
Últimos dias para freqüentar os piquetes (Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
A poucos dias de desmontar os piquetes, os participantes começam a avaliar o Acampamento Farroupilha deste ano. Um dos pontos altos foi o tema escolhido para as atividades culturais, Assim se fez o gaúcho, uma referência as cinco etnias que compõem os nativos do Rio Grande do Sul. Mas poucos piquetes desenvolveram atividades sobre o assunto.
Desde o ano passado, a Prefeitura de Porto Alegre exige que cada piquete inscrito tenha um projeto cultural que ofereça oficinas e atividades para a comunidade. Neste ano, de 378 inscrições, apenas 11 planejaram um roteiro sobre o tema proposto: as diferentes etnias gaúchas, como índio, negro, português, italiano e alemão. A maior parte dos inscritos preferiu atividades relativas à culinária e ao chimarrão.
Waldemar Belém, que há 4 anos participa do acampamento, diz que muitos piquetes nem desenvolvem o roteiro. “Fica só no papel”, conta. Ele diz que alguns grupos oferecem oficinas de montaria, mas nem levam cavalos para o parque Harmonia. “Sai muito caro e o barulho assusta os bichos”. A Prefeitura incentivou o tema com algumas apresentações culturais de diferentes etnias no Galpão da Chama Crioula.
Os negros

Soares quis lembrar da história do negro na Revolução Farroupilha
O Piquete Amigos da Fronteira foi um dos únicos que promoveu atividades relacionadas aos negros no Acampamento Farroupilha. O grupo familiar escolheu homenagear esta etnia que participou de muitas batalhas na Revolução Farroupilha. “Os negros têm tanta importância quanto os outros, mas nem sempre são lembrados”, lamenta um dos integrantes, Eduardo Soares.
A família organizou três eventos ao longo da estadia no acampamento: Um debate com personalidades negras que tiveram trajetória marcante no Rio Grande do Sul; um recital de poesias com o ator negro Sirmar Antunes e uma apresentação de contos e lendas gaúchas como o Negrinho do Pastoreio.
Nas paredes do piquete ainda está montado um painel que mostra os negros gaúchos que ajudaram a desenvolver o Estado. Entre os citados, está o jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e a atriz Sheron Mancilha Menezes. O objetivo é mostrar que no Rio Grande do Sul existem afro-descendentes que fazem a diferença.
“Muitas pessoas de outros estados acham que gaúcho é loiro de olhos azuis. Até parece que no Rio Grande do Sul não tem negro”, diz Soares.
“Não vejo índios no Acampamento”

A índia Acuab diz que os indios ensinaram muito para os gaúchos
Na tarde desta terça-feira, 19 de setembro, a índia Charrua Acuab era a única descendente de índios no Acampamento Farroupilha. Ela foi acolhida pelo piquete CTG Tiarayú onde mantém uma banca com plantas medicinais, artesanatos, CDs e DVDs com a história do guerreiro Sepé Tiaraju. A índia, nascida na região das Missões, relata que não vê índios pelo acampamento.
Para ela, os gaúchos devem muito aos Charrua. “Nós adotamos o gaúcho como filho de criação”. Ela lembra que muitas tradições gaudérias foram ensinadas pelos índios, como chimarrão, facão, espeto e carne no chão. Acuab quer mostrar isso no desfile do dia 20 de setembro, do qual vai participar.

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