Naira Hofmeister
A décima quarta edição do porto Alegre Em cena inicia na segunda-feira, 10 de setembro. Daí em diante serão 20 dias e 72 espetáculos distribuídos em 21 espaços da capital do Estado. Mais de 800 atores e diretores farão 150 apresentações durante o evento, que a própria organização propagandeia como o maior de todos os tempos.
“Este ano, para nossa imensa satisfação, tudo aumentou no festival. O número de peças, de países, de jornalistas que pediram para fazer a cobertura, as superproduções”, comemora Luciano Alabarse, coordenador do festival.
Em 2007, o Em Cena terá grandes expoentes do teatro contemporâneo internacional. Pela primeira vez a América do Sul recebe o Théâtre du Soleil, dirigido pela célebre Ariane Mnouchkine, que montou uma ‘filial’ da Cartoucherie francesa no bairro Humaitá, na Zona Norte de Porto Alegre, para a apresentação de Les Éphémères.
O espetáculo exigiu preparação especial dos técnicos do festival, pois o grupo trouxe onze containeres de carga. Les Éphémères tem quase oito horas de duração e será dividido em duas partes. A maior expectativa entre o público é sobre a refeição que os atores servem para a platéia. “É um golaço de final de Copa do Mundo!”, resume Luciano Alabarse.
O espetáculo francês Les Éphémères tem oito horas, dividas em dois dias de apresentação
Do Mercosul chegam 13 espetáculos, entre eles, BoccaTango, no qual o bailarino Julio Bocca faz sua última apresentação como profissional. Depois de deixar o palco do Teatro do Sesi, na noite de 20 de setembro, o argentino pendura as sapatilhas definitivamente.
“Gosto muito de Kagemi, do grupo Sankai Juku do Japão, que considero um espetáculo belíssimo. China Zorrilla, de Elza e Fred, se apresentando aos 85 anos e pela primeira vez no Brasil são momentos que eu destaco numa programação que prima pela excelência e pluralidade artística”, avalia Luciano Alabarse.
A companhia de dança Sankai Juku, considerada uma das mais importantes do mundo, traz o espetáculo Kagemi
A música e a dança serão protagonistas na 14ª edição do Em Cena. Dos 72 espetáculos da grade de programação, 17 são desses gêneros. “Os maiores festivais do mundo mostram a saudável iniciativa de programarem cada vez mais espetáculos que cruzam linguagens utilizadas pelas artes cênicas”, justifica.
O Rio Grande entra em cena
Se as peças internacionais são sempre atrações especiais, a lista dos espetáculos do Rio Grande do Sul deixa claro que o festival quer valorizar a produção local. O número de peças regionais se aproxima bastante que as demais categorias e pela primeira vez há espetáculos do interior do Estado. “Sugestão de Dona Eva Sopher, aceita prontamente”, revela Alabarse.
De Caxias do Sul, chega o grupo Tem Gente Teatrando, com o clássico de Plínio Marcos Navalha na Carne. O diretor Helquer Paez traz sua montagem do texto de Nelson Rodrigues O beijo no Asfalto e a pequena Rondinha estará representada por O Ferreiro e a Morte.
A Pedra do Reino, baseada na obra de Ariano Suassuna, é uma das atrações nacionais
“Todas as peças locais passaram pelo crivo da comissão de seleção e mostram o bom momento da produção cênica gaúcha. É bom poder mostrar o que estamos produzindo para os convidados de outras cidades”, acredita o coordenador.
Outro sinal da valorização das produções gaúchas é o Programa de Fidelidade ao Teatro Local (Profit). Durante os primeiros meses do ano, o espectador que comparecesse à cinco apresentações na capital, ganhava uma entrada para qualquer peça do Porto Alegre Em Cena.
“Esses dias uma senhora veio me agradecer porque desde o lançamento do Profit começou a assistir nossas produções e estava encantada com o teatro gaúcho. Ou seja, objetivo alcançado”, festeja Alabarse, que garante que em 2008 o projeto terá continuidade.
Já o Troféu Braskem Em Cena chega à sua segunda edição e vai distribuir prêmios em dinheiro para os melhores espetáculos locais. Mesmo com o apoio total da classe artística e com a repercussão que teve na edição anterior, o coordenador do festival ainda é cauteloso em afirmar que será incorporado definitivamente ao festival.
“No Brasil, é muito arriscado falar em patrocínio permanente para um evento cultural. A Braskem é uma empresa séria, está feliz com o Troféu, e sinaliza que seguirá. Eu cruzo os dedos para que todos os patrocinadores, não só eles, estejam conosco ano que vem”.
A estréia do pelotense
Vitor Ramil é a atração que abre o 13º Porto Alegre Em cena, na noite do dia 10, no Theatro São Pedro. Satolep Sambatown é o resultado da união do pelotense com o percursionista carioca Marcos Suzano. De Satolep, cidade imaginária de Ramil inspirada em Pelotas, vem a Estética do Frio, conceito desenvolvido há anos pelo músico. De Sambatown, a fantasia de Suzano, chega a batida do pandeiro como centro de uma arquitetura rítmica.
Satolep e Sambatown também são os nomes dos selos que cada um dos músicos mantém e o título do disco que, curiosamente, lançam pela Universal. “Como cada um tem uma gravadora, optamos por uma terceira para nos focarmos no trabalho artístico”, justifica Ramil.
A noite no São Pedro será a estréia nacional do espetáculo, que depois seguem em turnê pelo Brasil. “Não tenho confirmação das datas, mas sei que Pelotas, Santa Maria e Caxias do Sul estão no roteiro”, antecipa.
Espetáculos já estão esgotados
O show de abertura do Em Cena, Satolep Sambatown é um dos 15 espetáculos com ingressos esgotados. Com o início dos espetáculos, as entradas que restam serão comercializadas on-line (http://www.portoweb.com.br/centraldeingressos/), na porta dos teatros e na antiga Casa Rocco, no centro de Porto Alegre, entra as 12h e às 18h. A entrada custa R$ 20,00 e podem ser compradas somente em dinheiro.
Quem doar um quilo de alimento não perecível recebe 50% de desconto. Também pagam meia idosos, estudantes, professores e artistas.
Os esgotados
4:48 Psicosis
A Casa
A Missão
Convergence 1.0
Crave
H to H (dia 20.09)
La divina (14.09)
Lágrimas amargas de Petra von Kant
Les éphémères
Madame Curie
O beijo no asfalto
Por uma vida um pouco menos ordinária (19.09)
Prêt-à-Porter 9
Satolep Sambatown
Solitos (23.09)

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