
André Venzon e Igor Sperotto ocupam atualmente a Galeria (Fotos: Divulgação/JÁ)
Naira Hofmeister
O endereço é nobre: rua 24 de Outubro, 200. O coração do Moinhos de Vento – possivelmente o bairro onde mais existe dinheiro para consumir arte e tempo para lutar por ela – é o cenário de uma história que tarda a aparecer.
Há exatos 20 anos, num longínquo 1986, o então prefeito de Porto Alegre, Alceu Collares, descerrou a placa que inaugurava o Centro de História e Cultura Antônio Klinger Filho. O local, um antigo reservatório de água do DMAE serviria a partir de então, para outro serviço de primeira importância pública: a divulgação da produção artística local e a conservação de sua memória.
Apesar do esforço da administração, atualmente composta por Jaime Pereira Junior – servidor do DMAE há 12 anos e nos últimos cinco à frente da Galeria – e pela estagiária Marinice Velleda Ribeiro, a Galeria de Arte do DMAE não mostra seu potencial para a cidade.
Sem verba própria, iluminação e climatização inadequadas e divulgação insuficiente para se consolidar no meio artístico, o espaço convive com o desconhecimento. Também sofre com o descaso de direções anteriores, sem metodologia para documentar a historia da galeria.
O livro de visitas consegue registrar entre 100 e 300 assinaturas ao mês. A maior parte do público é de alunos das escolas públicas de Porto Alegre que fazem parte do Projeto Ambiental desenvolvido pelo Departamento. “As crianças acabam conhecendo porque estão de passagem de uma sala para outra”, explica o administrador. Os moradores do bairro também são freqüentadores, em sua maioria, visitantes da praça.
Cercado pelos inspiradores jardins da antiga Hidráulica do Moinhos – com aquele encanamento aparente, pintado com cores vivas – e integrando o belo conjunto arquitetônico da Estação de Tratamento, o subterrâneo dispõe de espaço invejável para exposições de arte. São quatro largos corredores entre paredes enfeitadas com arcos que medem 15m x 19m, um total de 285m² de área livre.
Nesse espaço está incluída a área destinada ao acervo, que conta com cerca de 160 obras que vêm sendo catalogadas por Marinice, estudante de Artes Plásticas na UFRGS. As obras foram doadas por artistas que utilizaram o espaço para expor trabalhos, como Leandro Selister e Eduardo Guimarães.
As mais antigas datam de 1989, mas algumas peças são de difícil identificação. “Há problemas porque etiquetas se perderam e estou identificando por aproximação com outras obras”, revela a estagiária. Jaime também reclama da falta de arquivos da história do local: “No máximo, temos alguns convites de exposições antigas, nada mais”.
Desde 1997, há um projeto vinculado ao DMAE que solicita obras para uma reforma geral no espaço. “Estariam incluídos aí uma biblioteca, acesso para deficientes físicos e uma copa exclusiva para a Galeria”, enumera Jaime. A sinalização também deve ser repensada, já que não há placas indicando o espaço de arte dentro do complexo e, obviamente, nenhuma na área externa da Hidráulica. “Isso ajudaria a atrair mais visitantes”.
Atualmente, o espaço sedia a mostra A Cidade Sem Face 2 – Lugares Anônimos, dos fotógrafos André Venzon e Igor Sperotto, que segue em exposição até o dia 18 desse mês. A próxima mostra será uma homenagem ao servidor do DMAE e abre no dia 26 de outubro.

Deixe um comentário