Protesto e bomba enquanto o Conselho ratifica o cálculo da passagem

Muito barulho por nada. Assim se poderia definir a reunião do Comtu (Conselho Municipal de Transporte Urbano) no final da manhã e início da tarde desta quinta-feira.
O resultado da votação foi de 12 favoráveis e 4 contrários. Mas não era o valor da passagem ou o reajuste que estava sendo votado, e sim a apresentação, pela EPTC, da metodologia de cálculo utilizada na licitação.
Basicamente,  o conselho reafirmou que a metodologia está correta. A decisão sobre o valor da tarifa está nas mãos da Justiça.
O conselheiro da Umespa, Lucas Becker, solicitou que uma nova reunião seja realizada especificamente para votar o valor da passagem.
Até o final do encontro os conselheiros sequer sabiam se haveria algum tipo de votação. Mas uma coisa se sabia: nenhuma decisão importante e definitiva em relação ao valor da passagem seria tomada ali.
O representante do Sintaxi, Luis Nozari, chegou a defender a nulidade de qualquer votação, por não estar previsto na pauta da reunião.
“Estamos fazendo uma reunião para referendar outra reunião que já tivemos no dia 17 de fevereiro”, concluiu Nozari, ao que uma repórter de uma rádio, confusa, virou-se para o lado e questionou  a um colega: “essa reunião não vale para nada? Então, por que estamos aqui?”
“Estamos aqui para homenagear essa decisão judicial. Se disseram que o conselho não se manifestou, vamos nos manifestar então”, definiu, em outro momento, o presidente do conselho, Jaires da Silva Maciel.

Conselheiros ratificaram cálculo da passagem por 12 votos a 4 / Foto Luciano Lanes / PMPA
Conselheiros ratificaram cálculo da passagem por 12 votos a 4 / Foto Luciano Lanes / PMPA

O encontro foi chamado pela própria empresa, pois a não aprovação no novo valor pelo Comtu foi o argumento que embasou a liminar concedida pela Justiça derrubando o aumento na tarifa.
“Esse conselho foi apenas visitado pela Eptc e não teve nenhuma interferência na fixação da tarifa”, criticou o representante do Sintaxi, Luiz Nozari, que defendeu a nulidade da votação por não estar prevista na pauta. Nozari afirmou que a votação abriria brecha para “oportunistas questionarem judicialmente.”
Técnicos da Eptc e conselheiros favoráveis ao resultado da licitação e o novo valor da passagem defendem que não há aumento. O argumento é de que a licitação representa um marco zero e, portanto, não há aumento.
Consórcio notificou prefeitura por quebra de contrato
Durante a reunião, umas das técnicas da Eptc anunciou uma informação nova. A prefeitura foi notificada extrajudicialmente pela consórcio Mais em relação aos prejuízos do não estabelecimento do contrato. O representante da ATP, Sandro Sleimon, defendeu essa saída. Segundo ele, os consórcios devem entrar com ação judicial contra o Município por quebra de contrato e cobrar os prejuízos relativos à derrubada do aumento.
Ele atribuiu os questionamentos a “um mesmo grupo de sempre”. “Antes reclamavam que não tinha licitação, agora nos acusam de estarmos mancomunados com a prefeitura”, afirmou Sleimon.
Para o representante da CUT, Alceus Weber, “está claro que existe fraude nessa planilha”. Weber apontou questões como as especificações dos veículos para defender a tese de que a licitação foi direcionada para beneficiar as empresas que já operavam o serviço e que seguem operando após o processo licitatório.
Para o representante do Stetpoa, o que estava em questão não era o transporte público de Porto Alegre, que ele defende como um dos melhores do país, e sim as isenções, apontadas por ele como responsáveis pelo alto valor da tarifa. “Temos que achar uma forma de baixar a passagem e é nos 33% de isenção.”
Do lado de fora, Brigada dispersa manifestantes com bomba de gás
Brigada Militar lançou bomba de gás lacrimogênio contra os manifestantes, na maioria estudantes secundaristas / JÁ
Brigada Militar lançou bomba de gás lacrimogênio contra os manifestantes, na maioria estudantes secundaristas / JÁ

O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou seu quarto ato do ano em função da reunião. Antes do início,a cerca de 200 manifestantes, a grande maioria estudantes secundaristas, se reuniram em frente ao portão da sede da Eptc para pressionar os conselheiros e tentar a entrada de representantes do movimento, o que não aconteceu. Com faixas, bandeiras de diversas entidades e instrumentos, entoavam cantos como “Dança, Fortuna / dança até o chão / vou barrar de novo o aumento do busão” e “Tri caro / tri demorado / ainda por cima é tri lotado”
O conselheiro do Stetpoa (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbanos de Passageiros de Porto Alegre), Emerson Dutra chegou em cima da hora e foi abordado apelos jovens, que se aglomeraram em torno de Dutra, tentando obter uma garantia de apoio. “Meu voto é sempre do povo”, afirmou vagamente o conselheiro antes de sair correndo, com os manifestantes correndo atrás. Na confusão, o conselheiro teve seu terno rasgado.
Manifestantes pressionaram conselheiro na entrada da reunião / JÁ
Manifestantes pressionaram conselheiro na entrada da reunião / JÁ

Passava um pouco das 11h quando a reunião teve início e os jornalistas concentraram foco no interior da sala. Do lado de fora, estudantes organizavam um jogral para informar como procederiam no bloqueio da avenida Ipiranga, protesto por não ter sido permitida a entrada de representantes dos estudantes. Agentes da Eptc aguardavam a comunicação quando o choque da Brigada Militar interveio com uma bomba de gás lacrimogênio.
Os manifestantes se dispersaram e retornaram até o colégio Julio de Castilhos, de onde havia partido o ato. Do lado de dentro da grade, outros funcionários da empresa de trânsito comentavam a ação da Brigada como “desproporcional”.

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