circulam em redes sociais demonstram a brutalidade das agressões sofridas por João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, que acabou morrendo devido ao espancamento na noite desta quinta-feira, no hipermercado Carrefour da Zona Norte de Porto Alegre.

De acordo com análises iniciais da Polícia Civil, o espancamento da vítima por dois homens, um segurança da loja e um brigadiano, durou pouco mais de cinco minutos. As câmeras de segurança do estabelecimento e vídeos de pessoas que testemunharam o fato já estão sendo analisados por peritos e servirão de provas contra os suspeitos.

A 2ª Delegacia de Homicídios da Polícia Civil investiga o assassinato e deve indiciar mais pessoas pelo crime, além dos agressores que foram detidos em flagrante, O segurança Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, foram presos na noite do crime e nesta sexta-feira tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Borges foi levado ao Presídio Central e o PM Silva está detido em um quartel da corporação.

A conduta de uma funcionária do supermercado, que aparece ao lado dos agressores e não fez menção de ajudar a vítima e intimidou pessoas que filmavam a cena também será investigada. Ela já foi identificada e ouvida. Outro funcionário do Carrefour também pode responder por omissão. “As imagens são muito chocantes. Os seguranças reagiram de maneira totalmente equivocada, desproporcional e em excesso”, disse a delegada Nadine Anflor, Chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. “A apuração será rigorosa, rápida e dentro da lei”, completou.

Nos vídeos é possível ouvir a vítima pedir ajuda, enquanto leva socos, pontapés e é pisoteado e tem o corpo pressionado contra o chão. A agressão foi vista pela esposa de João Alberto, Milena Borges Alves, que ainda ouvio o pedido de ajuda do marido. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local e tentou reanimar o homem, mas ele não resistiu e morreu. Laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias aponta asfixia como causa da morte.

Amigos, familiares e também integrantes do movimento negro organizam um protesto em frente ao supermercado, na avenida Plínio Brasil Milano, Bairro Passo da Areia, na tarde desta sexta-feira, às 18h.

Histórico do Carrefour não é bom

Não foi a primeira vez que o Grupo Carrefour protagoniza uma história de agressão. Em dezembro de 2018, um segurança do mercado na cidade de Osasco (SP) envenenou um cachorro e, depois, o espancou até a morte. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estipulou que o Carrefour deveria pagar R$ 1 milhão em razão dos maus-tratos cometidos pelo funcionário.

Em agosto passado, uma loja do Carrefour em Recife, Pernambuco, usou guarda-sóis para esconder o corpo de Moisés Santos, um funcionário que morreu ao passar mal em um dos corredores, mantendo as portas abertas.

Em outubro de 2018, funcionários da empresa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, agrediram Luís Carlos Gomes, porque ele abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Surpreendido pelos funcionários do supermercado, o cliente reiterou que pagaria pelo item. Mesmo assim, ele foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança e depois encurralado em um banheiro, onde recebeu um mata-leão. Gomes, que é deficiente físico, teve múltiplas fraturas e, como sequela de uma cirurgia, ficou com uma perna mais curta que a outra.

No caso em Porto Alegre, a loja está fechada em respeito a vítima e a repercussão do caso. A empresa emitiu uma nota ainda na madrugada de sexta-feira. “O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário”, diz parte do comunicado.

Lei Kandir: Senado aprova lei que consagra o calote aos Estados

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 133/2020, que trata da reposição de perdas de arrecadação dos Estados em virtude da Lei Kandir, de 1996.

Trata-se de um assunto antigo, que tem colocado estados e União em lados opostos, em uma briga que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).  A matéria segue para a Câmara dos Deputados.

O projeto prevê o pagamento de R$ 62 bilhões da União para os Estados, a título de compensação pelas perdas de arrecadação na época da Lei Kandir, de 1996.

Na verdade, com essa lei fica consagrado, 35 anos depois, um calote da União, pois os valores devidos aos Estados a título de ressarcimento chegaria aos R$ 500 bilhões. Só o Rio Grande do Sul, grande exportador de produtos agrícolas, teria para receber mais de R$ 60 bilhões.

A lei prevê o ressarcimento de R$ 58 bilhões em 15 anos, até 2037. Os outros R$ 4 bilhões ficam condicionados à realização do leilão de petróleo dos blocos de Atapu e Sépia, na Bacia de Santos (SP).

Entre 2020 e 2030 serão R$ 4 bilhões ao ano. A partir de 2031, haverá uma redução de R$ 500 milhões ao ano até zerar a entrega a partir de 2038.

Os Estados ficarão com 75% dos recursos, e os municípios, com os 25% restantes.

Outros R$ 3,6 bilhões, que totalizariam R$ 65,5 bilhões, serão repassados caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo seja aprovada.

O tema chegou a ser discutido no plenário do Senado em agosto, mas não houve acordo. Vários líderes foram contrários a um artigo que extingue o Fundo Social, cuja principal fonte de recursos é a parcela do óleo excedente devida à União nos contratos de partilha de produção do petróleo nas áreas do pré-sal.

O Fundo Social seria, originalmente, o financiador dessa reparação, já que parte desse fundo fica armazenada para amenizar o déficit fiscal da União e outra parte é usada para financiar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Como muitos senadores se mostraram contrários à extinção do Fundo Social, o relator da matéria, Antonio Anastasia (PSD-MG), decidiu excluir o artigo que previa essa extinção, mantendo o Fundo Social. Assim, foi possível aprovar o texto.

Histórico
Em 1996, os Estados exportadores abriram mão do ICMS sobre os produtos agrícolas destinados à exportação, para tornar os produtos nacionais mais competitivos no exterior.

A lei leva o nome do então ministro do Planejamento, Antônio Kandir. Os Estados deveriam ter sido ressarcidos como contrapartida, mas isso não ocorreu.

Em 2003, a Constituição sofreu uma emenda que previa a aprovação de uma lei complementar com critérios para que a União compensasse a perda de arrecadação dos Estados. Dez anos depois, em 2013, a lei complementar ainda não havia sido aprovada.

Foram anos de impasse entre a União e os Estados. Esse impasse foi desfeito após um acordo mediado pelo STF, que determinou o pagamento de R$ 58 bilhões até 2037. A determinação do Supremo consta no PLP 133/2020.

(Com informações da Agência Brasil)

Boulos ameaça o favoritismo do prefeito Bruno Covas em São Paulo

O desempenho de Guilherme Boulos (PSOL) no primeiro debate com Bruno Covas, em São Paulo, aponta para a ascensão de uma nova estrela da esquerda brasileira, que poderá surpreender no segundo turno das eleições municipais, dia 29.

O debate foi promovido pela CNN na noite desta segunda-feira e foi um caso exemplar de disputa política em alto nível.

Covas fez  1,7 milhões de votos (32,85%) no primeiro turno, superando largamente o seu oponente Boulos que fez pouco mais de 1 milhão de votos (20% do total).

O confronto entre os dois no primeiro debate mostrou que não vai ser fácil para Covas, o atual prefeito que disputa a reeleição, manter esse favoritismo.

Tranquilo, articulado, demonstrando conhecimento dos problemas da cidade, Boulos foi incisivo, sem agressividade, nas perguntas e claro e preciso nas respostas.

Mostrou que tem projetos e não pretende fazer uma gestão sectária, se for eleito. O prefeito Bruno Covas, candidato qualificado, sentiu em vários momentos que tem pela frente um osso duro de roer.

Boulos tem ainda um diferencial nesta campanha: a sua candidata a vice, a deputada Luiza Erundina, ex-prefeita da cidade, de 85 anos.

Eleita em 1988, numa campanha surpreendente em que começou com 6% das intenções de voto e acabou batendo dois profissionais de política – o ex-prefeito Paulo Maluf  e o então deputado José Serra.

A atuação de Erundina, que atua há mais de 30 anos nas regiões da periferia da cidade, certamente pesou bastante no desempenho de Boulos no primeiro turno, que começou com 9% das intenções de voto e chegou aos 20% superando nomes tradicionais como Celso Russomano e Mario França.

Neste segundo turno, Boulos terá o apoio do PT, que no primeiro turno concorreu com Gilmar Tatto e obteve 8,6% dos votos.

 

 

 

 

 

Desafio de Manuela e Melo é conquistar os 400 mil que não votaram no primeiro turno

O resultado lógico da eleição municipal em Porto Alegre, no segundo turno, seria uma derrota da candidata Manuela Dávila, do PSOL, frente a Sebastião Melo, do PMDB.

Começa pelo desempenho dos candidatos até aqui.

Manuela que liderou com folga desde o início da campanha, chegou a ter 40% das intenções de voto na reta final do primeiro turno.

O resultado das urnas, que lhe deram 29% dos votos válidos, indica perda de dinamismo numa trajetória que era, até então, ascendente a ponto de alimentar ilusões de liquidar a disputa ainda no primeiro turno.

Seu adversário, ao contrário. Ao longo da campanha patinou em torno dos 10% nas intenções de voto, numa disputa acirrada pelo segundo lugar com José Fortunati, do PTB,  e com o prefeito Nelson Marchezan, do PSDB.

A saída de Fortunati, numa decisão intrigante, para aderir à candidatura Melo, teve o efeito esperado, com a maciça transferência de votos que o levaram aos 31% e à vitória no primeiro turno, ao qual chegou em trajetória ascendente.

Costuma-se dizer que o segundo turno é uma outra eleição, pois o rearranjo de forças pode alterar significativamente o quadro da disputa.

Nesse caso, Sebastião Melo, já favorecido pelos votos do PTB de Fortunati, tende a ampliar o arco de alianças, ganhando o apoio da oito dos 12 partidos que disputaram o primeiro turno. Inclusive parte dos eleitores de Marchezan, que vai ficar neutro, tendem, pela força do anti-petismo, a votar em Melo.

Já Manuela, candidata de um partido pequeno, o PCdo B, tem como base de sua candidatura a força eleitoral do PT, partido do seu vice, Miguel Rossetto. Terá no segundo turno o apoio do PSOL, que no primeiro turno concorreu com Fernanda Melchiona.

A votação de Fernanda Melchiona, cerca de 28 mil votos, comparada ao desempenho dos vereadores do PSOL (os campeões de votos nesta eleição), mostra que parte dos psolistas já praticou o voto útil e votou em Manuela, no primeiro turno.

Em todo caso, são mais de 4%dos votos  que tendem a ir em massa para Manuela, que contará também com a militância dos puxadores de voto do PSOL –  como Karen Santos, Pedro Ruas e Roberto Robaina.

Manuela terá também uma parte dos votos do PDT (6,5% do total), pois os trabalhistas mais à esquerda tendem a não votar em Melo, cujo espectro de alianças inclui até os bolsonaristas da extrema direita.

Essa é a lógica que indica o favoritismo de Melo na eleição do dia 29, em Porto Alegre. No entanto, as disputas eleitorais em segundo turno nem sempre respeitam a lógica.

Uma das razões pelas quais se diz que o segundo turno é uma outra eleição é a chance de um debate mais direto e mais claro entre os dois oponentes, que terão também tempos iguais na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Há que considerar também a influência de fatores externos, como é o caso da eleição em São Paulo, onde Guilherme Boulos, do PSOL, caminha para ser o maior fenômeno eleitoral do país neste segundo turno.

Em todo caso, o desafio principal de ambos será mobilizar os mais de 40% dos eleitores que não foram votar (33%) ou votaram  em branco ou nulo. Esse contingente, que soma mais de 430 mil eleitores, se tivesse votado num único candidato teria ganho a eleição no primeiro turno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PSOL elegeu quatro vereadores em Porto Alegre, inclusive os dois mais votados

Karen Santos, com 15.702 votos,  e  Pedro Ruas, com 14.478 votos – são os campeões desta eleição em Porto Alegre.

Ambos são do PSOL, o partido que, proporcionalmente, mais cresceu na capital gaúcha e que forneceu o fenômeno eleitoral deste pleito: o candidato Guilherme Boulos, que vai disputar a prefeitura de São Paulo no segundo turno com Bruno Covas.

Na Câmara de Porto Alegre, o partido terá quatro representantes,  mesmo número que o PSDB e o PT. Os três têm agora as maiores bancadas do legislativo portoalegrense.

A candidata a prefeita pelo PSOL  em Porto Alegre, Fernanda Melchiona fez 27.994 votos, 4,34% dos votos válidos.

Nesta eleição municipal, Porto Alegre teve número recorde de candidatos ao Legislativo, com 852 postulantes — mais alto número registrado em 20 anos.

Professora da rede estadual e militante contra o racismo, Karen Santos concorreu à Câmara Municipal pela segunda vez. Em 2016, ficou como suplente e assumiu em 2019, após a eleição de Fernanda Melchionna para deputada federal.

Karen era a única vereadora negra nesta legislatura que está se encerrando. Na próxima, que começa em janeiro, os negros vão ocupar cinco cadeiras na Câmara Municipal e, no total dos 36 vereadores, onze são mulheres.

O segundo mais votado, o advogado Pedro Ruas já foi o vereador mais votado em Porto Alegre, em 2012, quando fez 14.610 votos.  Começou no PDT, onde militou por muitos anos. Foi secretário de Obras e Saneamento do governo Olívio Dutra (PT). Em 2015, elegeu-se deputado estadual, mas não conseguiu a reeleição em 2018.

O terceiro eleito pelo PSOL é Matheus Gomes, com  9.869 votos. Aos 29 anos, é historiador, negro e ativista do movimento social há mais de uma década. Em 2018, deixou o PSTU e candidatou-se a deputado estadual em pelo PSOL, mas não foi eleito. Defende as mobilizações populares e o movimento negro.

O quarto eleito pelo PSOL é Roberto Robaina, com 5.105. Formado em História, com mestrado e doutorado em Filosofia, é fundador do PSOL. Deixou o PT em 2003, quando parlamentares da sigla foram expulsos pelo comando nacional. Foi eleito para o primeiro mandato em 2016, quando conquistou cadeira de vereador em Porto Alegre.

Nesta eleição municipal, Porto Alegre teve número recorde de candidatos ao Legislativo, com 852 postulantes — mais alto número registrado em 20 anos. As maiores bancadas ficaram com PSOL, PT e PSDB, com quatro vereadores cada.

Veja a lista dos demais eleitos para a Câmara de Porto Alegre:

Felipe Camozzato (Novo) –  14.279 votos.
Administrador formado pela UFRGS, foi integrante da Banda Loka Liberal, grupo que se destacou na campanha contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Está no segundo mandato.

Comandante Nadia (DEM) –  11.172 votos
Reeleita para o segundo mandato. É tenente-coronel da reserva da Brigada Militar. Implementou e coordenou a Patrulha Maria da Penha no RS. Era filiada ao MDB e integrou o secretariado de Marchezan, antes de filiar-se ao DEM.

José Freitas (Republicanos) –  5.929 votos
Reelege-se para o terceiro mandato, aos 53 anos. Foi secretário de segurança municipal no governo de José Fortunati. É presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Porto Alegre.

Alvoni Medina (Republicanos) –  5.720 votos
Ligado à Igreja Universal, foi eleito vereador pela primeira vez em 2016, com 7.712 votos. É relator da comissão que analisa o impeachment de Nelson Marchezan (PSDB).

Leonel Radde (PT) –  5.611 votos
Policial civil e integrante do movimento antifascista. Concorreu a deputado estadual em 2018, mas não se elegeu. Este será seu primeiro mandato.

Mauro Zacher (PDT) –  5.520
Economista, se elegeu pela primeira vez em 2004, aos 28 anos.  Foi reeleito em 2008 e 2012. Em 2013, assumio a Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). Reeleito em 2016, chega agora ao seu quarto mandato.

Laura Sito (PT) –  5.390 votos
Servidora pública de 29 anos, concorreu a deputada estadual em 2014, ficou na suplência. Ficou também suplente de vereadora em 2016. Jornalista, defende os direitos da mulher, dos negros e da população LGBT. É a segunda vice-presidente do PT de Porto Alegre.

Bruna Rodrigues (PCdoB) –  5.366 votos
Aos 33 anos, já concorreu para deputada federal em 2018, sem êxito. Feminista e militante antirracista. É seu primeiro mandato como vereadora.

Psicóloga Tanise Sabino (PTB) –  5.205 votos
Psicóloga e natural de Porto Alegre, vai para o seu primeiro mandato na Câmara Municipal.Foi secretária adjunta na Secretaria Municipal de Planejamento Estratégico e Orçamento.

Jonas Reis (PT) – 5.133 votos
Professor municipal e doutor em educação, é estreante nas eleições. Tem 32 anos, foi diretor-geral do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa).

Kaká D’ávila (PSDB) –  5.101 votos
Foi suplente de vereador na eleição de 2016. Desde então, trocou o PP, seu antigo partido, pelo PSDB. Com 38 anos, se notabilizou por promover uma ação chamada “delivery de currículos”, onde ele ajuda pessoas que querem achar um emprego.

Mauro Pinheiro (PL)-  4.947 votos
Vai para o quarto mandato como vereador na Capital. Tentou duas vezes se eleger como deputado estadual, mas ficou como suplente. Já foi filiado ao PT, época em que presidiu a Câmara Municipal (2015).

Fernanda Barth (PRTB) –  4.909 votos
Aos 48 anos, é mestre em Ciência Política, palestrante e jornalista. Foi suplente de vereadora na eleição de 2016 e de deputada estadual em 2018. Entre essas eleições, migrou do PP para o Novo e, por último, para o PRTB.

Alexandre Bobadra (PSL) –  4.703 votos
Tentou a Câmara Federal em 2018, ficou como suplente. Conta com o apoio de um dos filhos do presidente Bolsonaro (Eduardo). Vai para seu primeiro mandato na Câmara de Vereadores.

Moisés Barboza Maluco do Bem (PSDB) –  4.703 votos
Suplente de vereador em 2016, assumiu o mandato com a ida de Ramiro Rosário para o secretariado de Marchezan. É o criador da ação social Malucos do Bem, dedicada a ações solidárias e de mobilização em comunidades.

Aldacir Oliboni (PT) –  4.612 votos
Foi diretor do Sindisaúde e presidente da Associação dos Servidores do Hospital São Lucas da PUCRS. Foi deputado estadual e está no quarto mandato como vereador. É líder da bancada do PT na Câmara.

Ramiro Rosário (PSDB) –  4.471 votos
Foi eleito vereador em 2016 e comandou a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de 2017 a 2020. É um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) no Rio Grande do Sul.

Mônica Leal (PP) –  4.140 votos
Vereadora, foi presidente da Câmara Municipal e secretária da Cultura do governo Yeda Crusius. Formada em Jornalismo e pós-graduação em Ciência Política. Em 2006, foi candidata do PP ao Senado e ficou em terceiro lugar.

Cláudia Araújo (PSD)- 4.071 votos
Formada em Gestão Pública, é reconhecida por mais de uma década de trabalho voluntário. Tem como principais bandeiras educação, acessibilidade, saúde pública e inclusão. Em 2016, acabou ficando como suplente, mas assumiu como titular.

Marcio Bins Ely (PDT) – 4.002 votos
Advogado e corretor de imóveis, já foi secretário municipal de Esportes, Recreação e Lazer e do Planejamento. É presidente do Creci-RS. Tentou ser deputado estadual em 2018, mas acabou como suplente.

Jesse Sangalli (Cidadania) – 3.814
Elegeu-se vereador em Viamão pela primeira vez em 2016. É líder comunitário e agente de segurança no Tribunal Regional do Trabalho. Promete doar metade do salário para a saúde e projetos sociais, além de fiscalizar semanalmente hospitais e postos de saúde.

Daiana Santos (PC do B) – 3.715 votos
Militante de movimentos sociais de mulheres, negros, saúde e comunidade LGBT. Idealizadora e coordenadora do Fundo das Mulheres POA, que atende chefes de família em situação de vulnerabilidade.

Ferronato (PSB) – 3.684 votos
Elegeu-se para o sexto mandato. Contador, professor e auditor fiscal aposentado, foi líder da bancada do PSB nos três primeiros anos da última legislatura e líder do governo até abril de 2015. Presidiu o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) de 2001 a 2004.

Mariana Pimentel (Novo) – 3.637 votos

De 33 anos, é administradora e mestre em Finanças pela UFRGS. Tem a educação e o empreendedorismo como principais bandeiras. Eleita vereadora pela primeira vez.

Cassiá Carpes (PP) – 3.492 votos
Foi jogador e treinador de futebol, tendo comandado o Grêmio no título do campeonato Gaúcho de 1993. Na política, foi deputado estadual e vereador, cargo para o qual está reeleito.

Cezar Schirmer (MDB) – 3.484 votos
Foi secretário de Estado em diferentes governos de seu partido – a última passagem foi pela Segurança (José Ivo Sartori). Também foi deputado estadual e federal, além de vereador e prefeito de Santa Maria por duas vezes. Eleito para o primeiro mandato de vereador em Porto Alegre.

Giovane Byl (PTB) – 3.440 votos
Aos 31 anos, é vereador suplente em Porto Alegre. Em 2016, concorreu pelo Solidariedade e, em 2018, se candidatou a deputado estadual pelo mesmo partido. Em sua campanha, descreve-se como líder comunitário há uma década e cristão. É também rapper e skatista.

Gilson Padeiro (PSDB) – 3.404 votos
Padeiro de 54 anos, vai para o primeiro mandato na Câmara. Nas últimas três eleições municipais (2008, 2012 e 2016), acabou ficando como suplente, quando ainda era filiado ao PPS.
Hamilton Sossmeier (PTB) – 3.299 votos
Formou-se em Gestão Financeira e tem 58 anos. Ficou como suplente de vereador em 2016, mas assumiu a cadeira. Envolveu-se na política pela Juventude Democrática Social (JDS). A área social é uma de suas bandeiras. É presidente da comissão que analisa o impeachment de Marchezan.

Idenir Cecchim (MDB) – 3.110 votos
Administrador de empresas, foi secretário de Estado e do município. Está eleito quarto mandato como vereador em Porto Alegre. Atualmente, é presidente da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul e líder da Bancada do MDB. Em 2010, ficou como suplente de deputado estadual.

Lourdes Sprenger (MDB) – 2.522 votos
Militante da causa animal, foi eleita vereadora de Porto Alegre pela primeira vez em 2012. Agora, vai para o terceiro mandato.

Claudio Janta (Solidariedade) – 2.394 votos
Aos 50, chega ao terceiro mandato de vereador. Comerciário, em 2004 assumiu a secretaria-geral do sindicato da categoria na Capital. Em 2008, esteve na presidência da Força Sindical no Estado, onde também atua como dirigente nacional. Candidatou-se a deputado federal, sem êxito em 2018.

Derrota dos candidatos apoiados por Bolsonaro acende o alerta para 2022

O fiasco de Celso Russomano, quarto colocado na eleição em São Paulo, é demonstração mais clara do desgate que o presidente Jair Bolsonaro sofreu nestes dois anos de governo.

Candidato do Republicanos, Russomano liderava no início da campanha, quando teve o apoio explícito de Bolsonaro, empenhado em derrotar o candidato Bruno Covas, do PSDB,  aliado do governador João Dória.

Na reta final, Russomano começou a despencar, repetindo a trajetória das eleições de 2012 e 2016, quando saiu na frente e derreteu pelo caminho.

Para se desvincular do desgaste do presidente – principalmente por causa de suas manifestações negacionistas em relação á pandemia – Russomano parou de mencionar o apoio de Bolsonaro e até suprimiu as fotos em que ambos apareciam juntos.

Não adiantou, acabou com pouco mais de 10% dos votos, superado largamente por Guilherme Boulos, do PSOL, que chegou a 22% e vai para o segundo turno, consagrado com o desempenho mais surpreendente desta eleição.

Em Belo Horizonte, outra eleição que Bolsonaro tentou influenciar, o prefeito Alexandre Kalil, do PSD, se reelegeu no primeiro turno com 63% dos votos válidos, enquanto o bolsonarista Bruno Engler (PRTB) não passou dos 10%.

O mesmo aconteceu no Ceará, onde Oscar Rodrigues (MDB), que recebeu apoio de Bolsonaro em Sobral, um dos maiores colégios eleitorais do Estado, e foi derrotado por Ivo Gomes (PDT), irmão do presidenciável Ciro Gomes. Ivo Gomes se reelegeu no primeiro turno com 59% dos votos.

Nas seis capitais em que Bolsonaro deu apoio explícito a candidatos, quatro deles cairam no primeiro turno e os dois que ainda permanecem na disputa – Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza, e Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, estão em desvantagem.

No Rio, base eleitoral de Bolsonaro, o prefeito Marcelo Crivela  fez 21% dos votos, enquanto o favorito Eduard Paes, do DEM, superou os 37%. Os dois vão disputar o segundo turno, mas as chances de Crivela, que tem a maior rejeição, são reduzidas.

No total, entre capitais e cidades do interior Bolsonaro chancelou explícitamente  13 candidatos a prefeito. Apenas dois – Mão Santa (DEM), prefeito reeleito em Parnaíba (PI), e Gustavo Nunes (PSL), que ganhou em Ipatinga, se sairam bem.

Bolsonaro tratou de minimizar as derrotas. Em publicação nas redes sociais após os resultados, ele disse que sua ajuda aos candidatos “resumiu-se a 4 lives num total de 3 horas”, e alegou que “partidos de esquerda sofreram uma histórica derrota”,

Para cientistas políticos, os resultados indicam um acelerado desgaste na imagem de Bolsonaro, que dificilmente poderá ser recuperado até a eleição de 2022, quando o presidente pretende tentar a reeleição