FELIPE UHR
Não se trata apenas de um caso da polícia. Para o secretário José Mariano Beltrame, Segurança Pública é um problema muito maior.
“O Estado perdeu a capacidade de fornecer um bom serviço público”, foi uma das frases de Beltrame durante sua palestra, nesta manhã de segunda-feira, no salão Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre.
A palestra faz parte da terceira reunião que o Comitê Permanente de Segurança Metropolitano realiza na casa. Diante de policiais civis e militares, representantes de associações e sindicatos de segurança, Beltrame falou por pouco mais de duas horas.
“Se vocês pegarem a constituição de 1988, quando se fala sobre segurança, é polícia do início ao fim. É a porta da cegueira”, defendeu.
Beltrame afirmou que foi um grande erro ter deixado as políticas de segurança para os estados. Destacou que segurança é tão importante quanto educação e saúde, logo merecia espaço no orçamento. Para o secretário, a falta de planejamento é um dos grandes fatores para o aumento da insegurança. “Olhem a Rocinha, tem cem mil moradores e duas ruas, o resto é beco. Não teve projeto habitacional, homologaram a desordem”.
“O meu telefone não funciona no presídio, o do bandido funciona”
Entre os problemas atuais, Beltrame destacou a falta de uma pena mais severa, as brechas na lei que facilitam a vida dos bandidos e a estrutura do crime que, segundo o secretário, é maior e muito melhor organizada que a da Polícia. “O meu telefone não funciona no presídio, o do bandido funciona”, lamentou.
O secretário destacou as mudanças também nas academias militares, que promoveu através do chamado “banco de talentos”. Qualquer um pode dar aula nas academias desde que passe por uma seleção técnica. Beltrame ressaltou que a Secretaria dá total autonomia para as instituições e que a maior parte dos recursos vai direto para os órgãos, apenas uma pequena parte fica a cargo da própria Secretaria. “Isso é planejamento estratégico” .
Há quase 10 anos no comando da pasta de Segurança Pública, Beltrame citou como as UPP’S (Unidade de Policia Pacificadora) colaboraram para a diminuição dos índices de criminalidade no Rio e que os problemas como corrupção, efetivo, sistema prisional e planejamento ainda existem. Para ele, prevenir é o melhor jeito de combater a insegurança. “Onde há Upps, os lugares estão infinitamente melhores”.
Sobre o esquema de segurança para as olimpíadas, Beltrame ressaltou que o maior cuidado é com relação ao terrorismo, mas que, desde 2007, trabalha-se na prevenção e na segurança para o evento. O secretário afirmou ainda que há 21 instituições, públicas e privadas trabalhando para isso e ressaltou quatro grandes eventos que serviram de teste para as Olimpíadas e que tiveram êxito na questão da segurança: “Tivemos o Pan, as Olimpíadas Militares, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo”.
Após a palestra, o secretário respondeu a questionamentos de representantes de entidades ligadas à segurança. Estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal, o vereador Cássio Trogildo, e, representando a Assembleia Legislativa, o deputado estadual Mauricio Driziecki. O prefeito José Fortunati e o secretário de Segurança Pública do RS, Wantuir Jacini, também discursaram sobre o tema, mas não ficaram para ouvir o convidado do Rio de Janeiro.
"A polícia está esgotada", avalia secretário de Segurança do Rio
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário