{"id":101126,"date":"2026-04-22T12:53:08","date_gmt":"2026-04-22T15:53:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/?p=101126"},"modified":"2026-04-22T14:31:15","modified_gmt":"2026-04-22T17:31:15","slug":"sou-um-cidadao-que-nao-se-conforma-com-o-que-estao-fazendo-com-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/sou-um-cidadao-que-nao-se-conforma-com-o-que-estao-fazendo-com-porto-alegre\/","title":{"rendered":"\u201cSou um cidad\u00e3o que n\u00e3o se conforma com o que est\u00e3o fazendo com Porto Alegre&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Felisberto Seabra Luisi nasceu em Porto Alegre, mas viveu inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia em Cruz Alta, para onde &nbsp;se mudaram seus pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha 15 anos quando voltou \u00e0 cidade natal. Estudou no Ros\u00e1rio, formou-se em Direito na Ufrgs, especializou-se em Direito Agr\u00e1rio na It\u00e1lia. Tinha 40 anos quando come\u00e7ou a realmente conhecer sua cidade. N\u00e3o descansou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2026, aos 75, aposentado, ele comemora 35 anos de dedica\u00e7\u00e3o quase exclusiva aos movimentos comunit\u00e1rios de Porto Alegre. \u00c9 com essa autoridade que ele fala ao J\u00c1 e faz um balan\u00e7o de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o nos movimentos comunit\u00e1rios de Porto Alegre,&nbsp;critica a falta de participa\u00e7\u00e3o popular e alerta: \u201cO Plano Diretor avan\u00e7a (em vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara Municipal) sem debate e favorece interesses privados\u201d. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Tem uma data que marque o in\u00edcio dessa tua milit\u00e2ncia nos movimentos comunit\u00e1rios?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Em 1991 eu fui contratado por uma \u201cinvas\u00e3o\u201d na Zona Sul. Eles tinham ocupado uma \u00e1rea e precisavam de um advogado para a defesa. Cheguei nessa comunidade num domingo, onze horas da manh\u00e3, nos reunimos embaixo de&nbsp; uma \u00e1rvore e eles perguntaram: &#8220;Doutor, voc\u00ea vai resolver o nosso problema?&#8221; Eu disse: &#8220;N\u00e3o, n\u00f3s vamos resolver o problema&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>Eles entenderam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Sim, come\u00e7amos a criar uma estrutura na pr\u00f3pria comunidade para respaldar a defesa jur\u00eddica e tamb\u00e9m reunir dinheiro para a eventualidade de comprar a \u00e1rea. E foi o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> E eles compraram a \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Em quatro anos conseguimos comprar a \u00e1rea. Primeio, foi arrecadado R$ 50 mil e, a\u00ed, sentamos para negociar com o propriet\u00e1rio. Ele pediu 100 mil, a gente disse: \u201cDamos 50 mil de entrada &nbsp;e queremos negociar os outros 50 mil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> O dono topou&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Topou. Eu queria 24 meses. A comunidade disse: &#8220;N\u00e3o, n\u00f3s vamos pagar em 12 meses&#8221;. E pagaram em 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Que comunidade \u00e9 essa? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Jardim das Estrelas. Fica na Cristiano Kleber quase esquina com a Juca Batista. Hoje est\u00e1 urbaniza, com cal\u00e7amento, \u00e1gua, luz, esgoto&#8230; S\u00f3 ainda n\u00e3o est\u00e1 regularizada a \u00e1rea, n\u00e3o est\u00e3o individualizados os terrenos. \u00c9 um processo, eles seguem &nbsp;tratando disso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>Essa foi tua inicia\u00e7\u00e3o no movimento comunit\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Foi a partir da\u00ed que conheci o Or\u00e7amento Participativo (OP), entrei como delegado dessa comunidade&#8230; e n\u00e3o sa\u00ed mais. Fiquei fora dois anos, de 2007 a 2009, pela doen\u00e7a da minha filha, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Como funcionava o OP na \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Estava come\u00e7ando, com o Ol\u00edvio Dutra na prefeitura. Nas reuni\u00f5es, na mesa, sentavam os representantes do governo, s\u00f3. Na primeira reuni\u00e3o, eu disse: &#8220;Tem uma coisa errada nesse processo aqui&#8221;. Os caras me olharam: &#8220;Como?\u201d. \u201cS\u00f3 tem governo a\u00ed, voc\u00eas trazem a pauta, decidem os assuntos, n\u00f3s temos que democratizar essa rela\u00e7\u00e3o. Tem que ter algu\u00e9m da comunidade a\u00ed na mesa\u201d. A\u00ed foi criada a comiss\u00e3o parit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>O que que \u00e9 essa comiss\u00e3o parit\u00e1ria? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Ela coordenava o processo. Eram oito, quatro do governo e quatro da comunidade. Se reuniam, faziam a pauta e coordenavam as reuni\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso era uma primeira parte de todo o processo. Porque n\u00e3o basta demandar, tem que estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o, para acompanhar a execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, determinar o in\u00edcio da obra, n\u00e3o s\u00f3 a crit\u00e9rio do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, em 2002, foi criada a comiss\u00e3o de receita e despesa. Foi o avan\u00e7o poss\u00edvel na \u00e9poca. A minha proposta era mais ousada, era ter um membro do OP na junta financeira, acompanhando as decis\u00f5es. N\u00e3o conseguimos, nem l\u00e1 e muito menos agora?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>E as discuss\u00f5es sobre o Plano Diretor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Pois, \u00e9&#8230; Nesse per\u00edodo, come\u00e7aram as discuss\u00f5es sobre o Plano Diretor e eu comecei a participar. O secret\u00e1rio era o Newton Burmeister, foi constitu\u00edda uma coordena\u00e7\u00e3o e come\u00e7amos a fazer o Plano Diretor que foi aprovado em 99, j\u00e1 no governo do Raul Pont.<\/p>\n\n\n\n<p>Como eu era muito envolvido nas ocupa\u00e7\u00f5es, e quest\u00f5es de &nbsp;regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, fui eleito vice-presidente do Conselho Municipal. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de estar no OP, eu tamb\u00e9m participava do PMDUA, eu era delegado pela regi\u00e3o 1 de planejamento, que abrange o Centro. Hoje eu sou conselheiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>Est\u00e1s no conselho desde quando?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Eu fui eleito em 2018 e reeleito naquela vota\u00e7\u00e3o maravilhosa l\u00e1 em janeiro de 2024, com mais de 1.500 pessoas l\u00e1 na C\u00e2mara, com 941 votos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>Foi surpreendente aquela elei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> At\u00e9 hoje \u00e9 uma coisa que n\u00e3o tenho ainda bem elaborada. Imagina as pessoas ficarem num sol, num ver\u00e3o, nas f\u00e9rias, at\u00e9 meia-noite, para votar numa elei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era obrigat\u00f3ria. Foi uma vit\u00f3ria contra a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>Mas o novo Plano Diretor que est\u00e1 em vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara&#8230; .<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Claro, o plano \u00e9 deles, eles t\u00eam maioria. N\u00f3s vencemos numa regi\u00e3o. Em outras regi\u00f5es a gente n\u00e3o conseguiu vencer. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Esse projeto que est\u00e1 na C\u00e2mara vai ser aprovado? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> A tend\u00eancia \u00e9 aprovar. Infelizmente&#8230;&nbsp; N\u00e3o sem luta, n\u00e9? &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Qual \u00e9 o ponto mais cr\u00edtico nesse plano?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> A falta de participa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia do plano, para que as comunidades tenham no\u00e7\u00e3o do impacto que as mudan\u00e7as propostas no plano v\u00e3o ter na regi\u00e3o onde elas moram.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>A comunidade n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o do impacto na vida dela? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> N\u00e3o, n\u00e3o tem mesmo a no\u00e7\u00e3o. A gente nota isso nos bairros, nas reuni\u00f5es. Hoje h\u00e1 um poder de sedu\u00e7\u00e3o do capital, fazem as grandes obras e oferecem alguma contrapartida. E as pessoas se deixam seduzir pela contrapartida. Por exemplo: precisa melhorar uma creche. A prefeitura diz que n\u00e3o tem como fazer e a\u00ed usa o recurso da contrapartida para fazer. Ent\u00e3o, \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o do governo que o governo n\u00e3o faz, vai buscar o dinheiro do empres\u00e1rio, e d\u00e1 em troca uma vantagem. O projeto \u00e9 viabilizado com essa l\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>Falta discuss\u00e3o sobre essas quest\u00f5es, \u00e9 isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> A coisa mais cr\u00edtica que eu vejo no processo \u00e9 a falta de discuss\u00e3o das estrat\u00e9gias da cidade. N\u00e3o h\u00e1 uma discuss\u00e3o com a sociedade. Que cidade a gente quer? N\u00f3s temos 700 comunidades vivendo em \u00e1reas irregulares, ocupa\u00e7\u00f5es, invas\u00f5es, loteamentos clandestinos&#8230; Se fiz\u00e9ssemos uma opera\u00e7\u00e3o urbana consorciada, como foi feito em Fortaleza, seria uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> O que que significa essa regulariza\u00e7\u00e3o? Qual \u00e9 o tamanho do problema? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Um exemplo \u00e9 o Jardim das Estrelas, essa comunidade na Estrada Cristiano Fischer. At\u00e9 hoje ela n\u00e3o tem a regulariza\u00e7\u00e3o. Tem a infraestrutura conquistada pelo OP, porque tinha lideran\u00e7a que brigava e conseguiu levar as melhorias. Mas a regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea eles n\u00e3o t\u00eam, ningu\u00e9m tem matr\u00edcula individualizada. <\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das comunidades n\u00e3o h\u00e1 sequer o m\u00ednimo de urbaniza\u00e7\u00e3o. Se estimular essa regulariza\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os urbanos, isso vai gerar trabalho e renda na pr\u00f3pria comunidade, pois com o t\u00edtulo do terreno, o morador consegue financiamento para construir uma casa ou reformar a que j\u00e1 tem. Em muitos casos, j\u00e1 tem a m\u00e3o de obra ali mesmo na comunidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>Estimularia uma economia local&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Sim, hoje a constru\u00e7\u00e3o civil da cidade traz m\u00e3o de obra de fora. Se fizer uma pesquisa hoje, grande parte da m\u00e3o de obra nos grandes projetos vem de fora, do Norte e do Nordeste. Tem muito baiano, carioca. Essa reforma do viaduto Ot\u00e1vio Rocha, na Borges de Medeiros&#8230; a empresa \u00e9 de S\u00e3o Paulo, trouxe toda a m\u00e3o de obra de l\u00e1, nordestinos que vivem l\u00e1. Noutras obras \u00e9 a mesma coisa. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma falsa ideia de que a constru\u00e7\u00e3o civil emprega as pessoas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> A cidade sabe disso? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> O que determina \u00e9 o interesse do capital, n\u00e3o o interesse da cidade&#8230; Sempre, infelizmente, o interesse privado em detrimento do p\u00fablico. A prefeitura governa para o privado. Ou melhor, com o privado. Porque a maioria das pessoas que ocupam cargos na prefeitura s\u00e3o ligadas a empresas.&nbsp;O ex-secret\u00e1rio de Parcerias Estrat\u00e9gicas, Bruno Vanuzzi, saiu da prefeitura e foi trabalhar no Golden Lake, da Multiplan. Agora, voltou para o poder p\u00fablico como diretor do Dmae, com a &#8220;miss\u00e3o de fazer a concess\u00e3o \u00e0 iniciativa privada&#8221;. Pode?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> \u00c9 uma privatiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> N\u00e3o se valoriza mais o servidor, aquele de carreira, que teria a mem\u00f3ria dos processos. Veja a concess\u00e3o da usina do Gas\u00f4metro: n\u00e3o visa o interesse p\u00fablico, mas o interesse privado. Essa l\u00f3gica tomou conta da cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"489\" height=\"900\" data-attachment-id=\"101151\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/sou-um-cidadao-que-nao-se-conforma-com-o-que-estao-fazendo-com-porto-alegre\/felisberto-foto-2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-scaled.jpg\" data-orig-size=\"1392,2560\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"felisberto-foto-2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;H\u00e1 35 anos na luta comunit\u00e1ria, Felisberto Luisi aponta que um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o da cidade vive em \u00e1reas irregulares. &lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-489x900.jpg\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-489x900.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-101151\" style=\"aspect-ratio:0.5433340955865539;width:295px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-489x900.jpg 489w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-245x450.jpg 245w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-768x1412.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-835x1536.jpg 835w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-1114x2048.jpg 1114w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2026\/04\/felisberto-foto-2-1-scaled.jpg 1392w\" sizes=\"(max-width: 489px) 100vw, 489px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">H\u00e1 35 anos na luta comunit\u00e1ria, Felisberto Luisi aponta que um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o da cidade vive em \u00e1reas irregulares. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Um dos maiores projetos da prefeitura \u00e9 essa \u201cOpera\u00e7\u00e3o Urbana Consorciada Regenera Dil\u00favio\u201d, ao longo da avenida Ipiranga&#8230; como ele se insere a\u00ed?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Eles gostam dessa palavra regenerar&#8230; revitalizar&#8230; para quem? Essa opera\u00e7\u00e3o grandiosa da Ipiranga,&nbsp;come\u00e7a com dinheiro p\u00fablico. Mais de R$&nbsp; 200 milh\u00f5es, empr\u00e9stimo do BNDES, para limpar o riacho. A\u00ed, aqueles que j\u00e1 compraram os melhores terrenos ganham incentivos para construir condom\u00ednios e grandes torres sem restri\u00e7\u00f5es ou limites. Ao longo da avenida plantam-se algumas \u00e1rvores e faz-se uma ciclovia, como contrapartida. \u00c9 isso, hoje a ger\u00eancia dos grandes espa\u00e7os p\u00fablicos est\u00e1 sob controle privado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> O prefeito Sebasti\u00e3o Melo tem uma s\u00f3lida maioria que aprova todos os seus projetos&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Essa maioria esmagadora que ele tem na C\u00e2mara, foi constru\u00edda atrav\u00e9s de emendas e de indica\u00e7\u00e3o de CCs&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>A quest\u00e3o central do Plano Diretor que est\u00e1 na C\u00e2mara \u00e9 o adensamento \u2013 mais gente no mesmo espa\u00e7o<\/strong>?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> H\u00e1 quest\u00f5es essenciais a\u00ed. Primeiro, \u00e9 a falta de infraestrutura. Segundo, \u00e9 a descaracteriza\u00e7\u00e3o dos bairros e da paisagem urbana. Daqui a dez anos n\u00e3o veremos mais os morros que contornam Porto Alegre. H\u00e1 uma descaracteriza\u00e7\u00e3o da cidade, como algo diferente das outras. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>O adensamento \u00e9 justificado como possibilidade para o trabalhador morar no Centro&#8230; <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Os pobres v\u00e3o vir morar no Centro? Isso \u00e9 uma mentira, uma conversa. As pessoas j\u00e1 moram na periferia em situa\u00e7\u00f5es que precisam ser regularizadas. Por isso digo que seria revolucion\u00e1rio se tiv\u00e9ssemos um prefeito que tivesse a capacidade de ter essa vis\u00e3o. Vamos melhorar o que j\u00e1 tem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>Se voc\u00ea fosse prefeito, tivesse a caneta, faria o qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Primeiro ia regularizar as 700 comunidades que precisam ser regularizadas. Isso geraria trabalho, renda e melhorias para mais de 500 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> \u00c9 tanta gente assim?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> \u00c9, quase meio milh\u00e3o de pessoas, mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre, quase 40%, que vivem &nbsp;em situa\u00e7\u00e3o irregular, ilegal na verdade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Que universo \u00e9 esse? &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Envolve desde situa\u00e7\u00f5es relativamente sustent\u00e1veis at\u00e9 as situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas, como comunidades que esperam h\u00e1 mais de 30 anos pela regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Mas a prefeitura anuncia entrega de t\u00edtulos&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> N\u00e3o adianta dar t\u00edtulo se n\u00e3o urbaniza. \u00c9 simplesmente a garantia para a pessoa. E a maioria vai vender. As pessoas est\u00e3o de tal maneira espremidas pela necessidade que aceitam qualquer coisa. <\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, tem uma s\u00e9rie de estudos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, dizendo que a cidade est\u00e1 sujeita a ilhas de calor, &nbsp;enchentes&#8230; E o que se faz na cidade \u00e9 o oposto do que deveria ser feito levando em conta essa realidade. O centro de Porto Alegre, por exemplo, foi todo lajotado. A temperatura deve chegar a 50 graus ali, nos dias mais quentes. O Paulo Brack mediu ali no Harmonia onde retiraram as \u00e1rvores, deu mais de 45 graus.<\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito captou quase 7 bilh\u00f5es de financiamento para aplicar em obras de reconstru\u00e7\u00e3o, melhorias e revitaliza\u00e7\u00e3o da cidade. Vai ver as obras, s\u00e3o aquelas em que os empres\u00e1rios t\u00eam interesse. Vi o representante do Sinduscon dentro do plen\u00e1rio da C\u00e2mara, negociando com vereadores. Muitos vereadores n\u00e3o sabem nem o que \u00e9 o plano diretor e a lei de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo. Separaram o plano diretor da lei de uso e parcelamento do solo. Por que &nbsp;separaram?<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, onde \u00e9 o Teatro do P\u00f4r-do-Sol, querem fazer um centro de eventos, uma marina &#8211; agora se diz Orla 2.. \u00c9 tudo mega ideias, tudo com dinheiro p\u00fablico. Financiado pelo BNDES, pelo BRDE&#8230; A\u00ed \u00e9 maravilhoso. Al\u00e9m disso, o Estado se endivida para privilegiar os interesses privados, n\u00e3o o interesse p\u00fablico. N\u00e3o h\u00e1 melhoria das vilas, como eu disse. Hoje \u00e9 um d\u00e9bito da prefeitura com as emendas do OP de mais de R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> O que acontece que essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> S\u00e3o muitos fatores. Um deles \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o premida pela necessidade que se preocupa em sobreviver, certo? Ela n\u00e3o vai se preocupar. Plano de emerg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma coisa que afeta ela, vamos dizer, diretamente, mas afeta, mas ela n\u00e3o percebe. Se percebe, n\u00e3o \u00e9 um problema imediato na vida dela. Ent\u00e3o acabam deixando de lado. <\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o consegue perceber com a linguagem t\u00e9cnica, n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel para ela entender. Ent\u00e3o, eu acho que isso \u00e9 um grande problema.<\/p>\n\n\n\n<p>E os meios de comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do OP hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Hoje o recurso direcionado para o OP \u00e9 de R$ 20 milh\u00f5es. Desse total, 16 ou 17 milh\u00f5es v\u00e3o para as regi\u00f5es do or\u00e7amento participativo, que s\u00e3o 17. Vai um milh\u00e3o para cada uma, mais ou menos. E o restante vai para as tem\u00e1ticas que s\u00e3o seis, em torno de 500 ou 600 mil para cada. Parece que neste ano ser\u00e3o R$ 25 milh\u00f5es. Eu sou de uma \u00e9poca em que o OP tinha R$ 500 milh\u00f5es nos valores de hoje. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> O OP perdeu as suas caracter\u00edsticas e representatividade<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> \u00c9 o que j\u00e1 falei: os conselheiros est\u00e3o t\u00e3o premidos que se contentam com qualquer coisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark> Quando conheceste o prefeito Sebasti\u00e3o Melo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Melo chegou em Porto Alegre, em 1977 ou 78, foi trabalhar numa lancheria, ali na avenida Borges de Medeiros, como chapista, e morava em cima. Ele diz tamb\u00e9m que foi carregador de caixas no Ceasa&#8230; Claro, ele tem m\u00e9rito, tornou-se advogado, fez nome, entrou na pol\u00edtica, era da esquerda do MDB. O que lamento \u00e9 um cara que condecorou o Che Guevara, quando era presidente da C\u00e2mara, trabalhar hoje para a direita, para dizer o m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele subia numa caixa, na Esquina Democr\u00e1tica, junto com o Jos\u00e9 Foga\u00e7a, em atos contra a ditadura, sabe? E outros defendendo, sabe? Hoje \u00e9 um cara aliado com a extrema direita. Essa transforma\u00e7\u00e3o, ou essa adapta\u00e7\u00e3o,  me decepciona, porque eu era amigo dele. Ainda tenho amizade com ele, mas me afastei dele.<\/p>\n\n\n\n<p><span><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\"><strong>J\u00c1 &#8211;<\/strong><\/mark><\/span> <strong>E<\/strong><span><b>le \u00e9 o grande defensor do tal adensamento, quer dobrar o n\u00famero de moradores no Centro Hist\u00f3rico, para aproveitar a infraestrutura.<\/b><\/span><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong>Eu bato de frente contra isso. Porque n\u00e3o existe um estudo sobre isso, n\u00e3o h\u00e1 m\u00ednima avalia\u00e7\u00e3o do que a infraestrutura da regi\u00e3o central pode suportar. Quero que me provem. Eu acompanho isso h\u00e1 muito tempo, nunca vi um estudo que diga: &#8220;Tem infraestrutura ociosa, rede de esgoto, \u00e1gua, telefonia&#8221;. Nessa reforma do Viaduto Ot\u00e1vio Rocha, tiveram que refazer todas as canaliza\u00e7\u00f5es, estava tudo entupido, sucateado. E mais: vai ter posto de sa\u00fade, vai ter escola, creche, transporte para essa popula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito se gaba de conhecer a cidade melhor que muito porto-alegrense. Ele n\u00e3o conhece o centro, n\u00e3o conhece a hist\u00f3ria da cidade, n\u00e3o entende a alma da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211; <\/mark>As vilas, ele conhece?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> N\u00e3o, nem as vilas ele conhece. Ele \u00e9 um personagem, cumpre um papel. Ele vai l\u00e1 porque o levam. Ele n\u00e3o conhece a hist\u00f3ria da cidade, nem do bairro que ele morou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:#FFFFFF\" class=\"has-inline-color has-accent-1-color\">J\u00c1 &#8211;<\/mark><\/strong> <strong>Qual \u00e9 o bairro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Felisberto &#8211;<\/strong> Morava l\u00e1 na zona sul. O mais grave de tudo n\u00e3o \u00e9 a ousadia dele, \u00e9 a omiss\u00e3o geral. Eu n\u00e3o sou t\u00e9cnico, n\u00e3o sou engenheiro, n\u00e3o sou urbanista. Sou um cidad\u00e3o que tem uma vis\u00e3o de cidade e n\u00e3o se conforma com o que est\u00e3o fazendo com ela.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felisberto Seabra Luisi nasceu em Porto Alegre, mas viveu inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia em Cruz Alta, para onde &nbsp;se mudaram seus pais. Tinha 15 anos quando voltou \u00e0 cidade natal. Estudou no Ros\u00e1rio, formou-se em Direito na Ufrgs, especializou-se em Direito Agr\u00e1rio na It\u00e1lia. Tinha 40 anos quando come\u00e7ou a realmente conhecer sua cidade. 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