
Carlos Reverbel é um dos jornalistas mais importantes da história recente do Rio Grande do Sul. Pesquisador respeitado nas áreas de história e cultura rio-grandense, atuou na imprensa gaúcha durante mais de 60 anos, em veículos como a Revista do Globo e os jornais Correio do Povo e Zero Hora. Como repórter e pesquisador, Reverbel foi um incansável incentivador da cultura rio-grandense e sua biografia do escritor Simões Lopes Neto – Um Capitão da Guarda Nacional, edição esgotada – é considerada até hoje um marco na redescoberta do autor regionalista pelotense pelo resto do país. Como cronista, conquistou o respeito e a admiração de autores como Rubem Braga e Luis Fernando Verissimo.
Para resgatar sua trajetória, Elmar Bones e Claudia Laitano se debruçaram sobre a obra do gaúcho e selecionaram trechos indispensáveis dos seus escritos, publicados no volume Carlos Reverbel – Textos Escolhidos, que sai pelo selo do JÁ Editores, com apoio do projeto Copesul Cultural. Além de reportagens realizadas na década de 50, o leitor vai encontrar a biografia de Simões Lopes Neto e as coletâneas de crônicas Barcos de Papel (1979) e Saudações Aftosas (1980) e o livro de memórias Arca de Blau (1993).
O lançamento acontece em duas datas. Nesta segunda-feira, 6, um evento no Memorial do Ro Grande do Sul apresenta o livro para convidados. Na terça-feira, 7, os autores autografam Carlos Reverbel – Textos Escolhidos, na Praça de Autógrafos da Feira do Livro, a partir das 17h30.
O livro, dividido em três partes, abre com as reportagens que têm Simões Lopes Neto como personagem principal. Na introdução deste capítulo, um ensaio do professor Flávio Loureiro Chaves destaca a importância de Carlos Reverbel nos estudos da obra do autor do Negrinho do Pastoreio. Na segunda parte, Sérgio da Costa Franco Antecipa as crônicas de Reverbel. Ao fim, uma reedição de A Arca de Blau, com fotos e correspondência.
Reverbel conquistou boa parte de seu prestígio graças a textos que investigavam diferentes aspectos da cultura rio-grandense. Desde o início de sua carreira, no entanto, o rigor de repórter e pesquisador conviveu com a ironia fina e o agudo senso de observação do cronista.
Carlos Reverbel trabalhou nos mais importantes veículos de comunicação do Estado ao longo de mais de 60 anos de carreira jornalística. Estava na Editora Globo, no auge do sucesso da Revista do Globo, ao lado de nomes como Erico Verissimo e Mario Quintana, e participou da criação da Província de São Pedro, revista que seria um marco na história cultural do Estado. Como editor das páginas de Cultura do Correio do Povo, publicou textos dos mais importantes intelectuais do país, movimentando a cena cultural local. Como cronista, na Folha da Tarde, no Correio e na Zero Hora, conquistou leitores com graça e leveza.
Nas reportagens da Revista do Globo, com a qual começou a colaborar no início dos anos 40, já aparece sua habilidade para retratar a vida cotidiana em Porto Alegre com a graça e a inteligência que revelaria muitos anos mais tarde nas crônicas publicadas nos jornais Folha da Tarde e Correio do Povo – parte delas reunida nas coletâneas Barco de Papel e Saudações Aftosas – e depois em Zero Hora, onde manteve uma coluna semanal de 1987 a 1997. Nessas crônicas, assim como na seção Bibliografia Rio-grandense, publicada no Correio do Povo entre 1964 e 1966, Reverbel revela-se um incansável garimpador de histórias e personagens da cultura gaúcha, além de um narrador elegante e preocupado com o prazer dos seus – muitos – leitores.
Serviço
Carlos Reverbel – Textos Selecionados
Autores: Elmar Bones e Claudia Laitano
JÁ Editores

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