Mais antigo diário do RS chega aos 130 anos apostando no futuro digital

Jornal com mais tempo em circulação diária no Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do Brasil, o “Diário Popular”, de Pelotas, completa 130 anos neste mês de agosto.

Enfrenta uma crise sem precedentes em sua edição impressa, enquanto busca no meio digital um caminho para o futuro.

“Temos que repensar o jornalismo. Hoje, visamos a qualidade da informação e a interação com o público, não é mais uma simples corrida pelo furo”, diz o editor chefe Jarbas Tomaschewsk.

O jornal se empenha em usar e entender as ferramentas da comunicação moderna para aproximar-se de um novo público leitor.

Atualmente, 85% do conteúdo do seu site, criado em 1999, é acessado via smartphones. Neste ano, o site alcançou até julho 3,7 milhões de acessos.

Uma média de 500 mil acessos por mês e com 80% de novos visitantes. Parece bom, mas longe de sustentar solidamente uma estrutura jornalística profissional.

Há investimentos nas redes sociais e uma abertura de conteúdo do site, com a transição de modelo paywall (com conteúdo acessado apenas por assinantes), para um acesso liberado na maioria das notícias, numa tentativa de reposicionar o Diário Popular em sítios de buscas, como o Google. É uma aposta da direção, atualmente comandada pela superintendente Virgínia Fetter.

No Facebook foi criado há um ano o canal da Comunidade, grupo que serve como divulgação e discussão de fatos da cidade. Segundo o DP, as redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn), possuem mais de 360 mil seguidores.

Outras formas de atrair leitores são mais tradicionais, como o Clube Premium, o velho é bom cupom de descontos para o assinante no comércio local. E ainda há uma base de assinantes do impresso, mas que diminui ano a ano, apesar do jornal ainda circular em 23 municípios da Zona Sul.

Enquanto no jornal impresso a faixa etária da maioria dos leitores fica acima dos 35 anos, a maioria dos visitantes do portal de notícias está na casa entre 25 e 34 anos.

Fim da gráfica própria

A gráfica fo desativado no último mês de abril. Reprodução

Se no meio digital o Diário Popular se equilibra, o modelo impresso sofre uma grande transformação. Desde 24 de abril passado, foi fechada a gráfica do jornal. Para se ter a noção da sua importância, o nome oficial da empresa é Gráfica Diário Popular Ltda, localizada há décadas na Rua XV de Novembro, bem no Centro de Pelotas.

Sede do Jornal, na rua XV de novembro, centro de Pelotas. Arquivo DP

O parque gráfico, que já contou com mais de 200 funcionários e há vinte anos ainda imprimia edições com mais de 100 páginas, demitiu seus últimos 23 trabalhadores em março.

A diretora lembra que o processo foi adiado por anos, na tentativa de preservar empregos. Mas a queda da publicidade chegou a um ponto irreversível. “Infelizmente, não tivemos como realocá-los em outros setores, uma vez que eles atuavam há anos no industrial, o que desativamos”, lamenta.

Com isso, o Diário Popular passou a ser impresso na gráfica Uma, do grupo RBS, e passa a aumentar o número de páginas coloridas.

A importância do jornal se consolidou junto com o desenvolvimento do parque gráfico na cidade de Pelotas, na primeira metade do século XX.

Sendo uma região portuária, próxima ao porto de Rio Grande, viu chegar máquinas e novas tecnologias e, também, possibilitou a aquisição de papéis e tintas advindos da França, Inglaterra e outros países europeus.

O Diário Popular otimizou a produção gráfica de periódicos, em Pelotas, através da aquisição de máquinas, motores e tipos móveis e aos poucos o processo de impressão passou a ser mais rápido, possibilitando a prestação de serviços a outros jornais e empresas da região.

Mas adquiriu muito de seu maquinário já usado, de outras empresas. Como um exemplo, a máquina Marinoni, fabricada na França, comprada em 1938 pelo jornal, imprimiu primeiramente o jornal La Prensa, posteriormente A Noite (RJ), e ainda o jornal A manhã de Porto Alegre, para então chegar ao Diário Popular.

Entre os anos 40 e 60, além do DP, havia uma edição vespertina, chamada Opinião Pública. Em 1984 o jornal adquiriu novo maquinário, com uma impressora rotativa “off-set”. Agora, no ano da pandemia, chegou ao fim a história da centenária gráfica.

De Simões Lopes Neto a OVNIs na Lagoa dos Patos

Nestes 130 anos, as páginas do Diário Popular já contaram muitas histórias e a trajetória da região sul do estado.

O impresso foi fundado por Theodósio Menezes, em 27 de agosto de 1890, sob forte supervisão do coronel Pedro Osório, chefe do Partido Republicano Rio-grandense local. Até a década de 30, o jornal foi um veículo do partido.

A identificação do jornal como órgão republicano em seus primeiros anos. Acervo da Biblioteca Pública de Pelotas

Ainda nos seus primeiros anos, além da doutrinação partidária, possuiu colunas literárias e crônicas.

Entre os colunistas estava o escritor Simões Loes Neto, que no DP escreveu “Balas de Estalo”, crônicas e comentários satíricos sobre a sociedade pelotense em forma de versos e alguns trabalhos que mais tarde fariam parte da coletânea dos Contos Gauchescos.

Desses primeiros anos também reza a lenda que o jornal era “impresso em um galinheiro”.  Isso porque a “impressora usada na época teria sido usada como poleiro de galinhas numa fazenda nos arredores da cidade”.

Até 1930 o jornal servia como porta-voz do Partido Republicano, colaborando na campanha de Getúlio Vargas e apoiando a tomada de poder do gaúcho no Rio de Janeiro.

Com o encerramento das atividades do banco Pelotense, em 1931, que era o principal financiador do partido, e do jornal, o DP teve que mudar sua postura, adotando um viés mais comercial e noticioso, e menos opinativo.

Anúncio do banco pelotense da década de 20. Acervo da Biblioteca Pública de Pelotas

Desde 1938, o DP pertence a uma sociedade por quotas. Os principais societários são da família Fetter, pecuaristas e políticos da região. Até hoje a família detêm a maioria do capital. A atual diretora, Virgínia Fetter, é da terceira geração da família a frente do jornal.

Entre milhares de histórias, o jornal viu nascer a Fenadoce, em 1986, hoje principal evento turístico da cidade. E teve coberturas curiosas. Em 1996 foi o primeiro a noticiar o caso Westendorff, relato feito pelo empresário e piloto Haroldo Westendorff, que teria visto uma gigantesca pirâmide flutuante sobre a Lagoa dos Patos. “O objeto tinha uma base do tamanho de um estádio de futebol, com a forma de um cone. O aviador e pessoas do centro de controle de voos dizem ter vido o OVNI”, lembra o editor Jarbas, na época repórter que cobriu o caso.

Capa do Dário sobre a tragédia do Brasil de Pelotas, janeiro de 2009. Reprodução do acervo do DP

Já em 2010, a história foi trágica, um acidente com ônibus do clube de

futebol Brasil de Pelotas, ocorrido às 23h30 na noite de 15 de janeiro de 2009, que deixou três mortes, entre ele o maior ídolo do clube, o uruguaio Cláudio Millar.

E agora mais uma nova etapa a ser cumprida, com a cobertura da pandemia do coronavírus. “O impresso não será mais o mesmo, mas esperamos continuar contando a nossa história”, diz Jarbas.

Edição de 1928. Acervo Biblioteca Pública de Pelotas
Edição de 27/08/1940. Acervo DP
Edição de 27 de agosto de 2009. Reprodução

Tribunal de Contas adia decisão sobre concessão do Mercado Público

A Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) adiou o julgamento do recurso da Prefeitura de Porto Alegre para manter o edital  de concessão do Mercado Público Central à iniciativa privada.

A decisão estava prevista para esta terça (11), mas “devido à complexidade da matéria”, a conselheira substituta Heloisa Tripoli Goulart Piccinini pediu vista do processo após o conselheiro Alexandre Postal divergir do relator.

Postal votou por acolher o recurso da Prefeitura, para permitir a que a licitação, em andamento, seja concluída.

No entendimento do prefeito Nelson Marchezan a concessão do Mercado Público a um gestor privado não precisa passar pela Câmara Municipal.

O relator do processo no TCE, conselheiro Cezar Miola, sustentou o oposto, com base em jurisprudência firmada nos tribunais superiores.

Segundo Miola, o requisito (de aprovação pela Câmara) inclusive explicitado na Lei Orgânica do Município, sendo incorreta a interpretação dada pelo município à referida norma.

Ao final, reforçou a importância da submissão da matéria à Câmara de Vereadores, representantes da sociedade, uma vez que “(…) não se está cedendo apenas a utilização e exploração de um bem público, mas também compartilhando a tutela, a promoção e a garantia de direitos ligados à preservação do patrimônio histórico e cultural de Porto Alegre”.

O TCE-RS suspendeu a licitação a partir da entrega dos envelopes contendo os documentos de habilitação e as propostas dos interessados, realizada no dia 31 de julho.

A decisão, embora proferida em grau recursal, é ainda liminar e pode ser revertida ao final do processo.

A expectativa é de que o recurso seja julgado na próxima terça-feira, 18.

Protesto pede cancelamento da privatização

Um grupo se reuniu no Largo Glênio Peres nesta terça-feira, em evento denominado Tamboraço. A manifestação, com as pessoas usando máscara, pediu o cancelamento do processo de concessão do Mercado.

Ato diante do Mercado público | Foto: Divulgação/A.I Sofia Cavedon

O protesto contou com a presença de integrantes da Associação dos Permissionários do Mercado Público, e alguns políticos opositores do governo municipal, como a deputada estadual Sofia Cavedon, presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa, e a pré-candidata a prefeitura de Porto Alegre Manuela D’Ávila.

 

SOB PRESSÃO: Governador cede a prefeitos controle do distanciamento nas regiões

O governador Eduardo Leite definiu como  “um passo à frente” no combate à pandemia o acordo que assinou nesta segunda-feira (10/8) com a Federação das Associações de Municípios (Famurs), para a gestão compartilhada do modelo de Distanciamento Controlado.

Na verdade, é um passo atrás.

Foi a pressão dos prefeitos que levou o governador a rever as regras, deixando liberdade para as regiões decidirem o nível de isolamento que vão adotar.

Dentro dos princípios estabelecidos pelo governo estadual e com sua anuência às decisões, claro. Mas o governador cedeu (“foi sensível”, na linguagem palaciana) e vai dividir com os prefeitos o ônus e o bônus do enfrentamento à covid.

Leite acredita que “o momento mais difícil tenha passado” e que a estabilidade no número de casos nos últimos dias permite “ajustar o modelo” para ter “uma melhor adesão (dos municípios) ao distanciamento”

“Para melhor conciliar a atividade econômica com a garantia de proteção à saúde das pessoas”, explicou o governador.

As alterações já são válidas já para a 14ª rodada do modelo, que vigente esta semana.

Protocolos mais brandos

O modelo de Distanciamento Controlado seguirá rodando para classificar o risco epidemiológico de cada região, sempre às sextas-feiras, com base nos dados compilados às quintas-feiras.

A partir da classificação, associações regionais poderão adotar protocolos mais brandos à bandeira na qual estão classificados, mas no mínimo iguais à bandeira anterior (região classificada em vermelha adota protocolos da bandeira laranja, por exemplo, e, no caso de preta, as regras mínimas da bandeira vermelha).

Para a elaboração de um protocolo específico para a região, será necessária a criação de comitês científicos regionais de combate à Covid-19.

Cada associação regional poderá criar um protocolo. Inicialmente, o governo do Estado defendia que a concordância entre os prefeitos de cada região fosse unânime. Depois de ponderações feitas pelos próprios chefes de Executivo municipais, o Gabinete de Crise determinou que o protocolo mais brando à bandeira de risco poderá ser adotado se tiver maioria absoluta (ou seja, 2/3 dos prefeitos de cada região Covid).

“Esses protocolos terão de obedecer aos quatro níveis das bandeiras (amarela, laranja, vermelha e preta) já estabelecidas. Não será possível definir protocolos distintos desses níveis de risco, como protocolos intermediários. O importante é que a decisão seja tomada de acordo por pelo menos 2/3 dos prefeitos de cada região. Isso é importante porque garante o princípio de solidariedade e da integração do sistema de saúde. Por isso, as regiões precisam ter o compromisso de adotar um conjunto de medidas que garantam que o vírus não se propague a ponto de comprometer o sistema hospitalar da região”, detalhou Leite.

As regiões que estabelecerem protocolos alternativos deverão enviá-lo, acompanhado dos documentos e justificativas que embasam as medidas adotadas, ao Estado, por meio eletrônico. “Os prefeitos deverão informar qual é o protocolo e no que diverge dos protocolos estabelecidos pelo Estado para garantir que estão de acordo com nosso decreto e que não são menos restritivos que a bandeira anterior”, esclareceu o governador.

O protocolo alternativo deve ser enviado ao Estado até 48 horas antes de entrar em vigor. Por exemplo, se a região enviar o protocolo até esta terça-feira (11/8), às 12h, a mudança entrará em vigor na quinta-feira (13/8), às 12h – a menos que o governo vete algum dos protocolos propostos pela região. O plano regional será disponibilizado ao público, para facilitar a fiscalização por parte de órgãos de segurança e do Ministério Público.

As regiões, no entanto, que preferirem seguir o modelo de Distanciamento Controlado poderão fazê-lo, com as decisões sendo mantidas no formato atual. A instância recursal ao mapa preliminar e a Regra 0-0, que permite adoção de protocolos de bandeira laranja em cidades que passaram os últimos 14 dias sem internações e sem óbitos por Covid-19, seguirão valendo para todas as 21 regiões.

(Com informações e foto da Assessoria de Imprensa)

CRISE AMERICANA: Saques em Chicago, susto em Trump na Casa Branca

A mídia tem sido cautelosa, mas alguns fatos que parecem isolados podem ser o sinal de que algo muito inusitado está fermentando nos Estados Unidos nestes tempos de pandemia.

Uma sucessão de eventos intrigantes vem se acumulando desde que um policial branco matou o negro George Floyd entrelaçando a questão racial e a agitação social com a tensão e as incertezas trazidas pela Covid-19.

Na tarde desta segunda-feira, 10 de agosto, o presidente Donald Trump  foi retirado às pressas de uma entrevista coletiva. “Temos tiros disparados do lado de fora”, disse a Trump, em voz baixa, o agente do serviço secreto que o retirou local.

“Foi interrompido no meio da frase”, segundo a correspondente do NYT.

Trump voltou em seguida e disse que “um suspeito estava armado nas imediações”. “Pode não ter nada a ver comigo”, explicou ao retomar seu briefing diário sobre o coronavírus.

O Serviço Secreto confirmou “um tiroteio envolvendo um oficial” perto da Casa Branca, sem dar maiores detalhes. Os jornais foram discretos.

Horas antes, a mil quilômetros da Casa Branca, centenas de pessoas mobilizadas pelas redes sociais marcharam para o Magnificent Mile, o bairro comercial mais famoso de Chicago, “o coração reluzente da cidade”.

Quebraram vitrines, saquearam lojas e entraram em confronto com a polícia. Mais de 100 pessoas foram presas, duas foram baleadas e 13 policiais ficaram feridos.

Aparentemente não há relação causal entre estes dois eventos, mas é inegável que por trás deles está uma crise que se aprofunda na esteira da Covid e cujo desfecho ainda não é previsível – a não ser por aqueles que acreditam que passada a pandemia tudo voltará ao normal.

A queda de 32% no PIB americano no segundo trimestre deste ano, os 40 milhões de desempregados, o crescimento da pobreza absoluta, o poder nas mãos de um presidente errático – completam o cenário de instabilidade que mina os alicerces do Império do Norte.

As eleições de novembro podem ser cruciais para a maior potência do planeta.

Hong Kong: polícia invade jornal e prende o dono acusado de conluio com os EUA

Jimmy Lai, magnata da mídia e mais seis pessoas de seu grupo foram presos em Hong Kong sob a acusação de violar a nova lei de segurança nacional, que entrou em vigor em junho.

A empresa de Lai, a Next Digital, publica o Apple Daily, jornal que critica agressivamente o governo de Hong Kong e a liderança chinesa.

O jornal transmitiu ao vivo imagens de vídeo de mais de 100 policiais invadindo a sede da Next Digital na manhã desta segunda-feira.

Lai, de 72 anos, está sendo acusado de “conluio com um país estrangeiro ou elementos externos”, segundo o seu próprio jornal.

Dois filhos de Lai também foram presos. Eles estavam sendo investigados por violações do código de negócios da empresa.

A prisão de Lai e as crescentes restrições à imprensa crítica são os sinais mais evidente de que as autoridades chinesas estão dispostas a aumentar a repressão e esvaziar o movimento que contesta a ingerência chinesa no território, regido por legislação especial.

Segundo o correspondente do NYT, depois da nova Lei de Segurança Nacional, muitos ativistas estão “lutando para apagar suas pegadas digitais de mensagens que anteriormente expressavam apoio à democracia no território”.

Lojas e pequenos comerciantes também retiraram cartazes de apoiando ao movimento pela democracia.

Lai já havia sido preso em fevereiro por participar de uma vigília não autorizada para marcar o aniversário da repressão da Tiananmen por Pequim em 1989.

No ano passado, ele foi a Washington encontrar-se com o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado Mike Pompeo. Lai disse anteriormente que acreditava que a nova lei seria usada contra ele.

A agência Nova China informou que “Jimmy Lai Chee-ying e outros seis foram presos na manhã de segunda-feira por suspeita de violação da lei de segurança nacional na Região Administrativa Especial de Hong Kong”.

De acordo com a Polícia de Hong Kong, os presos, com idades entre 39 e 72 anos, sao suspeitos “de cumplicidade com forças estrangeiras e conspiração com o intuito de cometer fraudes e sedições”.

Segundo a agência estatal chinesa, Jimmy Lai é “um incitador de tumultos em Hong Kong”.

No ano passado, a mídia estatal chinesa o citou como um dos membros da “Gangue dos Quatro” que conspira contra Pequim.

O ativista e legislador Eddie Chu Hoi-dick acusou o Partido Comunista Chinês de querer fechar o Apple Daily, e disse que a prisão de Lai foi “o primeiro passo de [um] apagão da mídia de Hong Kong”.

Depois de sua prisão, Lai foi conduzido, algemado, pela redação do Apple Daily, enquanto centenas de policiais entravam no prédio, confiscando documentos e vasculhando casualmente papéis nas mesas dos jornalistas.

A polícia proibiu várias organizações de notícias, incluindo Reuters, Agence France-Presse, a Associated Press de participar de uma entrevista coletiva sobre a busca.

O chefe da associação de jornalistas de Hong Kong, Chris Yeung, disse que a operação foi “horrenda”. Claudia Mo, uma legisladora pró-democracia e ex-jornalista, disse que ficou mais surpresa com a operação do que com a prisão. “Eles estão enviando um sinal de alerta claro para a mídia de Hong Kong, além de qualquer mídia estrangeira estacionada aqui, para se comportar, para tomar cuidado.”

“Acho que esse é o dia em que você pode dizer que foi o dia em que a liberdade de imprensa morreu oficialmente”, disse Keith Richburg, veterano correspondente e agora chefe da escola de mídia da Universidade de Hong Kong,

A operação policial marcou a primeira vez que a nova lei de segurança foi usada contra a mídia em Hong Kong, que historicamente tem um alto nível de liberdade de imprensa.

No mês passado, o New York Times anunciou que estava transferindo parte de seu escritório de Hong Kong para a Coreia do Sul, e vários meios de comunicação reclamaram que os vistos de jornalistas estrangeiros não foram renovados.

Autoridades chinesas e de Hong Kong prometeram que a lei de segurança não afetaria as liberdades civis da cidade, incluindo sua imprensa independente. “A ação policial de hoje abala essas garantias”, disse o Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong em um comunicado.

Benedict Rogers, co-fundador e presidente da Hong Kong Watch, disse que a prisão de Lai “envia a mensagem de que não ninguém está seguro em Hong Kong, a menos que fique completamente silencioso”.

As prisões geraram especulações de que se tratava de retaliação às sanções dos EUA contra altos funcionários de Hong Kong , incluindo a executiva-chefe, Carrie Lam.

As acusações de conluio estrangeiro contra Lai foram, pelo menos em parte, motivadas por suas reuniões e apoio de figuras importantes dos EUA, incluindo o secretário de Estado, Mike Pompeo.

Em resposta às sanções dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores da China disse na segunda-feira que aplicaria sanções a 11 autoridades americanas, incluindo os senadores Ted Cruz, Marco Rubio, Josh Hawley, Tom Cotton, Pat Toomey e o congressista Chris Smith.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, condenou os EUA por sua “interferência flagrante” nos assuntos internos da China.

Na tarde de segunda-feira, o preço das ações da Next Digital, controladora do Apple Daily de propriedade de Lai, havia subido mais de 300%, depois que alguns analistas disseram que comprariam em apoio a Lai e em protesto contra sua prisão.

Quase não houve negociações para a Next Digital, listada em Hong Kong na sessão da manhã, mas o preço das ações da empresa subiu na sessão da tarde.

“Pode haver alguns investidores comprando Next Digital para enviar a mensagem de que embora Lai tenha sido preso pela polícia local, a empresa permanecerá intacta nos negócios”, disse Liang Haiming, presidente do China Silk Road.

De acordo com dados divulgados pela Next Digital, a empresa registrou um prejuízo de HK $ 415 milhões em 2019. Estima-se que a empresa acumula um prejuízo de mais de HK $ 2,7 bilhões nos últimos 10 anos, com perdas de assinaturas e redução nas vendas de publicidade.

Lai e seus companheiros da Next Digital são acusados ​​de agir contra a China e tentar separar Hong Kong de sua pátria em nome da busca pela “liberdade das notícias”.

(Com informações do NYT, Guardian, Xinhua e Global Times)

Associações colhem assinaturas para Frente Parlamentar no Congresso em defesa dos jornais do interior

Associações de jornais do interior já estão colhendo as 172 assinaturas necessárias à formação de uma Frente Parlamentar em defesa das empresas municipais de comunicação, duramente atingidas  pela crise econômica decorrente do coronavirus.

O movimento foi deflagrado na quarta-feira, 4, em reunião virtual com os presidentes das Associações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Recife.

A lista de assinaturas já circula em Brasilia a partir do gabinete do deputado Carlos Chiodini (MDB/SC), organizador da frente.

Mais de 30 jornais impressos, médios e pequenos pararam de circular este ano segundo a Associação Nacional de Jornais.

A internet, que desviou verbas e leitores dos jornais, está decretando o fim dos impressos. Ao mesmo tempo, não gera receita suficiente para as empresas. A recessão econômica com a pandemia é a pá de cal para muitos.

Jair Francisco de Souza, Adjori RS, Carlos Balada, Adjori SP, José Alberto Dechamp, Adjori SC e Cláuduio Vasconcelos do SE, participaram da primeira reunião virtual com o deputado Carlos Chiodini, organizador da frente.

Câmara aprova abertura de impeachment de Marchezan por gastos da saúde com publicidade

Em sessão virtual extraordinária realizada na tarde desta quarta-feira (5/8), a Câmara Municipal de Porto Alegre acolheu, com 31 votos favoráveis e quatro contrários, pedido de impeachment do prefeito Nelson Marchezan Júnior.

Os votos contrários foram apresentados pelos vereadores Mauro Pinheiro (PL), Ramiro Rosário (PSDB), Airto Ferronato (PSB) e Cláudio Conceição (PSL). O presidente da Casa, Reginaldo Pujol (Dem), não votava nesta matéria, pela exigência de maioria simples.

Logo após a admissão do pedido, por sorteio, os vereadores Hamilton Sossmeier (PTB), Alvoni Medina (Republicanos) e Ramiro Rosário (PSDB) foram escolhidos para organizar e instalar a Comissão Processante, o que deverá ser feito em até cinco dias úteis. Ao ser instalada, a comissão terá um prazo de 90 dias para seus trabalhos e, ao final, um relatório deverá apontar a necessidade ou não de impeachment do prefeito, conforme as denúncias apuradas. O impeachment, no entanto, somente ocorrerá se o relatório indicar este ato e receber 24 votos favoráveis do plenário.

Prefeito teria usado mais de R$ 3 milhões do fundo em publicidade

O uso de recursos do Fundo Municipal de Saúde para pagamento de gastos com publicidade é a base para as denúncias encaminhadas a Câmara Municipal. Nair Berenice da Silva, Andrea Glashester Pires Weber, Carlos Frederico Brandt e Fernanda da Cunha Barth assinam a solicitação de instauração de Comissão Processante, e sugerem que dados disponíveis no Portal Transparência do Executivo mostram ter o prefeito autorizado a aplicação de R$ 2.414.465,14 deste fundo em despesas de divulgação publicitária.

Além da verba citada acima, Silva, Weber, Brandt e Barth afirmam igualmente no documento que Marchezan Júnior autorizou a retirada total de R$ 3.122.799,40 deste fundo para o pagamento de material publicitário e que os valores foram utilizados não apenas com órgãos de imprensa da capital, mas também “além dos limites do Município de Porto Alegre”, fato este que sugerem seja averiguado pela Comissão Processante.

Conforme os signatários “atos de gestão são uma questão de escolha da administração que ocupa o Paço Municipal”. Porém, eles afirmam que nada pode justificar, ante o Estado de Calamidade causado pela pandemia do coronavírus-19, “o desvio de finalidade de verba pública direcionada por lei exclusivamente à saúde que, na atualidade, deixou de ser aproveitada para a compra de materiais permanentes como ventiladores pulmonares, ou até mesmo leitos junto à rede hospitalar privada, para ser utilizado com publicidade”.

Nesta legislatura, este foi o sexto pedido de impeachment do prefeito Nelson Marchezan Júnior. Todos os anteriores foram arquivados.

Em ofício enviado para os vereadores, o prefeito Marchezan diz que os recursos para saúde recebidos pelo município são depositados no Fundo Municipal, e que os gastos em publicidade estariam inclusos nisso. Marchezan lembra no ofício que o Legislativo teria autorizado teto de R$5,9 milhões para publicidades em saúde no orçamento de 2020.

Além do pedido de impedimento, há ainda ao menos outras três representações levadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas contra a aplicação que o prefeito Nelson Marchezan vem fazendo da verba de publicidade de R$ 34,9 milhões aprovada para este ano em Porto Alegre.

Sob pressão de prefeitos, Governo gaúcho altera protocolos de bandeira vermelha

O Gabinete de Crise do governo gaúcho deliberou, na tarde desta terça-feira (4/8), alterações nos protocolos sugeridos para a bandeira vermelha, que classifica as regiões como de alto risco epidemiológico.

As mudanças, que valerão a partir desta quarta-feira (5/8), com a publicação de decreto, envolvem o comércio varejista não essencial, localizado em ruas, centros comerciais e shoppings, e o funcionamento de restaurantes.

“Como identificamos estabilização na demanda por internações em UTIs, ainda que em patamar elevado, para pacientes com Covid-19, decidimos alterar algumas regras a fim de estimular a economia do Estado”, disse o governador Eduardo Leite.

Essas mudanças também foram debatidas e validadas com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e com as 27 associações regionais durante reunião na manhã desta terça-feira (4/8).

NOVOS PROTOCOLOS DE BANDEIRA VERMELHA

Comércio varejista não essencial (rua, centros comerciais e shoppings)

• Permite 25% trabalhadores (somente para estabelecimentos com mais de três trabalhadores).
• Respeito ao teto de ocupação (número máximo de pessoas conforme área do estabelecimento).
• Abertura exclusiva de quarta-feira a sábado, em horário reduzido, das 10h às 16h, para não coincidir com a movimentação de serviços essenciais.

Restaurantes

• Atendimento presencial restrito passa a ser permitido na bandeira vermelha, com dias e horários reduzidos e reforço dos protocolos obrigatórios.
• Aviso visível aos frequentadores sobre a lotação máxima nas bandeiras amarela, laranja e vermelha, para reforçar distanciamento mínimo. Na bandeira amarela, a lotação máxima é de 75%. Na bandeira laranja, é de 50%. Na bandeira vermelha, passa para 50% de trabalhadores e 25% de lotação, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.
• As modalidades de tele-entrega, drive-thru e pague e leve seguem permitidas durante todos os dias da semana.
• Restaurantes que se localizam em shoppings também estão inclusos na alteração.

Rede de contas e páginas removidas pelo Facebook chegam ao Palácio do Planalto

O Facebook anunciou nesta quarta-feira (8) a remoção de uma rede de contas e páginas, tanto na rede social quanto no Instagram, “ligadas ao Partido Social Liberal (PSL) e a gabinetes da família Bolsonaro”, conforme o G1.

Essas contas “estavam envolvidas com a criação de perfis falsos” e com “comportamento inautêntico” — quando um grupo de páginas e pessoas atuam em conjunto para enganar outros usuários sobre quem são e o que estão fazendo.

Apesar das tentativas de ocultar, as investigações encontraram ligações de pessoas associadas ao PSL e a alguns funcionários nos gabinetes dos dois filhos do presidente – o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) – do presidente Jair Bolsonaro, e também de Anderson Moraes e Alana Passos, ambos deputados estaduais pelo PSL no Rio de Janeiro.

Foram apagadas 35 contas, 14 páginas e 1 grupo no Facebook, além de 38 contas no Instagram;

Cerca de 883 mil pessoas seguiam uma ou mais dessas páginas no Facebook;

Em torno de 917 mil seguiam contas do grupo no Instagram;

O grupo removido reunia cerca de 350 pessoas;

Foram gastos US$ 1,5 mil em anúncios por essas páginas, pagos em real.

As medidas adotadas pelo Facebook coincidem com um boicote de centenas de anunciantes liderado por movimentos civis que podem medidas mais duras contra a propagação de ódio nas redes.

O envolvimento de filhos e aliados, inclusive em gabinetes próximos do  presidente, abre mais um flanco num momento em que Bolsonaro está na defensiva, tentando safar-se de um processo de impeachment. E num momento em que as fake news são objeto de um processo no STF e uma CPI no parlamento.

 

Relatório da polícia mostra a expansão do crime organizado no Rio de Janeiro

Um relatório da Polícia Civil encaminhado ao Ministério da Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF), mostra que o crime organizado atua em 1.413 comunidades do Rio de Janeiro.

O tráfico comanda 81% desses territórios, e a milícia 19%. O mapeamento mostra ainda que o número de traficantes hoje já é maior que todo o efetivo da Polícia Militar nas ruas.

A facção de traficantes mais numerosa, revela o documento, controla 828 favelas. A segunda maior, comanda 238 favelas, enquanto uma terceira chefia o tráfico em 69 localidades.

A milícia está presente em 278 comunidades, um número que já é maior que duas das principais quadrilhas que atuam em território fluminense.

Divisão territorial do crime organizado no Rio:

Quadrilha de traficantes 1 — 828 comunidades
Milícia — 278 comunidades
Quadrilha de traficantes 2 — 238 comunidades
Quadrilha de traficantes 3 — 69 comunidades

O mapa da violência obtido e divulgado pelo telejornal RJ2 mostra ainda uma mudança de comportamento no crime organizado.

Investigações recentes da Polícia Civil apontam que agora milicianos passaram a também vender drogas em suas áreas de domínio, enquanto traficantes começaram a utilizar práticas características dos paramilitares em seus redutos.

O documento revela também que mais da metade dos homicídios investigados na capital, na Baixada e na Região Metropolitana do Rio desde 2016 estão ligados ao crime organizado.

A Polícia Civil estima que 56.600 criminosos estejam em liberdade e portando armas de fogo de grosso calibre. O número seria maior que todo efetivo da Polícia Militar, que conta com 44 mil PMs, sendo apenas 22 mil na atividade fim, em patrulhas e operações de enfrentamento aos criminosos.

A participação de presos ativamente no crime organizado do Rio também é citada no relatório.

O levantamento da Polícia Civil mostra que traficantes e milicianos contam com a colaboração de 51 mil presos ligados a estes grupos. O número de bandidos com mandados de prisão abertos mas que estão nas ruas também é grande: estima-se que sejam 895 criminosos de alta periculosidade.

Alguns dos principais parâmetros destacados pelo relatório são:

Polícia estima que o Rio tenha 56.600 criminosos em liberdade; efetivo da PM nas ruas é de 22 mil homens.

895 criminosos de altíssima periculosidade têm mandados de prisão em aberto;

A maioria dos inquéritos abertos no Rio são de crimes relacionados à violência doméstica: 9.762

As investigações da Polícia Civil no Rio estão divididas da seguinte maneira:

675 inquéritos policiais de associação ou organização criminosa;
4.137 de estupro;
830 de extorsão;
5.522 de homicídio doloso;
3.452 de roubos;
2.200 de tráfico de drogas e associação para o tráfico;
9.762 de crimes relacionados à violência doméstica.

(Com informações do Extra)