A agressão policial a mulheres, na noite de domingo, foi denunciada em um protesto na Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento cultural da cidade.
Cerca de 300 manifestantes relataram, em uníssono, a agressão policial a um grupo de mulheres na Praça João Paulo I, no bairro Santana, onde estava acontecendo a 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre, evento paralelo à feira tradicional.
https://jornalja.com.br/feira-feminista-acaba-com-violencia-policial/
Pequenos grupos de soldados, usando coletes e até capacetes, guardavam as entradas para os corredores das bancas de livros. A presença policial ostensiva ali mostrou-se desnecessária, pois as manifestantes queriam justamente ocupar os espaços abertos, para denunciar publicamente a violência policial.
O comandante do 9º Batalhão da Brigada Militar, tenente-coronel Marcus Vinicius Gonçalves Oliveira, disse ao jornal Correio do Povo que houve “uso médio” da força para conter a ação de pessoas que investiram contra a tropa.

“Mexeu com uma, mexeu com todas!”
Logo após as 17 horas, as manifestantes partiram da praça onde foram agredidas, na avenida Jerônimo de Ornellas, e seguiram pelas avenidas João Pessoa e Salgado Filho. Ao final doa caminhada de cinco quilômetros, chegaram à esquina das ruas Andradas e General Câmara. Ali leram, em uníssono, o seu relato do fato, um texto que também incluía o discurso feminista.

Gritando palavras de ordem e pedindo o fim da polícia militar, seguiram pela Andradas até a Praça da Alfândega, e repetiram o texto, que seria lido ainda mais uma vez, já quase na Praça de Autógrafos.
Ali terminou o protesto, pacificamente, e com grande assistência do público, que fotografava e filmava com os aparelhos de telefone celular. As manifestantes são, na maioria, mulheres jovens, contrárias a convenções, ativistas que não aceitam que seja considerado normal o assédio machista.
O protesto encerrou com um refrão acompanhado por parte do público que foi à Feira do Livro no final do feriadão:
“Pisa ligeiro,
pisa ligeiro.
Quem não pode com formiga,
não atiça o formigueiro”
As vítimas ainda não fizeram boletim de ocorrência
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Comdim Poa, foi das primeiras entidades a manifestar “solidariedade, indignação e repúdio à ação nefasta e covarde da Brigada Militar”. A presidente do Comdim, jornalista Vera Daysi Barcelos, sugere que as feministas agredidas registrem a ocorrência na Polícia Civil, para “tomada urgente de providências”.
Também exige punição o Coletivo Feminino Plural, entidade integrante da Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e do Consócio Nacional de Redes e Organizações para Monitoramento (Cedaw), que participou ativamente, através do seu Ponto de Cultura Feminista Corpo Arte e Expressão, 1a Feira do Livro Feminista Autônoma. “O objetivo desta Feira é difundir a produção cultural e artística feminista, que na maioria das vezes não se insere no mercado editorial. Em razão desse pertencimento na atividade cultural, e por considerar que nenhuma violência contra as mulheres pode ficar impune e deve servir de alerta ao caráter patriarcal e machista da sociedade e do estado brasileiros, vem a público solidarizar-se com aquelas mulheres atacadas na noite de ontem (…) e também denunciar e exigir de autoridades de todos os níveis, providências para a responsabilização dos autores das agressões, policiais militares integrantes da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.”

Feministas vão à Feira do Livro denunciar agressões
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