Pinheiro do Vale
Ano novo vida nova. Mais uma tirada acaciana para abrir uma análise política em nosso país, pois ninguém pode melhor que o Conselheiro explicar “na lata” o que está acontecendo.
A trégua de fim de ano, no campo político, que vai até segunda-feira e pode se estender até depois do Carnaval, foi uma “freada de acomodação” (uma manobra dos motoristas para abrir espaços no corredor de ônibus superlotado).
O ar estava irrespirável. Nos últimos dias do ano, do Natal para cá, abriu-se uma janela para correr um ventinho. Todos os atores se deram uma trégua e assim aliviaram a pressão sobre os demais e de si mesmos.
A presidente Dilma pode sancionar a tempo sua LDO, como hoje se chama o orçamento, e com isto na mão, tem munição para ir governando no seu ritmo, a trancos e barrancos.
O setor político também se recolheu para tomar ar e deve voltar já com as vistas mirando as eleições municipais de outubro.
Por mais que se desmereçam as agendas locais, elas vão influir como nunca no realinhamento de forças.
O tal desencanto com os partidos, com os políticos e com os governos em geral deve mostrar sua cara no resultado das urnas em outubro, principalmente nas grandes cidades. Este será um dado importante no caminho para 2018.
Neste primeiro momento, seguindo-se a trégua do Ano Novo, os políticos estarão sondando suas bases e o resultado vai aparecer na chamada “janela” que se vai abrir para as mudanças de partidos.
Dizem que haverá uma debandada dos partidos governistas. Há que ver.
No campo político, ou seja, fora da área eleitoral, dentro dos parlamentos, também haverá mudanças.
Nos municípios, vereadores e prefeitos assumem o protagonismo, esfriando-se as indignações nacionais em troca de soluções para a buraqueira das ruas, sujeira das cidades e colapso dos serviços públicos devido à penúria financeira.
Assunto pesado: necessidade de aumento dos impostos sobre serviços e transações imobiliárias.
Nas assembleias legislativas também os deputados devem começar a se mexer, aprovando reformas (leia-se ajustes fiscais, cortes de gastos e uma sacudida na economia), pois o eleitorado já está cansado de ouvir as lamúrias de governadores culpando a Dilma ou seus antecessores pelo descalabro de seus governos até este momento.
Na área federal, também foram dadas as cartas. O Executivo pode se queixar de muita coisa, mas não dos políticos, pois a tal base aliada infiel e volúvel deu-lhe a LDO a tempo e a insidiosa oposição não usou seu número de cadeiras para obstruir sua aprovação.
Ou seja: todo mundo vai subir ao ringue com luvas bem colocadas.
A briga de foice no escuro volta no parlamento, especialmente na Câmara. Entretanto não será uma repetição do vale-tudo do primeiro ano (2015). Na tal “freada de acomodação”, muita coisa que estava desarrumada vai voltar para seu lugar. Uma delas será a retomada do comando pelos comandantes.
Os dois lados estavam tontos de tanta paulada que se deram no primeiro turno, consequência de um quadro político inesperado ao final da reeleição.
Os causadores de tudo isto, o eleitorado, fizeram um papelão: nem bem se fecharam as urnas, deram para trás, deixando Dilma à deriva, pedalando sua bike sem sair do lugar, entre 9% e 10% de aprovação.
A situação se viu perplexa com o resultado pós-eleitoral, quando lhe caiu em cima o rombo das “pedaladas”, que se hoje são condenadas, azeitaram a máquina governista e deram à presidente uma vitória apertada, mas qualificada pela maioria absoluta.
Sua base parlamentar de quase 400 deputados chegou ao fim do ano com míseros 199 deputados, o suficiente para impedir o impeachment, mas um retrato constrangedor do desempenho político do Executivo.
A oposição tucana, a mais qualificada no cenário, teve um desempenho ainda pior.
Na reta final da eleição, com a morte de Eduardo Campos e a queda vertiginosa de Marina Silva, seu candidato, que fazia recall para 2018, que amargava um terceiro lugar nas pesquisas, subiu vertiginosamente.
Como um surfista amador colhido por uma onda gigante, o PSDB deixou-se levar pelo descontrole total do espaço político, e, junto com o governismo, foi atropelado pelo deslizamento da estrada conduzido pelo hábil e afoito Eduardo Cunha, que provocou a implosão dos dois lados: governo (PMDB) e oposição (precipitação do impeachment) viraram joguete do deputado carioca.
Esta pausa para meditação deve recolocar minimamente a carreta no trilho.
Os chefões devem reassumir o comando da política, demitindo ou isolando o presidente da Câmara e enquadrando o presidente do Senado, Renan Calheiros.
Há sinais: nesta virada de ano os jornais e programas de tevê abriram suas gavetas e trouxeram muito material à tona.
Eminências das principais universidades brasileiras escreveram artigos e apontaram caminhos, como é a moda de hoje, de se ouvir os cientistas políticos; praticamente todos os atores da política e da economia deram entrevistas caudalosas.
Desde Delfim Neto até os expoentes da direita. Todos falaram. É material que vai formar opinião nos escalões decisórios.
Afastado o espantalho do impeachment, Dilma vai fortalecer seu governo, pois os agentes econômicos devem se mexer. Um corte aqui, outro ali, um impostinho acolá e as contas públicas se acomodam, pois os fundamentos da economia estão razoavelmente preservados, salvo o desemprego, este, de fato, o indicador mais explosivo.
Só falta um naquela mesa: o imperscrutável velho da montanha, José Sarney. Há muitos outros fatores a analisar, como as duas maldições que assombram o PT, a maldição do poder e a maldição do petróleo; o programa Lava Jato, a crise internacional e por aí a fora, só para falar de alguns. Mas isto já é outro assunto
Políticos aproveitam trégua para sondar o ânimo dos eleitores
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