Cenários para uma nova eleição ainda este ano

PINHEIRO DO VALE
Congelado no frízer o impeachment, vem à tona o julgamento no Superior Tribunal Eleitoral da chapa Dilma/Temer nas últimas eleições.
Se a chapa for mesmo impugnada, o mais provável é que a Presidência da República caia no colo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Então, um quadro de horrores, parecido com o “Guernica” de Pablo Picasso, estará desenhado e pintado na Praça dos Três Poderes.
Cunha na Presidência será uma tragédia, principalmente para uma candidatura presidencial petista.
A menos que o juiz Sérgio Moro decida levá-lo para Curitiba, estará ele mesmo na linha de sucessão se a dupla presidencial perder seus direitos. Já se vê que na Comissão de Ética ele não cai.
Mais ainda: se o Japonês da Federal for a Brasília buscá-lo, outro infiel fica no seu lugar, o presidente do Senado Renan Calheiros.
Nos cálculos dos petistas o mais aceitável seria o presidente do Supremo, Ricardo Levandowski, fazer a sucessão provisória.
Entretanto ele deixa o  STF em setembro, que passa para outra figura perigosa, a ministra Carmen Lúcia, a mesma que relatou o voto pela reabertura do processo contra a chapa no Tribunal Superior Eleitoral.
Cassada a chapa vencedora, o que acontece?  Teremos nova eleição? Há dúvidas, pois no caso de cassação de governadores quem assume é o segundo colocado.
Na Presidência será o mesmo? Quando se fala em eleição na primeira metade do mandato referem-se a caso de vacância do cargo, nunca de anulação parcial do resultado eleitoral.
Se for como nos estados, alguém poderia dizer e questionar se assume o segundo colocado.
O que se diz é que se for essa a fórmula, Aécio Neves renunciaria a assumir, abrindo a vacância. Uma manobra bastante arriscada.
Outro senão: considerando a posse lá perto do fim do ano, ele teria um pouquinho mais de dois anos de governo num quadro certamente tumultuado.
Melhor chamar uma eleição, pois neste caso estaria em certa vantagem: no PSDB somente ele e José Serra teriam condições de se apresentar, pois o terceiro candidato, Geraldo Alkmin, é inelegível. Teria de cumprir o prazo de oito meses de desincompatibilização.
Os outros dois elegíveis no quadro eleitoral seriam Marina Silva, da Rede, e Luís Inácio Lula da Silva, do PT. Ambos são livres e desimpedidos.
Um cenário de Aécio assumindo no tapetão: ele poderia, como Itamar Franco, convocar as forças políticas para um governo de união nacional, reafirmando sua declaração eleitoral de não se reeleger.
Neste caso, como os fundamentos da economia ainda são bons, se todo o mundo pegar junto ele tira o país do buraco até 2018 e pode fazer seu sucessor, que seria José Serra.
Em todo caso, correria o risco de sofrer um processo igual ao de Dilma, pois sua campanha também não passa pela peneira do juiz Sérgio Moro.
Melhor renunciar e partir do zero.
Então teríamos nova campanha, num cenário muito diferente da anterior. A nova lei que proíbe doações de empresas projeta para uma campanha pobre, financiada por doações privadas, com proselitismo na tevê e verba curta dos fundos partidários. Neste caso, Marina, com apoio dos evangélicos, doadores contumazes, pode ter a chapa mais rica.
Na verdade essa campanha seria na base do recall da anterior. Por isto não se deve esperar novos atores. Serão os três grandes mesmo. Mas fica outra pergunta: haverá segundo turno se for o caso? Isto não está previsto.
O quadro eleitoral para um pleito em curtíssimo prazo, segundo a pesquisa feita pelo IBOPE e pelo colunista especializado Roberto Toledo, do Estado de S. Paulo, mostra Lula à frente, com pouco mais de 30 por cento e intenções de voto, contra menos de 20% para Aécio e Marina. As rejeições se equivalem.
E os processos contra Lula? Isto é uma miragem da oposição e um produto para sensacionalismo da Imprensa.
Lula não está sendo processado e seu algoz é um procuradorzinho do Ministério Público de São Paulo, e não o feroz juiz Sérgio Moro da Lava-Jato.
Pode ser que ninguém acredite, mas a documentação do apartamento e do sítio não está no nome dele. Por aí não há como fazer impugnação de sua candidatura.
Mesmo sem muito dinheiro, Lula ainda é a maior potência eleitoral do Brasil. Acossado como está, ainda é o líder folgado nas pesquisas.
Sua aliança partidária é bastante ampla para ele receber a maior parte da verba pública dos fundos partidários (pior para os candidatos a prefeito, que ficarão sem recursos para suas campanhas).
Eleito, Lula será empossado. No governo, só responde por atos praticados depois de sua posse. Toda esta gritaria vai para o congelador para ser reativada depois que ele sair da Presidência, algo que só pode a ocorrer em 2022, pois ele não tem o compromisso público, que nem Aécio e Marina, de não se candidatar à reeleição.
Já esperar por 2018 pode ser muito perigoso.

Adquira nossas publicações

texto asjjsa akskalsa

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *