{"id":82490,"date":"2020-03-31T09:37:20","date_gmt":"2020-03-31T12:37:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/?p=82490"},"modified":"2024-06-26T15:26:34","modified_gmt":"2024-06-26T18:26:34","slug":"entrevista-o-que-fez-o-golpe-foi-a-guerra-fria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/entrevista-o-que-fez-o-golpe-foi-a-guerra-fria\/","title":{"rendered":"Ele estava l\u00e1: entrevista de Fl\u00e1vio Tavares sobre o golpe de 1964"},"content":{"rendered":"<p>Tr\u00eas jornalistas estavam na sess\u00e3o de emerg\u00eancia do Congresso Nacional, na madrugada de primeiro de abril de 1964.<\/p>\n<p>Um deles era <strong>Fl\u00e1vio Tavares<\/strong>, um jovem de 29 anos, que assinava a coluna pol\u00edtica do jornal <em>\u00daltima Hora<\/em>.<\/p>\n<p>Ali, em tr\u00eas minutos, atropelando o bom senso e a legalidade, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou\u00a0 vaga a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e abriu o caminho pol\u00edtico para o golpe que, militarmente, j\u00e1 tinha sido deflagrado pelo general Mour\u00e3o Filho, em Minas.<\/p>\n<p>\u201cAssisti a tudo, mas s\u00f3 agora, 50 anos depois, fui descobrir os elos da conspira\u00e7\u00e3o e da articula\u00e7\u00e3o do golpe\u201d, diz Tavares no livro <em>1964, O Golpe<\/em>, que escreveu para contar essa tenebrosa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>(Esta entrevista foi publicada na edi\u00e7\u00e3o especial da <em>Revista J\u00c1<\/em>, alusiva aos cinquenta anos do golpe militar que derrubou\u00a0 o presidente Jo\u00e3o Goulart e implantou uma ditadura que durou 21 anos)<\/p>\n<p><strong>J\u00c1 &#8211; Como foi aquele dia em Bras\u00edlia?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Tavares &#8211; Est\u00e1vamos isolados em Bras\u00edlia, sem telefone, sem telex&#8230; O aeroporto estava fechado desde as nove horas da manh\u00e3, n\u00e3o sab\u00edamos de nada. A \u00fanica fonte era a embaixada americana, que tinha comunica\u00e7\u00e3o com o Rio. Ent\u00e3o, sab\u00edamos alguma coisa indiretamente.<\/p>\n<p><strong>Da mobiliza\u00e7\u00e3o do Mour\u00e3o, sabiam?<\/strong><\/p>\n<p>Da mobiliza\u00e7\u00e3o do Mour\u00e3o se soube vagamente, pois na verdade ela come\u00e7ou dia 30, com um manifesto lan\u00e7ado pelo governador de Minas, Magalh\u00e3es Pinto. Unindo o PSD juscelinista com a UDN, ele queria criar um estado de beliger\u00e2ncia, para ser reconhecido pelos Estados Unidos. Tanto que antes de divulg\u00e1-lo, enviou o texto por telex para\u00a0 a embaixada americana no Rio. A Casa Branca e o presidente Lyndon Johnson conheceram o manifesto antes dos mineiros.<\/p>\n<p><strong>Um manifesto amb\u00edguo, no estilo mineiro&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Era mineiro a tal ponto que o Jango ainda no Rio recebeu telefonema de um deputado do PTB de Minas se congratulando: &#8220;O Magalh\u00e3es lan\u00e7ou um manifesto pelas reformas\u201d. \u00c9 que\u00a0 no final do texto, ele fala nas reformas. Esse manifesto deixou o\u00a0 Mour\u00e3o furioso, porque ele queria que fosse incisivo, contra o Jango. Mas o Magalh\u00e3es, como bom mineiro, deixava espa\u00e7o para um recuo, caso o golpe n\u00e3o desse certo.<\/p>\n<p><strong>E quando o Jango chegou a Bras\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p>Quando o Jango chega em Bras\u00edlia no fim da tarde do dia primeiro de abril,\u00a0 j\u00e1 em fuga, fui de fato o\u00a0 \u00fanico jornalista a estar com ele. Est\u00e1vamos no Planalto eu e Fernando Pedreira, do Estad\u00e3o, mas o Estad\u00e3o era radical contra o Jango, chamava-o de \u201cpresidente totalit\u00e1rio\u201d&#8230;\u00a0 o Pedreira logo saiu. Tinha tamb\u00e9m uma rep\u00f3rter do <em>Correio Braziliense<\/em>, era comunista, amiga pessoal do Jango&#8230; Ficamos eu e essa mo\u00e7a, Maria da Gra\u00e7a Dutra, entramos no gabinete, o Jango estava arrumando uns pap\u00e9is e falou: \u201cVou instalar o governo no Rio Grande do Sul. Nomeei o general Lad\u00e1rio para o III Ex\u00e9rcito&#8230;\u201d<\/p>\n<p><strong>Mas o general Lad\u00e1rio Telles ainda nem tinha chegado a Porto Alegre&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, ele chegou j\u00e1 na madrugada do dia primeiro de abril. Era general-de-divis\u00e3o, foi comissionado para poder assumir o III Ex\u00e9rcito e acreditou que o Jango queria resistir.<\/p>\n<p><strong>O Jango falou em resistir?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade o Jango j\u00e1 saiu do Rio em fuga, ele queria negociar. O Jango n\u00e3o sabia resistir, ele era um grande negociador. Havia um servi\u00e7o de r\u00e1dio e por ele o Jango fala com Porto Alegre, com o Brizola. Havia um servi\u00e7o de r\u00e1dio do III Ex\u00e9rcito, que funcionava muito bem e era operado pelo major \u00c1lcio. S\u00f3 que o major \u00c1lcio gravava tudo e depois passava para o pai dele, o general Costa e Silva [risos]. Havia tamb\u00e9m no Planalto um telefone no gabinete presidencial, era uma esp\u00e9cie de \u201ctelefone vermelho\u201d, levantava e dava direto com a central telef\u00f4nica no Rio. Por esse telefone Jango falou com o general Moraes \u00c2ncora, comandante do I Ex\u00e9rcito. Era um homem corret\u00edssimo, legalista. Era asm\u00e1tico, estava com uma crise de asma, falava com dificuldade.\u00a0 Ainda n\u00e3o havia tomado provid\u00eancia nenhuma, aguardava ordens&#8230; O ministro do Ex\u00e9rcito estava no Hospital, numa posi\u00e7\u00e3o d\u00fabia&#8230; O ministro da Aeron\u00e1utica estava em cima do muro e o ministro da Marinha, que mandava pouco, havia rec\u00e9m-assumido&#8230;<\/p>\n<p><strong>Ele decide ent\u00e3o instalar o governo em Porto Alegre?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, mas fundamentalmente para negociar enquanto o Congresso votaria o impeachment, o que demoraria uns oito dias&#8230;<\/p>\n<p><strong>Por que ele hesitou em autorizar a resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Provavelmente porque, num conflito, como aconteceu em 1961, ele seria o menos importante. Os beligerantes \u00e9 que seriam importantes, o Lad\u00e1rio Telles ou o Brizola&#8230; Na verdade, nada deu certo naquele dia. O Jango havia requisitado um Coronado da Varig, um jato intercontinental.\u00a0 Saiu da Granja do Torto depois de gravar um \u201cManifesto \u00e0 Na\u00e7\u00e3o\u201d que foi redigido pelo Waldir Pires, pelo Almino Afonso e pelo Tancredo Neves. S\u00f3 que usaram um gravador caseiro, a grava\u00e7\u00e3o ficou p\u00e9ssima, foi imposs\u00edvel reproduzir na r\u00e1dio. T\u00ednhamos tomado a R\u00e1dio Nacional, um grupo de jornalistas liderados pelo deputado Jos\u00e9 Aparecido, dissidente da UDN. N\u00e3o adiantou nada.<\/p>\n<p><strong>A\u00ed o Jango vai para a Base A\u00e9rea&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sai por volta da oito, para a tomar o avi\u00e3o.\u00a0 S\u00f3 que o Coronado da Varig teve um \u201cmal s\u00fabito\u201d.\u00a0 O velho amigo do Jango, o nosso Rubem Berta, o presidente da Varig, provavelmente se deu conta de que a coisa j\u00e1 tinha virado, ele ia ficar muito mal&#8230; Nunca se comprovou, mas foi uma ordem. O Jango embarca e o avi\u00e3o tem uma pane&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dizem que foi sabotagem&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o houve sabotagem. Houve um \u201cmal s\u00fabito\u201d, como eu chamo.\u00a0 Ent\u00e3o decidem passar para um Avro, porque o Viscount presidencial estava no conserto h\u00e1 15 dias&#8230; e a\u00ed n\u00e3o tinha tripula\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que o coronel Ernani Fittipaldi, da Casa Militar, assume o comando e decolam. O Avro era um bimotor, lento. Saem \u00e0s onze e meia da noite de Bras\u00edlia. O Coronado faria a rota Bras\u00edlia\/Porto Alegre em duas horas. O Avro demorou quatro horas ou mais. Sem telefone, sem informa\u00e7\u00e3o, pens\u00e1vamos que o Jango j\u00e1 estava chegando a Porto Alegre e ele estava ainda saindo de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Perdeu um tempo precioso..<\/strong>.<\/p>\n<p>A capacidade de resist\u00eancia estava minada. Em Bras\u00edlia, o Mazzili j\u00e1 estava tomando posse como presidente. O Congresso tinha feito uma artimanha: numa sess\u00e3o de tr\u00eas minutos, sem debate, nem vota\u00e7\u00e3o, o Auro Moura Andrade declarou vaga a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O Darcy Ribeiro, como chefe da Casa Civil, tinha feito um of\u00edcio ao presidente do Congresso, dizendo que em vista dos acontecimentos o presidente da Rep\u00fablica o havia incumbido de comunicar que deixara Bras\u00edlia para instalar o governo em Porto Alegre junto com o seu Minist\u00e9rio, \u201cpara proteger-se da tentativa de esbulho\u201d. O Auro nem considerou: \u201cA Presid\u00eancia da Rep\u00fablica est\u00e1 ac\u00e9fala&#8230; Declaro vaga a Presid\u00eancia, com base no do artigo 79 da Constitui\u00e7\u00e3o&#8230; est\u00e1 encerrada a sess\u00e3o\u201d.\u00a0 O Zaire Alves Nunes, deputado do Rio Grande do Sul, avan\u00e7ou para bater no Auro: \u201cSeu filho da puta&#8230;\u201d N\u00e3o havia o que fazer&#8230; Na sa\u00edda passo no gabinete do Tancredo Neves, ele diz: \u201cEst\u00e1 tudo terminado\u201d. Como bom mineiro, o Tancredo n\u00e3o era de resistir, pelo contr\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p><strong>No pal\u00e1cio do Planalto, como foi?<\/strong><\/p>\n<p>Naquela caminhada da C\u00e2mara dos Deputados at\u00e9 o Planalto, \u00e0s tr\u00eas da madrugada, me veio \u00e0 cabe\u00e7a um consolo&#8230; Puxa, isso at\u00e9 \u00e9 bom, porque o Brizola n\u00e3o vai ter mais incompatibilidade, vai poder ser candidato \u00e0 Presid\u00eancia&#8230;\u201d Ingenuidade nossa, pois o golpe era, mais do que tudo, para impedir a elei\u00e7\u00e3o e, mais do que isso, para impedir o Brizola. Engra\u00e7ado \u00e9 que, depois eu conto isso para o Brizola, em Montevid\u00e9o, e ele diz: \u201cTu sabes que tive a mesma ideia naqueles minutos iniciais&#8230; fiquei t\u00e3o decepcionado com o Jango que pensei: \u2018Pelo menos, agora posso ser candidato\u201d.\u00a0 Pura ingenuidade&#8230;<\/p>\n<p><strong>E a posse do Mazzili, tamb\u00e9m foi a jato, n\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Fomos para o Planalto, onde ele ia tomar posse.\u00a0 Na hora algu\u00e9m disse: \u201cFalta um general\u201d. A\u00ed\u00a0 sa\u00edram para buscar um general&#8230; Um grupo de deputados entra no gabinete do Darcy Ribeiro e se deparou com o general Nicolau Fico, que era de Bag\u00e9, mas j\u00e1 tinha virado. Darcy estava furioso, expulsa todo o mundo, xingando. Meia hora depois, conseguem o general Andr\u00e9 Fernandes, chefe do Gabinete do ministro da Guerra, um general apagado, que em seguida vai ser chefe da Casa Civil do Mazzilli, que ent\u00e3o toma posse.<\/p>\n<p><strong>A que hora foi dada a posse?<\/strong><\/p>\n<p>Pouco antes das quatro da madrugada&#8230; dez pras quatro mais ou menos.<\/p>\n<p><strong>O Jango chegou a Porto Alegre \u00e0s 3h15 minutos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A essa altura o Auro j\u00e1 havia declarado vaga a Presid\u00eancia&#8230; E menos de uma hora depois foi dada a posse. Quer dizer, quando ele chegou ao Rio Grande, estava decidido&#8230;<\/p>\n<p><strong>O Auro tinha raiva do Jango, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Isso foi decisivo. O Auro tinha \u00f3dio do Jango e com raz\u00e3o. O Jango tinha feito uma grande sacanagem com ele, coisa da honra pessoal. O Jango achava que tinha feito uma grande jogada pol\u00edtica, mas&#8230;<\/p>\n<p><strong>Foi sacanagem mesmo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Era t\u00edpico das manobras do Jango. Ele convida o Auro para ser primeiro-ministro.\u00a0 O Auro aceita, tem o voto de confian\u00e7a no Congresso e passa a escolher o Minist\u00e9rio, ministros de confian\u00e7a dele. O Jango queria influir, mas o Auro n\u00e3o o consultou. O Auro, que era inteligente, sagaz, com aquela hist\u00f3ria de ser primeiro-ministro&#8230; Jango pede a ele que assine uma carta de ren\u00fancia, alegando que podia surgir algum problema insol\u00favel entre os dois. Na \u00e2nsia de ser primeiro-ministro, ele aceitou. Uma carta de tr\u00eas linhas: \u201cPor esse meio renuncio ao cargo de primeiro-ministro tal e tal&#8230;\u201d O Jango guarda na gaveta. Dias depois, o Auro est\u00e1 no Congresso, j\u00e1 tinha convidado alguns ministros, tinha come\u00e7ado a escolher&#8230; O Auro est\u00e1 no gabinete dele no Senado&#8230; H\u00e1 um alto-falante que transmite as sess\u00f5es&#8230; de repente o l\u00edder trabalhista, deputado Almino Afonso, pede a palavra e anuncia que o primeiro-ministro acaba de renunciar. Auro fica sabendo que renunciou pelo alto falante.<\/p>\n<p><strong>Uma manobra do Jango?<\/strong><\/p>\n<p>Ele telefonou para o Almino Afonso. Disse, textualmente: \u201cMe diz&#8230; pelo Regimento Interno tu, como l\u00edder, podes pedir a palavra a qualquer momento, para uma comunica\u00e7\u00e3o?\u201d O Almino diz: \u201cPosso\u201d. \u201cPodes pedir agora?\u201d \u201cSim&#8230;\u201d \u201cEnt\u00e3o h\u00e1 uma comunica\u00e7\u00e3o urgent\u00edssima&#8230; Comunica que o Auro renunciou\u201d. O Almino se espanta: \u201cComo?\u201d. \u201cPode anunciar, tenho uma carta dele aqui&#8230;\u201d Almino vai para a tribuna e anuncia. Foi o Almino quem me contou isso, tempos depois&#8230; Ent\u00e3o, o Auro tinha um \u00f3dio visceral do Jango&#8230; Em 1961, quando os militares tentaram impedir Jango de assumir, o Auro foi a favor da posse.\u00a0 Ent\u00e3o, do ponto de vista da honra pessoal, o Auro tinha raz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Jango n\u00e3o era dado a deslealdades, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, mas essas coisas eram bem do estilo da \u00e9poca. Era uma coisa getuliana, s\u00f3 que o Get\u00falio Vargas fazia as coisas de uma forma mais astuta.\u00a0 O Get\u00falio faria com que o pr\u00f3prio Auro se visse na conting\u00eancia da renunciar&#8230; O Get\u00falio era o grande espelho de Jango, s\u00f3 que ele n\u00e3o era o Get\u00falio. N\u00e3o tinha a experi\u00eancia do Get\u00falio, que tinha sido presidente do Rio Grande do Sul, ministro da Fazenda, chefe da Revolu\u00e7\u00e3o de 30&#8230; A experi\u00eancia do Jango era parlamentar. Sua passagem pelo Minist\u00e9rio do Trabalho foi curta&#8230; O Jango era muito mo\u00e7o, tinha quarenta e poucos&#8230; Ele morreu com 57 anos, muito novo.<\/p>\n<p><strong>Agora, os erros da esquerda&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Fa\u00e7o essa revis\u00e3o h\u00e1 muito tempo. O Francisco Juli\u00e3o, por exemplo, foi um dos maiores embustes que este pa\u00eds conheceu. Mantinha uma apar\u00eancia de simplicidade e humildade absoluta, coisa que ele n\u00e3o era. Era um farsante, um m\u00edstico de esquerda, convencido de que ia ser o Fidel Castro do Brasil. Isso naquele contexto em que o Fidel era a grande figura n\u00e3o s\u00f3 da esquerda mundial, era a grande figura her\u00f3ica e humana daqueles tempos. Ele havia vencido uma ditadura odiosa e vencido mesmo, pelas armas. Para ter uma ideia, o Fidel foi aplaudido nos Estados Unidos quando visitou o pa\u00eds. Foi aclamado pela multid\u00e3o em Buenos Aires. Quando veio ao Brasil foi elogiado at\u00e9 pelo Carlos Lacerda. O Juli\u00e3o queria ser o Fidel brasileiro e foi o grande provocador daqueles anos.<\/p>\n<p><strong>O homem das Ligas Camponesas&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Vou contar um detalhe: em 1969, eu sa\u00ed do pa\u00eds no grupo dos 15 presos pol\u00edticos que foram trocados pelo embaixador americano Burke Elbrick, junto estava o Greg\u00f3rio Bezerra, o grande dirigente comunista que organizava os sindicatos rurais no Nordeste. Era pernambucano como o Juli\u00e3o. Quando chegamos ao M\u00e9xico, eu digo para o Greg\u00f3rio: \u201cVamos visitar o Juli\u00e3o\u201d. O Juli\u00e3o estava asilado l\u00e1. A\u00ed, noto que o Greg\u00f3rio n\u00e3o quer aparecer do lado do Juli\u00e3o. Ele me diz: \u201cCamarada Fl\u00e1vio, n\u00e3o tenho nenhum interesse em falar com Juli\u00e3o\u201d. Greg\u00f3rio era um homem respeitabil\u00edssimo, era o Velho, tinha sessenta e tantos anos. Depois \u00e9 que fui saber: o Greg\u00f3rio tinha feito um trabalho s\u00e9rio no Nordeste de organiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos rurais. O Juli\u00e3o fazia agita\u00e7\u00e3o.\u00a0 Pegou as Ligas Camponeses, articuladas pelo Pedro Teixeira, um grande l\u00edder, assassinado em 1962, e fazia demagogia pura. S\u00f3 que ningu\u00e9m sabia&#8230; Ele foi eleito deputado federal por Pernambuco, mas foi comparecer pela primeira vez na C\u00e2mara no dia 30 de mar\u00e7o de 1964, para n\u00e3o perder o mandato por faltas continuadas. N\u00e3o era conhecido nem pelos guardas da C\u00e2mara, que n\u00e3o queriam deixar ele entrar. Chega \u00e0 tribuna, no meio daquela crise, e fala como um general&#8230; Anuncia que 60 mil homens das Ligas Camponesas, armados, est\u00e3o prontos para se rebelar no Brasil inteiro&#8230; Cinco mil s\u00f3 no distrito federal&#8230; Na verdade, n\u00e3o tinha nada&#8230;<\/p>\n<p><strong>Mas figuras respeit\u00e1veis, como o Prestes, erraram tamb\u00e9m&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9, tem a c\u00e9lebre reuni\u00e3o em Moscou em que ele diz que n\u00e3o havia a m\u00ednima chance de golpe, pouco antes do golpe&#8230; Depois se soube tamb\u00e9m que Prestes disse nesta reuni\u00e3o que no Comit\u00ea Central do Partido Comunista do Brasil tinha um monte de generais&#8230; Essas coisas davam um vigor falso para a esquerda. Eu tenho muito respeito pelo Prestes, pela figura \u00edntegra dele, mas ele foi sempre um sonhador, sempre acreditou nas coisas sem penetrar no \u00e2mago das coisas. Na revolu\u00e7\u00e3o de 30, o Prestes recebeu uma proposta do Get\u00falio aqui no Pal\u00e1cio Piratini, ele mesmo conta isso&#8230; Ele vivia na Argentina e veio clandestino falar com o Get\u00falio, que oferece a ele a chefia militar da revolu\u00e7\u00e3o, ele era o grande her\u00f3i, o capit\u00e3o Luiz Carlos Prestes, da Coluna. Ele come\u00e7a a falar, diz que s\u00f3 acredita na revolu\u00e7\u00e3o socialista, prolet\u00e1ria, que n\u00e3o acredita naquela revolu\u00e7\u00e3o burguesa&#8230; Get\u00falio s\u00f3 ouvindo&#8230; No fim, segundo o pr\u00f3prio Prestes, Get\u00falio\u00a0 diz mais ou menos o seguinte: \u201cSua dial\u00e9tica \u00e9 bela, profunda e convincente, mas a mim n\u00e3o convenceu&#8230;\u201d. O Prestes queria outra revolu\u00e7\u00e3o&#8230; preparar o proletariado&#8230; nem havia o proletariado, no sentido sociol\u00f3gico.\u00a0 Havia pobres, sem cultura urbana, sem organiza\u00e7\u00e3o&#8230; Ent\u00e3o, esses otimismos do Prestes&#8230;<\/p>\n<p><strong>O Brizola tamb\u00e9m foi um pouco irrealista, em 1962, por exemplo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A\u00ed, \u00e9 outra coisa. O Brizola ia ser deputado pelo Paran\u00e1, foi convencido&#8230; que tinha que ser candidato pelo Rio de Janeiro,\u00a0 para enfrentar o Carlos Lacerda,\u00a0 governador do Rio de Janeiro. O problema do Brizola \u00e9 outro. O Brizola nunca preparou herdeiros.\u00a0 \u00a0O Brizola nunca foi corrupto&#8230; Foi investigado de todo jeito nunca acharam nada&#8230;<\/p>\n<p><strong>Nem herdeiros, nem concorrentes&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Terminou com todos os concorrentes aqui no Rio Grande do Sul: Jos\u00e9 Diogo Brochado da Rocha, Fernando Ferrari, Loureiro da Silva&#8230; a consequ\u00eancia \u00e9 que na elei\u00e7\u00e3o para governador em 1962 n\u00e3o havia um candidato, ent\u00e3o o trabalhismo no Rio Grande do Sul foi escolher Egydio Michaelsen, diretor\u00a0 jur\u00eddico do\u00a0 Banco Agr\u00edcola Mercantil (que depois veio a ser o Unibanco), nada representativo do trabalhismo.<\/p>\n<p><strong>E ent\u00e3o sofreu uma derrota que foi decisiva em 1964&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>As melhores e as piores recorda\u00e7\u00f5es da minha vida foram com o Brizola&#8230; Quando cheguei do ex\u00edlio, por exemplo, tive uma recep\u00e7\u00e3o calorosa no Rio. Quando desembarquei o Gale\u00e3o, um funcion\u00e1rio me disse: \u201cO Brizola chegou de manh\u00e3 cedo e est\u00e1 no aeroporto \u00e0 sua espera\u201d. Ele tinha chegado do M\u00e9xico, de uma reuni\u00e3o da Internacional Socialista. Chego e est\u00e3o l\u00e1 umas 50 pessoas, a tev\u00ea Globo vem me entrevistar. Estou junto ao Brizola e a Neusa. Uma das perguntas que me fazem: \u201cpara qual partido vai entrar?\u201d Respondi com uma express\u00e3o que ele usava: \u201cNa camisa de for\u00e7a do regime militar, partido nenhum. Meu partido \u00e9 o jornalismo\u201d. No que digo isso, o Brizola se retira. \u00c0 noite, vou ao Hotel Everest, onde o Brizola estava hospedado. Havia uma reuni\u00e3o do PTB, ele me diz: &#8220;Fica a\u00ed, \u00e9 s\u00f3 o pessoal do Rio&#8230;\u201d, e me d\u00e1 um ch\u00e1-de-banco. Quarenta minutos depois, ele sai: \u201cFl\u00e1vio, vem aqui. Tu fizeste nessa manh\u00e3 algo terr\u00edvel, tomei como uma agress\u00e3o. Eu estava ao teu lado,\u00a0 e disseste que n\u00e3o vais te filiar a partido nenhum. Isso \u00e9 uma afronta&#8230;\u201d\u00a0 N\u00e3o admitia posi\u00e7\u00f5es discordantes&#8230;<\/p>\n<p><strong>Os erros da esquerda alimentaram o discurso golpista.<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 muito esquem\u00e1tico. N\u00e3o foi o discurso da esquerda que alimentou ou deu pretexto \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o e ao golpe. O que fez o golpe foi a Guerra Fria. Isso hoje est\u00e1 provado.\u00a0 No dia 30 de julho de 1962, na Casa Branca, Lincoln Gordon convence o Kennedy que o Brasil est\u00e1 sendo comunizado e eles t\u00eam que intervir, para evitar uma outra Cuba. Transcrevo todo o di\u00e1logo no meu livro.<\/p>\n<p><strong>Mas o discurso da esquerda radical assustou&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o discurso do Juli\u00e3o&#8230; e do Brizola, tamb\u00e9m.\u00a0 Agora, quem ati\u00e7ou o golpe foi a Guerra Fria. Em 1962, quando Vernon Walters vem ao Brasil como adido militar para preparar o golpe, quem o recebe no aeroporto \u00e9 o general Ulhoa Cintra, que n\u00e3o se conformou com a solu\u00e7\u00e3o que levou Jango ao poder. Quem atua como contato com o coronel Vernon Walters e os militares da conspira\u00e7\u00e3o \u00e9 o Ulhoa Cintra. S\u00e3o os derrotados de 1961, engajados na Guerra Fria. O general Golbery dizia que o Jango n\u00e3o poderia ser presidente porque era homem dos interesses da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica no Brasil.<\/p>\n<p><strong>O IPES foi criado tr\u00eas meses depois da posse de Jango&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Foi antes, j\u00e1 em setembro de 1962 ele est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o. O general Golbery pede a reforma ainda em setembro e j\u00e1 estava conspirando. Em novembro formaliza, se instala no Rio. O IPES foi o grande instrumento na guerra psicol\u00f3gica. O Golbery auxiliado por um sujeito que hoje \u00e9 um romancista conhecido, o Rubem Fonseca&#8230; Come\u00e7ou a fazer fic\u00e7\u00e3o ali, nos filmes que ele fazia para o IPES, que s\u00e3o muito bem-feitos, maravilhosos, tecnicamente falando. O IPES foi o \u201cgrande contub\u00e9rnio\u201d.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 panfletos com listas de pessoas a serem eliminadas eram forjados&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Tudo inventado, falsificado, para assustar. O IPES foi a grande arma ideol\u00f3gica. Antes, j\u00e1 no governo do Juscelino, funcionava o IBAD, que fazia o trabalho sujo. Uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito da C\u00e2mara de Deputados provou isso. Bancava os caras, isso est\u00e1 mostrado no filme \u201cO Dia que Durou 21 Anos\u201d. Os Estados Unidos, imediatamente, reconheceram os golpistas e estavam prontos a intervir, se necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Foi por saber disso que Jango n\u00e3o quis resistir?<\/strong><\/p>\n<p>Jango nunca soube. O que San Thiago Dantas disse a Jango \u00e9 que Minas Gerais seria reconhecida como Estado beligerante&#8230; Mas da movimenta\u00e7\u00e3o da esquadra americana, ele s\u00f3 foi saber em 1976, quando liberaram os pap\u00e9is reservados.\u00a0 <em>La Naci\u00f3n<\/em>, de Buenos Aires, publicou uma nota sobre o livro de Phyllis Parker que revelou isso. Jango ficou sabendo a\u00ed, no ex\u00edlio.<\/p>\n<p><strong>Mas ele havia sofrido press\u00f5es&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, muitas press\u00f5es&#8230; Quando o Jango visita os Estados Unidos, em 1962, o John Kennedy foi esper\u00e1-lo na escadinha do avi\u00e3o. J\u00e1 no helic\u00f3ptero que transporta os dois at\u00e9 a Casa Branca, Kennedy o questiona sobre a reforma agr\u00e1ria. Jango desfilou em Nova York sob chuva de papel picado, tudo programado, para impression\u00e1-lo. O Lincoln Gordon sugeriu outra coisa: uma visita do Jango \u00e0 Base Militar de Offutt. Ele foi o primeiro chefe de Estado a ser recebido l\u00e1. Um general chamado Thomas Powell come\u00e7a a mostrar num computador&#8230; Ningu\u00e9m tinha visto antes&#8230; mostrava na tela a rota dos\u00a0 B52 com bomba at\u00f4mica, voando 24 horas&#8230; Em seguida disse: &#8220;Vou lhe mostrar uma outra coisa\u201d, e levou Jango para ver o silo subterr\u00e2neo onde estava o foguete intercontinental Atlas, a mais poderosa arma do planeta, capaz de eliminar 500 mil pessoas em Moscou, Pequim, ou S\u00e3o Paulo. Jango, com o general Kruel, chega \u00e0 base sorridente e sai completamente acabrunhado&#8230;<\/p>\n<p><strong>Lincoln Gordon foi o grande art\u00edfice&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sim, isso hoje est\u00e1 provado. Reproduzo no meu livro os documentos e grava\u00e7\u00f5es que foram liberados depois de 30 anos. Ele e Vernon Walters alimentaram a conspira\u00e7\u00e3o, com muito dinheiro inclusive.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas jornalistas estavam na sess\u00e3o de emerg\u00eancia do Congresso Nacional, na madrugada de primeiro de abril de 1964. Um deles era Fl\u00e1vio Tavares, um jovem de 29 anos, que assinava a coluna pol\u00edtica do jornal \u00daltima Hora. 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