Preço do aluguel afugenta comércio do Bom Fim

Matheus Chaparini.
As placas de aluga-se ao longo da avenida Osvaldo Aranha não deixam dúvida. A crise chegou pesada a um dos pontos históricos do comércio de Porto Aegre, no bairro Bom Fim.
Em uma caminhada pelo 1,5 km da avenida, a reportagem do JÁ contou mais de 20 imóveis comerciais para alugar e outros quatro em reforma. Quando se pergunta aos operários que trabalham nas obras o que vai abrir no local, a resposta é a mesma: nada.
São lojas térreas, geralmente de grandes dimensões, algumas até com andares superiores. Muitas estão para alugar há dois, três ou mais anos.
Os comerciantes reclamam do preço dos aluguéis e da queda nas vendas. Se vende pouco, não tem como pagar aluguel caro.
Se o aluguel não baixa, o imóvel fica fechado e imóvel fechado só tem uma serventia: segurar o preço do aluguel. É negócio para quem?
A concentração de imóveis desocupados é maior no trecho entre as ruas Barros Cassal e João Telles. Próximo à esquina da Garibaldi, um anúncio chama atenção. A loja é gigante, tem área de 840m² e vagas de estacionamento com acesso pela rua Santo Antonio, o que da ideia do tamanho. O prédio abrigava a escola de idiomas Acirs, que se mudou para um edifício a poucos metros.
A região próxima ao Pronto Socorro tem maior movimento e atividade comercial mais diversificada. Ainda assim, se encontra uma casa comercial grande, de dois andares para alugar.
Comércio de móveis sente o peso do aluguel
Sandro Nunes é proprietário da Bela Sala há 15 anos, quando comprou a loja do seu antigo patrão. Os imóveis vizinhos dos dois lados estão para alugar, eram lojas de móveis, como a maioria dos pontos vagos.
O empresário atribui os vazios da avenida a dois fatores: “O país está em um momento econômico ruim, mesmo assim os proprietários continuam subindo os aluguéis.”
Há duas décadas a Osvaldo Aranha era um pólo do comércio de móveis.
Esta situação começou a mudar com o surgimento de outros pontos de concentração deste ramo do comércio, como o Shopping DC Navegantes e a Avenida Ipiranga. “As lojas se espalharam. Hoje tem loja por tudo, o cliente não precisa mais se deslocar tanto”, afirma Nunes.

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Sandro Nunes, proprietário da Bela Sala

Apesar da queda nas vendas, ele não fala em se mudar. Seu vizinho César Minetti é mais pessimista. “Se não melhorar até de fevereiro eu vou ter que ir embora.”
Minetti trabalha no ramo há 17 anos e é dono de loja há sete. Já teve três unidades na Osvaldo Aranha: uma fechou no final de 2014, outra há dois meses, hoje a Minetti Móveis tem apenas uma loja e um funcionário. Minetti conta que paga R$ 6 mil de aluguel e que já recebeu uma proposta para transferir a loja para Viamão, onde mora. “Me ofereceram um prédio novo, de 530 m², com 10 vagas privativas, por R$ 3.800.”
Quem consegue se manter mais facilmente são os donos dos pontos, que não dependem do aluguel. É o caso de Sérgio Schwartz, comerciante de móveis há 44 anos. A família está no ramo há mais de um século, quando seu avô, Adolfo, veio da Rússia. O avô passou os negócios para o pai, que passou para Sérgio e seu irmão. Com apenas três funcionários, eles mantém duas lojas lado a lado, a Schwartz Móveis e a Ouro Preto. Mas Sérgio conta que, no auge, a rede chegou a sete unidades e mais de 60 funcionários.
“Quando fiz faculdade aprendi que o aluguel não pode custar mais do que um dia do faturamento mensal da empresa. Hoje em dia, nenhum negócio honesto consegue faturar tanto”, afirma Schwartz, comentando os valores do aluguéis nas esquinas próximas à sua loja, entre R$ 7 mil e R$ 10 mil.
Outra reclamação dos comerciantes é quanto ao estacionamento. Desde o começo do ano é proibido estacionar no trecho entre a Thomaz Flores e a Santo Antônio. “Esses dias um cliente meu teve que dar duas voltas na quadra para conseguir parar o carro. Ele havia encomendado uma cadeira, era só encostar e botar a cadeira no carro, mas não pode”, reclama Minetti.
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Sérgio Schwartz e César Minetti, concorrência amigável, apesar das baixas vendas

Baltimore: 216 salas, apenas 30 ocupadas
Sete 7 meses após o lançamento, o novo Baltimore tem poucas salas estão ocupadas e a movimentação ainda é pequena. O estacionamento do edifício chegou a fazer uma promoção. Um turno de estacionamento está custando R$ 9, o mesmo valor cobrado por apenas uma hora na garagem vizinha.
O enorme espigão comercial, que carrega o nome do antigo cinema que havia no local, foi lançado em maio deste ano. A maioria das salas comerciais foram compradas por investidores ainda na planta, para revenda ou locação. A construtora Melnick Even mantém um plantão de vendas no hall de entrada. A construtora tem apenas meia dúzia de unidades para venda, ainda assim, o nível de ocupação é baixo.
Das 216 salas, pouco mais de 30 estão sendo utilizadas. As duas lojas térreas, que foram dadas como contrapartida ao proprietário do terreno, seguem vazias.
Novos negócios na Osvaldo
Além da Vasco, algumas ruas de menor movimento vem atraindo novos negócios de pequeno e médio porte. É o caso da Miguel Tostes, que está se constituindo em um polo criativo, da diversidade da Bento Figueiredo e das casas de bolos que se espalham pelas ruazinhas do bairro, para citar alguns exemplos.
Para as farmácias, a Osvaldo continua sendo um ponto atraente. Na região próxima ao Pronto Socorro e Hospital de Clínicas, duas unidades abriram as portas recentemente. A farmácia São João inaugurou no último dia 30, no local onde ficava a loja Gang. A farmácia melhor Preço também abriu nova loja, há cerca de três meses.
Na outra ponta da avenida, ao lado do Mariu’s, o cartório se mudou para o numero 374 e no antigo local, abriu a Luthieria Évora. Ali, entre gatos e motocicletas, se fabrica e conserta instrumentos musicais. “Somos dois sócios. O Evandro Rosa é o mestre Luthier, eu faço o administrativo e sou aprendiz”, explica o músico Moisés Rodrigues. A loja funcionava em Cachoeirinha e mudou-se para o local há cinco meses. “Não estava procurando necessariamente na Osvaldo, mas acabou sendo um ponto bom por ser próximo à Ufrgs e à Cidade Baixa.”
No andar térreo funciona a loja e no mezanino moram Moisés e os gatos, que eventualmente aparecem para receber os clientes.
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Moisés Rodrigues e o sócio trouxeram a Luthieria Évora para a Osvaldo na metade de 2015

Na Vasco, o Bom Fim com cara de Moinhos
Na rua Vasco da Gama o cenário é outro. O antigo perfil residencial da Vasco vai se modificando. Até mesmo casas antigas estão sendo transformadas em pontos comerciais. Na esquina com a Santo Antônio, o Mini Shopping Bom Fim é um ponto disputado. Das dez lojas, apenas duas são as mesmas desde a inauguração, em 2008. As outras mudaram de dono, mas os pontos não ficam muito tempo fechadas. “Não da nem tempo de colocar a placa, alguém já alugou”, comenta Tanara Schein, proprietária da loja Cabidero.
Nota-se uma certa diferença entre os negócios que abrem na Vasco e na Osvaldo. Os estabelecimentos da Vasco são mais sofisticados e atingem um público de maior poder aquisitivo. A comerciante justifica a escolha pelo ponto: “escolhi o Bom Fim por que é um bairro aconchegante, tem tudo por perto e as pessoas ainda têm o hábito de andar pelas calçadas.” Ela conta que a rua é uma boa opção por ficar entre duas avenidas de grande movimento, Osvaldo e Independência.
A presença da feira modelo aos sábados movimenta a rua e favorece os negócios. A feira tem uma clientela fiel e atrai gente de outros bairros e ex-moradores do Bonfa. Como o público do mini shopping é majoritariamente de moradores do bairro, a circulação da feira ajuda a ampliar a clientela.
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Tanara Schein: “Escolhi o Bom Fim porque é um bairro aconchegante”

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