O discurso que a dita “grande mídia” propaga a respeito do impeachment, está expresso em seus vários colunistas e em seu noticiário:.
1) Impeachment não é golpe. O crime de improbidade administrativa é previsto na Constituição. Trata-se, portanto, de aplicar a Constituição, simplesmente.
2) Chantagem do Cunha? Chantagem é moeda da política, o governo também fez chantagem com ele. Normal, portanto.
3) É um processo político, não jurídico. Collor, por exemplo, perdeu o mandato e, depois, foi absolvido dos crimes que levaram ao impeachment.
4) A crise econômica não vai piorar com o impeachment. O mercado tende a receber bem um governo do PMDB.
5) Tudo pode se resolver rapidamente, em quatro ou cinco meses.
Portanto, é simples. Tira-se a presidente, assume o vice. Temer é um homem confiável, até tentou chamar a presidenta ao bom caminho. Tem um programa de governo e é capaz de fazer a conciliação que o país precisa. Eliseu Padilha é seu escudeiro.
Tudo muito arrumadinho, até surgirem as reações. No domingo já surgiu o movimento liderado pelo governador Flávio Dino, do Maranhão, contra as “manobras golpistas”.
Ciro Gomes, ex-ministro e um dos presidenciáveis de 2018, pelo PDT, deu o tom da reação:
-Perguntem qual é a opinião do Michel Temer, vice-presidente da República, sobre o fato de seu companheiro, amigo, parceiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter contas na Suíça, ser denunciado por crime de formação de quadrilha, de roubo do dinheiro público. Ele não tem uma opinião. Por quê? Porque é íntimo parceiro. E não por acaso o beneficiário imediato dessa ruptura da democracia e dessa imensa e potencial crise para 20 anos. ê ele mesmo o senhor Michel Temer, o capitão do golpe.
Como advertiu o Gaspari, “Temer pode ser um imperativo, mas não é popular”.
Se em vez de tentar provar suas teses de gabinete, essa mídia fosse à luta para ver o que realmente acontece, provavelmente não simplificaria tanto uma situação tão complexa, que pode se tornar explosiva.
Impeachment: o golpe do PMDB
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