Fila de até 100 pessoas é o unico inconveniente do Resturante Popular

Um prato de comida bem feito e bem servido, mais sobremesa e suco, por um real.
Na semana passada, depois de diversos adiamentos, finalmente foi reinaugurado o restaurante popular de Porto Alegre.
Fechado em junho de 2013, o restaurante estava funcionando de forma provisória no albergue da Fasc (Fundação de Assistência Social e Cidadania), desde agosto de 2015.
O novo endereço é na rua Santo Antônio, 64, próximo à Farrapos.
Na abertura, o prefeito Fortunati e sua equipe posaram sorrindo e provaram a iguaria diante das câmeras. Teve até repórter de tevê garantindo “não é fake, gente. Eu vou comer de verdade”. Mas essa parte a câmera não mostrou.
Por volta das vinte para a uma desta sexta-feira, a faminta equipe do JÁ chegava à fila do restaurante popular.
Queríamos conferir se, sem câmeras nem autoridades, o almoço era o mesmo.
Na chegada, cerca de 100 pessoas aguardavam calmamente na fila sua vez de almoçar.
Quase metade eram idosos, para estes, uma fila especial. A fila comum se estende rente à parede externa, onde há alguma sombra, faz uma curva e volta.
Um rapaz vestindo a camiseta do Flamengo da Tuca, time de várzea de Porto Alegre, e uma moça de crachá da prefeitura orientam a fila.
Mas o que funciona mesmo é a autogestão. Sempre tem um ou outro malandro disposto a se fazer de desentendido e tentar entrar pela curva ou no meio da fila. Mas o truque não cola e os furões são orientados educadamente a pegar o fim da fila.
No horário de pico do almoço, entre 12h30 e 13h30, é comum ter fila, mesmo nos restaurantes comuns. No restaurante popular a fila é mais demorada, mas o tempo passa rápido.
Ninguém fica mexendo no celular, as pessoas têm disposição em conversar fiado com os companheiros de espera.
O público é formado por pessoas pobres, trabalhadores, aposentados, desempregados, moradores de rua, hippies da Praça da Alfândega, travestis da Farrapos, um homem com uniforme da empresa de construção civil, outro, mais jovem, com uniforme de treinamento de uma loja de calçados.
O senhor à minha frente garante que a comida é muito boa, mas que tem fila em qualquer horário: “também, uma barbadinha dessa todo mundo quer, como não vai ter fila, né?”
Não é um homem de muitas palavras, deixa para falar quando é necessário, ou seja, se tem um furão ou se alguém se distrai e a fila não anda. Alguém demorou para lavar as mãos e ele não perdoou: “ô mano, acostumado a dormir na pedra e toda essa frescura para lavar a mão?”
Mais adiante na fila, duas travestis puxavam papo com os demais, falavam alto, gargalhavam, ajudavam a tornar à espera de barriga vazia mais tranquila.
Um homem passa de um em um, com um punhado de tabaco na mão, pedindo uma seda. Rapidamente consegue um pedaço de papel  para o pito digestivo: “um cigarro depois do almoço é necessário”, sentencia um senhor de boné da CUT atrás de mim.
Um homem de uns cinquenta e poucos anos, com uma aparência, digamos assim,  mais burguesa, comenta que trabalhou na montagem e desmontagem do palco dos Rolling Stones.
Diz que viu Mick Jagger saindo do show ensopado da chuva e Keith Richards, com um roupão branco. “Os caras são umas caveirinhas, bem magros, quem ve no telão com aquele monte de luz não imagina.”
“Demora, mas vale a pena”
Depois de 50 minutos de espera, é chegada a hora boa. Paguei a moeda e entrei. De longe, meu antecessor de fila avistou o bufê e constatou que o horário da fartura já havia passado: “está tudo regrado. Não te falei?”
Na entrada, cliente pega uma bandeja, prato, talheres e sobremesa. Quem serve o prato são as atendentes.
Meio prato de alface, uma boa porção de arroz, com duas conchas de feijão carioca por cima, três batatas cozidas e uma colher de guisado. Prato farto.
O suco é desses em pó, sabor uva, a sobremesa, um creme branco, provavelmente de baunilha, destes que se encontra pelos bufês da cidade.
A colher de guisado foi a última desta sexta-feira. Como a demanda é muito grande, depois de um certo horário o bufê fica incompleto.
Às 13h30, acabou o guisado e o almoço ficou vegano. “O detalhe é tu chegar um pouco antes de meio dia”, orienta um frequentador, que afirma que quando o restaurante funcionava de forma provisória no albergue da Fasc, o serviço era mais ágil, por serem servidas viandas. Além do que, dava pra almoçar e levar a janta por dois reais.
Contrariando a expectativa, o prato tem o mesmo aspecto daquele mostrado na televisão no primeiro dia de funcionamento  da casa. A comida é realmente saborosa e bem preparada.
“Um prato destes em um restaurante deve valer pelos menos uns dez reais”, calcula um senhor idoso que pede licença, senta à mesa e completa “demora, mas vale a pena”.
O salão não chega a ficar lotado e as mesas, de quatro lugares, geralmente são compartilhadas entre duas ou três pessoas. As mesas permanecem limpas, ainda que não tenha sido visto nenhum funcionário limpando.
O restaurante popular funciona de segunda à sexta, das 11h30 às 14h30 – ou enuanto durarem os estoques. Diariamente são servidos cerca de 500 almoços. Quem prepara o banquete são os funcionários da empresa Mix Refeições Coletivas. Trata-se de um restaurante sem cozinha, a comida vem pronta e, no loca, os funcionários apenas aquecem e servem.
A fila é um pouco demorada, mas para quem tem muita fome, pouco dinheiro e algum tempo, o restaurante popular é o melhor custo benefício da cidade.

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