Além da proposta da Fepam de zoneamento, corre por fora outra preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. (Foto: Tânia Meinerz/JÁ)
Geraldo Hasse, especial para o JÁ
Os três fabricantes de celulose que compraram terras no Rio Grande do Sul para o plantio de eucalipto intensificaram sua campanha contra as restrições à silvicultura estabelecidas pela Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam).
Com o apoio da imprensa e de políticos, especialmente na Assembléia Legislativa, a Aracruz, a Votorantim e a Stora Enso ameaçam desistir de seus três projetos industriais se não receberem licenças para plantar a espécie vegetal australiana em pelo menos 50% das áreas adquiridas – no total, as três já compraram cerca de 200 mil hectares e plantaram o equivalente a 30% disso.
Nenhuma das três está satisfeita com as novas regras impostas pela Fepam. Entretanto, com o que já plantaram, mais o que poderiam comprar de terceiros, as três empresas, sócias entre si em dois negócios de celulose no Espírito Santo e na Bahia, já disporiam de matéria-prima suficiente para tocar uma fábrica de um milhão de toneladas de celulose por ano no Rio Grande do Sul. Até agora, elas vêm atuando isoladamente no Estado, mas não é fora de propósito imaginar que possam convergir no futuro.
Na pressa para conseguir plantar o máximo com o mínimo de restrições, o trio de empresas vem conseguindo criar um clima de constrangimento para os técnicos da Fepam, órgão responsável pelo licenciamento de atividades que ofereçam risco ao equilíbrio ecológico.
Em matérias e notas na imprensa, o funcionalismo da área ambiental está sendo pintado como “preguiçoso”, contrário ao desenvolvimento econômico do Estado e insensível à necessidade de criação de novos empregos.
Segundo o argumento dos silvicultores, a demora na expedição de licenças pode comprometer a preparação das mudas de eucalipto e provocar atrasos nos plantios. Viveiristas de Guaíba, Barra do Ribeiro e Butiá já se declararam na contingência de demitir empregados. “Temos o direito de saber se o Rio Grande do Sul quer ou não quer nossos projetos”, disse, na quarta-feira (25/4), o engenheiro Walter Lídio Nunes, diretor de operações da Aracruz, dona da maior fábrica de celulose do Estado, com sede em Guaíba, onde a empresa se dispõe a quadruplicar a produção.
Gaúcho da capital que fez carreira na indústria de celulose do Espírito Santo, Nunes reclamou objetivamente da contradição entre a boa vontade dos dirigentes políticos do Rio Grande do Sul e a má vontade dos técnicos da área ambiental. Já seu chefe Carlos Aguiar, presidente da Aracruz, foi mais longe: queixou-se de que a silvicultura seja a única atividade agrícola sujeita a rígidos controles ambientais no Estado.
Na prática, a campanha dos produtores de celulose visa derrubar a proposta de zoneamento ambiental apresentada em dezembro de 2006 pela Fepam ao então governador Germano Rigotto, que prometera facilidades às empresas. Feito às pressas, o zoneamento dividiu o território gaúcho em 45 diferentes unidades de paisagem.
Na maior parte (75%) do Estado, segundo esse novo regulamento ambiental, a silvicultura pode se desenvolver com restrições que variam de 25% a 80% das áreas. Em cerca de 25% do território gaúcho, a silvicultura não é recomendável.
Confronto
As agendas ambiental e empresarial em torno do plantio de eucalipto no Rio Grande do Sul convergem para um confronto definitivo nos últimos dois meses do primeiro semestre de 2007.
Estão marcadas para meados de junho em diferentes cidades do interior – Pelotas (11), Alegrete (13), Santa Maria (14) e Caxias do Sul (19) – quatro audiências públicas sobre o zoneamento ambiental para a silvicultura proposto pela Fepam. Para junho, está marcada a reunião geral em que o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) tomará uma decisão final sobre a proposta da Fepam.
Corre por fora, porém, uma contraproposta de zoneamento preparada por um grupo de trabalho emergencial formado no final de 2006 pelo governo estadual. Nesse GT, o setor mais influente é formado pela Associação Gaúcha de Reflorestadores (Ageflor), entidade formada por prestadores de serviços a empresas consumidoras de madeira.
Acirra-se a briga sobre o plantio de eucalipto no pampa
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