Artistas instalam mosaico na ocupação Lanceiros Negros

Os moradores da ocupação Lanceiros Negros têm agora uma bela surpresa ao chegarem em casa. A entrada do edifício ganhou sua primeira obra de arte: uma enorme Monalisa lanceira negra em mosaico. A obra é assinada pelas artistas Silvia Marcon e Ini Viera, do Murb. O coletivo de mosaico urbano atua no Brasil, Argentina e estuda a criação de um núcleo em Portugal.

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Obra em processo de criação / Divulgação

Outros mosaicos de Monalisas estilizadas podem ser vistos em diversos muros de Porto Alegre, seja na Cidade Baixa ou na Bom Jesus, além de Pelotas, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
Silvia conta que a ideia surgiu há cerca de dois anos, motivada por uma oficina de mosaicos que foi convidada a ministrar na Paxart, que funciona como produtora e espaço de criação coletiva. “Como era uma oficina pra galera do grafiti, que trabalha com arte urbana, eu pensei que não poderia ser nada muito ‘mosaico para tia’. Pensei em vários personagens como Frida Khalo, Che Guevara, Bob Marley e optei pela Monalisa.”
Primeira Monalisa gigante foi feita em Buenos Aires
As duas artistas se conheceram através dos mosaicos. A argentina Ini Viera conhecia o trabalho de Silvia Marcon pela internet. Quando veio a Porto Alegre, no ano passado, fez questão de conhecê-la. O encontro rendeu uma parceria artística e fez as “Monas”, como elas costumam chamar, chegarem até Buenos Aires, onde já são seis. Lá, elas fizeram o primeiro exemplar de grandes dimensões e ficou a vontade de fazer um parecido em Porto Alegre.
O primeiro local pensado foi a travessa Lanceiros Negros, no bairro Auxiliadora, onde Silvia já havia instalado dez pequenos mosaicos, mas a comunidade não abraçou a ideia. Já os moradores da ocupação toparam de primeira, não reclamaram nem da sujeira do cimento e a Monalisa Lanceira Negra, de 2,70m x 1,50m colocada na parede da entrada.
A primeira Monalisa conjunta foi feita no final de novembro. “Em dois meses, evoluimos o que outros mosaicistas levam anos para evoluir. A primeira que a gente fez juntas ficou feia, não tem comparação com essa. Os nossos mosaicos parecem feitos por uma pessoa só, o que é muito importante quando se trabalha em duas ou mais pessoas”, afirmou Ini.
Para instalar o mosaico na ocupação, as artistas contaram com o apoio do pintor Nelson Sura, do aprendiz de mosaicista Marco Aurélio Martins e da fotógrafa Beatriz dos Anjos. Toda a cerâmica usada vem de doações e o cimento é pago pelas prórprias artistas.
Mas até que um monte de pequenas peças de cerâmica se tornem uma obra de arte na parede, há um longo processo. Tudo começa com uma imagem digitalizada, a partir da qual, é feito um plotter no tamanho desejado para a obra.
Essa imagem é coberta com uma tela de de fibra de vidro, onde a obra é montada. Em seguida, a artistas recortam a tela, separando as partes do mosaico por cores. Os fragmentos são reunidos novamente na parede, colados com cimento cola e rejuntados.
Foram dez dias de trabalho para que a Monalisa gigante tomasse forma sobre a tela, mas um dia inteiro para cimentar. No sábado, elas rejuntam o mosaico e o pintor Nelson Sura dá o arremate.
Crianças da ocupação observavam atentas o trabalho de montagem / Foto Matheus Chaparini
Crianças da ocupação observavam atentas o trabalho de montagem / Foto Matheus Chaparini

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