FELIPE UHR
O próximo dia 5 de julho marca o sesquicentenário do Registro de Imóveis 1ª Zona da cidade de Porto Alegre. Para comemorar a data será lançado o livro “Do manuscrito ao registro eletrônico: 150 anos do Registro de Imóveis de Porto Alegre”.
O material, reunido pela organizadora e editora da obra, a arquiteta Juliana Erpen, consiste em fotos de prédios antigos com os respectivos registros de imóveis e breve histórico dos mesmos. Contempla também a evolução jurídica do registro da propriedade, desde o Brasil Colônia.
Há ainda coisas inéditas e inusitadas, reveladas durante os poucos mais de 4 meses de pesquisa.
“Encontramos coisas muito legais, inclusive a partir de fotos antigas. O professor Günter Weimer reconstituiu a fachada da Casa do Borges de Medeiros, que também foi a primeira sede do Registro de Imóveis” explica a arquiteta.
Há textos jurídicos, assinados por conceituados juristas, explicando o sistema registral brasileiro, o qual garante a segurança jurídica para o adquirente de um imóvel.
O material contou com a participação de 3 historiadores e conhecedores da história e do desenvolvimento da cidade de Porto Alegre: além de Günter Weimer, integraram o grupo Miguel Frederico do Espírito Santo e Sérgio da Costa Franco.
O último escreveu o prefácio e colaborou com a identificação de fotos antigas e também com um capítulo onde descreveu a evolução urbana de Porto Alegre. “Citei as modificações da plantas da cidade e suas alterações geográficas ao longo da história”, comenta o historiador.
Outro episódio contado por Sérgio da Costa Franco é como a cidade se desenvolveu. “A população teve crescimento acentuado a partir da criação do transporte coletivo, primeiro feito por animais, depois pelos bondes, a partir de 1873”, ressalta o historiador.
Participou também o arquiteto Claudio Calovi, que descreve o aterro do Cais Mauá e os prédios do entorno da Praça da Alfândega.
Escravidão registrada
Outra história incrível e descoberta na pesquisa é a documentação de escravos. “Nós pesquisamos e descobrimos que escravos foram registrados. Eles eram considerados bem-móveis pertencentes aos donos dos imóveis”, explica Juliana.
A organizadora se aprofundou nesse assunto e no livro conta a história de 3 escravos, entre eles o Escravo Salvador, com então apenas 9 anos. “Foi uma infeliz realidade, mas que deve ser contada”, ressalta.
O livro será lançado no próximo dia 4 de julho, às 18 horas no Palácio da Justiça, na Praça da Matriz, 55, no Centro Histórico de Porto Alegre.

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