A região da Tríplice Fronteira, com sua enorme diversidade natural e cultural (em especial pela forte presença indígena), tem um rico patrimônio em plantas medicinais que vinha se perdendo, por conta da devastação ambiental e pela fragmentação do conhecimento tradicional, decorrente dos processos de urbanização.
Para resgatar esse patrimônio, difundir o emprego de fitoterápicos e os conhecimentos sobre seu uso, e ainda oferecer uma alternativa de renda para agricultores orgânicos, foi criado o programa Plantas Medicinais.
O primeiro passo, assim como em outras iniciativas do Cultivando Água Boa, foi buscar parcerias com instituições que já trabalhavam com o tema na BP3, como universidades, laboratórios, associações, ONGs e órgãos do governo.
A partir de então, foi realizada uma pesquisa na região, sobre quais as doenças mais comuns e quais os fitoterápicos que precisavam ser trabalhados para tratar essas enfermidades, desde que fossem espécies abordadas em estudos científicos e com eficácia comprovada.
Em 2005, a Itaipu criou um ervanário, com uma estrutura completa para secagem e produção de fitoterápicos, anexa ao horto de 1,5 hectare.
Ali é feita a coleta, limpeza,beneficiamento e controle de qualidade, além da montagem de um kit com 18 tipos de plantas medicinais, que servem para o tratamento das 10 doenças mais comuns da região. Os kits são enviados a postos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma das conclusões da pesquisa é que, apesar de a maioria das pessoas conhecer e utilizar plantas medicinais (82%), uma parte considerável (16%) as usava de maneira incorreta e ainda desconsiderava a ocorrência de efeitos colaterais.
Outro problema identificado é que os profissionais de saúde não estavam capacitados para trabalhar com fitoterápicos e, para atuar nessa área, é necessário gostar do tema e estar convencido da eficiência dessas plantas.
Assim, durante três anos o projeto deu ênfase à capacitação e sensibilização, buscando vencer antigos preconceitos e mostrando resultados clínicos comprovados. O Instituto Brasileiro de Plantas Medicinais, do Rio de Janeiro, que já oferece cursos de pós-graduação na área, foi contratado para realizar os cursos de capacitação.
O primeiro deles foi realizado em 2007 e contou com a participação de diversos profissionais de saúde, entre eles médicos, enfermeiros, farmacêuticos e dentistas.
Em 2009, ocorreu o segundo curso, específico para prescritores (profissionais que legalmente podem prescrever medicamentos), como médicos, dentistas e nutricionistas. Além disso, a Associação Centro Integrado de Educação Natureza e Saúde (Aciens) promove cursos básicos sobre educação alimentar, higiene, saneamento e como usar e preparar plantas medicinais (chás, infusões e condimentos) para comunidades carentes, trabalhadores sem-terra e indígenas.
Juntos, os cursos básicos e para profissionais já capacitaram mais de 7 mil pessoas.
A implantação de um projeto dessa natureza, muitas vezes, esbarra na dificuldade de aceitação por conta das Secretarias de Saúde, acostumadas a trabalhar com os medicamentos halopáticos.
Mas, uma vez que fica comprovada a eficiência dos fitoterápicos, as vantagens clínicas e a economia para o município, essa barreira é vencida.
Além do fornecimento dos kits, a Itaipu patrocina os cursos. A contrapartida das prefeituras é ceder os profissionais de saúde para o treinamento e fornecer a infraestrutura.
Outra estratégia do programa está em estabelecer uma cadeia de produção junto à agricultura familiar, como alternativa de renda, e de uma rede de distribuição na BP3 junto às secretarias de saúde municipais. Em 1,5 hectare de área é possível produzir fitoterápicos suficientes para atender a 10 postos de saúde.
A produção de fitoterápicos precisa ser obrigatoriamente orgânica. Em parceria com a Oscip Sustentec (que também participa do programa Desenvolvimento Rural Sustentável), é oferecida capacitação aos agricultores, desde o plantio à embalagem. Uma das vantagens do cultivo de plantas medicinais é que espécies nativas como Espinheira Santa, Pata de Vaca e Embaúba podem ser cultivadas na Área de Proteção Permanente.
O programa orienta que o agricultor primeiro consulte a lista de fitoterápicos do Sistema Único de Saúde (SUS), o que é um indicativo do mercado que ele poderá explorar.
O Brasil e as plantas medicinais
Conforme o diretor de Coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, dos medicamentos atualmente produzidos, cerca de 25% têm componentes químicos oriundos de plantas. “Nossa flora tem cerca de 120 mil espécies vegetais, de aplicações terapêuticas e o alto custo dos medicamentos fabricados pela indústria farmacêutica, dentre outros motivos, têm aumentado o interesse das pessoas nesse tipo de terapia”, explica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo confiam nas “medicinas tradicionais”, onde as ervas têm grande emprego. Nesse sentido, de acordo com Friedrich, o Brasil, por sua vez, através de suas políticas públicas tem reconhecido cada vez mais a utilização de plantas medicinais na atenção à saúde, tornando a fitoterapia uma opção terapêutica oficial no SUS.
Saiba mais sobre as espécies utilizadas e sobre o programa Cultivando Água Boa
Programa com plantas medicinais leva renda à agricultura familiar
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