Cais Mauá: obras do "marco zero" andam em marcha lenta

As maquetes divulgadas e as manchetes na mídia nesta quarta feira sugeriam que as obras do Cais Embarcadero estavam já a pleno vapor para a inauguração, em setembro. Não é o que se viu.

As quatro da tarde havia dois operários no local. Um manobrava um carrinho de mão, levando areia de um lado para outro. Outro, sentado numa mureta conferia o celular.
No terreno já limpo o único sinal de uma obra eram dois montes de cascalho e alguns canos de instalação elétrica.
As cinco da tarde já não havia movimento algum. Apenas um guarda sentado tomando chimarrão na porta do contêiner verde instalado junto ao muro.
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Presidente do IAB diz que Cais Embarcadero é "jogada de marketing"

O presidente do Instituto dos Arquitetos/RS, Rafael Passos disse ao JÁ que “começar as obras de revitalização do Cais Mauá por uma área de lazer e estacionamento num canto do porto é uma manobra de marketing para encobrir os sucessivos descumprimentos do contrato de concessão assinado em 2010 pelo Consórcio Cais Mauá do Brasil”.
Ele se refere ao Cais Embarcadero, projeto de empresários locais para ocupar uma área de 2 hectares junto à Usina do Gasômetro com um centro de lazer e um estacionamento para 600 carros.
“É mais um dos muitos descumprimentos do contrato de concessão por parte do concessionário”, disse Passos, nesta quarta-feira, quando empreendedores divulgaram maquetes digitais do que está projetado.
“No Estudo de Viabilidade Urbana que recebeu licença em dezembro de 2017 está explícito: primeira etapa é a restauração dos armazéns, a segunda são os edifícios e a terceira o shopping. É o que o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental aprovou. Vão instalar um puxadinho num canto para faturar uma grana deixando o patrimônio público ao abandono, o contrato fica como? Um dos objetivos da concessão é a recuperação do patrimônio público, não é só entregar a área publica para o privado especular”.