GERALDO HASSE.
A economista Maria Lucia Fatorelli esteve na última quarta-feira (1 de julho) na Comissão de Fiscalização Participativa do Congresso Nacional e deu um banho de conhecimento sobre o endividamento do governo brasileiro.
Após sua exposição, ao vivo pela TV Câmara, ímpossível não concluir que aí, na dívida, está o X da crise brasileira, que se resume a uma crise recorrente do balanço de pagamentos provocada pela dependência dos capitais externos.
O Brasil é governado pela dívida gerida por “dealers” de 12 bancos que se revezam na vigilância dos juros pagos pelo Tesouro Nacional aos credores internacionais.
No momento, revelou a senhora Fattorelli, o Banco Central do Brasil está pagando mais do que os 13,75% que ele próprio BC fixou para os juros pagos aos credores da dívida brasileira.
Enquanto ela falava para uma platéia atenta convocada pela deputada paulista Luiza Erundina (PSD), a presidenta Dilma Rousseff passeava em Washington com um sorridente Barack Obama, pouco mais de um ano depois do cancelamento de sua viagem aos EUA por causa do escândalo da espionagem ianque no Brasil, particularmente no Palácio do Planalto e na Petrobras.
Que os americanos têm espiões pelo mundo, todo mundo sabe. Que eles possuem interesse explícito no petróleo brasileiro, ninguém ignora. Também estamos cientes de que os interesses diplomáticos obrigam os políticos e os empresários a engolir sapos pelo mundo afora, mas o que o Brasil ganhou com a viagem de Dilma aos EUA? Nada.
Dilma está dilapidando o patrimônio político amealhado para o PT por seu padrinho político, o ex-presidente Lula. O governo federal vive um apagão político mais intenso do que o vivido por Lula em 2005, quando começou o escândalo do Mensalão. É um tempo perigoso.
Segundo o cientista político Antonio Carlos de Medeiros, que trabalha no eixo Vitória-Brasilia, o Brasil está no limiar de uma crise de Estado.
A causa é essa combinação perversa de abulia presidencial com o desmedido apetite gerencial dos dirigentes parlamentares Eduardo Cunha e Renan Calheiros, tudo temperado pelo “laissez faire” do Judiciário e a irresponsabilidade da mídia, que joga todas suas fichas num golpe que antecipe o fim do mandato de Dilma.
Por que a presidenta se comporta como se estivesse acuada? Estará esperando uma hora mais propícia para se defender do cerco que lhe movem os incomodados com o modo petista de governar – seja isso lá o que for? Acredita mesmo que é melhor ficar em silêncio, sem dar porrada nos inimigos e adversários?
Se colocarmos numa peneira as mulheres mais corajosas e salientes do Brasil de agora, Dilma provavelmente desapareceria da tela, eclipsada por figuras como essa Maria Lúcia Fatorelli, que percorre o país numa rara luta nacionalista para implantar a auditoria cidadã da dívida.
É o caminho para se libertar do jugo dos bancos internacionais, uma rede vampiresca da qual fazem parte os gigantes brasileiros Bradesco e Itaú, entre outros de menor porte.
O Brasil é devedor dos ingleses Rostschild desde 1824, quando mal havia se libertado da Coroa portuguesa. Devemos também para alemães, japoneses, americanos e chineses.
Por que o Brasil faz questão de pagá-los em dia, juros sobre juros, sacrificando a população trabalhadora? Não seria este o momento de botar a boca no trombone e iniciar a auditoria da dívida que sufoca a economia brasileira?
O ajuste fiscal ordenado para custear o endividamento está provocando cortes de verbas para obras públicas fundamentais, inibindo investimentos privados (sempre atrelados ao bom humor oficial), gerando desemprego, queda das receitas públicas e estagnação econômica. Somado à inflação que não cai, é um quadro terrível cujo reflexo aparece no baixo índice de aprovação do governo – apenas 8%.
A DÍVIDA QUE NOS GOVERNA
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