A memória viva do Rio Branco

Helen Lopes

O farmacêutico David Kelbert tem uma relação de oito décadas com a esquina da Ramiro Barcelos e Protásio Alves. “É um patrimônio do bairro”, brinca sua esposa Augusta. O casal é proprietário da Farmácia Progresso e da loja Kelbert’s, mas a relação com o local é anterior.

David tinha cinco anos quando pisou pela primeira vez no endereço. Ele não apenas presenciou as transformações da região como as conserva na memória com detalhes surpreendentes. “Me considero o historiador do bairro”, orgulha-se. Aos 88 anos lembra passagens históricas. “O terreno do Hospital de Clínicas era uma imensa chácara que se estendia da Protásio até o Arroio Dilúvio. Pertencia a dois portugueses que foram embora e deixaram tudo para a União”, conta. David também viu a construção e o fechamento da Campal – primeira loja ao estilo de um supermercado.

Já Augusta, 84 anos, não esqueceu da propaganda nos bondes da década de 30. “O letreiro mais famoso dizia: Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. No entanto, acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rum Creosotado”.

Nos anos 40 fundaram a Farmácia Progresso, que se tornou referência e recebeu ilustres, como o escritor Érico Verissimo. “Ele ia caminhando, depois pegava o ônibus e voltava pra casa”. Mario Quintana também era freqüentador da drogaria. “Um dia chegou o doutor Ildo Meneghetti, que morava na Ramiro com a Vasco da Gama. Não demorou, entrou o Brizola e, logo em seguida, o Brochado da Rocha. Ficaram ali conversando”, recorda.

David e Augusta ergueram sua moradia na esquina e tiveram três filhos, dez netos e se preparam para receber o terceiro bisneto. “Quando saímos de casa não andamos meia quadra sem cumprimentar alguém”, comemoram.

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