{"id":81263,"date":"2020-02-17T09:40:37","date_gmt":"2020-02-17T12:40:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=81263"},"modified":"2020-02-17T09:40:37","modified_gmt":"2020-02-17T12:40:37","slug":"morreu-mestre-pinho-que-formou-geracoes-de-jornalistas-em-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/morreu-mestre-pinho-que-formou-geracoes-de-jornalistas-em-pelotas\/","title":{"rendered":"Morreu Mestre Pinho, que formou gera\u00e7\u00f5es de jornalistas em Pelotas"},"content":{"rendered":"<p>Morreu neste domingo em Pelotas o jornalista Jota Pinho, pioneiro na forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de jornalistas pela UCPel, a Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas.<br \/>\nSem curso superior, deu aulas de t\u00e9cnica de jornal por mais de 20 anos. Formou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de rep\u00f3rteres. Tamb\u00e9m trabalhou como secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Popular, fundado em 1895, at\u00e9 hoje controlado pela familia Fetter.<br \/>\nJoaquim Salvador Coelho Pinho, seu nome completo, tinha 84 anos.<br \/>\nA seguir, o perfil\u00a0 de Jota Pinho, publicado no livro coletivo &#8220;50 Tons de Rosa &#8211;<br \/>\nPelotas no Tempo da Ditadura&#8221; (Artes e Of\u00edcios, 2016)<br \/>\n<strong>O ator que foi Mestre em jornalismo<\/strong><br \/>\n<em>Geraldo Hasse<\/em><br \/>\n<em>Jornalista, professor de jornalismo e publicit\u00e1rio, Joaquim Salvador Coelho Pinho foi um dos mais not\u00e1veis profissionais da comunica\u00e7\u00e3o social de Pelotas na segunda metade do s\u00e9culo XX. <\/em><br \/>\n<em>Nascido em 23\/02\/1936 em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia \u2013 pai comerci\u00e1rio, m\u00e3e do lar \u2013 j\u00e1 antes dos 30 anos era um multimidiaman que trabalhava em tr\u00eas turnos de quatro a cinco horas cada um, deslocando-se pela cidade ao volante de um Renault Dauphine, o menor dos carros fabricados no Brasil nos anos 1960. Nas raras horas vagas, dedicava-se ao teatro.<\/em><br \/>\n<em>Em seus tr\u00eas turnos de trabalho, Pinho praticava a comunica\u00e7\u00e3o social em tr\u00eas diferentes dimens\u00f5es: pela manh\u00e3, tocava seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, uma ag\u00eancia chamada Domus Propaganda, pela qual assinava artigos de jornal e coment\u00e1rios de r\u00e1dio em nome de Salvador Coelho.<\/em><br \/>\n<em>\u00c0 tarde era, simplesmente, Joaquim Pinho, secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Popular, o jornal mais antigo da cidade (1895), dirigido ent\u00e3o pelo advogado Clayr Lobo Rochefort (1928-2012.<\/em><br \/>\n<em>\u00c0 noite, finalmente, era o professor-\u00e2ncora do curso de jornalismo da Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas, fundada e dirigida pelo bispo dom Ant\u00f4nio Zattera (1899-1987). Foi na faculdade que ganhou dos seus alunos o t\u00edtulo que o acompanharia pela vida toda: Mestre, Mestre Pinho.<\/em><br \/>\n<em>De qual trabalho J. Pinho gostava mais? Onde se deu melhor? Minha impress\u00e3o \u00e9 que a manh\u00e3 era para ele um sacrif\u00edcio; a tarde, uma penit\u00eancia; e a noite, a jornada mais prazerosa, pois era na sala de aula que se sentia mais livre. <\/em><br \/>\n<em>Mas essa \u00e9 uma simples impress\u00e3o baseada na conviv\u00eancia que mantivemos no final dos anos 1960, quando fui seu aluno por tr\u00eas anos e, no \u00faltimo ano (1968), seu subordinado na reda\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Popular.<\/em><br \/>\n<em>Infelizmente, n\u00e3o houve tempo para uma entrevista. Quando liguei para o mestre, em fevereiro de 2016, n\u00e3o rolou a comunica\u00e7\u00e3o desejada. The time is over, disse a m\u00e1quina do tempo. <\/em><br \/>\n<em>Foi ent\u00e3o que me dei conta: fora a profunda admira\u00e7\u00e3o e o respeito reverencial aos mestres, eu tinha poucos dados sobre a figura mais lembrada e querida pelos ex-alunos do jornalismo da UCPel.<\/em><br \/>\n<em>Como escrever o perfil de um estranho? Sim, estranho, pois nunca tive intimidade com o Mestre. Nunca fui \u00e0 sua casa. N\u00e3o sei onde morava quando \u00e9ramos colegas de imprensa. N\u00e3o conheci seus pais. Nunca soube se tinha irm\u00e3os, ignoro como foi sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. O \u00fanico parente seu que conheci em Pelotas foi seu primo Hamilton de Pinho, publicit\u00e1rio at\u00e9 debaixo d\u2019\u00e1gua, mas os dois n\u00e3o se bicavam. <\/em><br \/>\n<em>Enfim, Jota Pinho era um cara muito ocupado, n\u00e3o sobrou tempo para uma aproxima\u00e7\u00e3o. Menos ainda depois que deixei Pelotas para me aventurar na imprensa do centro do Brasil. Mas vamos por partes, respeitando a cronologia dos dados.<\/em><br \/>\n<strong><em>R\u00e1dio<\/em><\/strong><br \/>\n<em>No in\u00edcio deste texto, mencionei o Dauphine de Pinho. \u00c9 uma lembran\u00e7a de 51 anos atr\u00e1s. Eu me recordo da Figura assomando o topo da longa escadaria da R\u00e1dio Tupanci, na rua XV, defronte ao Di\u00e1rio Popular. <\/em><br \/>\n<em>Ele chegava com uma pastinha embaixo do bra\u00e7o e, com uma mesura, entregava ao sonoplasta de plant\u00e3o uma fita cassete contendo um coment\u00e1rio de cinco minutos (ou seriam dois minutos apenas?) a ser veiculado pouco antes do Jornal do Meio Dia. Qual o conte\u00fado?<\/em><br \/>\n<em>Era uma cr\u00f4nica de utilidade p\u00fablica sobre o Servi\u00e7o Aut\u00f4nomo de \u00c1gua e Esgoto (SAAE), o principal cliente da Domus Propaganda. Quem a lia e assinava era Salvador Coelho, a vers\u00e3o publicit\u00e1ria de Joaquim Pinho. <\/em><br \/>\n<em>Confesso que nunca prestei aten\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado das mensagens levadas ao ar por Salvador Coelho; o que me impressionava era o jeit\u00e3o do sisudo mensageiro do SAAE. Ele se inspirava, provavelmente, nos locutores do servi\u00e7o em portugu\u00eas da BBC de Londres ou, quem sabe, nos caras da Voz da Am\u00e9rica \u2013 aquele timbre imp\u00e1vido, impec\u00e1vel, impoluto, impag\u00e1vel.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Gosto muito dos coment\u00e1rios desse Salvador Coelho, parece ser um homem muito s\u00e9rio.<\/em><br \/>\n<em>Era minha tia Elma se declarando f\u00e3 dele e perguntando se eu o conhecia. Ela se preocupava com o saneamento, um dos temas de Salvador Coelho, porque morava nas Terras Altas, bairro onde os res\u00edduos l\u00edquidos de matadouros e ind\u00fastrias de conservas corriam em valas a c\u00e9u aberto.<\/em><br \/>\n<em>Num tempo em que poucos tinham aparelho de televis\u00e3o era comum encontrar f\u00e3s de radialistas. O r\u00e1dio tinha uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria, era formador de profissionais de imprensa. Foi no meio radiof\u00f4nico que Pinho come\u00e7ou. Na escola do r\u00e1dio. Fazendo r\u00e1dio-teatro&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Na casa das minhas tias, nas Terras Altas, havia uma caixa de fotos de artistas do r\u00e1dio de outrora. Orlando Silva. Emilinha Borba. E outros mais. Para minha surpresa, havia l\u00e1 um retrato (P&amp;B 6&#215;8) autografado de Gilberto Gomes, ex-R\u00e1dio Tupi, diretor da Tupanci e, mais tarde, professor do curso de comunica\u00e7\u00e3o social da UCPel. Tudo a ver e ouvir. GG bem jovem fazendo pose de gal\u00e3. O r\u00e1dio era (ainda \u00e9) ve\u00edculo que mesclava realidade e fantasias.<\/em><br \/>\n<em>Eu ainda cursava o terceiro ano colegial quando comecei a trabalhar no departamento de jornalismo da Tupanci. Sabia o essencial sobre o of\u00edcio de informar porque havia frequentado um cursinho b\u00e1sico de jornalismo ministrado num final de semana pela Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa. <\/em><br \/>\n<em>E prestava aten\u00e7\u00e3o nos macetes usados pelas raposas do r\u00e1dio, cuja programa\u00e7\u00e3o misturava uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas como anima\u00e7\u00e3o de audit\u00f3rio, divulga\u00e7\u00e3o musical, jornalismo e publicidade \u2013 n\u00e3o necessariamente nessa ordem de import\u00e2ncia. <\/em><br \/>\n<em>Na Tupanci, Gilberto Gomes jogava em todas as posi\u00e7\u00f5es, mas deixava claro: quem comanda o espet\u00e1culo s\u00e3o os anunciantes. Ali, como em outros lugares, prevalecia a m\u00e1xima expressa na frase \u201cO cliente sempre tem raz\u00e3o\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Pelo jeito, Salvador Coelho pensava a mesma coisa, mas sem o fanatismo da maioria dos publicistas da cidade. Em nossos encontros fortuitos dentro da r\u00e1dio nunca fomos al\u00e9m dos cumprimentos formais. \u201cBom dia, tudo bem?\u201d Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, somente no in\u00edcio do ano seguinte eu descobriria que, al\u00e9m de trabalhar no Di\u00e1rio Popular, aquele careca meio esquisito era professor de jornalismo. Mas na UCPel ele n\u00e3o era o Salvador do SAAE. Nem o tocador da reda\u00e7\u00e3o do DP. Era uma terceira pessoa. Mais risonho e expansivo. Sem d\u00favida, era nesse terceiro papel que ele se sentia mais \u00e0 vontade.<\/em><br \/>\n<strong><em>Paradoxo<\/em><\/strong><br \/>\n<em>&#8221;Professor de jornalismo que n\u00e3o teve a oportunidade de diplomar-se em curso superior (concluiu o colegial no Gonzaga e come\u00e7ou a trabalhar, batendo perna no com\u00e9rcio), J. Pinho se constituiu num paradoxo dentro da primeira universidade pelotense. <\/em><br \/>\n<em>Quando a UCPel abriu o curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social (na Universidade de Bras\u00edlia, o mesmo curso foi denominado Meios de Comunica\u00e7\u00e3o de Massa), ele se inscreveu como aluno mas logo, pela escassez de docentes, foi convidado a dar aulas. Natural, pois sabia mais do que qualquer um dos frequentadores do pr\u00e9dio da Gon\u00e7alves Chaves, onde tudo come\u00e7ou. <\/em><br \/>\n<em>Entre pagar para estudar e receber um sal\u00e1rio como professor, ele n\u00e3o teve d\u00favida. Naquela \u00e9poca, a universidade n\u00e3o fazia quest\u00e3o de t\u00edtulos. Bastava o saber. Muito tempo depois, quando as regras mudaram e se tornou necess\u00e1rio possuir mestrado e\/ou doutorado para ser professor universit\u00e1rio, Pinho foi obrigado a desocupar a cadeira. Mas a\u00ed o Mestre j\u00e1 estava careca de tanto lutar contra a burocracia.<\/em><br \/>\n<em>&#8220;Tenho poucas anota\u00e7\u00f5es das aulas de Mestre Pinho na agenda de 1970 que me serviu de caderno para os quatro anos de estudo de Jornalismo (1972\/1975). Sei que come\u00e7amos por Roma. Anotei ent\u00e3o: \u201cActa diurna popoli romana. Publica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria dos acontecimentos no Senado. \u2018Fofoca pol\u00edtica\u2019, peri\u00f3dica e atual, variedade, s\u00f3 lhe faltava circula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Por essa rara lembran\u00e7a de Louren\u00e7o Cazarr\u00e9, vemos o quanto Pinho foi um autodidata erudito.<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 pertinente lembrar que, no curso de jornalismo, Mestre Pinho nos apresentou apenas dois bons autores did\u00e1ticos: o brasileiro Luiz Beltr\u00e3o (1918-1986), que foi professor em Recife e Bras\u00edlia; e o norte-americano F. Fraser Bond, que versava sobre o padr\u00e3o jornal\u00edstico dos EUA. <\/em><br \/>\n<em>Ambos editados pela Agir no in\u00edcio dos anos 1960, a Introdu\u00e7\u00e3o ao Jornalismo (de Fraser Bond) e a Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Filosofia do Jornalismo (de Beltr\u00e3o) eram praticamente os \u00fanicos alfarr\u00e1bios dispon\u00edveis na \u00e9poca para o estudo deste of\u00edcio. O resto, no curso, eram ensinamentos pr\u00e1ticos, obtidos no exerc\u00edcio da profiss\u00e3o e por meio de leituras. E foi a\u00ed que Pinho fez a diferen\u00e7a. Entre outras coisas, ele nos ensinou a regra b\u00e1sica do jornalismo norte-americano, segundo o qual o primeiro par\u00e1grafo de uma not\u00edcia (o lead) deve responder a cinco perguntas \u2013 o que, quem, quando, onde e como. N\u00f3s acrescentamos mais uma: por qu\u00ea.<\/em><br \/>\n<em>Na d\u00e9cada de 1960, muitos professores de Pelotas desfrutavam de uma aura de prest\u00edgio que, certamente, come\u00e7ou a ser constru\u00edda l\u00e1 atr\u00e1s por s\u00e1bios como o franc\u00eas Guilherme Minssen (anos 1910) e o polon\u00eas Ceslaw Maria Biezanko (anos 1930), profetas do cultivo da soja d\u00e9cadas antes que essa leguminosa chinesa se tornasse o carro-chefe da agricultura brasileira. <\/em><br \/>\n<em>Depois da escola de Agronomia (1883), tivemos mais: Farm\u00e1cia e Odontologia, 1911; Direito, 1912; M\u00fasica, 1918; Ci\u00eancias Cont\u00e1beis, 1937; Belas Artes, 1949; Filosofia, 1953. Medicina e Jornalismo, anos 60. Com duas universidades, Pelotas se tornou um dos maiores p\u00f3los de ensino e pesquisa da Am\u00e9rica Latina. A base disso? Um baita elenco de escolas secund\u00e1rias, entre as quais se destacam: Assis Brasil, Gonzaga, Pelotense, Monsenhor Queiroz, Santa Margarida, S\u00e3o Jos\u00e9, Escola T\u00e9cnica Federal, Visconde da Gra\u00e7a&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Poder\u00edamos lembrar aqui os nomes de professores que deixaram rastros not\u00f3rios na hist\u00f3ria educacional de Pelotas \u2013 alguns at\u00e9 se destacaram em cargos p\u00fablicos, enquanto outros ficaram mal vistos por dedurar colegas aos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a da ditadura militar de 1964\/85 \u2013, mas n\u00e3o percamos o rumo: o \u00fanico professor pelotense a operar em 3D foi J. Pinho. <\/em><br \/>\n<em>Sendo assim tridimensional, n\u00e3o admira que tenha virado uma lenda entre alunos e rep\u00f3rteres, duas categorias que frequentemente viravam uma s\u00f3 nas m\u00e3os dele.<\/em><br \/>\n<em>Mestre Pinho tinha olhos e ouvidos para a diversidade dos talentos rolantes nas ruas de Pelotas. A prop\u00f3sito, leiamos o depoimento de Ayrton Centeno (Pelotas, 1949):<\/em><br \/>\n<em>O mestre Joaquim Salvador foi o cara que, para o bem ou para o mal, me inventou jornalista. Eu estava ali, na condi\u00e7\u00e3o de revisor do nosso DP, e ia levando. Era, na carteira profissional, jornalista, por conta da legisla\u00e7\u00e3o que assim considerou aqueles que exerciam o of\u00edcio at\u00e9 ent\u00e3o, mas era um mero transeunte da coisa toda. <\/em><br \/>\n<em>Meu destino era outro. Cursava direito e seria um caus\u00eddico, faria concurso para promotor ou juiz. Na verdade n\u00e3o tinha muita convic\u00e7\u00e3o mas era algo por a\u00ed. Ent\u00e3o o JP me convidou &#8212; acho que estimulado pelo Luiz Lanzetta &#8212; para trocar a revis\u00e3o pela reda\u00e7\u00e3o. Foi o que acabou mudando a minha vida.<\/em><br \/>\n<em>Depois do Di\u00e1rio Popular, Centeno trabalhou como rep\u00f3rter e editor em v\u00e1rios ve\u00edculos, terminando por se dedicar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de livros como Os Vencedores (Gera\u00e7\u00e3o Editorial, 2014), que conta a hist\u00f3ria de militantes de esquerda que sofreram na pele a repress\u00e3o da ditadura militar brasileira. Um excelente trabalho de um jornalista que n\u00e3o precisou do curso para se tornar uma refer\u00eancia profissional. Mas teve a ajuda providencial do Mestre num momento decisivo.<\/em><br \/>\n<strong><em>O esp\u00edrito da \u00e9poca<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Por um ano trabalhei nos fundos da reda\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Popular, onde haviam alojado o equipamento in\u00e9dito na cidade: o teletipo, que despejava not\u00edcias nacionais (Ag\u00eancia JB) e internacionais (France Presse). Naquele ano, a salinha do fundo era mostrada com orgulho aos visitantes. E a mim, guardi\u00e3o do notici\u00e1rio nacional\/internacional, cabia resumir as mat\u00e9rias e pass\u00e1-las ao chefe. Mal sobrava tempo para ler um livro ou escrever uma cr\u00f4nica.<\/em><br \/>\n<em>Lembro bem do dia 14 de dezembro de 1968, o day after do AI-5, que sacramentou a ditadura militar. No in\u00edcio da tarde, quando chegou o exemplar do JB, Pinho vibrou \u2013 bra\u00e7os para o alto, como um torcedor de futebol diante de um gol \u2013 ao perceber que o editor-chefe do jornal carioca, Alberto Dines, havia driblado a censura ao publicar no quadrinho da previs\u00e3o do tempo, no alto da capa, uma nota dizendo que o pa\u00eds fora \u201cvarrido por um vendaval\u201d, met\u00e1fora inaugural de um tempo em que os jornalistas precisariam usar de elipses, hip\u00e9rboles e par\u00e1bolas para tentar contar o que se passava. Tamb\u00e9m coloquei nas m\u00e3os do chefe Pinho grandes reportagens internacionais escritas por cobras da AFP sobre a guerra do Vietn\u00e3 e a Primavera de Praga, a qual foi seguida pela invas\u00e3o da Tchecoslov\u00e1quia pelos tanques da URSS \u2013 tudo isso em 1968, o ano que at\u00e9 hoje inspira jornalistas, escritores e cineastas.<\/em><br \/>\n<em>Quando deixei Pelotas para me aventurar na imprensa de S\u00e3o Paulo, indiquei para o meu lugar, como redator do Di\u00e1rio Popular, um ex-colega do secund\u00e1rio que estudava Direito. Goleiro campe\u00e3o do citadino pelotense de 1967 pelo Esporte Clube Campon\u00eas, onde eu tamb\u00e9m jogava, Newton Peter tinha duas credenciais para trabalhar em jornal: escrevia bem e, al\u00e9m de ler escritores como Morris West (As Sand\u00e1lias do Pescador), recitava Goethe em deutsche. De fato, ele se deu bem na cozinha do Di\u00e1rio Popular, tanto que se tornou editor e, mais tarde, secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o, fun\u00e7\u00e3o que combinou com o exerc\u00edcio da advocacia. <\/em><br \/>\n<em>Ao contr\u00e1rio de Centeno, bacharel que ficou no jornalismo para sempre, Peter optou finalmente pela carreira de advogado, mesmo depois de ter trabalhado por alguns anos na imprensa de Porto Alegre.<\/em><br \/>\n<em>Como sa\u00ed de Pelotas em 1969 e fiquei quase uma d\u00e9cada sem voltar, n\u00e3o acompanhei as mudan\u00e7as no jornalismo e na UCPel. Hora de recorrer a outros ex-alunos para descrever melhor nosso personagem principal. Louren\u00e7o Cazarr\u00e9 (Pelotas, 1953), que se al\u00e7ou do jornalismo para a literatura:<\/em><br \/>\n<em>Aos 35 anos, o mestre Pinho tinha a parte central do cr\u00e2nio raspada por uma reluzente calv\u00edcie. Na lateral, por\u00e9m, exibia uma not\u00e1vel cabeleira de cacheados cabelos negros. Talvez para vingar-se da calv\u00edcie que certamente o acometera muito cedo, ele exibia um formid\u00e1vel bigode. Um senhor bigode, para ser justo. Dois cent\u00edmetros de altura e uns dez ou doze de extens\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Passemos ao rosto. Mestre Pinho tinha uma cara redonda, um queixo fino, uma testa obviamente larga e uns olhos espertos. Espert\u00edssimos. O mestre ria com os olhos. E ele ria muito. \u00c0s vezes eu tinha impress\u00e3o de que ele mais se divertia do que ensinava. Ria sempre quando nos dirig\u00edamos a ele.<\/em><br \/>\n<em>O mais impressionante no Mestre era o gestual. Ele vinha do teatro, sab\u00edamos. Movimentava-se muito pela sala. Obedecia cegamente a uma marca\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida estabelecida por um bom diretor de cena. Assim que acabava de escrever algo no quadro, voltava-se imediatamente para n\u00f3s, brusco, como se temesse uma punhalada pelas costas. E, a seguir, caminhava de um lado a outro, nervoso, falante, empolgado pelo discurso. Mas, de repente, freava. Essas paradas eram sensacionais. Ele se detinha subitamente, jogava o tronco para tr\u00e1s, cruzava os bra\u00e7os diante do peito, enterrava as m\u00e3os nos sovacos e exibia os ombros largos.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; E voc\u00ea, a\u00ed, rapaz, o que pensa disso?<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Bem, eu acredito que, na verdade, de certo modo, o senhor estava querendo nos dizer que&#8230;<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Muito bem, rapaz, obrigado.<\/em><br \/>\n<em>Os olhos luzindo, gargalhando por dentro, sarc\u00e1stico, o Mestre alisava o bigode. O ded\u00e3o afagando o lado direito do gigantesco marandov\u00e1, o fura-bolo, o esquerdo.<\/em><br \/>\n<em>O Mestre tamb\u00e9m se divertia, e muito, com as mo\u00e7as que sentavam nas primeiras cadeiras e copiavam tudo o que ele dizia, v\u00edrgulas inclusive.<\/em><br \/>\n<em>Quando algu\u00e9m lhe fazia uma pergunta completamente imbecil, o que n\u00e3o era raro, ele n\u00e3o perdia o ensejo. Brecava, espantado, olhos esgazeados, sobrancelhas levantadas, testa enrugada.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Como assim?<\/em><br \/>\n<em>O Mestre achava que toda asneira, para melhor ser apreciada, tinha de ser repetida.<\/em><br \/>\n<em>Pinho era respeitado pelos jornalistas e, mais ainda, pelos estudantes de jornalismo. Alguns o temiam e mitificavam. <\/em><br \/>\n<em>Em minha \u00faltima conversa com o professor Pinho, eu lhe contei das minhas inten\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Vou embora de Pelotas!<\/em><br \/>\n<em>Sentado por tr\u00e1s da sua mesa, ele reprovou meu plano:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Nem todos os jornalistas devem deixar a sua cidade natal, pois n\u00f3s necessitamos de um bom jornalismo feito aqui, na nossa terra, por gente nossa.<\/em><br \/>\n<em>Mas de todas essas passagens que me v\u00eam \u00e0 mem\u00f3ria, nunca me esquecerei de um epis\u00f3dio muito triste, quando perdemos dois colegas de turma &#8211; um rapaz e uma mo\u00e7a \u2013 que, ali\u00e1s, eram notoriamente os preferidos do Mestre.<\/em><br \/>\n<em>Um dia depois da perda daqueles dois estudantes, esper\u00e1vamos pelo professor em sala. Surpeendentemente, ele n\u00e3o nos cumprimentou. Atirou com viol\u00eancia a sua pasta preta em cima da mesa, reclinou a cabe\u00e7a sobre o m\u00f3vel, passou as m\u00e3os no rosto suado. Em seguida, rumou aos janel\u00f5es, jogando cada uma das suas partes para um lado, fazendo com que batessem na parede e produzissem um estrondo. E por ali permaneceu por alguns minutos, n\u00e3o sei se meditando, recompondo-se ou se maldizendo, at\u00e9 que conseguiu se voltar para n\u00f3s. Caminhou, ent\u00e3o, at\u00e9 o centro do quadro-negro, e firmou-se no ch\u00e3o como um pranch\u00e3o que sustentasse bandeiras hasteadas a meio pau.<\/em><br \/>\n<em>E nos falou:<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Se algu\u00e9m, aqui nessa sala de aula, puder me dar uma explica\u00e7\u00e3o para o que aconteceu com estes dois jovens, colegas de voc\u00eas, t\u00e3o cheios de vida e de planos, estes que, com certeza, seriam \u00f3timos profissionais, por favor, me diga!<\/em><br \/>\n<em>Depois, sem mais poder ocultar o que sentia, entregou-se a um pranto convulsivo.<\/em><br \/>\n<em>Falta saber como atuava o mestre na reda\u00e7\u00e3o. Era um gentleman, mas n\u00e3o dava mole para ningu\u00e9m. Escutem mais um depoimento de Ayrton Centeno, o bacharel que abdicou do direito em favor do jornalismo:<\/em><br \/>\n<em>Acho que o Jota Pinho, de uma maneira discreta, foi a principal for\u00e7a renovadora do Di\u00e1rio Popular num momento de sua hist\u00f3ria, que inclui os anos 60 e metade dos 70, justamente uma \u00e9poca em que o mundo &#8212; e o jornalismo &#8212; vivia em efervesc\u00eancia. Pinho e sua gest\u00e3o compreenderam o esp\u00edrito da \u00e9poca.<\/em><br \/>\n<em> Afinal foi ele quem come\u00e7ou a colocar na reda\u00e7\u00e3o gente que pensava jornalismo de uma maneira diferente do que sempre havia sido na hist\u00f3ria do jornal. Trouxe os seus alunos, rejuvenesceu a reda\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o entregue \u00e0 gera\u00e7\u00e3o anterior, de jornalistas feitos na pr\u00f3pria lida di\u00e1ria. Lembro que, como revisor (comecei l\u00e1 pelos 12 anos, ajudando, de gra\u00e7a, o ent\u00e3o revisor da noite, o Vilas-Boas), recebia originais que eram simplesmente recortes do Estad\u00e3o. Com uma emenda-foguete o, digamos, redator s\u00f3 trocava a data e tocava o barco. Brincava-se que o jornal n\u00e3o tinha reportagem e sim recortagem. E que no dia que roubassem as tesouras e giletes da reda\u00e7\u00e3o n\u00e3o haveria jornal&#8230;<\/em><br \/>\n<em>Essas coisas come\u00e7aram a mudar com a aposentadoria dos mais velhos, a chegada dos mais novos e a ado\u00e7\u00e3o de outras pr\u00e1ticas. Pinho n\u00e3o era o jornalista mais conhecido do DP &#8212; o que cabia ao Iraj\u00e1 Nunes e ao Clayr Lobo Rochefort &#8212; mas era quem estava mudando cara e conte\u00fado do Di\u00e1rio. Abriu espa\u00e7o para os novos. Me colocou, primeiro, como editor de internacional e, logo, como secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Eu e o Lanzetta inventamos uma coluna de cinema. Pinho nos deu liberdade e incentivou. Ganhamos meia p\u00e1gina por semana. Animados, criamos outra meia p\u00e1gina semanal com dicas de gastronomia. Eu, com meu ex-comparsa de revis\u00e3o, Jo\u00e3o Pedro Lobo da Costa, passei a assinar uma terceira coluna sobre m\u00fasica popular. Eu, o Lanzetta, o fot\u00f3grafo Paulo Lanzetta (primo do Lanza) e o pr\u00f3prio Pinho lan\u00e7amos pelo jornal um concurso de fotografia que teve uma carrada de inscri\u00e7\u00f5es e o DP, claro, publicou numa p\u00e1gina os premiados.<\/em><br \/>\n<em>Mas houve um momento em que a barra pesou no jornal e Pinho teve de sair. Junto com ele saiu a metade da reda\u00e7\u00e3o, inclusive sua mulher Maria Clara Michels. Alguns foram trabalhar na Domus Propaganda, outros buscaram sa\u00eddas fora de Pelotas. <\/em><br \/>\n<em>O pr\u00f3prio Pinho saiu para o jornal Agora, de Rio Grande. At\u00e9 que assumiu o cargo de diretor da Biblioteca P\u00fablica e tamb\u00e9m coordenou por largo tempo as atividades art\u00edsticas na Secretaria de Cultura do munic\u00edpio. Mais uma vez estava no seu ch\u00e3o. Sobre o lado livresco do Mestre temos o depoimento de Kl\u00e9cio Santos, que fez de Pinho uma fonte rica em dicas e furos.<\/em><br \/>\n<em>&#8220;Conheci Joaquim Salvador Pinho no come\u00e7o dos anos 1990, quando ingressei na Cat\u00f3lica. Era meu professor em tr\u00eas disciplinas: Teatro, T\u00e9cnica de Reda\u00e7\u00e3o em Jornalismo e T\u00e9cnica de Edi\u00e7\u00e3o em Jornalismo Gr\u00e1fico.<\/em><br \/>\n<em>J\u00e1 sabia de sua fama como ativista cultural junto com a Maria Clara Michels \u00e0 frente da retomada dos festivais de teatro em Pelotas a partir de 1985 ou como ator de pe\u00e7as de John Steinbeck, como Amor Ardente, pelo Teatro Escola, nos anos 1960, quando era conhecido como Jota Pinho, passagens essas retratadas no meu livro Sete de Abril, o Teatro do Imperador.<\/em><br \/>\n<em>\u00c0 \u00e9poca em que ingressei no curso de Jornalismo, Pinho liderava a reconstru\u00e7\u00e3o da Bibliotheca P\u00fablica Pelotense ap\u00f3s enxotar os vereadores que ocupavam o segundo piso do pr\u00e9dio, depois de uma longa a\u00e7\u00e3o judicial. Ainda lembro dele em meio aos escombros e andaimes. Comecei a trabalhar, no segundo semestre do curso, como estagi\u00e1rio na R\u00e1dio Pelotense. Depois passei a editor de Cultura do Di\u00e1rio da Manh\u00e3.<\/em><br \/>\n<em>Ao final do curso, j\u00e1 como correspondente de Zero Hora, me encontrava com Pinho n\u00e3o s\u00f3 na faculdade, mas por conta das pautas. Invariavelmente, tamb\u00e9m avistava o Mestre em frente ao Campus II da Cat\u00f3lica, onde ele podia ser encontrado dormindo dentro do seu carro (n\u00e3o recordo se era um Chevette). Pinho era das antigas, fazia quest\u00e3o de cultuar o estere\u00f3tipo do jornalista bo\u00eamio. Eu o achava o m\u00e1ximo.<\/em><br \/>\n<em>\u00c0s vezes, cruzava com ele no Laranjal onde eu tamb\u00e9m morava. Pinho estava sempre na frente do sobrado de tijolos, no jardim ou deitado na rede. Juntos, fomos jurados de concursos nas \u00e1reas de Teatro e Literatura. Fizemos v\u00e1rias mat\u00e9rias sobre a BPP para ZH como a retomada do Museu Hist\u00f3rico ou quando Pinho criou uma sala com obras raras com livros como Espinhos D\u2019Alma, de Lobo da Costa, editado em 1872. Ainda me lembro em detalhes quando me chamou para anunciar a incorpora\u00e7\u00e3o de duas obras de Fran\u00e7ois Rabelais, escritas em 1546 e 1552, doadas pelos herdeiros do ex-ministro Adriano Cassiano do Nascimento. Ele sabia o que rendia not\u00edcia, tinha faro. \u201cPelotas consegue livro raro\u201d, foi o t\u00edtulo.<\/em><br \/>\n<em>Embora eu fosse estudante, Pinho sempre me tratava como se eu j\u00e1 fosse um profissional. Jamais deu ouvido aos sindicalistas de plant\u00e3o que buscavam seu apoio para denunciar a pr\u00e1tica do jornalismo \u2013 no caso, a minha \u2013 antes de ser formado. Naqueles anos, n\u00e3o havia outro jeito. O alto custo das mensalidades obrigava os alunos menos abastados \u2013 no caso, eu &#8211; a terem uma renda.<\/em><br \/>\n<em>Por tudo isso jamais me recusei a participar de suas empreitadas, at\u00e9 mesmo quando quis retomar o jornal laborat\u00f3rio Atua\u00e7\u00e3o. A ideia era \u201cfurar\u201d os jornais da cidade com mat\u00e9rias mais elaboradas. Na verdade, Pinho queria mostrar que era poss\u00edvel fazer um bom jornalismo, mesmo atrav\u00e9s de um ve\u00edculo universit\u00e1rio de oito ou 12 p\u00e1ginas. Lembro quando nos convocou. \u00c9ramos apenas oito alunos. Se top\u00e1ssemos, ele ia atr\u00e1s de recursos para impress\u00e3o (tudo naquela \u00e9poca era dif\u00edcil). L\u00f3gico que aceitamos. Guardo at\u00e9 hoje o exemplar, confeccionado em papel jornal como manda o figurino, em formato tablete. Escrevi sobre a luta dos estudantes para retomar a meia-entrada nos cinemas em Pelotas. Nunca tinha visto Pinho com tanta motiva\u00e7\u00e3o, quase um adolescente, orientando as entrevistas e revisando os textos, um verdadeiro editor como se estiv\u00e9ssemos no NYT. Nunca aprendi tanto.<\/em><br \/>\n<em>Ali\u00e1s, foram dele as principais dicas que recebi no jornalismo. \u201cJamais usar gravador\u201d. Aquilo me invocava. Mas como? E ele sempre dizia que o gravador fazia com o entrevistador perdesse o foco. Sempre que poss\u00edvel, segui \u00e0 risca essa orienta\u00e7\u00e3o e, confesso, que os melhores textos, foram aqueles em que dispensei o instrumento.<\/em><br \/>\n<em>Quando fiz uma p\u00f3s em Patrim\u00f4nio Cultural, precisava de uma carta de recomenda\u00e7\u00e3o e Pinho me rotulou como \u201cum dos seus melhores alunos\u201d. Na \u00e9poca, vaidoso, n\u00e3o dei bola, mas hoje o saudosismo fala mais alto. Nunca tive tempo de agradecer. Ent\u00e3o, fa\u00e7o aqui. Obrigado, mestre!&#8221;<\/em><br \/>\n<em>Por fim, n\u00e3o percam o depoimento de Carlos Eduardo Behrensdorf, o Gar\u00e7a, outro autodidata que, s\u00f3 pra variar, se mandou para Bras\u00edlia nos anos 1970:<\/em><br \/>\n<em>&#8220;No Di\u00e1rio Popular fui rep\u00f3rter de \u201cgeral\u201d. Cobria de tudo um pouco, ou seja, era pau pra toda obra. Acumulava cobertura de esportes e, depois, pol\u00edcia. Virei chefe de reportagem e secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o. Este foi o meu trajeto percorrido no jornal de novembro de 1968 a fevereiro 1973.<\/em><br \/>\n<em>Diariamente, me encontrava com o Pinho para o fechamento. Quando eu pisava na reda\u00e7\u00e3o, ele levantava a cabe\u00e7a, olhava firme e perguntava: \u201dE a\u00ed, meu rapaz\u201d? Era chegada a hora da presta\u00e7\u00e3o de contas sobre pautas cumpridas ou n\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Com ele aprendi a respeitar a profiss\u00e3o e, mais do que isso, a entender um jornal por dentro, da primeira \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina, numa fase de muta\u00e7\u00e3o: era a chegada do \u201clead\u201d e da diagrama\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Os espa\u00e7os ficaram valorizados. Not\u00edcias na primeira e na \u00faltima p\u00e1gina passaram a ter um crivo de valor de conte\u00fado e est\u00e9tica. Uma pergunta detonava a discuss\u00e3o: \u201cVale primeira p\u00e1gina\u201d? A primeira p\u00e1gina do Di\u00e1rio Popular era seu cart\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Com Jota Pinho tamb\u00e9m aprendi a fazer legendas. Quem n\u00e3o \u00e9 do ramo n\u00e3o sabe o que \u00e9 escrever com espa\u00e7o limitado, sem computador. Tenho um recorde: reduzir 18 linhas para quatro.<\/em><br \/>\n<em>Quando entreguei ao Pinho, ele sacudiu a cabe\u00e7a, afirmativamente, grafou a fonte dos tipos e abriu a janelinha para a oficina. L\u00e1 se foi minha legenda, intacta.<\/em><br \/>\n<em>Fiquei parado na frente dele, esperando um elogio. Ele levantou a cabe\u00e7a, me olhou, sorriu e disse: \u201cT\u00e1 me olhando por qu\u00ea? Te manda, meu rapaz&#8230; Amanh\u00e3 tem mais\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Ousado mas sem rompantes, Pinho se pautava pela discri\u00e7\u00e3o. Em aula ou na reda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 registro de que alguma vez tenha levantado a voz para qualquer uma das centenas de pessoas que estiveram diante de suas mesas de trabalho na faculdade, no jornal, na publicidade, na biblioteca p\u00fablica ou no departamento de cultura.<\/em><br \/>\n<em>Aparentemente incapaz de dar uma bronca nos subordinados, tratava alunos e rep\u00f3rteres por um gen\u00e9rico \u201cmeu rapaz\u201d, express\u00e3o amistosa e professoral que n\u00e3o causava estranheza, pelo menos nos meios universit\u00e1rios e jornal\u00edsticos. Na Pelotas sesquicenten\u00e1ria, a absoluta maioria dos praticantes de jornalismo era do sexo masculino. As mulheres ainda eram minoria nas salas de aula. Nas reda\u00e7\u00f5es, menos ainda.<\/em><br \/>\n<em>Ou\u00e7amos o que nos diz N\u00fabia Ferro, a primeira ex-aluna do Jornalismo da UCPel contratada para trabalhar na reda\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Popular:<\/em><br \/>\n<em>N\u00e3o tenho d\u00favidas de que o professor Joaquim Pinho foi o grande respons\u00e1vel pela minha forma\u00e7\u00e3o profissional para um jornalismo s\u00e9rio, isento e investigativo. De todos os professores que tive durante o curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social na UCPel, Pinho foi o mais capaz de transmitir a seus alunos como se faz um bom jornalismo. Sem deixar de lado a teoria necess\u00e1ria, ele nos levou \u00e0 pr\u00e1tica, apontando nossos erros e acertos, nos orientando como sempre buscar o aperfei\u00e7oamento. Tenho especial gratid\u00e3o a esse grande mestre, que me proporcionou trabalhar e ser requisitada para grandes jornais nacionais, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo,O Globo e Correio Braziliense, entre outros.<\/em><br \/>\n<strong><em>Quarta dimens\u00e3o: o teatro<\/em><\/strong><br \/>\n<em><strong>O<\/strong> cabelo s\u00f3 na volta da cabe\u00e7a produzia uma imagem marcante, pr\u00f3xima dos retratos de William Shakespeare. Contribu\u00eda para a semelhan\u00e7a o nariz aquilino do mestre pelotense. Permitam que o chame de ShakesPinho.<\/em><br \/>\n<em>E aqui chego ao ponto que pode dar origem a 1001 diverg\u00eancias: nosso Mestre possu\u00eda uma quarta dimens\u00e3o \u2013 a paix\u00e3o pelo teatro. Sim, nosso multimidiaman amava o teatro mais do que a c\u00e1tedra, o jornal ou a propaganda.<\/em><br \/>\n<em>A imprensa, as aulas e a ag\u00eancia de reclames foram seus of\u00edcios de sobreviv\u00eancia numa cidade que sempre se destacou na arte de representar pap\u00e9is idealizados \u2013 a Atenas Riograndense, a Princesa do Sul&#8230; \u2013, oscilando entre os extremos da carolice e do pernosticismo.<\/em><br \/>\n<em>No in\u00edcio de sua vida profissional, Pinho fez r\u00e1dio-teatro, of\u00edcio que o ensinou a empostar a voz, a dosar a respira\u00e7\u00e3o e a administrar o tempo das falas. Ele n\u00e3o era um grande orador, \u00e0s vezes se deixava levar pela ansiedade, mas sabia conduzir-se diante de quaisquer plateias. Claramente n\u00e3o gostava de aparecer, mas a vida o colocou em posi\u00e7\u00f5es de evid\u00eancia. Contradi\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia, diria ele, \u00e0 maneira de Shakespeare.<\/em><br \/>\n<em>Sentindo-se talvez sem espa\u00e7o para ser ator numa cidade onde s\u00f3 havia lugar para o brilho da estrela solit\u00e1ria do professor-ator Luiz Carlos Correa da Silva (pelo menos uma vez por ano ele lotava um audit\u00f3rio com o mon\u00f3logo As M\u00e3os de Eur\u00eddice, de Pedro Bloch), Pinho criou o Teatro Experimental do Jornalismo de Pelotas (TEJOP), ao qual dedicava suas horas de lazer, sem remunera\u00e7\u00e3o, com ensaios nos s\u00e1bados \u00e0 tarde ou em aulas noturnas. Era um hobby intelectual, quase um exerc\u00edcio terap\u00eautico. Nada mais romanticamente shakespeareano no fog pelotense, mais conhecido como cerra\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Em 1967, na flor dos seus 31 anos, l\u00e1 estava ele encenando O Amante, do ingl\u00eas Harold Pinter, um dos principais nomes do teatro do absurdo. O papel-t\u00edtulo era de Jos\u00e9 Luiz Mendon\u00e7a, ator escolado que tamb\u00e9m representava o marido da personagem principal, vivida por Zaida Guterres; o elenco era completado por Jos\u00e9 Cruz, escalado para uma apari\u00e7\u00e3o-rel\u00e2mpago, como o leiteiro da hist\u00f3ria.<\/em><br \/>\n<em> Os tr\u00eas atores eram alunos do Jornalismo. E de quem era o cen\u00e1rio? Da genial Lenir de Miranda, artista pl\u00e1stica que, al\u00e9m de trabalhar na Domus Propaganda, cursaria jornalismo \u2013 mais para ilustrar-se do que visando tornar-se profissional \u2013 na primeira metade dos anos 1970.<\/em><br \/>\n<em>A pe\u00e7a estreou com casa cheia no palco-audit\u00f3rio do Col\u00e9gio Gonzaga, ber\u00e7o do aprendizado teatral do nosso ShakesPinho. No intervalo da pe\u00e7a, uma surpresa: abriu-se uma cortina no fundo do palco e l\u00e1 estava o conjunto musical Os Lobos, que fazia sucesso na cidade e na regi\u00e3o. <\/em><br \/>\n<em>O p\u00fablico, pouco familiarizado com o teatro, recebeu o show como parte do sofisticado enredo de Harold Pinter. Absurdo por absurdo, foi J. Pinho quem apresentou a Pelotas um conte\u00fado teatral at\u00e9 ent\u00e3o conhecido apenas em Londres, Nova York e Rio-S\u00e3o Paulo. Cabe inserir aqui uma conclus\u00e3o algo tardia de Louren\u00e7o Cazarr\u00e9:<\/em><br \/>\n<em>D\u00e9cadas depois, acho hoje que Pinho nunca foi um professor. Era um rapaz j\u00e1 maduro que representava, e como representava bem, o papel de Mestre numa pe\u00e7a de um s\u00f3 ator, ele, diante de uma displicente plat\u00e9ia de uns trinta gatos pingados.<\/em><br \/>\n<strong><em>Antes tarde do que nunca<\/em><\/strong><br \/>\n<em>A combina\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio+jornalismo+magist\u00e9rio+teatro levou Pinho a esticar a corda tanto nas atividades profissionais quanto na vida pessoal. Depois do primeiro casamento com Maria Nanci, com quem teve um filho (Marcelo), nosso Mestre se apaixonou por uma aluna chamada Maria Clara Michels, com quem casou para sempre (tiveram dois filhos, Juliana e Joaquim Filho). Tudo isso sem a b\u00ean\u00e7\u00e3o do bispo, sem perder o cargo no jornal do prefeito, sem renunciar ao posto de professor e sem precisar fugir da cidade de Gl\u00f3ria Menezes, a gloriosa atriz que fez como a lagunense Anita Garibaldi, a hero\u00edna de dois mundos.<\/em><br \/>\n<em>Para encerrar, leiamos o email-resposta de Maria Clara Michels Pinho, a eterna Macacha, enviado em 26 de fevereiro de 2016, tr\u00eas dias depois de Sal, seu apelido na intimidade familiar) ter completado 80 anos:<\/em><br \/>\n<em>&#8220;Estamos juntos h\u00e1 43 anos, ele foi meu professor tamb\u00e9m e acabamos com nossos casamentos para ficarmos juntos. Foi bem escandaloso na \u00e9poca, principalmente por ser meu professor e pela diferen\u00e7a de idade. Ele quase foi expulso da Cat\u00f3lica&#8221;.<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<em>\u00a0<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morreu neste domingo em Pelotas o jornalista Jota Pinho, pioneiro na forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de jornalistas pela UCPel, a Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas. Sem curso superior, deu aulas de t\u00e9cnica de jornal por mais de 20 anos. Formou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de rep\u00f3rteres. Tamb\u00e9m trabalhou como secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o do Di\u00e1rio Popular, fundado em 1895, at\u00e9 hoje [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-81263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbKhrD-l8H","jetpack-related-posts":[{"id":101058,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/jornalista-batista-filho-palestra-em-ato-pelos-62-anos-do-golpe-militar\/","url_meta":{"origin":81263,"position":0},"title":"Jornalista Batista Filho palestra em ato pelos 62 anos do Golpe Militar","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"8 de abril de 2026","format":false,"excerpt":"O jornalista Jo\u00e3o Batista Filho, de 86 anos, ser\u00e1 o palestrante do \u201cAto de Rep\u00fadio pelos 62 Anos da Ditadura Militar\u201d, que ocorre nesta quarta-feira (8), \u00e0s 19h, no Audit\u00f3rio Ana Terra da C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre. 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