{"id":77470,"date":"2019-09-16T11:33:18","date_gmt":"2019-09-16T14:33:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=77470"},"modified":"2019-09-16T11:33:18","modified_gmt":"2019-09-16T14:33:18","slug":"bacurau-e-uma-metafora-perfeita-do-brasil-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/bacurau-e-uma-metafora-perfeita-do-brasil-de-hoje\/","title":{"rendered":"Bacurau \u00e9 uma met\u00e1fora perfeita do Brasil de hoje"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nPor Jeferson Arenzon<br \/>\nEstamos alguns anos no futuro. Todo o pa\u00eds foi ocupado pelos romanos. Todo? N\u00e3o! Uma aldeia povoada por irredut\u00edveis &#8212; hum, quem nasce em Bacurau \u00e9 o que mesmo? &#8212; ainda resiste ao invasor. Como a aldeia gaulesa, Bacurau \u00e9 uma pequena comunidade que sofre constantes ataques do seu entorno, da falta de \u00e1gua cr\u00f4nica \u00e0 gan\u00e2ncia dos pol\u00edticos. Embora inicie como muitos outros filmes que j\u00e1 retrataram a dura vida daqueles que s\u00f3 s\u00e3o lembrados \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, Bacurau tra\u00e7a outro perfil e segue outro caminho. Como met\u00e1fora do que \u00e9 o Brasil atual, \u00e9 perfeito.<br \/>\nA pequena cidade nordestina de Bacurau \u00e9 o \u00faltimo reduto de civilidade num pa\u00eds brutalizado, onde as execu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas foram retomadas (o resto fica subentendido) e governantes corruptos entregam, literal e diretamente, a vida das pessoas para grupos estrangeiros, processo este apoiado, no filme, por um membro do judici\u00e1rio. Apesar das dificuldades, Bacurau funciona. Os poucos conflitos internos s\u00e3o facilmente resolvidos e a cadeia, aparentemente desnecess\u00e1ria, est\u00e1 enterrada, resqu\u00edcio de uma era ultrapassada, assim como as armas que est\u00e3o no seu devido lugar, um museu. Ao ser atacada, a cidade se defende, a dor e os riscos s\u00e3o compartilhados. A luta, a resist\u00eancia coletiva de Bacurau, \u00e9 tonificada por uma p\u00edlula m\u00e1gica, que d\u00e1 for\u00e7as para encarar o sofrimento e fazer o necess\u00e1rio. Quando Teresa (Barbara Colen) chega para o enterro de sua av\u00f3, precisa ser forte e recebe uma p\u00edlula.Quando a popula\u00e7\u00e3o vai responder ao ataque tamb\u00e9m precisa receber as p\u00edlulas. Tudo isso ao som do bardo local. Mas a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 gratuita, e sim deflagrada em resposta, proporcional, ao ataque insano, desumano, desprovido de empatia, numa competi\u00e7\u00e3o por pontos, onde o discut\u00edvel m\u00e9rito pisoteia a humanidade.<br \/>\nO filme retrata, por um lado, a defesa coletiva do pacto social, em que liberdade, igualdade e fraternidade s\u00e3o conquistas n\u00e3o negoci\u00e1veis. Faltou a guilhotina como marca da revolta iluminista, mas n\u00e3o faltaram cabe\u00e7as rolando. Por outro lado, tamb\u00e9m mostra a entrega do pa\u00eds, por concidad\u00e3os, mesmo ao custo de vidas. Como met\u00e1fora do que \u00e9 o Brasil, Bacurau \u00e9 perfeito. Como retrato, \u00e9 ainda melhor.<br \/>\nJeferson Arenzon, f\u00edsico, professor titular da Ufrgs e um dos produtores do podcast &#8220;Fronteiras da Ci\u00eancia&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Jeferson Arenzon Estamos alguns anos no futuro. Todo o pa\u00eds foi ocupado pelos romanos. Todo? N\u00e3o! Uma aldeia povoada por irredut\u00edveis &#8212; hum, quem nasce em Bacurau \u00e9 o que mesmo? &#8212; ainda resiste ao invasor. 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