O legado de Flávio Basso

MATHEUS CHAPARINI
Montei minha primeira banda de rock quando tinha uns 14 anos, no começo dos anos 2000. A gurizada do colégio queria tocar Cascavelletes na formatura do Ensino Fundamental. Juntamos cinco cabeças, fizemos alguns ensaios na saudosa Fun House e atacamos de “menstruaaaada, mas mesmo assim eu vou transar”, em pleno Salão Nobre da Sogipa.
A diversão era descobrir alguma versão diferente ou música rara antes dos colegas. Piramos com a demo Vórtex. Chacoalhava nossa imaginação adolescente o texto do repórter Marcel Plasse, da revista Bizz, que descrevia a banda ao vivo como “um inferno” e Flávio Basso como um “clone de garagem turbinada de Mick Jagger.”
Minha carreira de músico de rock não foi muito longe, mas hoje pela manhã, no velório do Júpiter, fiquei me perguntando quantos daqueles músicos com lágrimas nos olhos devem ter começado suas primeiras bandas por influência dele? Quantas daquelas pessoas foram tocadas pela música através do seu trabalho? Esse foi o seu legado: além de sua obra, as tantas outras que influenciou.
Flávio Basso morreu nesta segunda-feira, 21, aos 47 anos, de falência múltipla dos órgãos. O músico tinha uma apresentação marcada para o dia seguinte.
Basso foi criador das bandas TNT e Cascavelletes. Sem dúvida, o principal nome da geração que colocou o rock gaúcho no cenário nacional, nos anos 80. Em carreira solo, já como Júpiter Maçã, lançou uma demo com a banda Pereiras Azuis, que viria a ser o embrião do clássico A Sétima Efervescência, de 97. Complexo e diverso, fez rock, folk, psicodelia, marchinha, bossa e até cinema. Foi Flávio Basso, Woody Apple, Júpiter Maçã, depois Júpiter Apple, depois Maçã novamente.

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