{"id":98649,"date":"2025-04-06T23:15:02","date_gmt":"2025-04-07T02:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/?p=98649"},"modified":"2025-05-08T22:58:20","modified_gmt":"2025-05-09T01:58:20","slug":"kadao-morre-aos-73-o-jornalismo-perde-um-gigante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/geral\/kadao-morre-aos-73-o-jornalismo-perde-um-gigante\/","title":{"rendered":"Kad\u00e3o morre aos 73: o jornalismo perde um gigante"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil ganhou um tesouro, em 2016, com o lan\u00e7amento do livro &#8220;A for\u00e7a do tempo. Hist\u00f3rias de um rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico brasileiro&#8221;.<\/p>\n<p>O autor, Ricardo Chaves, conhecido na imprensa como Kad\u00e3o, selecionou mais de 400 fotos de quase meio s\u00e9culo de uma carreira descrita e resumida, por ele mesmo, em um texto admir\u00e1vel e delicioso de 184 p\u00e1ginas que mistura hist\u00f3ria, fotografia, jornalismo, talento e protagonismo.<\/p>\n<p>Kad\u00e3o conseguiu fazer com invulgar sucesso a migra\u00e7\u00e3o da foto para o texto, proeza que raros profissionais conseguiram na imprensa brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Kad\u00e3o, s\u00f3 lembro de dois exemplos de fot\u00f3grafos talentosos que conseguiram mostrar a mesma excel\u00eancia na arte de escrever: Marcos S\u00e1 Correa, o fot\u00f3grafo que se tornou um dos mais festejados textos do pa\u00eds, brilhando com maior destaque na revista\u00a0Veja\u00a0e no\u00a0Jornal do Brasil, no final do S\u00e9culo 20, e H\u00e9lio Campos Mello, o fot\u00f3grafo que comandou a reda\u00e7\u00e3o de tr\u00eas das mais importantes revistas de informa\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0Senhor, Isto\u00c9\u00a0e\u00a0Brasileiros.<\/p>\n<p>Kad\u00e3o \u2013 amigo, mestre e parceiro de mais de 50 anos de jornalismo, onde compartilhamos a novi\u00e7a condi\u00e7\u00e3o de \u2018foca\u2019 do jornal\u00a0Zero Hora, de Porto Alegre, no remoto ano de 1970 \u2013 \u00a0me convidou para escrever o pref\u00e1cio de seu livro.<\/p>\n<p>Dei ao texto o t\u00edtulo atrevido de \u201cKad\u00e3o, um chato\u201d, o que soava como uma insol\u00eancia diante do cabe\u00e7alho de\u00a0 \u201cO melhor fotojornalista do pa\u00eds\u201d, conferido pelo autor do generoso e merecido posf\u00e1cio, o jornalista Marcelo Rech, parceiro de Kad\u00e3o em suas principais viagens internacionais pelo jornal ga\u00facho, mais tarde diretor de reda\u00e7\u00e3o de ZH, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais (ANJ) e do F\u00f3rum Mundial de Editores (WAN).<\/p>\n<p>Na sexta-feira, 4 de abril, Kad\u00e3o morreu aos 73 anos, em Porto Alegre, vencido por um c\u00e2ncer de bexiga detectado h\u00e1 sete meses. Meu texto, feito para ser uma homenagem em vida a um dos mais importantes profissionais de imprensa do pa\u00eds, agora ganha, diante de sua aus\u00eancia, ainda mais relev\u00e2ncia por revelar algo mais da carreira de sucesso de quem fez do jornalismo um inspirador exerc\u00edcio cotidiano de car\u00e1ter, dignidade e talento.<\/p>\n<p>Kad\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais aqui, mas continuar\u00e1 sempre presente, na mem\u00f3ria e no cora\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, pelo jornalismo de \u00e9tica, coragem e relev\u00e2ncia cada vez mais essenciais em tempos dominados pela mentira, pela covardia e pela estupidez.<\/p>\n<p>Nesses momentos cr\u00edticos para o jornalismo e para a democracia \u00e9 que mais precisamos de um chato como Kad\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Kad\u00e3o, um chato<\/strong><\/p>\n<p><em>[pref\u00e1cio de 2016 para o livro\u00a0A For\u00e7a do Tempo]<\/em><\/p>\n<p>Ricardo Chaves, conhecido como Kad\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um fot\u00f3grafo. Este \u00e9 o momento para uma grave revela\u00e7\u00e3o: Kad\u00e3o \u00e9, antes de tudo, um chato.<\/p>\n<p>Vamos aos fatos. Nunca se conforma com a primeira frase, a primeira cena, a primeira resposta. Rebate, implica, replica e pergunta de novo: \u201cMas, por qu\u00ea?\u201d.<\/p>\n<p>A pergunta teimosa brota, natural, porque Kad\u00e3o nunca \u00e9 dominado pelo ato reflexo do m\u00fasculo tenso do dedo indicador que, autom\u00e1tico, comprime burocraticamente o obturador da m\u00e1quina fotogr\u00e1fica. O gesto, em Kad\u00e3o, passa antes pelo c\u00e9rebro que processa, avalia e s\u00f3 ent\u00e3o libera a decis\u00e3o racional que permite o registro consciente da cena.<\/p>\n<p>Atitude que vale para a fotografia, vale para a vida.<\/p>\n<p>Kad\u00e3o \u00e9 um ser consciente, a todo o momento ancorado na d\u00favida ancestral que faz evoluir a ra\u00e7a humana. \u201cPor qu\u00ea?\u201d, pergunta, indaga, desafia Kad\u00e3o, sempre que \u00e9 colocado diante de uma quest\u00e3o que outros, por pregui\u00e7a ou desaten\u00e7\u00e3o, fingem ignorar, deixam passar. N\u00e3o passa nada por Kad\u00e3o. Nada que resista \u00e0 sua for\u00e7a de trabalho ou sua enorme concentra\u00e7\u00e3o. Afinal, Kad\u00e3o \u00e9 um chato.<\/p>\n<p>O sadio ceticismo move a curiosidade humana, excita o c\u00e9rebro, estimula quest\u00f5es, provoca o pensamento, arregala o olho \u2014 as rea\u00e7\u00f5es naturais para quem sempre pergunta e se pergunta: por qu\u00ea? Como fazem os chatos e, por defini\u00e7\u00e3o, os rep\u00f3rteres, que duvidam das respostas que ouvem e nunca ficam passivos diante do que v\u00eaem. Um bom rep\u00f3rter \u00e9, assim, a outra defini\u00e7\u00e3o para um chato exemplar.<\/p>\n<p>Quanto mais chato, melhor rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Kad\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fot\u00f3grafo. \u00c9 um tremendo chato.<\/p>\n<p>E, por tudo isso, Kad\u00e3o \u00e9 um baita rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>\u00c9 o melhor rep\u00f3rter que tive ao meu lado, em quatro d\u00e9cadas de aventuras no mundo trepidante do jornalismo. Eu digo porque sei, porque conhe\u00e7o Kad\u00e3o como ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Nascemos no mesmo ano (1951), sofremos pelo mesmo time (Gr\u00eamio), compartilhamos as primeiras baforadas de cachimbo com a descoberta do perfumado\u00a0Troost Aromatic Cavendish\u00a0da boa cepa holandesa, come\u00e7amos juntos (1970) como \u2018focas\u2019 inseguros e empolgados pelo mesmo jornal (Zero Hora), assombrados pela mesma ditadura (1964) que temia perguntas e espalhava certezas, chumbo e medo nos cora\u00e7\u00f5es e mentes de todos n\u00f3s \u2014 rebeldes pela idade, desconfiados por instinto, chatos por natureza.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria comum de identidade incomum nos tornou amigos, chapas, parceiros, irm\u00e3os de f\u00e9, camaradas de uma vida inteira. Tamanha intimidade me deu o privil\u00e9gio de apresentar (1971) ao Kad\u00e3o uma amiga loira (Loraine), a eterna namorada que aguenta esse chato num inquestion\u00e1vel, intermin\u00e1vel casamento (de 40 anos) que lhe proporcionou, sem maiores perguntas, suas melhores revela\u00e7\u00f5es: os dois filhos (Let\u00e2nia e Leonel).<\/p>\n<p>Para quem acha que n\u00e3o passa de um fot\u00f3grafo, Kad\u00e3o ainda exibe outro lado inusitado: ele tamb\u00e9m escreve. E escreve bem. Nada mais chato do que isso, nada mais previs\u00edvel para quem pensa. \u00c9 uma qualidade rara entre os profissionais da fotografia brasileira, onde goza da ilustre companhia de Marcos S\u00e1 Correa (Veja\u00a0e\u00a0Jornal do Brasil) e de H\u00e9lio Campos Mello (Isto\u00c9\u00a0e\u00a0Brasileiros), dois talentos que migraram das imagens do in\u00edcio de carreira para o texto poderoso de jornais e revistas onde brilharam comandando equipes que Kad\u00e3o, n\u00e3o por acaso, integrava.<\/p>\n<p>O sangue de jornalista tem uma carga gen\u00e9tica de forte car\u00e1ter: o pai, Hamilton Chaves, ecoa na hist\u00f3ria brasileira como o homem que comandou a poderosa\u00a0Rede da Legalidade.\u00a0Foi a cadeia radiof\u00f4nica nacional de 250 emissoras de r\u00e1dio coordenada por Hamilton que deu voz e sentido \u00e0 c\u00edvica rebeli\u00e3o do governador ga\u00facho Leonel Brizola, em agosto de 1961, na defesa da Constitui\u00e7\u00e3o e da posse do vice-presidente Jo\u00e3o Goulart, vetada pelos ministros militares desde a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros.<\/p>\n<p>Nos por\u00f5es do Pal\u00e1cio Piratini, que Kad\u00e3o j\u00e1 frequentava como um guri excitado naquela d\u00e9cada que come\u00e7ava trepidante, Hamilton Chaves, ent\u00e3o secret\u00e1rio de imprensa do governador, instalou o microfone com que Brizola mobilizou o povo ga\u00facho, conquistou a ades\u00e3o do III Ex\u00e9rcito, quebrou a unidade militar, frustrou o golpe e garantiu a posse de Jango na presid\u00eancia. Por todos os motivos, Hamilton era o her\u00f3i de Kad\u00e3o, na vida e no jornalismo. Um \u00eddolo que ele enterrou precocemente em maio de 1985, no dia exato em que o pai completava 60 anos, repartido entre o cora\u00e7\u00e3o de filho e o olho de rep\u00f3rter: apesar do pranto, Kad\u00e3o n\u00e3o deixou de fazer os derradeiros registros fotogr\u00e1ficos de quem em vida foi seu modelo de \u00e9tica na pol\u00edtica e de convic\u00e7\u00e3o no jornalismo.<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada antes, tamb\u00e9m chorando, mas inquebr\u00e1vel em sua determina\u00e7\u00e3o como rep\u00f3rter, Kad\u00e3o cobriu fotograficamente para a revista\u00a0Veja\u00a0o vel\u00f3rio e o enterro de outra figura marcante de sua vida: Lupic\u00ednio Rodrigues, o maior compositor popular do Rio Grande, parceiro do pai em algumas m\u00fasicas e companheiro incans\u00e1vel de Hamilton Chaves na boemia da noite de Porto Alegre.<\/p>\n<p>O dif\u00edcil equil\u00edbrio entre a emo\u00e7\u00e3o e a t\u00e9cnica, a exigida harmonia entre o que pensava o homem e o que fazia o profissional fizeram de Kad\u00e3o uma figura especial, rara, indispens\u00e1vel. A partir de nosso encontro pioneiro em\u00a0Zero Hora, tive a preocupa\u00e7\u00e3o, sempre que podia, em ter Kad\u00e3o ao meu lado, como escora fundamental de qualidade, talento, lucidez e inspira\u00e7\u00e3o de trabalho.<\/p>\n<p>Assim foi na d\u00e9cada de 1970, em Porto Alegre, quando o levei para a sucursal da revista\u00a0Veja, que eu chefiava. Assim se repetiu no final da d\u00e9cada de 1980, em Bras\u00edlia, quando o chamei para trabalhar na sucursal da Ag\u00eancia Estado, que eu dirigia. Os anos de conviv\u00eancia nos davam a seguran\u00e7a de conversas ancoradas na experi\u00eancia da vida, na emerg\u00eancia dos fatos. N\u00e3o tinha ao meu lado um fot\u00f3grafo, um subordinado. Tinha o amigo de sempre, a quem procurava nos momentos de d\u00favida, de incerteza, para usurpar da\u00ed o seu lugar de chato e fazer a pergunta de praxe para um disc\u00edpulo: \u201cMas, e por qu\u00ea, Kad\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>Com a autoridade de quem sabia fazer as perguntas certas, na hora exata, Kad\u00e3o dava a resposta que me abria caminhos e me iluminava a mente.<\/p>\n<p>Aprendi com ele esta li\u00e7\u00e3o simples e empolgante: para aprender, basta o v\u00edcio regenerador da pergunta, sucedida por outras, novas e melhores perguntas. Seja c\u00e9tico, insistente, persistente, inconformado, desconfiado, sugeria Kad\u00e3o. Resumindo: seja chato, para ser um rep\u00f3rter melhor.<\/p>\n<p>Nunca fiz nada melhor do que seguir, na pr\u00e1tica do jornalismo , essa \u2018doutrina Kad\u00e3o\u2019. Para minha sorte, Kad\u00e3o estava ao meu lado na mais longa, mais dif\u00edcil e mais gratificante reportagem de minha carreira de quase quatro d\u00e9cadas: a investiga\u00e7\u00e3o sobre o sequestro em Porto Alegre dos refugiados uruguaios Universindo Rodr\u00edguez D\u00edaz e Lili\u00e1n Celiberti, e seus dois filhos, em novembro de 1978.<\/p>\n<p>Um telefonema an\u00f4nimo me levou a um apartamento do bairro do Menino Deus, numa sexta-feira chuvosa, naquele dia acompanhado pelo fot\u00f3grafo JB Scalco, da revista\u00a0Placar. Kad\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o estava ali, naquele momento, porque cumpria uma pauta no litoral, onde entrevistava o senador rec\u00e9m-eleito Pedro Simon.<\/p>\n<p>Coube a Scalco e a mim, ent\u00e3o, a inesperada recep\u00e7\u00e3o no apartamento por homens armados, agentes de uma opera\u00e7\u00e3o binacional clandestina das ditaduras do Brasil e do Uruguai que atropelaram at\u00e9 as leis escritas do arb\u00edtrio para sequestrar e torturar cidad\u00e3os estrangeiros em solo brasileiro.<\/p>\n<p>Scalco foi decisivo para identificar os dois policiais do DOPS, o escriv\u00e3o Didi Pedalada e o inspetor Irno, que nos receberam com pistolas na cara.<\/p>\n<p>O voo criminoso da Opera\u00e7\u00e3o Condor em Porto Alegre foi denunciado pela imprensa, a a\u00e7\u00e3o clandestina foi abortada e os sequestrados sobreviveram, escapando do assassinato de rotina da repress\u00e3o uruguaia.<\/p>\n<p>Nas 86 semanas seguintes, quase dois anos at\u00e9 a senten\u00e7a final da Justi\u00e7a condenando os sequestradores, em julho de 198o, Kad\u00e3o foi a figura mais decisiva do caso.<\/p>\n<p>O sequestro certamente seria desvendado por minha equipe, eventualmente sem a minha presen\u00e7a, mas a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegaria a lugar nenhum sem a insist\u00eancia, o dedo e o olho de Kad\u00e3o.<\/p>\n<p>Era preciso um chato para fazer avan\u00e7ar a reportagem e deslindar o sequestro. E ele felizmente estava ali, ao meu lado: Kad\u00e3o, o rep\u00f3rter chato.<\/p>\n<p>Sentado no banco traseiro de um t\u00e1xi em meados de dezembro, um m\u00eas ap\u00f3s a den\u00fancia do sequestro, Kad\u00e3o n\u00e3o se rendia ao deserto de pistas que se abria diante de mim.<\/p>\n<p>Teimoso, inconformado, insistia comigo que algo havia passado em branco, alguma coisa devia ter escapado. E pedia que eu contasse, mais uma vez, tudo o que se passara no apartamento.<\/p>\n<p>A \u00fanica maneira de satisfazer aquele chato era fazer o que ele pedia, capitulei. Desanimado, repeti toda a hist\u00f3ria, de onde Kad\u00e3o acabou resgatando o elo esquecido que levaria, horas depois, \u00e0 foto perdida de Didi Pedalada \u2014 o fio da meada para revelar o envolvimento do DOPS do delegado Pedro Seelig e da ditadura brasileira no sequestro dos uruguaios.<\/p>\n<p>Sem Didi, o sequestro n\u00e3o seria desvendado. Sem Kad\u00e3o, Didi n\u00e3o seria descoberto. Scalco e eu apenas reconhecemos a foto de Didi que Kad\u00e3o colocou diante de nossos olhos. A reportagem do sequestro de Lili\u00e1n e Universindo tem come\u00e7o, meio e fim. Kad\u00e3o est\u00e1 em todos eles.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, em dezembro, desencavou a foto redentora de Didi. No meio, tr\u00eas meses depois, Kad\u00e3o fez a foto da escriv\u00e3 do DOPS Faustina, que manteve a guarda provis\u00f3ria dos filhos de Lili\u00e1n, Camilo (8 anos) e Francesca (3). Ap\u00f3s duas horas de espera, com a teleobjetiva de c\u00e2mera apontada para a janela do primeiro andar do pr\u00e9dio onde morava a policial, Kad\u00e3o viu enfim chegar o seu momento: num segundo fugaz, Faustina botou a cara na janela, pressentiu o perigo e tentou escapulir. Mas, j\u00e1 tinha ca\u00eddo na rede de Kad\u00e3o, que teve uma s\u00f3 chance para um disparo certeiro, preciso, fatal.<\/p>\n<p>A \u00fanica foto capturada pelo dedo \u00e1gil e pelo olho agudo de Kad\u00e3o foi levada horas depois a Montevid\u00e9u, onde o garoto Camilo confirmou a identifica\u00e7\u00e3o da sequestradora.<\/p>\n<p>No fim, em outubro de 1979, um ano ap\u00f3s o sequestro, Kad\u00e3o fez a foto que desmascarou a derradeira tentativa de fraude da pol\u00edcia ga\u00facha, que apresentava o sequestrador Irno com um visual fabricado, exatamente oposto ao descrito por Scalco e por mim.<\/p>\n<p>Originalmente cabeludo, sem barba e de bigode, Irno foi exibido na entrevista coletiva como um careca, barbudo e sem bigode, uma novidade devastadora que desmoralizava as testemunhas e comprometia toda a den\u00fancia da imprensa.<\/p>\n<p>Passado o susto inicial, emergiu na coletiva o lado chato de Kad\u00e3o, o rep\u00f3rter teimoso que n\u00e3o se conformava com o monumental equ\u00edvoco que se desenhava na den\u00fancia que a pol\u00edcia tentava desqualificar. Um suposto erro dos rep\u00f3rteres, naquele momento decisivo, consagraria a mentira e daria espa\u00e7o para uma assustadora contraofensiva do aparato repressivo, jogando por terra um ano de investiga\u00e7\u00e3o e desmoralizando todo o trabalho da imprensa.<\/p>\n<p>Desconfiado como sempre, chato como nunca, Kad\u00e3o n\u00e3o acreditou na imagem inesperada que via \u00e0 sua frente, no audit\u00f3rio da pol\u00edcia. Ousado, Kad\u00e3o trocou a lente normal por uma teleobjetiva de 200mm, impens\u00e1vel para o espa\u00e7o ex\u00edguo da sala. Com a tele, Kad\u00e3o come\u00e7ou a pentear aquela imprevista careca, da qual s\u00f3 um chato seria capaz de duvidar.<\/p>\n<p>E, com a lente de aproxima\u00e7\u00e3o, Kad\u00e3o descobriu um fato not\u00e1vel, que apenas ele percebeu: aquela careca era recente, fabricada, falsa. Os fios de cabelos cortados rente, impercept\u00edveis para o audit\u00f3rio, denunciavam pela lente esperta de Kad\u00e3o o uso ardiloso de uma navalha, que transformou o genu\u00edno sequestrador cabeludo num fingido policial careca. Uma sequ\u00eancia posterior de fotos, recolhidas por Kad\u00e3o em antigos locais de trabalho de Irno, acabaram comprovando fotograficamente a farsa de uma pol\u00edcia acuada pelas pr\u00f3prias mentiras que fabricava.<\/p>\n<p>Uma ditadura pode qualquer coisa. Ela s\u00f3 n\u00e3o consegue imaginar um chato capaz de desmascar\u00e1-la. Um chato como Kad\u00e3o.<\/p>\n<p>O Kad\u00e3o de todos n\u00f3s \u00e9 a s\u00edntese entre emo\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnica, o equil\u00edbrio entre a\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, a transi\u00e7\u00e3o entre a imagem que passa e a cena que fica, o homem capaz de captar o instante fugidio que ele congela e preserva na eternidade da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Porque esse \u00e9 o Kad\u00e3o. (LCC)<\/p>\n<p>Um bendito chato!<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Ricardo Chaves morreu na sexta-feira 4 de abril, aos 73 anos, em Porto Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha O Brasil ganhou um tesouro, em 2016, com o lan\u00e7amento do livro &#8220;A for\u00e7a do tempo. Hist\u00f3rias de um rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico brasileiro&#8221;. 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